Arte sacra são as manifestações artísticas criadas que possuem a finalidade específica de servir ao culto religioso, à liturgia e à vivência do sagrado.
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Afinal, o que é arte sacra? Arte sacra são as manifestações artísticas criadas com a finalidade específica de servir ao culto religioso, à liturgia e à vivência do sagrado. Diferentemente de outras formas de expressão artística que abordam temas espirituais de maneira mais livre, a arte sacra já nasce vinculada a uma função ritual concreta e a um sistema simbólico reconhecido por uma tradição religiosa.
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A arte sacra é o conjunto de manifestações artísticas criadas especificamente para servir ao culto religioso, à liturgia e à vivência do sagrado.
Sua principal marca são suas funções litúrgica e ritual, pois é criada para uso em celebrações, em ritos e em práticas devocionais, e não apenas para contemplação estética.
Outra característica essencial é o simbolismo codificado, no qual cores, gestos e formas seguem convenções religiosas consolidadas, carregando significados teológicos específicos.
A arte sacra tradicional possui caráter coletivo, subordinando a autoria individual à tradição religiosa, o que explica por que muitas obras antigas sequer eram assinadas.
No Brasil, a arte sacra manifesta-se em diversas tradições religiosas. No catolicismo, destacam-se esculturas de santos e objetos litúrgicos como cálices e relicários, criados para uso ritual.
Em religiões afro-brasileiras, como candomblé e umbanda, a arte sacra aparece em imagens de orixás, em assentamentos, em objetos rituais e na organização simbólica dos terreiros, considerados portadores de axé. No protestantismo e no pentecostalismo, surge sobretudo na música litúrgica. Já no judaísmo, expressa-se em objetos como a menorá, a Torá e a arca sagrada, regidos por normas religiosas tradicionais.
A origem da arte sacra é difícil de precisar, pois está ligada ao surgimento das experiências religiosas organizadas desde os primórdios da humanidade. Desde sociedades antigas, o ser humano buscou materializar o sagrado por meio de símbolos e de imagens, aproximando o profano do transcendente.
Há exemplos de arte sacra desde o Período Paleolítico, como as Vênus esteatopígicas e a escultura do Homem-Leão, associadas a crenças rituais. No Período Neolítico, monumentos megalíticos como Stonehenge indicam cultos organizados. Assim, a arte sacra não tem origem única, mas acompanha a evolução das religiões humanas.
Os museus de arte sacra surgiram a partir da necessidade de preservar obras religiosas transferidas de igrejas e de conventos para fins de conservação, de segurança e de estudo histórico-artístico.
Um precursor mundial foi o atual Museu de Arte Sacra de Funchal, em Portugal, que passou a reunir sistematicamente arte sacra a partir do final do século XVI.
No Brasil, o primeiro museu de arte sacra foi o Museu de Arte Sacra de Goiana, em Pernambuco, inaugurado em 1950. Destacam-se, ainda, instituições como os museus de arte sacra da Bahia, de São Paulo e da Boa Morte, na cidade de Goiás.
Conceito de arte sacra
Arte sacra são todas as manifestações artísticas criadas com a finalidade específica de servir ao culto religioso, à liturgia e à vivência do sagrado. Diferentemente de outras formas de expressão artística que abordam temas espirituais de maneira mais livre, a arte sacra já nasce vinculada a uma função ritual concreta e a um sistema simbólico reconhecido por uma tradição religiosa.
O conceito de arte sacra está diretamente vinculado à noção de sagrado. Segundo o cientista das religiões Mircea Eliade, o “sagrado” é aquilo que se manifesta no mundo por meio de objetos, de imagens e de espaços que se diferenciam do cotidiano, do comum, do “profano”, e que funcionam como pontos de contato entre o humano e o divino, entre o profano e o sagrado. A arte sacra, nesse sentido, funciona como esse contato, como uma forma de materialização do sagrado em imagens, em esculturas, em arquiteturas, em objetos ritualísticos e em outras expressões artísticas realizadas com esse propósito.
No âmbito do patrimônio cultural, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) oferece uma definição técnica de arte sacra em seu Guia de identificação de arte sacra. |1| O instituto afirma que a arte sacra compreende obras produzidas para uso religioso direto, como imagens de culto, de retábulos, de altares, de paramentos litúrgicos e de objetos usados em cerimônias. O elemento central dessa definição técnica não é o tema religioso somente, mas a finalidade litúrgica da expressão artística.
Características da arte sacra
A arte sacra possui características próprias que a distinguem de outras manifestações artísticas, mesmo daquelas que abordam temas religiosos.
A primeira característica fundamental da arte sacra é a sua função litúrgica e ritual. Essas obras são criadas para serem utilizadas em celebrações religiosas, em ritos, em procissões ou em práticas devocionais. Sua existência, portanto, está diretamente ligada a um uso específico dentro de uma tradição religiosa e não somente contemplação estética.
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Outra característica central é o simbolismo codificado. A arte sacra utiliza símbolos, cores, gestos e formas que possuem significados específicos reconhecidos pelos sacerdotes e pelos praticantes de determinada tradição religiosa. Esses códigos não são arbitrários e seguem convenções estabelecidas ao longo do tempo. A cor de uma vestimenta, o gesto de uma mão e a posição de uma figura em uma pintura podem carregar sentidos teológicos precisos e profundos.
Outro traço recorrente na arte sacra é o caráter coletivo de sua produção e de sua recepção. Diferentemente da arte moderna, marcada pela valorização do artista individual, pela sua personalidade e pela sua originalidade, a arte sacra tradicional está inserida em uma tradição profunda e cheia de simbolismo em que o autor se insere e que frequentemente tem mais relevância nesse contexto do que o próprio autor. Muitas obras sequer eram assinadas, pois o foco, nesses âmbitos, estava na função religiosa daquela expressão artística e não na sua autoria, ainda que, para os estudiosos e para os pesquisadores dessas expressões artísticas, a autoria passa a ser, nesse outro contexto de compreensão daquela expressão, muito buscada, valorizada e reconhecida.
Embora, no senso comum, os termos “arte sacra” e “arte religiosa” sejam frequentemente usados como sinônimos, a história da arte e as ciências da religião fazem uma distinção importante entre eles.
Arte sacra: é criada com uma finalidade litúrgica ou ritual específica no contexto de uma tradição religiosa. Trata-se de obras destinadas diretamente ao culto, como imagens de santos para veneração, altares, retábulos, paramentos litúrgicos e objetos usados em cerimônias religiosas. Sua função principal é, portanto, mediar a experiência do sagrado dentro das práticas religiosas, possuindo normas, rituais e espaços consagrados.
Arte religiosa: possui uma noção mais ampla e faz referência a qualquer expressão artística que tenha como tema o universo religioso, mas sem necessariamente cumprir uma função ritual ou litúrgica. Uma pintura com tema bíblico, uma escultura contemporânea inspirada na fé e uma obra literária com referências religiosas podem todas serem classificadas como arte religiosa, mas não como arte sacra. Uma obra de arte religiosa pode se apresentar como crítica cultural, como reflexão espiritual ou como qualquer representação ou releitura de um aspecto de uma tradição religiosa que o artista queira expressar, o que marca a liberdade criativa como importante ponto distintivo da arte religiosa.
Exemplos de arte sacra
Capela e imagem de Nossa Senhora do Rosário, no Museu de Arte Sacra, em Salvador, na Bahia. [1]
Exemplos de arte sacra podem ser encontrados em quase todos os lugares e tradições religiosas. No Brasil, onde a religião predominante é o catolicismo romano, podemos citar, como exemplo, as esculturas de santos, muito comuns na tradição católica, que são um exemplo claro de arte sacra. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), essas imagens de santos católicos foram produzidas para devoção pública e privada, utilizadas em altares, em procissões e celebrações específicas, o que as distingue pela sua função ritual e litúrgica. Esculturas em madeira policromada, por exemplo, são uma representação bastante típica da religiosidade católica popular brasileira.
Ainda no âmbito do catolicismo, objetos litúrgicos como cálices, ostensórios, relicários, custódias e paramentos não possuem apenas valor artístico, mas também finalidade ritualística, o que os caracteriza também como arte sacra.
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Turíbulo, exemplo de objeto que se caracteriza como arte sacra. [2]
Apesar da ênfase que se dá ao catolicismo quando se trata da arte sacra no Brasil pela importância que essa tradição religiosa possui no país, não somente no presente como no passado que se estende ao passado colonial, a arte sacra está longe de se restringir a essa tradição. As expressões de arte sacra no Brasil são tão ricas e variadas quanto a própria formação histórica, étnica e cultural do país. No candomblé e na umbanda, por exemplo, arte sacra manifesta-se em esculturas e em imagens de orixás, nos assentamentos rituais, nos objetos litúrgicos, como as ferramentas simbólicas de Ogum ou de Oxossi, por exemplo, e nos trajes tradicionais carregados de profundo simbolismo dos praticantes. Os próprios terreiros (lugares de culto) são organizados segundo princípios cosmológicos específicos. Nessas tradições, os objetos não são meramente decorativos, mas considerados portadores de axé, isto é, de força sagrada.
Objetos do candomblé: abebés e flechas de Oxóssi, exemplos de arte sacra nas religiões afro-brasileiras. [3]
No protestantismo e no pentecostalismo, tradições em que a doutrina impõe restrições ao uso de imagens figurativas, a arte sacra aparece em algumas manifestações mais ou menos explícitas como na música litúrgica, nos hinos dos protestantes e nos louvores dos pentecostais, que cumprem claro papel litúrgico.
No judaísmo, praticado no Brasil desde o período colonial, sendo que a primeira sinagoga das Américas, Kahal Zur Israel (Rocha de Israel), foi fundada em Recife, em Pernambuco, no ano de 1636, a arte sacra está presente em objetos como a menorá (candelabro de sete braços), o rolo da Torá (livro sagrado), o Aron Hakodesh (arca sagrada) e diversos elementos arquitetônicos, todos elementos regidos por normas litúrgicas e religiosas tradicionais específicas.
Esses exemplos mostram que, mesmo com linguagens visuais e materiais distintas, diferentes religiões no Brasil produzem arte sacra, cada uma a seu modo, o que marca a riqueza cultural e étnica de nosso país.
Onde podemos encontrar arte sacra?
A arte sacra está profundamente ligada aos lugares de culto dentro das diferentes tradições religiosas, pois são criadas para funcionar dentro desses espaços considerados sagrados. Os principais locais onde a encontramos são, portanto, nas igrejas, nas capelas, nos mosteiros, nos santuários, nos terreiros, nas sinagogas e em outros lugares de culto em que essas obras cumprem sua função litúrgica e simbólica original.
Além dos espaços de culto em funcionamento, a arte sacra também pode ser encontrada em museus, em acervos e em centros de memória histórica, locais que concentram importantes produções artísticas, muitas delas ligadas à vida monástica ou à espiritualidade de diferentes tradições religiosas. O deslocamento de obras de arte sacra para museus ocorre, em geral, por razões de preservação, de segurança e de educação patrimonial. No entanto, esse processo altera a forma como o público se relaciona com essas obras, que passam a ser vistas prioritariamente como objetos artísticos ou históricos e não como objetos litúrgicos.
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Também é possível encontrar arte sacra em coleções privadas, especialmente de imagens devocionais e de objetos litúrgicos antigos. Muitas dessas peças fazem parte do patrimônio histórico e cultural, de valor inestimável para a coletividade, estando por isso, sujeitas a regras específicas de proteção que, no Brasil, são definidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Importância da arte sacra
A importância da arte sacra vai muito além de seu valor estético. Do ponto de vista da ciência histórica, ela desempenha um papel central na forma como diferentes sociedades, em diferentes épocas, cultuam suas divindades e realizam sua religiosidade, sendo um documento histórico que demonstra não só suas crenças, como também seus valores e suas visões de mundo, tanto na atualidade como em períodos históricos específicos.
De um ponto de vista mais antropológico, pode-se argumentar que a importância da arte sacra corrobora a busca do ser humano por referências simbólicas para dar sentido à existência e para organizar a experiência do sagrado. Nesse sentido, a arte sacra cumpre a função de tornar visível o invisível, oferecendo imagens, formas e representações que ajudam os indivíduos e as comunidades a se relacionarem com o transcendente e com o suprassensível.
Assim, a importância da arte sacra passa tanto pela sua capacidade de articular a espiritualidade de uma coletividade como meio de se acessar os valores, as referências e as características históricas e culturais de uma sociedade.
Origem da arte sacra
É difícil precisar a origem exata da arte sacra porque ela está diretamente ligada ao surgimento das experiências religiosas organizadas, algo que aconteceu conjuntamente ou muito próximo da origem do ser humano em si. Desde as organizações sociais humanas mais antigas, o ser humano buscou materializar o sagrado em símbolos e em imagens que tornassem o transcendente acessível à experiência profana, ou como explica o cientista das religiões Mircea Eliade: que aproxima o sagrado e o profano.
Exemplos de arte sacra remontam ao Período Paleolítico (2,5 milhões de anos a.C a 10.000 a.C.), como as vênus esteatopígicas, estatuetas femininas datadas entre 30.000 e 20.000 a.C., relacionadas possivelmente a cultos de fertilidade. Alguns exemplares célebres dessas estatuetas são a Vênus de Willendorf, a Vênus de Hohle Fels e a Vênus de Lespugue. Ainda nesse grande período da história humana, encontramos inúmeros artefatos portáteis que indicam rituais, como o homem-leão (Lowenmensch), escultura de marfim de mamute, encontrada na Alemanha, que representa uma figura híbrida (humano-animal), sugerindo crenças em uma divindade antropozoomórfica.
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Venus of Willendorf. [4]
No Período Neolítico (10.000 a.C. a 5.000/3.000 a.C.), podemos citar os célebres monumentos megalíticos, que são estruturas gigantescas de pedra que indicam cultos organizados, astronomia sagrada e enterros coletivos, como o complexo de Stonehenge, na Inglaterra.
De qualquer forma, apesar dos exemplos citados acima, a origem da arte sacra não pode ser atribuída a um único momento ou a uma única cultura, já que ela nasce da necessidade humana de dar forma ao sagrado, desenvolvendo-se historicamente conforme as religiões organizaram-se, expandiram-se e transformaram-se.
A arte sacra no Brasil é tão rica e variada quanto a composição étnica e cultural desse enorme país, estando profundamente ligada ao processo de colonização portuguesa e à expansão do catolicismo a partir do século XVI e da resistência das tradições religiosas afro-brasileiras e indígenas.
Desde os primeiros momentos da ocupação europeia, imagens, igrejas e objetos litúrgicos católicos foram utilizados como instrumentos de evangelização e de organização da vida religiosa. Nesse âmbito, destacam-se igrejas, capelas, esculturas (imagens de santos), pinturas e objetos de culto. Um período muito reconhecido da arte sacra brasileira católica ocorre entre os séculos XVII e XVIII, com o desenvolvimento do barroco colonial brasileiro, especialmente nas regiões auríferas de Minas Gerais, da Bahia, de Goiás, do Rio de Janeiro e de Pernambuco. Um dos mais emblemáticos nomes da arte sacra no Brasil desse período é Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.
Profeta Joel em pedra sabão, esculpida por Aleijadinho, um dos principais nomes da arte sacra no Brasil. [5]
Nas religiões afro-brasileiras, como o candomblé e a umbanda, a arte sacra está profundamente integrada à prática ritual e à cosmologia dessas tradições. No candomblé, por exemplo, a arte sacra manifesta-se nos assentamentos dos orixás, nos objetos simbólicos, como recipientes e ferramentas rituais, nas esculturas dos orixás, nos paramentos rituais, nos instrumentos musicais sagrados (como atabaques consagrados) e a própria organização arquitetônica dos terreiros, que obedecem a princípios religiosos específicos. Na umbanda, além dos assentamentos, destacam-se as imagens de entidades como caboclos, pretos-velhos, entre outras, usadas em contextos rituais e em devocionais, vinculadas diretamente ao culto e à comunicação espiritual e não somente como representação figurativa.
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Museus de arte sacra
Museu de Arte Sacra da Bahia, em Salvador. [6]
Os museus de arte sacra surgem como resultado de um processo histórico de preservação do patrimônio religioso e artístico. Muitas obras que originalmente pertenciam a igrejas, a conventos e a irmandades religiosas católicas foram, com o tempo, sendo transferidas para museus por razões de conservação, de segurança e de estudo histórico e artístico. Esses museus desempenham um papel fundamental na proteção e na difusão do conhecimento da arte sacra.
A primeira instituição dedicada a coleções especificamente de arte sacra no mundofoi o que hoje é o Museu de Arte Sacra de Funchal, na região de Madeira, em Portugal. Estabelecido no antigo Palácio Episcopal da cidade de Funchal, passou a colecionar e a conservar sistematicamente arte sacra a partir de fins do século XVI, sendo, portanto, um precursor institucional dos museus de arte sacra. Essa instituição pioneira abriga coleções de pinturas, de esculturas e de ourivesaria sacra europeia e atlântica reunidas ao longo de séculos.
No Brasil, o primeiro museu de arte sacra formalmente instituído foi o Museu de Arte Sacra Goiana, em Pernambuco, inaugurado em 19 de março de 1950, instalado na Igreja de Nossa Senhora do Amparo, reunindo um acervo oriundo de práticas religiosas advindas do período colonial.
Outros importantes museus de arte sacra no Brasil incluem o Museu de Arte Sacra da Bahia, em Salvador, o Museu de Arte Sacra de São Paulo, situado na capital, e o Museu de Arte Sacra da Boa Morte, na cidade de Goiás, entre muitos outros espalhados pelo país.
Curiosidades sobre arte sacra
Durante séculos, a arte sacra não era vista como “arte”, mas somente como instrumento de culto. A ideia de apreciá-la apenas pela estética surge muito depois, entre os séculos XVIII e XIX, com o nascimento dos museus e da noção moderna de arte.
Muitas imagens sacras eram consideradas “vivas”. Em diferentes épocas, fiéis acreditavam que esculturas e pinturas choravam, sangravam ou realizavam milagres, o que explica a força simbólica de certas devoções e peregrinações.
A arte sacra já foi alvo de destruição em massa. Devido a u um movimento no antigo Império Bizantino conhecido por iconoclastia (“ícone” vindo de imagem em grego e “clastia” vindo de quebra, ou “quebra de imagens”), ocorrido entre os séculos VIII e IX, milhares de imagens religiosas foram destruídas por serem vistas como idolatria por parte dos cristãos do país. Outro momento similar foi a chamada iconoclastia protestante, realizada no século XVI, na Europa, por calvinistas e por luteranos que realizaram um processo de destruição violenta e sistemática de imagens, de estátuas, de relíquias e de decorações católicas por conta da crença desses reformadores de que a veneração de imagens era um ato pecaminoso que deveria ser combatido.
O luxo dos materiais tinha significado espiritual. Ouro, prata e pedras preciosas não eram usados apenas por riqueza, mas para simbolizar a luz divina, a eternidade e a perfeição do sagrado.
Santos europeus ganharam rostos brasileiros. No período colonial, escultores adaptaram feições, cores e expressões das imagens sacras à realidade local, revelando misturas culturais pouco percebidas à primeira vista.
Nem toda arte sacra é feita para ser vista: algumas são feitas para ser ouvidas ou vividas. Cânticos, músicas rituais, gestos e movimentos corporais também funcionam como formas de arte sacra imaterial.
Muitas obras sacras mudaram de função ao longo do tempo. Objetos criados para o culto hoje podem estar em museus, sendo vistos mais como patrimônios históricos do que como instrumentos religiosos.
A arte sacra nunca parou de ser produzida. Mesmo em sociedades secularizadas como o Brasil atual, artistas contemporâneos continuam criando obras sacras para igrejas e para espaços religiosos das mais diversas vertentes.
É possível se emocionar com arte sacra sem ser religioso. Muitas dessas obras oferecem experiências de silêncio, de contemplação e de transcendência, especialmente para quem reconhece os valores artístico e cultural dessas expressões, mesmo fora do contexto da fé.
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A arte sacra costuma ser confundida com arte religiosa, já que ambas mobilizam temas e símbolos vinculados à religião. No entanto, existem diversos critérios usados por historiadores da arte, por museólogos e por estudiosos das religiões para diferenciar esses conceitos.
Nesse sentido, a característica que melhor define a arte sacra, em contraste com a arte religiosa, é:
A) a presença de imagens de divindades, de santos e de narrativas bíblicas.
B) a intenção de provocar emoção estética e impacto visual no observador.
C) a finalidade litúrgica e o uso ritual no contexto de uma tradição religiosa.
D) o emprego de materiais nobres, como ouro, prata e pedras preciosas.
E) a exposição em museus e em instituições patrimoniais reconhecidas.
Resolução:
Alternativa C.
Com base no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e em estudos de museologia e da história da arte, o ponto decisivo não é apenas o “tema religioso”, mas o uso e a finalidade. A arte sacra é produzida para funcionar em práticas de culto (liturgia, devoção, procissões), dentro de códigos e de reconhecimentos institucionais de uma tradição religiosa. Já a arte religiosa pode abordar o sagrado como tema, mas sem servir diretamente ao ritual.
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Questão 2
Museus de arte sacra preservam imagens, objetos litúrgicos e obras que, por séculos, estiveram inseridas em igrejas e em espaços de culto. Ao serem transferidas para museus, essas peças passam a ser vistas sob outras lentes — artísticas, históricas e patrimoniais — gerando debates sobre sua interpretação.
O principal efeito desse deslocamento para o museu é:
A) a eliminação completa do valor religioso da obra, que se torna apenas decorativa.
B) a manutenção integral da função ritual, já que o museu substitui o espaço sagrado.
C) a proibição de qualquer apreciação estética, para evitar “profanação” do objeto.
D) a transformação do modo de leitura da obra, que tende a ser percebida mais como patrimônio e como arte do que como objeto de culto.
E) a perda inevitável de autenticidade histórica, pois o museu altera fisicamente as peças.
Resolução:
Alternativa D.
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Ao sair do espaço litúrgico a obra deixa de atuar diretamente no ritual e passa a ser interpretada sobretudo como objeto artístico e histórico, ganhando camadas de leitura patrimonial e educativa. Isso não apaga totalmente sua origem sagrada, mas muda o enquadramento e o tipo de relação do público com a peça.
Notas
|1| FABRINO, Raphael João Hallack. Guia de identificação de arte sacra. Rio de Janeiro: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), 2012. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/guia_arte_sacra.pdf.
BERTO, João Paulo. A arte a serviço do sagrado: a arte sacra de Cláudio Pastro (1948-) e o Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Encontro de História da Arte, Campinas, n. 8, p. 277–286, 2012. Disponível em: https://doi.org/10.20396/eha.8.2012.4220.
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DŽALTO, Davor. The aesthetic face of the sacred. Religions, Basel, v. 10, n. 5, p. 302, 2019. DOI: 10.3390/rel10050302. Disponível em: https://www.mdpi.com/2077-1444/10/5/302.
ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano: a essência das religiões. Tradução de Rogério Fernandes. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
FABRINO, Raphael João Hallack. Guia de identificação de arte sacra. Rio de Janeiro: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), 2012. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/guia_arte_sacra.pdf.
A arte sacra está intrinsecamente relacionada às práticas de culto e à tradição religiosa.
Escrito por: Alexandre Fernandes Borges Professor e historiador, Bacharel e Licenciado em História pela Universidade Federal de Goiás, com 20 anos de experiência no ensino de História no Ensino Médio. Servidor público de carreira da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás desde 2007, atuou como Chefe do Arquivo Histórico Estadual de Goiás entre 2012 e 2019. Atualmente, integra a Comissão de Avaliação de Bens Intangíveis da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás.
Deseja fazer uma citação?
BORGES, Alexandre Fernandes.
"O que é arte sacra?"; Brasil Escola.
Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-e-arte-sacra.htm. Acesso em 03 de
fevereiro
de 2026.