Pronomes reflexivos são os pronomes utilizados para indicar a dupla função do sujeito na oração: agente e paciente. Assim, em frases com pronomes reflexivos, o sujeito pratica a ação ao mesmo tempo que sofre a ação verbal: “Letícia beliscou-se para não rir.”. Nessa frase, Letícia praticou a ação de beliscar a si mesma.
Os pronomes reflexivos são: “me”, “te”, “se”, “nos”, “vos”, “se”. Os três últimos também podem atuar como recíprocos: “Nós nos beliscamos um ao outro.”, “Vós vos beliscastes um ao outro.” e “Elas se beliscaram uma a outra.”. Portanto, os pronomes reflexivos atuam como complemento verbal.
Leia também: O que são os pronomes demonstrativos?
Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre os pronomes reflexivos
- 2 - O que são pronomes reflexivos?
- 3 - Lista de pronomes reflexivos
- 4 - Uso dos pronomes reflexivos
- 5 - Pronomes reflexivos e recíprocos
- 6 - Ambiguidade entre pronomes reflexivos e recíprocos
- 7 - Exercícios resolvidos sobre pronomes reflexivos
Resumo sobre os pronomes reflexivos
- Os pronomes reflexivos são os pronomes usados para apontar uma ação que é praticada e sofrida, ao mesmo tempo, pelo sujeito da oração.
- Os pronomes reflexivos são:
- me: “Eu me amo.”;
- te: “Tu te amas.”;
- se: “Ela se ama.”;
- nos: “Nós nos amamos a nós mesmos.”;
- vos: “Vós vos amais a vós mesmos.”;
- se: “Eles se amam a si mesmos.”.
- Os pronomes reflexivos podem ser usados como:
- objeto direto: “O cão lambeu-se melancolicamente.”;
- objeto indireto: “Ela se deu o direito de ser livre.”.
- O pronome reflexivo pode expressar reciprocidade: “Os rivais cumprimentaram-se antes da luta.”.
- O uso do pronome reflexivo e recíproco pode gerar ambiguidade: “Eles se querem.”, que pode se referir a si mesmos ou um ao outro.
O que são pronomes reflexivos?
Os pronomes reflexivos são os pronomes que acompanham verbos para indicar que a ação verbal é praticada pelo sujeito e é sofrida por ele, ao mesmo tempo. O verbo é uma palavra que expressa ação, como, por exemplo, “olhar”. Por sua vez, o sujeito é o elemento que pratica ou sofre a ação verbal.
Veja esta oração (frase com verbo):
Narciso olhou o céu.
Você percebe que o sujeito “Narciso” praticou a ação de olhar o céu. Nessa oração, o céu sofreu a ação de ser olhado por Narciso. Agora, imagine que Narciso não olha para o céu, mas olha para si mesmo:
Narciso olhou-se no espelho.
Nesse caso, o sujeito “Narciso” praticou a ação de olhar a si mesmo, mas também sofreu a ação de ser olhado. Assim, a ação verbal foi praticada pelo sujeito e foi sofrida por ele, ao mesmo tempo. Porém, se essa relação não estiver evidente na frase, você pode se guiar por outro conceito, que explicito a seguir.
Quando os pronomes “me”, “te”, “se”, “nos”, “vos” e “se” puderem ser substituídos, respectivamente, por “a mim mesmo(a)”, “a ti mesmo(a)”, “a si mesmo(a)”, “a nós mesmos(as)”, “a vós mesmos(as)” e “a si mesmos(as)”, eles são reflexivos:
Narciso olhou a si mesmo no espelho.
Lista de pronomes reflexivos
- Me: “Barbeei-me antes de sair.”
- Te: “Penteaste-te antes de sair.”
- Se: “Ele se despiu antes de entrar no banheiro.”
- Nos: “Nós nos vemos quando olhamos o espelho.”
- Vos: “Vós vos vedes quando olhais o espelho.”
- Se: “Eles se barbeiam pela manhã.”
Uso dos pronomes reflexivos
Os pronomes reflexivos “me”, “te”, “se”, “nos”, “vos” e “se” são usados como complementos verbais. Alguns verbos precisam de algo para completar seu sentido. Esses verbos são chamados de verbos transitivos. Assim, eles podem ser transitivos diretos ou transitivos indiretos.
Se o complemento não é iniciado por preposição (“a”, “ante”, “após”, “até”, “com”, “contra”, “de”, “desde”, “em”, “entre”, “para”, “perante”, “por”, “sem”, “sob”, “sobre”, “trás”), o verbo é transitivo direto. No entanto, se o complemento é iniciado por preposição, o verbo é transitivo indireto.
O complemento de um verbo transitivo direto é chamado de “objeto direto”. Por sua vez, o complemento de um verbo transitivo indireto é chamado de “objeto indireto”. Portanto, os pronomes reflexivos podem ser usados como objeto direto ou como objeto indireto.
Veja alguns exemplos de pronome reflexivo com função de objeto direto:
Eu me cortei quando fazia o almoço.
Tu te vestiste muito rápido.
Ele se culpou pelo ocorrido.
Eu e meus amigos nos lavamos no lago.
Tu e teus amigos vos lavastes no lago.
Elas se culparam pelo acidente da mãe.
Note que todos os verbos dos exemplos são transitivos diretos. Afinal, quem corta, corta alguém. Quem veste, veste alguém. Quem culpa, culpa alguém. E quem lava, lava alguém.
Agora vou mostrar para você algumas frases com verbos transitivos indiretos:
Eu me dei um ano de férias.
Tu te assististe na televisão?
Ela se prometeu aquele carro.
Nós nos oferecemos essas guloseimas.
Vós vos dedicastes essas homenagens?
Elas se desejaram um bom dia.
Observe que todos os verbos dos exemplos são transitivos indiretos. Afinal, quem dá, dá alguma coisa A alguém. Quem assiste (no sentido de “ver”), assiste A alguém. Quem promete, promete algo A alguém. Quem oferece, oferece algo A alguém. Quem dedica, dedica algo A alguém. Quem deseja, deseja alguma coisa A alguém.
Importante: Alguns verbos que expressam sentimento são pronominais (só fazem sentido acompanhados dos pronomes átonos “me”, “te”, “se”, “nos”, “vos” e “se”). Por exemplo, nas frases a seguir, não há pronome reflexivo:
Ela se alegrou por mim
Ele se arrependeu de tudo.
Nós nos zangamos facilmente.
É incoerente pensar que alguém alegra a si mesmo, que alguém arrepende a si mesmo ou que alguém zanga a si mesmo. Assim, os verbos “alegrar-se”, “arrepender-se” e “zangar-se” são apenas verbos pronominais.
Veja também: Quais são os pronomes interrogativos?
Pronomes reflexivos e recíprocos
Existe outra forma de reflexividade, também chamada de “reciprocidade”. Quando o pronome é puramente reflexivo, ele sugere que algo se volta para si mesmo. Por exemplo, quando eu digo que “João maltratou-se muito.”, a frase apresenta caráter reflexivo, já que informa que João maltratou a si mesmo.
Porém, na frase “João e Rodrigo maltrataram-se muito.”, há caráter reflexivo, se entendemos que João maltratou a si mesmo e que Rodrigo também maltratou a si mesmo. No entanto, a frase também pode sugerir reciprocidade se entendemos que João e Rodrigo maltrataram um ao outro.
Então, a construção dessa frase apresenta ambiguidade, já que não sabemos qual dessas duas mensagens o(a) enunciador(a) quer passar. Essa ideia de reciprocidade é expressa quando a ação é mútua, isto é, ambos os agentes da ação são também alvos dessa ação:
Mariana e Jorge amam-se como amigos.
Os rivais insultaram-se durante o debate.
Abraçamo-nos um ao outro cordialmente.
Observe que as frases sugerem que Mariana ama Jorge, o qual, de forma recíproca, ama Mariana, mas é um amor de amigo. Por sua vez, um rival insultou o outro e foi insultado por esse outro. Por fim, uma pessoa abraçou outra, e o abraço foi correspondido. Além disso, note que os verbos estão no plural. Afinal, a reciprocidade exige mais de um agente da ação.
Ambiguidade entre pronomes reflexivos e recíprocos
A ambiguidade ocorre quando a frase apresenta duplo sentido, de forma que não é possível saber qual é o sentido exato da mensagem.
Analise estes enunciados:
Nós nos conhecemos bem, por isso não temos ilusões.
Sempre que nos olhamos, sentimos certa tristeza.
Eles não se viam de forma negativa.
No primeiro exemplo, você pode entender que mais de uma pessoa conhece a si mesma ou que elas conhecem umas às outras. No segundo exemplo, também não é possível afirmar se mais de uma pessoa olha para si mesma ou se elas olham umas para as outras. No terceiro exemplo, o mesmo problema, ou seja, algumas pessoas viam a si mesmas ou elas viam umas às outras?
“E como resolver isso?”, você deve estar se perguntando. A melhor forma de resolver isso é ser mais explícito(a) e usar expressões como “a/ para si mesmos”, “a/ para nós mesmos”, “um ao outro”, “reciprocamente” ou “mutuamente”. Assim, se você quer expressar apenas reflexividade:
Nós nos conhecemos bem a nós mesmos, por isso não temos ilusões.
Sempre que nos olhamos para nós mesmos, sentimos certa tristeza.
Eles não se viam a si mesmos de forma negativa.
No entanto, se seu objetivo é expressar reciprocidade:
Nós nos conhecemos reciprocamente bem, por isso não temos ilusões.
Sempre que nos olhamos um ao outro, sentimos certa tristeza.
Eles não se viam mutuamente de forma negativa.
Por fim, vale mencionar que alguns verbos começados com “entre-” já apresentam a ideia de reciprocidade naturalmente, como, por exemplo:
Sempre que nos entreolhamos, sentimos certa tristeza.
Exercícios resolvidos sobre pronomes reflexivos
Questão 1
(Enem)

QUINO. Mafalda inédita. São Paulo: Martins Fontes, 1993.
Observando as falas das personagens, analise o emprego do pronome SE e o sentido que adquire no contexto. No contexto da narrativa, é correto afirmar que o pronome SE,
A) em I, indica reflexividade e equivale a “a si mesmas”.
B) em II, indica reciprocidade e equivale a “a si mesma”.
C) em III, indica reciprocidade e equivale a “umas às outras”.
D) em I e III, indica reciprocidade e equivale a “umas às outras”.
E) em II e III, indica reflexividade e equivale a “a si mesma” e “a si mesmas”, respectivamente.
Resolução:
Alternativa E.
Em I, Mafalda afirma que as pessoas amam umas às outras. Já em II e em III, Susanita afirma que Mafalda ama a si própria e que as pessoas amam a si próprias. Portanto, em I, o pronome SE é recíproco. Já em II e em III, o pronome SE é reflexivo.
Questão 2
Analise estes enunciados:
I- Aluga-se casa de praia.
II- Conserta-se computador.
III- Ana ama-se fortemente.
Apresenta pronome reflexivo a(s) frase(s):
A) I apenas.
B) II apenas.
C) III apenas.
D) I e II apenas.
E) I, II e III.
Resolução:
Alternativa C.
Em “Aluga-se casa de praia.” e “Conserta-se computador.”, o “se” é pronome apassivador: “Casa de praia é alugada.” e “Computador é consertado.”. Já em “Ela se ama fortemente.”, o “se” é pronome reflexivo, pois indica que “Ana” ama a si mesma.
Fontes
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.
CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da língua portuguesa. 3. ed. São Paulo: Scipione, 2008.
NICOLA, José de; INFANTE, Ulisses. Gramática contemporânea da língua portuguesa. 15. ed. São Paulo: Scipione, 1999.