As figuras de pensamento são figuras de linguagem que funcionam como estratégias linguísticas para modificar a forma de apresentar as ideias, tornando os textos mais expressivos e criativos.
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As figuras de pensamento são recursos linguísticos que atuam na forma de organização das ideias, com o objetivo de construir textos mais expressivos, criativos e plurissignificativos. Elas podem gerar diferentes efeitos, como intensidade, suavização, humor, contraste, etc. As figuras de pensamento existentes são a ironia, o eufemismo, a ironia, a prosopopeia, a antítese, o paradoxo e a gradação.
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As figuras de pensamento são um dos tipos de figuras de linguagem.
Nas figuras de pensamento, explora-se o modo de organizar as ideias, a fim de ampliar o sentido ou aumentar a criatividade da escrita.
As figuras de pensamento são muito utilizadas em textos literários, devido ao seu caráter expressivo e criativo.
As figuras de pensamento existentes são: hipérbole, eufemismo, ironia, prosopopeia, antítese, paradoxo e gradação.
A hipérbole provoca um exagero intencional, enquanto o eufemismo busca suavizar a mensagem.
A ironia é o ato de dizer o contrário do que se quer expressar.
A prosopopeia é a ação de dar vida, comportamento ou sentimentos humanos a seres inanimados ou a outros animais.
A antítese utiliza a aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos.
O paradoxo faz afirmações ilógicas ou impossíveis para dar expressividade ao que se pretende dizer.
A gradação é o ato de organizar as ideias em uma sequência específica, a fim de dar efeito ascendente ou descendente.
Videoaula sobre figuras de pensamento
Afinal, o que é uma figura de pensamento?
As figuras de pensamento são um tipo de figura de linguagem, por isso podem ser compreendidas como recursos linguísticos utilizados com o objetivo de gerar expressividade do texto. No caso das figuras de pensamento, elas exploram as formas de pensar, apresentando ideias fora de uma lógica literal (sentido denotativo). Essas figuras ajudam a compartilhar os pensamentos de forma expressiva e criativa, por isso são muito comuns nos textos literários.
Exemplos:
Estava cansada, mas mantive um comportamento profissional com todos.
Estava cansada, acabada por dentro, sorridente e educada por fora.
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Nos exemplos acima, há duas formas de expressar um mesmo pensamento. Na primeira frase, o locutor indica, de forma objetiva, a oposição entre seu estado interno (cansada) e seu estado externo (profissional). Já no segundo exemplo, o locutor usa da antítese entre as palavras dentro e fora, acabada e sorridente, para mostrar a mesma oposição da primeira frase. A diferença entre elas, portanto, é que a segunda tem mais expressividade, já que utiliza a figura de pensamento, enquanto a primeira é mais objetiva e literal.
Quais são as figuras de pensamento?
As figuras de pensamento ou de ideias são:
hipérbole,
eufemismo,
ironia,
prosopopeia,
antítese,
paradoxo e
gradação.
→ Hipérbole
A hipérboleé um exagero intencional, ou seja, feito para causar intensidade na mensagem, deixando-a mais expressiva ou impactante, por exemplo.
Estou morrendo de saudades de você, amiga!
“Amor da minha vida Daqui até a eternidade
Nossos destinos
Foram traçados na maternidade”
(Trecho da canção Exagerado. Composição: Cazuza, Ezequiel Neves e Leoni)
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Nos exemplos acima, a hipérbole é utilizada para expressar sentimentos de forma aparentemente exagerada, mas que visam simbolizar, justamente, a intensidade dessas emoções. Na primeira frase, a expressão morrendo de saudades utiliza o exagero para comunicar uma grande saudade da amiga. Já no trecho da música Exagerado, as expressões Daqui até a eternidade e traçados na maternidade são exageros que revelam a intensidade do sentimento amoroso do sujeito lírico.
→ Eufemismo
É uma suavização intencional de alguma ideia ou sentimento, a fim de atenuar a mensagem, isto é, deixá-la menos impactante.
Ele faltou com a verdade sobre o ocorrido, por isso decidimos terminar.
“Quando aIndesejada das gentes chegar
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar”
(Manuel Bandeira)
Nos exemplos acima, o eufemismo aparece em dois contextos diferentes, suavizando o teor da mensagem. Na primeira frase, a expressãofaltou com a verdade ameniza o peso da mentira e pode ter sido utilizada para diminuir o teor emotivo da frase ou até para deixar a comunicação mais formal, por exemplo. Já o exemplo do poeta Manuel Bandeira usa o eufemismo napalavra Indesejada para se referir à morte, deslocando parte da densidade dessa ideia, ao mesmo tempo em que mantém seu teor desagradável aos humanos.
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→ Ironia
Ironizar é o ato de dizer o contrário do que se quer expressar, com o objetivo de amenizar um sentimento, realçar uma crítica ou gerar humor, por exemplo.
Quem foi o inteligenteque deixou a água perto do teclado do computador?
“Bons joalheiros, que seria do amor se não fossem vossos dixes e fiados?”
(Machado de Assis)
Nos exemplos acima, a ironia é utilizada para cumprir diferentes objetivos. Na primeira frase, a palavra inteligente marca a ironia, pois, na verdade, julga-se o ato de deixar a água perto do teclado como algo não inteligente. Nesse caso, a ironia pode ter sido utilizada para amenizar ou reforçar a frustração do locutor. Já no segundo exemplo, a ironia está na pergunta que relaciona a permanência do amor com os dixes (tipo de adorno ou joia) e fiados dos joalheiros. Com isso, critica-se a superficialidade do sentimento amoroso e sua dependência de objetos materiais.
→ Prosopopeia ou personificação
Usamos a prosopopeia para dar vida a seres inanimados (objetos, elementos da natureza, emoções, etc) ou sentimentos e comportamentos humanos a outros animais. Esse tipo de figura de linguagem é muito utilizada, por exemplo, nas animações e desenhos infantis, nos quais, boa parte dos personagens são animais, coisas ou seres fantásticos, mas todos apresentam comportamentos e sentimentos baseados na diversidade humana.
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Além disso, a personificação pode aparecer pontualmente em alguns textos, como no exemplo abaixo, em que o poeta João Cabral de Melo Neto atribui ao amor a ação humana de comer, para simbolizar os ganhos e perdas que a experiência amorosa lhe causou, isso também é uma personificação, nesse caso, de um sentimento.
“Faminto, o amor devorouos utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. [...]
O amor comeuminha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.”
(João Cabral de Melo Neto)
→ Antítese
Aproximação de palavras semanticamente opostas, sem necessariamente apresentar uma contradição. Nessa figura, palavras e frases de sentidos opostos são utilizadas para construir uma determinada ideia.
Por fora, sorrisos. Por dentro, lágrimas.
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“Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar brancoe puro
com que adoçomeu café esta manhã em Ipanema.”
(Ferreira Gullar)
Nos dois exemplos acima, é possível constatar a presença da antítese na construção das ideias. Na primeira frase, as palavras sorrisos e lágrimas possuem significados opostos, assim como dentro e fora, logo, há duas antíteses na frase, elas são utilizadas para expressar a diferença entre a aparência do sujeito e seu real estado interno.
Já no segundo exemplo, o poeta Ferreira Gullar utiliza a antítese entre os vocábulos escuras e branco,amarga e adoço, que apresentam significados opostos, para evidenciar a diferença entre a realidade de quem produz versus de quem consome esse açúcar, realçando, dessa forma, desigualdades sociais do país.
→ Paradoxo
O paradoxoé uma ideia literalmente contraditória, mas que é utilizada de forma simbólica para representar um pensamento ou intensificar a expressividade de alguma ideia.
Não posso viver comigo, estou farta de mim.
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“Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros”
(George Orwell)
Nos dois exemplos acima, é possível identificar ideias aparentemente contraditórias, mas que, na realidade, simbolizam alguns sentimentos e ideias de forma simbólica. Na primeira frase, a contradição presente está na afirmação “não posso viver comigo”, algo que, humanamente, é impossível, mas que, no contexto, pode ser compreendido como o sentimento de insatisfação do sujeito consigo mesmo. Já no segundo exemplo, a contradição está na ideia de que existem animais ‘mais iguais que outros’ em um contexto onde todos seriam iguais; esse paradoxo, na obra, é utilizado para realçar a hipocrisia de um discurso sobre igualdade que disfarçava a desigualdade e opressão do sistema.
→ Gradação
Organização progressiva das ideias, pode ter efeito crescente ou decrescente. O efeito crescente ocorre quando essas ideias ascendem, ou seja, há uma sensação de ampliação ou crescimento. Já no efeito decrescente, as ideias tendem a um movimento de decadência ou diminuição. Observe:
Crescente (clímax):
Cheguei, tomei banho, comi e comecei a trabalhar.
Decrescente (anticlímax):
A turma, antes agitada e vibrante, tornou-se parada e, por fim, completamente apática.
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Na primeira frase, as ideias seguem uma ordem ascendente, pois há uma noção de ampliação na sequência. A primeira ação (cheguei) representa o começo de uma sequência que alcança o ápice na ação final (trabalhar). Já no segundo exemplo, as ideias seguem uma ordem decrescente, pois a situação inicial (agitada e vibrante) é o ápice e as demais vão diminuindo até o ponto mais baixo da sequência (completamente apática).
O poema E agora, José?, de Carlos Drummond de Andrade, utiliza a gradação decrescente para construir uma sequência de ideias que pode ser interpretada como um esvaziamento dos estímulos e reconhecimentos externos, que vai encaminhar o sujeito lírico a uma condição de isolamento e interiorização.
“E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
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a noite esfriou,
[...]”
(Carlos Drummond de Andrade)
Função das figuras de pensamento
Por serem recursos linguísticos que exploram os sentidos simbólicos das ideias, as figuras de pensamento podem contribuir para a expressividade e a criatividade da mensagem, pois apostam na construção estética, investindo em formas de dizer que estão fora do convencional. Isso contribui para que o texto cause mais impacto ou sensibilidade no leitor e pode favorecer uma leitura mais envolvente e dinâmica.
Também favorecem a construção de significados amplos, pois trabalham com sentidos múltiplos e, por isso, podem abarcar diversas possibilidades interpretativas e elaborar ideias mais profundas e complexas sobre os temas.
Por fim, as figuras de pensamento contribuem para o desenvolvimento da leitura, visto que estimulam o leitor a exercitar seu raciocínio analítico, comparativo e crítico para desenvolver a interpretação das figuras de linguagem, auxiliando, dessa forma, na manutenção e ampliação da habilidade de leitura.
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“Consiste na aproximação de ideias, palavras ou expressões de sentidos opostos. Exemplo: Quando os tiranos caem, os povos se levantam.”
(Fonte adaptada: Agnaldo Martino: Esquematizado - Português: gramática, interpretação de texto, redação oficial, redação discursiva. Acesso em 30 de junho de 2022)
Com base na citação acima, assinale a alternativa que corresponde à figura de pensamento predominante.
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A) Antítese.
B) Antonomásia.
C) Catacrese.
D) Comparação.
E) Gradação.
Resposta: A
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Comentário: A figura de linguagem definida na citação e exemplificada na frase é a antítese, que consiste na aproximação de palavras ou expressões com sentidos opostos. No exemplo, essa oposição ocorre entre as palavras caem e levantam.
2. (Objetiva Concursos, 2025)
Assinale a alternativa que indica a figura de linguagem apresentada na imagem.
A) Eufemismo.
B) Hipérbole.
C) Perífrase.
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D) Sinestesia.
E) Antítese.
Resposta: B
Comentário: Na tirinha acima, a figura de linguagem presente é a hipérbole, visto que o pai utiliza a expressão “um milhão de vezes” como um exagero intencional, com o objetivo de expressar que já fez o pedido muitas vezes ao filho.
Fontes
LEAL, Luciana Brandão. Estudos sobre a ironia em Memórias póstumas de Brás Cubas: uma fenda na voz do narrador narcisista. Machado de Assis em Linha, v. 15, 2022. DOI: 10.1590/1983-68212022153. Disponível em: https://www.scielo.br/j/mael/a/rbHFn9npNbHJhbfzVLRRdbh/?format=html&lang=pt.
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LIMA, Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 49.ed. - Rio de Janeiro: José Olympio, 2011.
As figuras de pensamento são um dos tipos de figuras de linguagem.
Escrito por: Talliandre Matos Talliandre Matos da Silva Pereira é graduada em Letras, mestra em Estudos Literários e doutoranda em Letras. Além disso, é mãe, professora, escritora e poeta.
Deseja fazer uma citação?
MATOS, Talliandre.
"O que são figuras de pensamento?"; Brasil Escola.
Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/portugues/o-que-sao-figuras-pensamento.htm. Acesso em 03 de
fevereiro
de 2026.