O que são figuras de pensamento?

As figuras de pensamento são figuras de linguagem que funcionam como estratégias linguísticas para modificar a forma de apresentar as ideias, tornando os textos mais expressivos e criativos.

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As figuras de pensamento são recursos linguísticos que atuam na forma de organização das ideias, com o objetivo de construir textos mais expressivos, criativos e plurissignificativos. Elas podem gerar diferentes efeitos, como intensidade, suavização, humor, contraste, etc. As figuras de pensamento existentes são a ironia, o eufemismo, a ironia, a prosopopeia, a antítese, o paradoxo e a gradação.

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Leia também: Qual a diferença entre sentido literal e sentido figurado?

Tópicos deste artigo

Resumo sobre figuras de pensamento

  • As figuras de pensamento são um dos tipos de figuras de linguagem.
  • Nas figuras de pensamento, explora-se o modo de organizar as ideias, a fim de ampliar o sentido ou aumentar a criatividade da escrita.
  • As figuras de pensamento são muito utilizadas em textos literários, devido ao seu caráter expressivo e criativo.
  • As figuras de pensamento existentes são: hipérbole, eufemismo, ironia, prosopopeia, antítese, paradoxo e gradação.
  • A hipérbole provoca um exagero intencional, enquanto o eufemismo busca suavizar a mensagem.
  • A ironia é o ato de dizer o contrário do que se quer expressar.
  • A prosopopeia é a ação de dar vida, comportamento ou sentimentos humanos a seres inanimados ou a outros animais.
  • A antítese utiliza a aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos.
  • O paradoxo faz afirmações ilógicas ou impossíveis para dar expressividade ao que se pretende dizer.
  • A gradação é o ato de organizar as ideias em uma sequência específica, a fim de dar efeito ascendente ou descendente.

Videoaula sobre figuras de pensamento

Afinal, o que é uma figura de pensamento?

As figuras de pensamento são um tipo de figura de linguagem, por isso podem ser compreendidas como recursos linguísticos utilizados com o objetivo de gerar expressividade do texto. No caso das figuras de pensamento, elas exploram as formas de pensar, apresentando ideias fora de uma lógica literal (sentido denotativo). Essas figuras ajudam a compartilhar os pensamentos de forma expressiva e criativa, por isso são muito comuns nos textos literários.

Exemplos:

Estava cansada, mas mantive um comportamento profissional com todos.

Estava cansada, acabada por dentro, sorridente e educada por fora.

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Nos exemplos acima, há duas formas de expressar um mesmo pensamento. Na primeira frase, o locutor indica, de forma objetiva, a oposição entre seu estado interno (cansada) e seu estado externo (profissional). Já no segundo exemplo, o locutor usa da antítese entre as palavras dentro e fora, acabada e sorridente, para mostrar a mesma oposição da primeira frase. A diferença entre elas, portanto, é que a segunda tem mais expressividade, já que utiliza a figura de pensamento, enquanto a primeira é mais objetiva e literal.

Quais são as figuras de pensamento?

As figuras de pensamento ou de ideias são:

  • hipérbole,
  • eufemismo,
  • ironia,
  • prosopopeia,
  • antítese,
  • paradoxo e
  • gradação.

→ Hipérbole

A hipérbole é um exagero intencional, ou seja, feito para causar intensidade na mensagem, deixando-a mais expressiva ou impactante, por exemplo.

Estou morrendo de saudades de você, amiga!

“Amor da minha vida
Daqui até a eternidade
Nossos destinos
Foram traçados na maternidade”

(Trecho da canção Exagerado. Composição: Cazuza, Ezequiel Neves e Leoni)

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Nos exemplos acima, a hipérbole é utilizada para expressar sentimentos de forma aparentemente exagerada, mas que visam simbolizar, justamente, a intensidade dessas emoções. Na primeira frase, a expressão morrendo de saudades utiliza o exagero para comunicar uma grande saudade da amiga. Já no trecho da música Exagerado, as expressões Daqui até a eternidade e traçados na maternidade são exageros que revelam a intensidade do sentimento amoroso do sujeito lírico.

→ Eufemismo

É uma suavização intencional de alguma ideia ou sentimento, a fim de atenuar a mensagem, isto é, deixá-la menos impactante.

Ele faltou com a verdade sobre o ocorrido, por isso decidimos terminar.

“Quando a Indesejada das gentes chegar
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar”

(Manuel Bandeira)

Nos exemplos acima, o eufemismo aparece em dois contextos diferentes, suavizando o teor da mensagem. Na primeira frase, a expressão faltou com a verdade ameniza o peso da mentira e pode ter sido utilizada para diminuir o teor emotivo da frase ou até para deixar a comunicação mais formal, por exemplo. Já o exemplo do poeta Manuel Bandeira usa o eufemismo na palavra Indesejada para se referir à morte, deslocando parte da densidade dessa ideia, ao mesmo tempo em que mantém seu teor desagradável aos humanos.

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Ironia

Ironizar é o ato de dizer o contrário do que se quer expressar, com o objetivo de amenizar um sentimento, realçar uma crítica ou gerar humor, por exemplo.

Quem foi o inteligente que deixou a água perto do teclado do computador?

“Bons joalheiros, que seria do amor se não fossem vossos dixes e fiados?”

(Machado de Assis)

Nos exemplos acima, a ironia é utilizada para cumprir diferentes objetivos. Na primeira frase, a palavra inteligente marca a ironia, pois, na verdade, julga-se o ato de deixar a água perto do teclado como algo não inteligente. Nesse caso, a ironia pode ter sido utilizada para amenizar ou reforçar a frustração do locutor. Já no segundo exemplo, a ironia está na pergunta que relaciona a permanência do amor com os dixes (tipo de adorno ou joia) e fiados dos joalheiros. Com isso, critica-se a superficialidade do sentimento amoroso e sua dependência de objetos materiais.

→ Prosopopeia ou personificação

Usamos a prosopopeia para dar vida a seres inanimados (objetos, elementos da natureza, emoções, etc) ou sentimentos e comportamentos humanos a outros animais. Esse tipo de figura de linguagem é muito utilizada, por exemplo, nas animações e desenhos infantis, nos quais, boa parte dos personagens são animais, coisas ou seres fantásticos, mas todos apresentam comportamentos e sentimentos baseados na diversidade humana.

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Além disso, a personificação pode aparecer pontualmente em alguns textos, como no exemplo abaixo, em que o poeta João Cabral de Melo Neto atribui ao amor a ação humana de comer, para simbolizar os ganhos e perdas que a experiência amorosa lhe causou, isso também é uma personificação, nesse caso, de um sentimento.

“Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. [...]

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.”

(João Cabral de Melo Neto)

→ Antítese

Aproximação de palavras semanticamente opostas, sem necessariamente apresentar uma contradição. Nessa figura, palavras e frases de sentidos opostos são utilizadas para construir uma determinada ideia.

Por fora, sorrisos. Por dentro, lágrimas.

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“Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.”

(Ferreira Gullar)

Nos dois exemplos acima, é possível constatar a presença da antítese na construção das ideias. Na primeira frase, as palavras sorrisos e lágrimas possuem significados opostos, assim como dentro e fora, logo, há duas antíteses na frase, elas são utilizadas para expressar a diferença entre a aparência do sujeito e seu real estado interno.

Já no segundo exemplo, o poeta Ferreira Gullar utiliza a antítese entre os vocábulos escuras e branco, amarga e adoço, que apresentam significados opostos, para evidenciar a diferença entre a realidade de quem produz versus de quem consome esse açúcar, realçando, dessa forma, desigualdades sociais do país.

→ Paradoxo

O paradoxo é uma ideia literalmente contraditória, mas que é utilizada de forma simbólica para representar um pensamento ou intensificar a expressividade de alguma ideia.

Não posso viver comigo, estou farta de mim.

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“Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros”

(George Orwell)

Nos dois exemplos acima, é possível identificar ideias aparentemente contraditórias, mas que, na realidade, simbolizam alguns sentimentos e ideias de forma simbólica. Na primeira frase, a contradição presente está na afirmação “não posso viver comigo”, algo que, humanamente, é impossível, mas que, no contexto, pode ser compreendido como o sentimento de insatisfação do sujeito consigo mesmo. Já no segundo exemplo, a contradição está na ideia de que existem animais ‘mais iguais que outros’ em um contexto onde todos seriam iguais; esse paradoxo, na obra, é utilizado para realçar a hipocrisia de um discurso sobre igualdade que disfarçava a desigualdade e opressão do sistema.

→ Gradação

Organização progressiva das ideias, pode ter efeito crescente ou decrescente. O efeito crescente ocorre quando essas ideias ascendem, ou seja, há uma sensação de ampliação ou crescimento. Já no efeito decrescente, as ideias tendem a um movimento de decadência ou diminuição. Observe:

  • Crescente (clímax):

Cheguei, tomei banho, comi e comecei a trabalhar.

  • Decrescente (anticlímax):

A turma, antes agitada e vibrante, tornou-se parada e, por fim, completamente apática.

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Na primeira frase, as ideias seguem uma ordem ascendente, pois há uma noção de ampliação na sequência. A primeira ação (cheguei) representa o começo de uma sequência que alcança o ápice na ação final (trabalhar). Já no segundo exemplo, as ideias seguem uma ordem decrescente, pois a situação inicial (agitada e vibrante) é o ápice e as demais vão diminuindo até o ponto mais baixo da sequência (completamente apática).

O poema E agora, José?, de Carlos Drummond de Andrade, utiliza a gradação decrescente para construir uma sequência de ideias que pode ser interpretada como um esvaziamento dos estímulos e reconhecimentos externos, que vai encaminhar o sujeito lírico a uma condição de isolamento e interiorização.

“E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

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a noite esfriou,

[...]”

(Carlos Drummond de Andrade)

Função das figuras de pensamento

Por serem recursos linguísticos que exploram os sentidos simbólicos das ideias, as figuras de pensamento podem contribuir para a expressividade e a criatividade da mensagem, pois apostam na construção estética, investindo em formas de dizer que estão fora do convencional. Isso contribui para que o texto cause mais impacto ou sensibilidade no leitor e pode favorecer uma leitura mais envolvente e dinâmica.

Também favorecem a construção de significados amplos, pois trabalham com sentidos múltiplos e, por isso, podem abarcar diversas possibilidades interpretativas e elaborar ideias mais profundas e complexas sobre os temas.

Por fim, as figuras de pensamento contribuem para o desenvolvimento da leitura, visto que estimulam o leitor a exercitar seu raciocínio analítico, comparativo e crítico para desenvolver a interpretação das figuras de linguagem, auxiliando, dessa forma, na manutenção e ampliação da habilidade de leitura.

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Saiba mais: Quais são as figuras de som?

Exercícios resolvidos sobre figuras de pensamento

1. (ADVISE 2022)

De acordo com as figuras de pensamento, analise:

“Consiste na aproximação de ideias, palavras ou expressões de sentidos opostos. Exemplo: Quando os tiranos caem, os povos se levantam.”

(Fonte adaptada: Agnaldo Martino: Esquematizado - Português: gramática, interpretação de texto, redação oficial, redação discursiva. Acesso em 30 de junho de 2022)

Com base na citação acima, assinale a alternativa que corresponde à figura de pensamento predominante.

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A) Antítese.

B) Antonomásia.

C) Catacrese.

D) Comparação.

E) Gradação.

Resposta: A

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Comentário: A figura de linguagem definida na citação e exemplificada na frase é a antítese, que consiste na aproximação de palavras ou expressões com sentidos opostos. No exemplo, essa oposição ocorre entre as palavras caem e levantam.

2. (Objetiva Concursos, 2025)

Assinale a alternativa que indica a figura de linguagem apresentada na imagem.

Tirinha com ilustração de um menino, com sapo na cabeça, dialogando com o pai, em exercícios sobre figuras de pensamento.

A) Eufemismo.

B) Hipérbole.

C) Perífrase.

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D) Sinestesia.

E) Antítese.

Resposta: B

Comentário: Na tirinha acima, a figura de linguagem presente é a hipérbole, visto que o pai utiliza a expressão “um milhão de vezes” como um exagero intencional, com o objetivo de expressar que já fez o pedido muitas vezes ao filho.

Fontes

LEAL, Luciana Brandão. Estudos sobre a ironia em Memórias póstumas de Brás Cubas: uma fenda na voz do narrador narcisista. Machado de Assis em Linha, v. 15, 2022. DOI: 10.1590/1983-68212022153. Disponível em: https://www.scielo.br/j/mael/a/rbHFn9npNbHJhbfzVLRRdbh/?format=html&lang=pt.

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LIMA, Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 49.ed. - Rio de Janeiro: José Olympio, 2011.

Conceito de figuras de pensamento.
As figuras de pensamento são um dos tipos de figuras de linguagem.
Escritor do artigo
Escrito por: Talliandre Matos Talliandre Matos da Silva Pereira é graduada em Letras, mestra em Estudos Literários e doutoranda em Letras. Além disso, é mãe, professora, escritora e poeta.
Deseja fazer uma citação?
MATOS, Talliandre. "O que são figuras de pensamento?"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/portugues/o-que-sao-figuras-pensamento.htm. Acesso em 03 de fevereiro de 2026.
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