Opúsculo humanitário é um livro de caráter ensaístico da escritora brasileira Nísia Floresta. A obra foi publicada, pela primeira vez, em 1853, e apresenta reflexões da autora sobre a educação feminina. Para isso, ela mostra um recorte histórico da situação a partir da Antiguidade.
Evidencia a educação das mulheres no Egito Antigo, na Grécia Antiga, na Roma Antiga e na Idade Média. Mostra sua evolução na Alemanha, na Inglaterra, na França e nos Estados Unidos. Associa o atraso brasileiro à colonização portuguesa. A escritora defende uma educação feminina pautada em valores cristãos e essencial para a boa formação dos filhos.
Leia também: Nísia Floresta — detalhes sobre a vida da autora de Opúsculo humanitário
Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre o Opúsculo humanitário
- 2 - Análise da obra Opúsculo humanitário
- 3 - Características da obra Opúsculo humanitário
- 4 - Contexto histórico da obra Opúsculo humanitário
- 5 - Nísia Floresta, autora de Opúsculo humanitário
Resumo sobre o Opúsculo humanitário
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Opúsculo humanitário é um livro da escritora brasileira Nísia Floresta.
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Possui 62 partes e trata dos seguintes assuntos:
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educação feminina no Egito Antigo;
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educação feminina na Grécia Antiga;
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educação feminina na Roma Antiga;
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educação moral e religiosa;
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educação feminina e civilização;
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educação feminina na Idade Média;
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educação feminina na Alemanha, na Inglaterra e na França;
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educação da mulher e a educação de seus filhos;
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superioridade da mulher alemã e inglesa;
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participação da mulher na intelectualidade e na história francesas;
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a maternidade como principal função feminina;
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relação entre maternidade e desenvolvimento de uma nação;
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educação feminina nos Estados Unidos;
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educação associada a valores cristãos;
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escravidão no Brasil como símbolo de atraso;
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invisibilidade da mulher brasileira nos livros de história;
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desprezo pela educação feminina herdado de Portugal;
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educação feminina limitada aos conhecimentos domésticos;
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decadência de Portugal, apesar de seu passado glorioso;
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o pouco avanço da educação feminina no Brasil;
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os castigos físicos nas escolas e o despreparo de professoras brasileiras;
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a necessidade de uma reforma no sistema educacional brasileiro;
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a educação no lar feita por mães devidamente preparadas;
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ociosidade e indolência em que vivem as meninas brasileiras;
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importância do trabalho e os danos causados pela frivolidade;
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educação de mulheres pobres;
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a corrupção e a incompetência de padres brasileiros;
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a realidade degradante das nações indígenas brasileiras;
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a superioridade das mulheres indígenas brasileiras.
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Análise da obra Opúsculo humanitário
Em definição de dicionário, opúsculo é uma “pequena obra escrita sobre arte, ciência, literatura etc.”. Sendo assim, o tema do livro de Nísia Floresta é a educação feminina no Brasil. Você vai perceber que, apesar da defesa das mulheres, a autora ainda mantém a ideia patriarcalista de que os principais papéis da mulher são: mãe e esposa.
De formação fortemente cristã, Nísia valoriza a família e a religiosidade. Ela ressalta o tempo inteiro a importância da educação não só intelectual, mas também moral das meninas. Apesar de, para época, ser considerada progressista, aos olhos de hoje, a postura de Nísia em relação ao papel da mulher na sociedade é bastante conservadora, ao ponto de ela considerar a educação da mulher importante para que ela possa criar bem os filhos e orientar os homens.
Isso está exposto nas 62 partes que compõem o livro, como você pode conferir abaixo:
I
Critica o Brasil por não oferecer educação de qualidade às mulheres. Afirma que esse tipo de educação indica o nível de civilidade de um povo. Cita mulheres como Débora, Judite (personagens bíblicas) e Semíramis (rainha da mitologia grega e persa) como símbolos de inteligência e liderança. Diz que a mulher não deve estar limitada aos afazeres domésticos.
II
Afirma que o antigo Egito também não valorizou a educação feminina, sendo a beleza física da mulher seu principal valor. Nesse tipo de civilização, a mulher era oprimida. A autora condena a poligamia. Defende que manter a mulher na ignorância impede também o progresso de uma sociedade. Diz que homens e mulheres têm igual capacidade intelectual e moral e que o homem usou a força física e a falta de instrução feminina para manter a mulher sob seu poder.
III
Apresenta a Grécia como uma das civilizações antigas que valorizou a mulher. Mostra a importância da Grécia para o desenvolvimento intelectual da humanidade. Afirma que, nesse país, a mulher não era apenas objeto de desejo, mas participava da vida intelectual. Destaca a inteligência de mulheres do período, reconhecida no auge da civilização grega. No entanto, condena o paganismo grego e defende a força da mulher cristã.
IV
Valoriza o heroísmo das mulheres romanas. Porém, afirma que Roma não deu às mulheres a devida educação. Segundo a autora, o despotismo valoriza a submissão, inclusive a submissão feminina. Catão (político e escritor romano) era uma figura que tratava as mulheres como seres inferiores para impedir sua emancipação. Defende uma educação moral ou religiosa para formar homens melhores. Assim, valoriza a inteligência, aliada à formação moral das mulheres.
V
A autora defende que a educação da mulher influencia a moralidade e a civilidade de um povo. Argumenta que, em sociedades bárbaras, a mulher era inferiorizada. Fala da subordinação da mulher durante a Idade Média (período histórico que vai de 476 a 1453). Mesmo que o cristianismo valorizasse mulheres como Maria, a mulher medieval continuava subjugada. Aponta como motivos de atraso para a educação feminina o feudalismo, as guerras religiosas e o fanatismo. Critica a Inquisição, a qual se opunha à liberdade.
VI
Traça um panorama da situação da mulher na Europa. Aponta a Alemanha como uma nação que respeitava a mulher, em que havia igualdade no casamento. A autora defende, mais uma vez, que a educação moral e intelectual da mulher torna a sociedade mais forte. Porém, associa isso à educação dos filhos, atribuída à mulher.
VII
Continua a enaltecer a Alemanha. Menciona o francês Chateaubriand, como um escritor que elogiou a mulher alemã. A autora diz que as mães alemãs eram um exemplo de dedicação. Afirma que o país valorizava a família e os idosos. Os alemães, segundo ela, respeitavam mais as mulheres do que gregos e romanos. Nesse país, elas eram mais instruídas.
VIII
Mostra a Grã-Bretanha como uma potência econômica e cultural. A Inglaterra, de acordo com a autora, investiu na educação feminina. Cita a rainha Elizabeth I como símbolo de valorização da mulher inglesa, em uma sociedade livre e avançada. Associa o crescimento de um país à existência da educação feminina. Aponta a moralidade, discrição e superioridade da mulher inglesa. Novamente, valoriza o amor materno. Mostra que a França, em comparação com a Inglaterra e com a Alemanha, estava atrasada. Considera que a religião é fundamental na educação inglesa.
IX
Continua a enaltecer a Inglaterra, como modelo de educação feminina. Aponta as virtudes da mulher inglesa: beleza, moralidade e intelectualidade. Novamente, valoriza a moral e a religião, como fundamentos da educação feminina. Cita autoras inglesas que cultivaram valores morais em suas obras: Jane Austen, Elizabeth Inchbald, Maria Edgworth, Elizabeth Hamilton, Hannah More.
X
Menciona os escritores Voltaire e Montesquieu, que tinham admiração pela Inglaterra, mas não consideravam a importância da educação feminina no progresso do país. Segundo a autora, esses escritores franceses tinham preconceito em relação às mulheres. O menosprezo pela mulher também estaria em Rousseau (filósofo francês).
XI
Destaca a participação das mulheres na intelectualidade francesa, apesar das limitações legais por elas sofridas. Afirma a influência indireta na política de mulheres como Diane de Poitiers (amante de Henrique II), Catarina di Médici (esposa de Henrique II), Gabrielle d’Estréss (amante de Henrique IV), marquesa de Pompadour (amante de Luís XV), marquesa de Maintenon (esposa de Luís XIV). Acusa Napoleão Bonaparte de inimigo da superioridade do espírito feminino. Cita heroínas francesas como Joanna d’Arc. Menciona mulheres francesas que incentivaram o desenvolvimento da educação.
XII
Evidencia o grande número de escritoras francesas. Isso é usado como argumento para mostrar a importância da educação feminina. Novamente, valoriza a educação moral na formação das mulheres. Elogia as escritoras Madame de Staël e George Sand (pseudônimo de Amandine Aurore Lucile Dupin), apesar de criticar certos desvios morais em obras de Sand. A educação feminina é associada a valores familiares.
XIII
Elogia o espírito filantrópico das mulheres francesas. Associa a caridade ao espírito feminino. Assim, segundo ela, irmãs de caridade deveriam ser mais exaltadas do que cantoras e dançarinas. A educação e a moralidade andariam juntas, já que as irmãs de caridade eram instruídas. A autora vê a maternidade como principal função da mulher, a qual, portanto, é responsável pela excelência e força de um povo.
XIV
Agora a autora se volta para o continente americano. Enaltece os Estados Unidos. Segundo ela, as mulheres desse país herdaram a educação inglesa. O país, sem preconceitos de classe, era fundado na simplicidade e valorizava a educação.
XV
Continua falando dos Estados Unidos e defende que seu desenvolvimento está ligado à valorização da mulher, que era respeitada. Essa mulher apresentava bases morais, sendo uma verdadeira amiga do marido. Homenageia Harriet Elizabeth Beecher Stowe (autora de A cabana do pai Tomás), como símbolo de instrução, moralidade e coragem. Novamente, valoriza a educação feminina baseada em valores religiosos. O progresso do país é associado à valorização da mulher.
XVI
Elogia o livro de Stowe como exemplo de valores morais. Considera a obra um primor de preceitos cristãos. O romance denuncia a escravidão. Nísia Floresta aproveita para criticar a escravidão no Brasil.
XVII
A autora agora fala do Brasil. Ela acha que o Brasil não pode ser considerado liberal e civilizado enquanto não patrocinar a educação das mulheres. Isso é um aspecto de atraso do país, segundo ela. Afinal, em uma nação livre e civilizada, mulheres devem ter uma vida intelectual.
XVIII
Menciona que falar sobre a educação das mulheres no Brasil era enfrentar preconceitos e ideias arcaicas. Defende que o país só seria de fato civilizado com a educação das mulheres, mas entende que a mudança era lenta. Esperava que as futuras gerações superassem seus preconceitos contra a mulher.
XIX
Repete que a educação feminina beneficiaria a formação moral do povo. A instrução feminina indica o estágio de civilização de um povo. Faz referência também à situação da mulher indígena brasileira, que promete discutir mais adiante. Critica o fato de as mulheres brasileiras não aparecerem nos livros de história.
XX
Lamenta o fato de o Brasil ter herdado de Portugal o desprezo pela educação da mulher. Assim, tal educação foi historicamente desprezada. Faz críticas a Portugal. Não concorda que a mulher precisasse apenas de conhecimentos domésticos. Considera qualquer homenagem, na Idade Média, que os portugueses tenham rendido às mulheres, como superficiais, pois a melhor homenagem seria que os homens lutassem para que elas tivessem direito à educação.
XXI
Afirma que mulheres foram proibidas de fazerem ciência e literatura, apesar de terem intelecto igual ao dos homens. Porém, algumas mulheres ultrapassaram as barreiras, como a escritora e humanista portuguesa Públia Hortênsia de Castro, que frequentou a Universidade de Coimbra, mas usando trajes masculinos. A desvalorização da mulher é resultado de preconceitos, diz a autora. Assim, critica Portugal por tal comportamento.
XXII
Aponta o atraso filosófico de Portugal, apesar de seu passado de glória. Sem desenvolvimento intelectual, as conquistas portuguesas eram insuficientes para o desenvolvimento da nação. A autora valoriza o conhecimento em detrimento das armas. Evidencia a decadência portuguesa e lamenta que o Brasil tivesse herdado costumes que não beneficiam o progresso. Condena a escravidão no Brasil e a violência contra os povos indígenas. Enaltece os jesuítas José de Anchieta e Manuel da Nóbrega, por ela considerados verdadeiros cristãos.
XXIII
Revisita a história do Brasil. Diz que a sede de ouro e de poder atraíram os colonizadores, os quais eram cruéis, corruptos e injustos. Isso também teria contribuído para a corrupção moral da sociedade e da família, além do atraso intelectual. Nesse contexto, a educação feminina não teve avanço, deixando as mulheres restritas aos trabalhos domésticos e manuais. Diante disso, grandes mentes femininas não puderam se desenvolver.
XXIV
As riquezas do Brasil colônia deram ao país certa importância, mas ele era dependente de Portugal. Novamente, Nísia Floresta critica Portugal, preso ao passado glorioso. Aponta que, no Brasil, os portugueses eram privilegiados na ocupação de cargos importantes. Denuncia que, até o início do século XIX, o Brasil não possuía instituições de ensino. Por isso, brasileiros com posses estudavam em Portugal. Nesse contexto, a educação formal feminina era impensável, sendo sua educação somente doméstica, de modo a limitar seus horizontes.
XXV
Compara as escolas brasileiras a penitenciárias. Nelas, as crianças sofriam castigos físicos. Havia muitas professoras despreparadas e rudes. A autora critica uma educação fundada na opressão e no medo. Acredita que a ignorância beneficia a submissão a governantes autoritários.
XXVI
Diz a autora que: “Quanto mais ignorante é um povo, tanto mais fácil é a um governo absoluto exercer sobre ele o seu ilimitado poder”. Associa a educação ao progresso de uma nação. Censura os homens que são contra o desenvolvimento intelectual feminino. É contra o autoritarismo e a favor da instrução. Novamente, defende que desenvolver a intelectualidade feminina é beneficiar sua formação moral. Combate a visão da mulher como simples objeto de desejo.
XXVII
Reafirma a igualdade entre homens e mulheres: “A mulher e como o homem, conforme se exprime o sublime Platão, uma alma servindo-se de um corpo”. Ataca a ideia de que a mulher deve apenas cultivar a beleza para o prazer dos homens. Valoriza a inteligência feminina e, portanto, sua força intelectual.
XXVIII
Continua combatendo a ideia de valorização da mulher apenas pelos dotes físicos. Portanto, condena a visão da mulher como objeto. Valoriza a racionalidade, desenvolvida pela filosofia. Defende que todas as mulheres devem ter direito à educação, adequada à realidade de cada uma.
XXIX
Fala das transformações políticas vividas pela Europa. Menciona a invasão napoleônica em Portugal, que fez com que a família real viesse para o Brasil, o que causou mudanças também em nosso país. Apesar dos avanços, a educação feminina continuou presa aos afazeres domésticos. Aponta a disparidade entre homens, que podiam estudar na Europa, e mulheres, que nem sabiam ler.
XXX
Combate a ideia geral de que educar meninas era algo prejudicial ou perigoso. Ela atribui isso à ignorância das pessoas. Afinal, mulheres sem instrução não seriam mais virtuosas do que as instruídas. Considera incoerente a defesa de que o desenvolvimento de valores morais deve estar condicionado à manutenção da ignorância feminina.
XXXI
Aponta a existência de poucas escolas de instrução primária para meninas no Brasil. Muitas professoras não tinham o preparo adequado, obtendo seus cargos não por competência, mas por indicação. Isso prejudicava as meninas, que não conseguiam ter uma formação básica de qualidade.
XXXII
A autora agora lança o olhar sobre a Independência do Brasil. Enaltece José Bonifácio, estadista brasileiro que articulou a Independência. Segundo a autora, ele estava esquecido pelos homens do presente, relegado à indiferença.
XXXIII
Informa que, desde 1831, o Brasil tinha um governo inteiramente nacional. Aponta a necessidade de uma reforma no sistema educacional brasileiro. Os castigos físicos ainda persistiam nas escolas. Além disso, os erros de diretores não eram punidos, e a tolerância com os educadores estrangeiros era ainda maior.
XXXIV
Denuncia que o governo não fiscalizava as escolas particulares, as quais valorizavam mais o lucro do que a educação. Tais instituições utilizavam propaganda enganosa e, com as devidas exceções, tinham diretores incompetentes e professores sem formação adequada. Os estrangeiros capacitados permaneciam na Europa, permitindo que aqueles sem preparo atuassem no Brasil, onde ainda persistia o atraso intelectual e civilizacional.
XXXV
Nísia Floresta afirma que qualquer pessoa no Brasil que soubesse ler podia “montar uma casa de educação” e ser seu diretor. Assim, não havia critérios rígidos para os profissionais que atuavam na educação. Obviamente, não havia também um método ou planejamento educacional adequado. Com tantos problemas, a educação feminina era relegada a segundo plano. A autora então se propõe lançar “os olhos para o que se acha atualmente feito pelo governo em favor do ensino primário das nossas meninas”.
XXXVI
A autora apresenta estatísticas para demonstrar o atraso da educação feminina no país:
Pelo Quadro demonstrativo do estado da instrução primária e secundária das províncias do Império e do município da Corte, no ano de 1852, vê-se que a estatística dos alunos, que frequentaram todas as aulas públicas, monta a 55.500, número tão limitado para a nossa população; e que neste número apenas 8.443 alunas se compreendem!
Na província de Minas, onde a instrução se acha mais geralmente difundida, entre 209 escolas de primeiras letras, só 24 pertencem ao sexo feminino!! Considerando-se essa tão desproporcional diferença, o sexo parece permanecer ali debaixo da influência do anátema, que fulminara sobre ele um dos mais notáveis presidentes daquela província. Tratando das cadeiras públicas de ensino primário, dizia ele que: Deve-se ensinar às meninas tudo quanto convém que saiba uma mulher, que tem de ser criada de si e de seu marido. Esse severo administrador abstraiu por sem dúvida do século em que falava, ou confundiu um povo livre, o digno povo mineiro, com a malfadada população de escravos, que infelizmente o Brasil contém em seu seio!
Na ilustrada Bahia, de 184 escolas primárias, 26 somente são de meninas. Menos egoísta para com o sexo a sua rival na glória, o heroico Pernambuco, fiel a suas tradições, lhe sobressai em equidade, pois que de 82 escolas 16 pertencem ao sexo feminino.
A província do Rio de Janeiro, com 116 escolas, dá ao sexo 36. No município da Corte, a sede do governo imperial, onde se devia mais facilitar a instrução do povo, acham-se apenas criadas 9 aulas de meninas!
Portanto, havia poucas escolas direcionadas ao público feminino. Para complicar, “havia a confusão dos métodos” e a falta de competência das professoras. Assim, a instrução feminina, além de limitada, era de baixa qualidade.
XXXVII
Para comprovar suas afirmações, a autora cita o relatório do ministro do Império. Não havia uniformidade no ensino, pois cada província tinha suas próprias normas. Faltava organização. Ocorria a utilização de livros inadequados. Havia deficiência na fiscalização, além da baixa frequência dos alunos. A autora aponta falsos progressos: aumento de colégios na Corte, muitos jovens falando diversas línguas, presença feminina para assistir a representações de teatro e de dança. Tais fatos, para Nísia, não eram indicadores na melhora da educação.
XXXVIII
Nísia Floresta mostra que o próprio governo admitia que o ensino público brasileiro era precário. Também menciona o descaso com as meninas do interior do país, em situação de atraso que se comparava ao regime colonial. Critica o fato de que as jovens não tinham ensino secundário, com algumas exceções no ensino particular, o qual também era deficiente, pois elas não estudavam ciências naturais. Além disso, os rapazes do interior podiam estudar em outras cidades, o que não era permitido às jovens.
XXXIX
Agora a autora adverte que uma escola com muitas alunas não era necessariamente boa. Escola cheia servia apenas como propaganda e ganhos da instituição de ensino. Nísia indica que um número limitado de alunas proporcionava um melhor acompanhamento por parte da direção e, portanto, era mais eficaz para o aprendizado. Considera adequado que uma mãe pudesse se dedicar à educação dos filhos caso ela tivesse preparo para isso.
XL
Mostra predileção pela educação das meninas no lar, quando a mãe estava apta para isso. Segundo a autora, nas instituições de ensino, podia haver estímulo à competição, o que podia apresentar caráter destrutivo. Além disso, com duas influências (escola e família), haveria uma dificuldade na formação moral, mas reconhece que isso ainda era impraticável, já que a maioria das mães não tinha formação para educar as filhas. Vê nos colégios duas vantagens: “seguir os estudos em horas para isso reguladas e a de não se achar tão em contato com os escravos”.
XLI
Condena mães que não amamentavam seus filhos. Assim, critica a prática de deixar mulheres escravizadas amamentarem as crianças brancas. Segundo a autora, esse convívio seria prejudicial à criança, tanto física quanto moralmente:
[...] seus filhos pendentes do seio de míseras africanas, que passam muita vez do açoite, na casa de Correção ou nas dos próprios senhores, ao berço do inocente para oferecer-lhe seu leite?!
Entretanto é esta a primeira lição preparada ao menino brasileiro, lição que bebe com esse leite impuro, e lhe vai com ele contaminando assim o físico como o moral.
Antes mesmo de saber articular sons distintos, grande parte dos nossos meninos já se apercebe de ter naquela que lhe dá o alimento uma escrava submissa a seus caprichos. Antes de compreenderem o que é mandar e obedecer, eles sabem com gestos exercer o comando e exigir a obediência; o vocábulo imperioso — quero — é pronunciado de comum com os de mamã e papá. Estes têm quase sempre a imperdoável fraqueza de não somente ensinar-lhes aquele som vago para a pequena inteligência que o escuta e repete, mas ainda a de aplaudirem a sedutora graça com que o fazem, ensinando-lhes assim a contraírem o hábito da impertinência, e isto porque tais graças os divertem!
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Segundo Nísia, a educação da criança tem início no berço.
XLII
Continua a criticar o convívio das crianças com pessoas escravizadas. De acordo com a autora, “a menina acha-se desde a primeira infância cercada de outras tantas perniciosas lições, quantas são as ocasiões em que observa os gestos, as palavras e os atos dessa infeliz raça, desmoralizada pelo cativeiro e condenada à educação do chicote!...”. A autora diz que tal convívio faria com que as crianças naturalizassem a escravidão.
A autora também evidencia que havia preocupação com a beleza das meninas e nenhuma preocupação com sua educação. Condena o comportamento dos adultos diante das crianças, comportamentos que Nísia considera impróprios, como expor crianças a assuntos de adultos.
XLIII
Continua falando da exposição das meninas aos vícios e lamenta que alguns pais dessem mau exemplo aos filhos. O objetivo da autora é mostrar que as famílias também são responsáveis pela educação das meninas, o que refletiria na sociedade.
XLIV
Valoriza a educação europeia, que deveria ser copiada pelo Brasil. Expõe novamente o atraso brasileiro ao não investir na educação das mulheres. Valoriza, mais uma vez, a educação moral. A mãe seria um exemplo para a filha em comportamento moral. O aprendizado começava desde cedo. Assim, coloca imensa responsabilidade sobre a mãe, que devia ter um comportamento impecável.
XLV
Mesmo cercadas pela corrupção, algumas mulheres conseguiam sair ilesas e adquiriam valores morais em sua formação. Tais mulheres respeitavam os pais e eram dedicadas ao marido e aos filhos. Traça o perfil de uma espécie de heroína do lar, que, mesmo infeliz, é dedicada à família. Novamente, critica a educação dada às meninas no ambiente familiar e condena a forma adulta como elas se vestiam.
XLVI
Denuncia um caso em que uma menina de seis anos morreu, pois a mãe obrigava a criança a usar espartilho. Assim, critica a supervalorização da aparência feminina, que, como se viu, podia comprometer a saúde das meninas. Segundo a autora, a “criminosa vaidade” da mãe foi responsável pela morte da criança.
XLVII
Afirma que esforços individuais não podem vencer os hábitos de uma sociedade. Assim, uma única pessoa que consegue boa educação não teria grande impacto na sociedade. Daí a necessidade de empenho do Estado e das famílias para uma educação de qualidade. Novamente, ataca a educação superficial das meninas, que valorizava aparência e trato social. Além disso, educadoras evitavam contrariar os pais por medo de perderem alunas e, consequentemente, dinheiro.
XLVIII
Atesta que a mulher brasileira tinha pouca liberdade. Ainda assim, era responsável por educar as filhas. Desse modo, tinha uma imensa responsabilidade de “prevenir ou corrigir as faltas dos primeiros anos”. Outra vez, a autora afirma que a mãe é um modelo moral para as filhas. Diz que o trabalho intelectual ou material é uma virtude e critica a ociosidade das meninas, expostas à vaidade e à “atmosfera viciada” de bailes e teatros.
XLIX
Critica a escravidão e os maus-tratos às pessoas escravizadas. As crianças presenciavam isso e, assim, aprendiam a ser autoritárias e cruéis. Como a mãe, para a autora, é um exemplo, ela não devia injuriar ou castigar pessoas escravizadas diante das filhas. A autora anseia que a mocidade entenda que escravizados são seres humanos, também são mães, filhos e irmãos. Diz a autora:
Mães brasileiras, afastai dos olhos de vossos filhos o espetáculo de uma opressão cruel, que lhes enerva a compaixão, e agrava mais a triste sorte desses míseros a quem deveis, como cristãs, caridosamente dirigir. Ensinai-lhes cedo a olhá-los como nossos semelhantes, e, por conseguinte, dignos de nossa comiseração no estado a que os reduziram nossos maiores.
L
Critica a ociosidade, a “indolente languidez” e a falta de atividades úteis das meninas. Segundo Nísia, as mulheres escravizadas faziam todo o trabalho, “sem as quais a mulher brasileira assim habituada nada pode nem sabe fazer”. Meninas ricas tinham todo o conforto, mas nenhum enriquecimento intelectual. Sem educação de fato, as mulheres ficariam totalmente desamparadas se perdessem a riqueza e posição social. Valoriza o trabalho e ataca as frivolidades.
LI
Afirma que a educação física no Brasil era tão negligenciada quanto a educação moral. Servidas todo o tempo por pessoas escravizadas, as meninas não se exercitavam. Defende o desenvolvimento do corpo e do intelecto. Condena as frivolidades e valoriza as qualidades morais femininas.
LII
Diz que as mulheres pobres do Brasil deveriam ajuntar “por meio de uma indústria honesta e de razoáveis economias, com que prover no futuro as suas necessidades”. Critica o fato de crianças brasileiras serem carregadas no colo o tempo todo e não terem ocupação, diferentemente das europeias, que faziam “uso de seus membros, apenas andam, ensinando-os a entreterem-se em diversos brincos úteis de invenção sua”. Enaltece mulheres que cuidavam dos filhos, da casa e ainda auxiliavam o marido no comércio ou na lavoura.
LIII
Defende que se devia utilizar bem o tempo e valorizar o trabalho. Condena a falta de simplicidade da classe trabalhadora brasileira, que buscava imitar os ricos, trajando-se “acima da sua condição”. Considera a indolência e a ociosidade como causas para a degradação de pobres.
LIV
Afirma a unidade do território brasileiro. Diz que todos os brasileiros deviam ter os mesmos direitos. Então, era importante pensar na educação de todas as mulheres brasileiras. Se os pobres não tinham bens materiais, segundo ela, podiam atingir a glória por meio da inteligência, mas entende que a educação de mulheres pobres precisava de mais atenção por elas serem expostas a “mais tristes extremos”. Abomina a escravidão e defende o trabalho feito por “braços livres”.
LV
Lamenta a falta de instrução religiosa da mocidade brasileira. Conforme a autora, “a religião é a cadeia indestrutível que liga a mulher a seus deveres, a coroa mais preciosa que lhe cinge a fronte”. Diz que uma mulher sem religião é como “aquelas lindas flores de nauseante cheiro que se deve admirar de longe, sendo que o seu contato infecciona o ar que respiramos”. Afirma que o ensino religioso, no Brasil, era desprezado por pais e por párocos.
LVI
Continua criticando os padres brasileiros por não oferecerem instrução de catecismo às crianças. Ataca certos religiosos, acusados de se entregarem “a toda a sorte de prazeres mundanos” e ainda assim continuarem exercendo suas funções eclesiásticas.
LVII
Defende que o atraso do Brasil se devia aos abusos do clero e à deficiência da educação doméstica. Elogia a docilidade, generosidade e modéstia do povo brasileiro. Aponta os corruptores desse povo: desocupação, falta de meios para o estudo e escravidão. Denuncia o desleixo de alguns padres. Critica a ida à igreja como evento social. Elogia o clero francês.
LVIII
Agora, Nísia Floresta fala da situação dos indígenas brasileiros, que tiveram pátria, liberdade e honra usurpadas. Enaltece a diversidade indígena antes da colonização. Critica os europeus, acusados de opressores. Porém, novamente, elogia Manuel da Nóbrega e padre José de Anchieta. Cita alguns líderes indígenas: Tebireçá, Arariboia e Camarão. Segundo a autora, eles, “fiéis aos seus ingratos aliados, tantos e tão relevantes serviços prestaram à causa da civilização, nas províncias de S. Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, etc. etc.”.
LIX
A autora passa a falar apenas das mulheres indígenas. Diz que possuíam virtudes inatas, mas foram “as primeiras vítimas imoladas à licença dos homens da civilização”. Diz que a vida dessas mulheres antes da colonização era melhor, pois viviam uma vida simples. Condena a escravidão das mulheres indígenas. Afirma que as ações dos colonizadores não eram cristãs, apesar de afirmarem estar a serviço da fé. Elogia o vínculo e afeto dessas mulheres por seus filhos. Amor materno superior ao das não indígenas, que deixavam os filhos para “irem tomar parte nos prazeres do mundo ou satisfazerem uma etiqueta da sociedade”. Menciona as famosas indígenas Paraguaçu (modelo de esposa), Moema (dona de amor abnegado) e Clara (guerreira).
LX
Enaltece a fidelidade conjugal das mulheres indígenas. Além disso, conforme a autora, também eram boas mães. Contesta a afirmação de que indígenas eram preguiçosos e afirma que as mulheres indígenas trabalhavam muito e tinham talento para o artesanato. No entanto, para enaltecer a mulher indígena, acaba sendo preconceituosa:
As mulheres são não somente mais asseadas que as africanas, e mais próprias a ajudar-nos a criar nossos filhos, servindo-nos com fidelidade e submissão, sem o servilismo e vícios das infelizes escravas, mas também suscetíveis das mais doces e nobres afeições. Sua alma encerra preciosos tesouros, que uma educação bem dirigida abriria àqueles mesmos que tanto desdenham a sua raça!
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Denuncia a persistente escravização de indígenas em algumas partes do país:
Quando, por sábio decreto de um rei justo e humano, a revoltante escravidão dos nossos indígenas foi abolida, e a introdução dos infelizes africanos veio substituir o vergonhoso tráfico, que em todo o Brasil se fazia com aqueles, julgou-se conveniente procurar exterminar os que acabavam de libertar-se, de direito que não de fato, porquanto a perseguição continuou debaixo de outro caráter; e ainda em nossos dias, com horror o sabemos! Caçam-se os selvagens em suas matas como animais ferozes, para apreendê-los e arrancar-lhes as mulheres e filhos, que se retêm e fazem servir como escravos... em muitas roças e casas do interior das províncias!
LXI
Conforme a autora, o Brasil via-se privado de numerosos e fortes braços devido ao preconceito contra indígenas. Critica o fato de o país importar mão de obra estrangeira, tendo força de trabalho no Brasil. A força de trabalho livre dos indígenas não carregaria os vícios trazidos pelos estrangeiros. Reconhece os abusos e a violência da colonização: trabalho forçado, castigos corporais, estupro de mulheres e filhas. Menciona o extermínio de indígenas e entende que eventuais ações violentas desses povos eram em defesa própria. Discriminar indígenas, segundo Nísia Floresta, seria antinacional e anticristão.
LXII
No final de seu opúsculo, Nísia afirma que a mulher exerce influência nas decisões dos homens e, consequentemente, nos destinos dos povos. A boa educação das mulheres assim se justificava: elas poderiam orientar melhor os homens. De acordo com a autora, a educação feminina deveria ser baseada “nos sólidos princípios da moral, [...] no perfeito conhecimento de nossa santa religião, no exemplo de vossas virtudes, quer domésticas, quer cívicas”, em vez “da leitura de inflamantes e perigosos romances”.
E assim finaliza sua obra:
Eia! Se, com mais rico solo do que o dos Estados Unidos, faltou-vos a mola principal — a educação —, para a par deles marchardes, preparai-vos ao menos a satisfazer dignamente a parte essencial da grande missão que vos fora destinada.
Educai para isto a mulher, e com ela marchai avante, na imensa via do progresso, à glória que leva o renome dos povos à mais remota posteridade!
Características da obra Opúsculo humanitário
→ Estrutura da obra Opúsculo humanitário
O livro é composto por 62 partes, de caráter ensaístico (analisa determinado assunto), que trazem reflexões sobre a educação feminina no século XIX e na história da humanidade.
→ Estilo literário da obra Opúsculo humanitário
Por ser uma obra não literária, o livro não pode ser inserido em um estilo literário. De qualquer forma, os textos da autora apresentam questões morais, defesa dos direitos da mulher, além de refletir sobre questões sociais, políticas e culturais. Sobressai, no Opúsculo, a defesa de uma sociedade pautada em valores cristãos.
Contexto histórico da obra Opúsculo humanitário
O livro Opúsculo humanitário foi publicado, pela primeira vez, em 1853, durante o Segundo Reinado (1840-1889), quando o país estava sob a regência de Dom Pedro II. Nesse contexto, a educação feminina era voltada para a etiqueta social e para os valores morais. Já os homens tinham uma educação mais estruturada e duradoura.
Havia lei que previa a existência de escolas de educação elementar para meninas. No entanto, só era comum entre os currículos para meninos e meninas aprender a ler e a escrever. E só às meninas eram ofertados conhecimentos acerca de economia doméstica. A sociedade da época reservava à mulher um único destino: casar e ter filhos. Uma educação que visava à formação profissional e intelectual era destinada apenas aos homens.
Nísia Floresta, autora de Opúsculo humanitário
Nísia Floresta (pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto) é a escritora de Opúsculo humanitário. Ela nasceu em Papari, no Rio Grande do Norte, em 12 de outubro de 1810. Ela se casou aos 13 anos de idade com um fazendeiro. O matrimônio durou cerca de um ano apenas, quando a autora voltou a morar com os pais. Aproximadamente quatro anos depois, passou a viver maritalmente (sem casamento formal) com um jovem estudante de Direito, com quem teve dois filhos.
Direitos das mulheres e injustiça dos homens foi seu primeiro livro, publicado em 1832. No ano seguinte, Nísia Floresta ficou viúva. Para criar os filhos, passou a trabalhar como professora. Mudou-se, em 1837, para o Rio de Janeiro, onde criou uma escola para meninas. Porém, em 1849, partiu para a Europa.
De volta ao Brasil em 1852, retomou suas atividades como professora até 1856, quando novamente foi para a Europa, vivendo na Itália e na França. Novo retorno ao Brasil aconteceu em 1872. Após três anos, voltou para o continente europeu, onde morreu em 24 de abril de 1885, em Rouen, na França.
Crédito de imagem
[1] Grupo Companhia das Letras (reprodução)
Fontes
ALVES, Maria da Conceição Lima. Prefácio. In: FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. Brasília: Senado Federal, 2019.
DUARTE, Constância Lima. Cronologia da vida e da obra de Nísia Floresta. In: BEZERRA, Gleire Belchior de Aguiar; SILVA, Elisiane da. (orgs.). Nísia Floresta: uma mulher à frente do seu tempo. Natal: Fundação Ulysses Guimarães, [s. d.].
DUARTE, Constância Lima. Nísia Floresta Brasileira Augusta. In: MUZART, Zahidé Lupinacci (org.). Escritoras brasileiras do século XIX: antologia. 2. ed. Florianópolis: Mulheres, 2000. v. 1.
FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. Brasília: Senado Federal, 2019.
JINZENJI, Mônica Yumi. Educar ou instruir as mulheres? Dilema do século XIX. In: LOPES, E. M. T.; CHAMON, C. S. (eds.). História da educação em Minas Gerais: da Colônia à República: Uberlândia: EDUFU, 2019. v. 2.
OPÚSCULO. In: INFOPÉDIA. Disponível em: https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/opúsculo.