Pós-modernismo

O pós-modernismo é um conjunto de manifestações artísticas e culturais da segunda metade do século XX. Ele coloca em xeque os limites entre a arte e a não arte.

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Pós-modernismo foi um estilo de época ou um conjunto de manifestações artísticas ocorridas na segunda metade do século XX. Englobou correntes estéticas como a pop art, a op art, a arte conceitual e o minimalismo.A literatura pós-modernista é marcada pela metalinguagem, fragmentação e experimentalismo. Assim, o pós-modernismo foi composto por manifestações artísticas que refletiram ou reagiram a uma época dominada pela indústria cultural.

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Leia também: O que é o modernismo?

Tópicos deste artigo

Resumo sobre pós-modernismo

  • O pós-modernismo foi um estilo literário ou corrente estética que esteve em voga na segunda metade do século XX.
  • As principais características do pós-modernismo foram a pluralidade e a oposição ao modernismo.
  • A arte pós-moderna é composta de correntes artísticas como pop art, op art, arte conceitual e minimalismo.
  • A arquitetura pós-moderna é pouco funcional e mais chamativa.
  • A literatura do pós-modernismo apresenta metalinguagem, fragmentação e realismo fantástico.

Videoaula sobre pós-modernismo

O que é o pós-modernismo?

O pós-modernismo foi um conjunto de manifestações artísticas e culturais da segunda metade do século XX. Os conceitos de “pós-modernismo” e “pós-modernidade” vêm sendo debatidos nas últimas décadas. No entanto, não há, ainda, uma conclusão para esse debate acerca da definição desses dois termos. Comumente, o “pós-modernismo” é associado a questões estéticas, enquanto a “pós-modernidade”, à questões históricas.

Segundo o doutor em sociologia Gustavo Moura de Cavalcanti Mello|1|:

[…] enquanto o modernismo estético se caracteriza pelos manifestos, pelas marcadas diferenciações reivindicadas por parte de coletivos coesos e conscientemente inovadores, com base em sólidos princípios políticos e estéticos, o pós-modernismo caracteriza-se sobremaneira pela indiferenciação, pela experimentação descompromissada, numa pretensa fuga ao formalismo e ao doutrinário.

Dessa forma, o pós-modernismo pode ser considerado um estilo de época ou corrente artística. Estão dentro dessa classificação obras produzidas a partir do final dos anos 1940, após a Segunda Guerra Mundial.

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Características do pós-modernismo

De forma ampla, o pós-modernismo esteve relacionado ao pop; ao universalismo; à diluição ou indissociação entre alta cultura e cultura de massa (associada ao consumismo), entre arte e não arte; e à crítica à indústria cultural. Ao mesmo tempo, focalizou a pluralidade, a alteridade, a fragmentação e a efemeridade.

A arte pós-moderna faz oposição ao modernismo que a antecedeu. É plural e pode ter caráter político, ser interativa ou mesmo valorizar a simplicidade. Já a arquitetura mescla o popular e o acadêmico, não é funcionalista, mas chamativa e espetacular. Por fim, a literatura pós-modernista é marcada pela diversidade. São características desse tipo de literatura:

  • realismo social;
  • caráter metalinguístico;
  • experimentalismo;
  • fluxo de consciência ou monólogo interior;
  • fragmentação;
  • temática universal; e
  • realismo fantástico.

Veja também: O que é o fantástico na literatura?

Obras do pós-modernismo

  • O casamento da razão e da miséria (1959), obra do artista estado-unidense Frank Stella.
  • Almoço nu (1959), romance do estado-unidense William S. Burroughs.
  • Edifício Guild House (1960), do arquiteto estado-unidense Robert Venturi.
  • Latas de sopa Campbell (1962), obra do artista estado-unidense Andy Warhol.
Latas de sopa Campbell, de Andy Warhol, famosa obra do pós-modernismo.
Latas de sopa Campbell, de Andy Warhol, é uma famosa obra pós-modernista.[1]
  • Uma e três cadeiras (1965), arte de instalação do estado-unidense Joseph Kosuth.
  • Cem anos de solidão (1967), romance do colombiano Gabriel García Márquez.
  • Vega-Nor (1969), obra do artista húngaro Victor Vasarely.
  • A mulher do tenente francês (1969), romance do escritor inglês John Fowles.
  • A casa cósmica (1978), do arquiteto estado-unidense Charles Jencks.
  • Se um viajante numa noite de inverno (1979), romance do cubano Italo Calvino.
  • A câmara sangrenta (1979), contos da escritora inglesa Angela Carter.

Autores do pós-modernismo

São autores pós-modernistas mundialmente conhecidos:

  • Angela Carter — Inglaterra
  • Clarice Lispector — Brasil
  • Gabriel García Márquez — Colômbia
  • Italo Calvino — Cuba/Itália
  • John Fowles — Inglaterra
  • William S. Burroughs — Estados Unidos

Pós-modernismo no Brasil

Clarice Lispector, principal autora pós-modernista brasileira.
Clarice Lispector foi a principal autora pós-modernista brasileira, conhecida mundialmente.

A arte pós-modernista brasileira conta com nomes como Hélio Oiticica (arte conceitual e neoconcretismo), Lygia Clark (neoconcretismo), Claudio Tozzi (pop art e arte conceitual), Rubens Gerchman (pop art, concretismo e neoconcretismo) e Luiz Sacilotto (concretismo). Já a arquitetura pós-moderna brasileira tem como principal nome o arquiteto Éolo Maia.

A poesia pós-modernista brasileira é composta pelo(a):

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  • Geração de 1945: crítica sociopolítica, metalinguagem, contenção emotiva, cuidado formal.
  • Poesia concreta: experimentalismo e verbivocovisualidade (combinação de palavra, som e imagem).
  • Neoconcretismo: valorização de formas geométricas e caráter interativo.
  • Poesia práxis: valorização do verso e do ritmo, anticoncretismo, crítica social, multivocidade (plurissignificação).
  • Poema processo: caráter antidiscursivo, com prevalência de sinais gráficos em vez de palavras.

A prosa pós-moderna apresenta fluxo de consciência, estrutura fragmentada, metalinguagem (ou metanarrativa), temática universal e realismo fantástico. A literatura pós-modernista brasileira compreende o período de 1945 a 1978, quando teve início a literatura contemporânea, e possui obras como:

  • Ciranda de pedra (1954), de Lygia Fagundes Telles.
  • Morte e vida severina (1955), de João Cabral de Melo Neto.
  • Grande sertão: veredas (1956), de João Guimarães Rosa.
  • O encontro marcado (1956), de Fernando Sabino.
  • A ave (1956), de Wlademir Dias-Pino.
  • Lavra lavra (1962), de Mário Chamie.
  • A paixão segundo G.H. (1964), de Clarice Lispector.
  • A hora dos ruminantes (1966), de José J. Veiga.
  • Linguaviagem (1967), de Augusto de Campos.
  • Exercício findo (1968), de Décio Pignatari.
  • O pirotécnico Zacarias (1974), de Murilo Rubião.
  • Poema sujo (1976), de Ferreira Gullar.
  • A hora da estrela (1977), de Clarice Lispector.
  • A obscena senhora D (1982), de Hilda Hilst.
  • Galáxias (1984), de Haroldo de Campos.

Arte pós-moderna

A arte pós-moderna é composta por movimentos artísticos de variadas perspectivas, tais como:

  • Arte conceitual: comprometida menos com a estética e mais com os elementos políticos, de forma a valorizar a ideia em detrimento da forma.
  • Op art ou arte ótica: trabalha com elementos geométricos e abstratos, ilusão de ótica e apresenta caráter interativo.
  • Pop art ou arte pop: trabalha com elementos da cultura de massa (televisão, cinema, publicidade etc.) e elementos associados ao mundo do consumo, além de mostrar elementos do cotidiano e criticar a indústria cultural.
  • Arte minimalista: é pautada na simplicidade, na objetividade, nos elementos geométricos básicos e na valorização das formas, do espaço e da cor.

Origem do pós-modernismo

De acordo com Gustavo Moura de Cavalcanti Mello, doutor em Sociologia: “a mobilização generalizada da noção de pós-moderno não foi nada tardia; na realidade, converteu-se num rótulo que aderia a boa parte das obras estéticas e teóricas após a difusão e consagração do termo, na década de 1970”.

Ele afirma que a generalização do uso do termo “pós-modernismo” na década de 1970 teve como marco a publicação do periódico estado-unidense Boundary 2 — Revista de Literatura e Cultura Pós-Modernas.

O autor menciona que, na década de 1980, o arquiteto estado-unidense Charles Jencks festejava o pós-moderno como uma civilização mundial de tolerância pluralística e opções superabundantes, uma civilização que “tornava sem sentido” polaridades ultrapassadas, como “esquerda e direita, capitalista e classe operária”, e decretava o fim das vanguardas e das ideologias, já que “[...] não há inimigo para derrotar”. O pós-modernismo anunciava a produção de uma “[...] ordem simbólica comum do tipo fornecido por uma religião”.

Assim, apesar de ter nascido no contexto da Guerra Fria, uma das bases do pós-modernismo foi a ausência de utopia da pós-modernidade, da qual esse estilo fez parte e com a qual ele se confundiu. Vale ressaltar que a difusão desses termos começou na década de 1970, mas as obras com características pós-modernistas remontam à segunda metade da década de 1940, após a Segunda Guerra Mundial, sendo impossível dizer qual a primeira obra a apresentar tais características.

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Saiba mais: Qual a relação entre o modernismo e a Primeira Guerra Mundial?

Exercícios resolvidos sobre pós-modernismo

Questão 1

Pós-modernismo

O primeiro desafio para introduzir o leitor ao movimento pós-moderno e suas possibilidades é sua mera definição. Primeiramente, há múltiplas facetas e subcorrentes pós-modernas; segundo, há formas de defini-lo, e cada uma tende a não reconhecer as outras como “legitimamente pós-modernas” (Norris). Mas, de forma genérica, pode-se dizer que o pós-modernismo corresponde a um movimento teórico multidisciplinar que vai da filosofia à estética, envolvendo as artes, a sociologia, chegando ao campo dos estudos organizacionais. O denominador comum é a resistência à modernidade e, em particular, a crítica à razão.

[...]

Muitos autores, como Harvey e Derrida, caracterizam a chamada “era pós-moderna” por diversos elementos, como a globalização; o relativismo e o pluralismo, caracterizados pela dissipação da objetividade e da racionalidade, tidas como tipicamente modernas; a espetacularização da sociedade, marcada pela centralidade da mídia e da imagem; a cultura de massa; a normalização da mudança pela perpetuação de tudo como volátil e transitório; o papel do indivíduo na sociedade primordialmente como consumidor; e a comoditização do conhecimento.

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[...]

É importante salientar, no entanto, que há um conjunto significativo de autores que não entendem ser a “pós-modernidade” uma ruptura com a modernidade, e sim um estágio “tardio” da modernidade — como Habermas ou Giddens — ou como estágios distintos da modernidade, como o conceito de “modernidade sólida” e “modernidade líquida” de Bauman. [...].

VIEIRA, Marcelo Milano Falcão; CALDAS, Miguel P. Teoria crítica e pós-modernismo: principais alternativas à hegemonia funcionalista. RAE, São Paulo, v. 46, n. 1, jan./ mar. 2006.

Nesse trecho de um artigo científico sobre o pós-modernismo, fica evidenciado que não há consenso na definição desse movimento. No entanto, o texto sugere que o pós-modernismo fez oposição:

A) à modernidade e à racionalidade.

B) ao pluralismo e ao identitarismo.

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C) à cultura de massa e aos canais midiáticos.

D) a qualquer tipo de ruptura artística ou social.

Resolução: Alternativa A.

O texto sugere que são características do pós-modernismo “a resistência à modernidade e, em particular, a crítica à razão”.

Questão 2

Marque V (verdadeiro) ou F (falso) para as seguintes afirmações:

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(  ) O artista estado-unidense Andy Warhol está vinculado à pop art, corrente artística pós-modernista.

(  ) A prosa pós-moderna no Brasil tem Clarice Lispector como uma de suas principais representantes.

(  ) O movimento antropofágico, o concretismo e o neoconcretismo são importantes movimentos pós-modernistas.

A sequência correta é:

A) V, V, V.

B) F, F, V.

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C) V, V, F.

D) F, V, F.

E) V, F, V.

Resolução: Alternativa C.

O movimento antropofágico esteve vinculado ao modernismo brasileiro.

Nota

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|1| MELLO, Gustavo Moura de Cavalcanti. Pós-modernismo: entre a crítica e a ideologia. Trans/Form/Ação, Marília, v. 39, n. 1, jan./ mar. 2016. 

Créditos da imagem

[1] Kongkiat Samangsri / Shutterstock

Fontes

ABAURRE, Maria Luiza M.; PONTARA, Marcela. Literatura: tempos, leitores e leituras. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2021.

ARANTES, Pedro Fiori. Forma, valor e renda na arquitetura contemporânea. ARS, São Paulo, v. 8, n. 16, 2010.

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BARBÓN GARCÍA, J. J. Op art. Archivos de la Sociedad Española de Oftalmología, Barcelona, v. 78, n. 1, ene. 2003.

BARBOSA, Enio Rodrigo. Andy Warhol:um ícone do século XX. Ciência e Cultura, São Paulo, v. 62, n. 2, 2010.

COSTA, Marisa Vorraber. Cultura e Pedagogia: lições da espacialidade revolucionária de Frank Gehry. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 39, n. 1, p. 163-180, jan./ mar. 2014.

COSTA, Tiago Leite. A poesia práxis contextualizada. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL LITERATURA, CRÍTICA, CULTURA, 4., 2010, Juiz de Fora. Anais [...]. Juiz de Fora: Darandina, 2010. v. 3.

FOGLIANO, Fernando; MALVA, Daniel; FURQUIM, Melina. Arte: estabilidade e ruptura, do modernismo ao zeitgeist da contemporaneidade. ARS, São Paulo, v. 17, n. 35, jan./ abr. 2019.

JENCKS FOUNDATION. The cosmic house. Disponível em: https://www.jencksfoundation.org/cosmic-house/about.

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MARI, Marcelo. O debate sobre a crise do condicionamento artístico: arte conceitual no Brasil (1964-1975). Sociologia & Antropologia, Rio de Janeiro, v. 12, n. 2, 2022.

MELLO, Gustavo Moura de Cavalcanti. Pós-modernismo: entre a crítica e a ideologia. Trans/Form/Ação, Marília, v. 39, n. 1, jan./ mar. 2016. 

MINIMALISMO. In: INFOPÉDIA. Disponível em: https://www.infopedia.pt/artigos/$minimalismo.

SCHWARZ, Roberto. O lugar da arquitetura. Trans/Form/Ação, Marília, v. 18, jan. 1995.

VELLOSO, Ana Paula Meyer. Neomodernistas de 1945: uma querela de gerações. 2017. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) – Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2017.

Escritor do artigo
Escrito por: Warley Souza Professor de Português e Literatura, com licenciatura e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Deseja fazer uma citação?
SOUZA, Warley. "Pós-modernismo"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/pos-modernismo.htm. Acesso em 03 de fevereiro de 2026.
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