Charge

A charge é um gênero textual jornalístico. Ela apresenta desenhos, que podem ou não estar acompanhados de texto verbal. Tem caráter humorístico e temas da atualidade.

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A charge é um gênero textual jornalístico marcado pela ironia. Ela é produzida em uma espécie de quadro ou tira, que contém desenho ou caricatura sobre um acontecimento da atualidade. O texto não verbal pode estar acompanhado de texto verbal. As charges políticas, culturais e esportivas são os principais tipos de charge. Já o cartum apresenta caráter anedótico e temática universal.

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Tópicos deste artigo

Resumo sobre charge

  • A charge é um gênero textual jornalístico marcado pelo humor e pela ironia.
  • Utiliza caricaturas para fazer crítica social, política, esportiva etc.
  • Apresenta temas da atualidade e elementos do cotidiano de um país.
  • O cartum apresenta cunho anedótico e temas de caráter geral ou universal.

O que é charge?

A charge é um gênero textual jornalístico de caráter crítico e humorístico. Ela sempre apresenta texto não verbal e, na maioria das vezes, também o texto verbal.

Quais são os tipos de charge?

Os principais tipos de charge são a:

  • charge política: conteúdo político que ironiza personalidades políticas ou acontecimentos da política de um país.
  • charge social ou cultural: conteúdo que mostra uma visão crítica e humorística de questões sociais ou culturais de uma nação.
  • charge esportiva: charge com temática esportiva, a qual critica ou ironiza personalidades ou acontecimentos esportivos.

Existe também a charge eletrônica, isto é, qualquer tipo de charge veiculada na internet, em vez de jornais ou revistas de papel.

Veja também: Crônica — outro gênero vinculado aos textos jornalísticos

Quais as características da charge?

  • Crítica social
  • Humor e ironia
  • Temas da atualidade
  • Fatos do cotidiano
  • Plurissignificação
  • Elementos intertextuais
  • Caráter opinativo e informativo

Estrutura da charge

A charge é produzida no formato de quadro ou tira. Ela contém, necessariamente, texto não verbal, ou seja, desenhos. Tais desenhos são caricaturais ou exagerados. Na maioria das vezes, o texto não verbal é acompanhado de texto verbal, escrito dentro de balões para destacar a fala de algum personagem da charge.

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Diferenças entre charge e cartum

CHARGE

CARTUM

Caráter crítico ou irônico.

Caráter puramente anedótico, ou seja, tem relação com o gênero piada.

Preferencialmente, apresenta texto verbal.

Preferencialmente, não apresenta texto verbal.

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Apresenta fatos contemporâneos, atuais, do presente.

Apresenta ideias atemporais, de caráter geral ou universal.

Vale mencionar, no entanto, que os termos “charge” e “cartum”, às vezes, são utilizados como sinônimos. Veja a definição do dicionário da Porto Editora acerca do “cartoon” ou “cartum”: “desenho humorístico ou satírico publicado normalmente em revistas ou jornais; caricatura”. O mesmo dicionário define “charge” assim: “desenho de caráter satírico ou humorístico; caricatura”.

Como se faz uma charge?

Antes de qualquer coisa, o(a) chargista precisa saber desenhar e escrever, pois a charge exige essas duas habilidades. Se você tem tais habilidades, escolha a temática da charge. Afinal, ela pode ser política, esportiva etc. Então, busque um assunto atual relacionado à temática escolhida.

Agora, é preciso criar uma situação humorística que ironize uma personalidade ou situação relacionada ao acontecimento da atualidade escolhido por você. Tendo isso em mente, faça o desenho que ilustre a situação de forma caricata. Se a ilustração falar por si, a charge está pronta; mas, se necessário, utilize falas cômicas ou irônicas para complementar a ilustração.

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Exemplos de charge

  • Exemplo de charge social, cultural ou educativa:
Menino conversando com os pais em charge do governo do Mato Grosso do Sul.
Charge usada no Programa Estadual de Educação Fiscal do governo do Mato Grosso do Sul.[1]
  • Exemplo de charge política:
Antônio Conselheiro representado em uma charge, pintando um quadro.
Revista Ilustrada, Rio de Janeiro, n. 727, 1897. Antônio Conselheiro, o líder de Canudos, em charge do século XIX.[2]
  • Exemplo de charge social e política:
Dois meninos diante de prato de comida em charge sobre a fome.
Na charge, uma sátira sobre o problema da fome.[3]

Créditos das imagens

[1] Governo de Mato Grosso do Sul (reprodução)

[2] Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (reprodução)

[3] Wikimedia Commons

Fontes

BORGES, Ana Maria Ventura. A charge eletrônica e a formação do leitor. Revista do Sell, Uberaba, v. 1, n. 1, 2008.

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CARTOON. In: Infopédia. Disponível em: https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/cartoon.

CHARGE. In: Infopédia. Disponível em: https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/charge.

SOUSA, Isete da Silva. Importância das charges para o desenvolvimento do pensamento crítico. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, São Paulo, v. 6, n. 12, dez. 2020.

XAVIER, Caco. Aids é coisa séria! — humor e saúde: análise dos cartuns inscritos na I Bienal Internacional de Humor, 1997. História, Ciências, Saúde, Rio de Janeiro, v. 8, n. 1, jun. 2001.

A charge apresenta aspecto caricatural. Na imagem, Fidel Castro.
A charge apresenta aspecto caricatural. Na imagem, Fidel Castro.
Crédito da Imagem: Commons
Escritor do artigo
Escrito por: Warley Souza Professor de Português e Literatura, com licenciatura e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Deseja fazer uma citação?
SOUZA, Warley. "Charge"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/redacao/charges.htm. Acesso em 03 de fevereiro de 2026.
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Lista de exercícios


Exercício 1

 (Enem) Em muitos jornais, encontramos charges, quadrinhos, ilustrações, inspirados nos fatos noticiados. Veja um exemplo:

Charge sobre a demarcação das terras indígenas em exercício do Enem sobre charges.

O texto que se refere a uma situação semelhante à que inspirou a charge é:

A) Descansem o meu leito solitário

Na floresta dos homens esquecida,

À sombra de uma cruz, e escrevam nela

— Foi poeta — sonhou — e amou na vida.

(AZEVEDO, Álvares de. Poesias escolhidas. Rio de Janeiro/ Brasília: José Aguilar/ INL, 1971)

B) Essa cova em que estás

Com palmos medida,

é a conta menor

que tiraste em vida.

É de bom tamanho,

Nem largo nem fundo,

É a parte que te cabe

deste latifúndio.

(MELO NETO, João Cabral de. Morte e vida severina e outros poemas em voz alta. Rio de Janeiro: Sabiá, 1967)

C) Medir é a medida

mede

A terra, medo do homem, a lavra;

lavra

duro campo, muito cerco, vária várzea.

(CHAMIE, Mário. Sábado na hora da escuta. São Paulo: Summums, 1978)

D) Vou contar para vocês

um caso que sucedeu

na Paraíba do Norte

com um homem que se chamava

Pedro João Boa-Morte,

lavrador de Chapadinha:

talvez tenha morte boa

porque vida ele não tinha.

(GULLAR, Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983)

E) Trago-te flores, — restos arrancados

Da terra que nos viu passar

E ora mortos nos deixa e separados.

(ASSIS, Machado de. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguillar, 1986) 

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Exercício 2

O gênero textual charge pode apresentar as seguintes características, exceto:

A) Crítica social.

B) Ironia.

C) Temática atual.

D) Imparcialidade.

E) Texto não verbal.

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Exercício 3

(Enem)

Álcool, crescimento e pobreza

O lavrador de Ribeirão Preto recebe em média R$ 2,50 por tonelada de cana cortada. Nos anos 80, esse trabalhador cortava cinco toneladas de cana por dia. A mecanização da colheita o obrigou a ser mais produtivo. O corta-cana derruba agora oito toneladas por dia.

O trabalhador deve cortar a cana rente ao chão, encurvado. Usa roupas mal-ajambradas, quentes, que lhe cobrem o corpo, para que não seja lanhado pelas folhas da planta. O excesso de trabalho causa a birola: tontura, desmaio, cãibra, convulsão. A fim de aguentar dores e cansaço, esse trabalhador toma drogas e soluções de glicose, quando não farinha mesmo. Tem aumentado o número de mortes por exaustão nos canaviais.

O setor da cana produz hoje uns 3,5% do PIB. Exporta US$ 8 bilhões. Gera toda a energia elétrica que consome e ainda vende excedentes. A indústria de São Paulo contrata cientistas e engenheiros para desenvolver máquinas e equipamentos mais eficientes para as usinas de álcool. As pesquisas, privada e pública, na área agrícola (cana, laranja, eucalipto etc.) desenvolvem a bioquímica e a genética no país.

Folha de S. Paulo, 11/3/2007 (com adaptações).

Charge sobre a pobreza dos cortadores de cana-de-açúcar em exercício do Enem sobre charges.

Folha de S. Paulo, 25/3/2007.

Confrontando-se as informações do texto com as da charge acima, conclui-se que

A) a charge contradiz o texto ao mostrar que o Brasil possui tecnologia avançada no setor agrícola.

B) a charge e o texto abordam, a respeito da cana-de-açúcar brasileira, duas realidades distintas e sem relação entre si.

C) o texto e a charge consideram a agricultura brasileira avançada, do ponto de vista tecnológico.

D) a charge mostra o cotidiano do trabalhador, e o texto defende o fim da mecanização da produção da cana-de-açúcar no setor sucroalcooleiro.

E) o texto mostra disparidades na agricultura brasileira, na qual convivem alta tecnologia e condições precárias de trabalho, que a charge ironiza.

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Exercício 4

Marque V (verdadeiro) ou F (falso) para as seguintes afirmações:

( ) A charge apresenta caráter apenas anedótico, típico da piada.

( ) A charge apresenta caráter crítico ou irônico.

( ) O cartum, preferencialmente, não apresenta texto verbal.

A sequência correta é:

A) V, V, F.

B) F, V, V.

C) V, F, F.

D) V, F, V.

E) F, V, F.

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