Geografia é um livro de poesia da escritora portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen. A obra possui cinco poesias (na primeira parte), oito poesias (na segunda parte), sete poesias (na terceira parte), 19 poesias (na quarta parte), 13 poesias (na quinta parte), quatro poesias (na sexta parte) e quatro poesias (na sétima parte).
O livro (publicado, pela primeira vez, em 1967, durante a ditadura do Estado Novo) valoriza coisas e pessoas, fala de guerra e opressão, apresenta caráter existencial, expressa saudosismo e melancolia, enaltece a Antiguidade greco-romana, homenageia o Brasil e focaliza o fazer poético.
Leia também: Mensagem — livro poético do escritor português Fernando Pessoa
Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre Geografia, de Sophia de Mello Breyner Andresen
- 2 - Análise da obra Geografia, de Sophia de Mello Breyner Andresen
- 3 - Características da obra Geografia, de Sophia de Mello Breyner Andresen
- 4 - Contexto histórico da obra Geografia, de Sophia de Mello Breyner Andresen
- 5 - Sophia de Mello Breyner Andresen, autora de Geografia
Resumo sobre Geografia, de Sophia de Mello Breyner Andresen
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Geografia é um livro de poesia da escritora portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen.
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A obra reúne 60 textos poéticos divididos em sete partes.
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Os poemas apresentam as seguintes temáticas:
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a primeira parte está centrada em coisas e não em pessoas;
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na segunda, predominam tempo de guerra e opressão;
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a terceira é mais intimista e profunda;
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a quarta apresenta aspecto saudosista, melancólico e sentimental;
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a quinta valoriza elementos da Grécia Antiga e de Roma;
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a sexta parte é dedicada ao Brasil;
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a sétima traz uma poesia metalinguística, que focaliza o fazer poético.
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O eu lírico feminino está explícito em diversos poemas.
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A obra foi publicada em 1967, quando estava em vigor a ditadura salazarista em Portugal.
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Apesar de a escritora ter produzido a obra durante o século XX, ela não está vinculada a um estilo literário específico.
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A maior parte dos versos da autora é centrado em questões mais universais e menos políticas.
Análise da obra Geografia, de Sophia de Mello Breyner Andresen
Geografia é um livro de poesia da escritora portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen. Ele foi publicado, pela primeira vez, em 1967. Os poemas apresentam versos com número de sílabas variado, sendo a maioria deles composto em versos livres (sem metrificação e sem rimas). O eu lírico (a voz que enuncia o poema) é explicitamente feminino em vários poemas.
→ Parte 1: Ingrina
A primeira parte do poema focaliza a natureza e elementos na paisagem de uma cidade, ou seja, está centrada nas coisas e não nas pessoas. É composta por cinco textos poéticos:
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a prosa poética “Ingrina”, fala da tarde em que o perfume do “orégão” evoca a memória;
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o poema “Manhã” expressa a relação do eu lírico com a natureza;
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“De pedra e cal” descreve uma cidade;
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“Mundo nomeado ou descoberta das ilhas” fala sobre o ato de nomear as coisas;
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“Senhora da rocha” fala de uma escultura, possivelmente em uma capela.
→ Parte 2: Procelária
Na segunda parte do livro, predominam o sombrio associado a um tempo de guerra e opressão. O poema “Procelária” fala de uma ave marinha. “Cidade dos outros” reflete sobre o mal que se espalha por uma cidade. No poema “Eu me perdi”, o eu lírico afirma ter se perdido na sordidez do mundo. “Esta gente” menciona uma gente “ignorada e pisada” e termina com a expressão do desejo de liberdade e justiça do eu lírico:
Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo
O poema “Os aviões” mostra um avião que, em uma noite de luar, perturba a natureza. Também o associa à guerra, já que ele leva bombas (“ovos”):
Porém noutro lugar noutro silêncio
Bandos passaram em voos de terror
E a morte nasceu dos ovos que deixaram
Já “Velório rico” é um pequeno poema, com apenas três versos:
O morto está sinistro e amortalhado
Rodeado de herdeiros inquietos como sombras
Que atormentam o ar com seus pecados
O poema “Túmulo de Lorca” é uma homenagem ao poeta espanhol Federico García Lorca, assassinado pelos fascistas pelo seu ideal e por ser homossexual. O eu lírico trata Lorca como um símbolo daqueles que são oprimidos por regimes ditatoriais:
Em ti choramos os outros mortos todos
Os que foram fuzilados em vigílias sem data
Os que se perdem sem nome na sombra das cadeias
Tão ignorados que nem sequer podemos
Perguntar por eles imaginar seu rosto
Choramos sem consolação aqueles que sucumbem
Entre os cornos da raiva sob o peso da força
[...]
Além disso, na última estrofe do poema, a voz poética mostra sua indignação em relação à condição política (na época, tanto Portugal quanto Espanha viviam sob ditaduras fascistas):
Não podemos aceitar. O processo não cessa
Pois nem tu foste poupado à patada da besta
A noite não pode beber nossa tristeza
E por mais que te escondam não ficas sepultado
Por fim, o poema “Néon” o eu lírico coloca essa luz em foco: “Espaço de uma insónia sem refúgio”, “Luz de máquina e fantasma”.
→ Parte 3: A noite e a casa
Na terceira parte, o eu lírico debruça-se sobre o existencial e destaca uma casa, que pode ser metáfora de um ser, de uma pessoa. É mais intimista e profundo.
O poema “Quadrado” é curto e tem a aparência de um quadrado, sendo, inclusive, composto por versos brancos (com métrica e sem rimas). Ele apresenta hexassílabos (seis sílabas poéticas):
Deixai-me com a sombra
Pensada na parede
Deixai-me com a luz
Medida no meu ombro
Em frente do quadrado
Nocturno da janela
Em “Escuto”, o eu lírico afirma escutar, mas não sabe se o que ouve é “silêncio/ Ou deus” e valoriza o próprio caminho. O poema “Bach Segóvia guitarra” menciona a “música do ser”, como ideia de um elemento existencial. Esse “ser” parece algo místico ou, pelo menos, expressa o existencial:
A música do ser
Interior ao silêncio
Cria seu próprio tempo
Que me dá morada
Em “Vela”, o eu lírico coloca a luz como foco, elemento essencial de uma casa. O poema “A luz e a casa” parece ser uma continuação do poema anterior. Já em “A noite e a casa”, o foco é a noite, o escuro e o vazio dessa casa. “Espera” fala da espera do eu lírico após se deitar, espera de silêncio, atenção, e o encontro com o vazio.
→ Parte 4: Dual
A quarta parte do livro apresenta aspecto saudosista, melancólico e sentimental.
O poema “Novembro” possui apenas quatro versos que evidenciam certo momento da natureza:
A respiração de Novembro verde e fria
Incha os cedros azuis e as trepadeiras
E o vento inquieta com longínquos desastres
A folhagem cerrada das roseiras
“Signo” também é curto (três versos) e coloca em evidência a morte, o equilíbrio e a solidão:
Meu signo é o da morte porém trago
Uma balança interior uma aliança
Da solidão com as coisas exteriores
“De um amor morto” é a constatação de que não fica nada quando o amor morre. Já “Dual” é um poema de apenas dois versos hendecassílabos (11 sílabas poéticas). O poema tem o título “Dual” por apresentar dois versos:
Altas marés no tumulto me ressoam
E paredes de silêncio me reflectem
“O vazio desenhava desde sempre” também é curto, três versos apenas, que falam da ausência:
O vazio desenhava desde sempre a forma do teu rosto
Todas as coisas serviram para nos ensinar
A ardente perfeição da tua ausência
Em “Assim o amor”, o eu lírico sugere que o amor provoca espanto. No poema “A flauta”, uma sombra no quarto remete a voz poética ao passado. Em “No deserto”, o eu lírico, feminino, declara dominar a metade de si mesma (comparada a um cavalo): “Metade de mim cavalo de mim mesma eu te domino/ Eu te debelo com espora e rédea”.
Ao final, o eu lírico sugere que esse cavalo, que talvez seja solto no deserto para viver em liberdade, é outra pessoa, talvez o ser amado, onde, no deserto ou no poema: “não somos nós dois mas só um mesmo”. O poema “No quarto” evidencia o pensamento e a imaginação que se despertam no quarto. Já “O filho pródigo” focaliza o banimento, o desengano e o regresso de um filho pródigo.
“Caminho” fala da morte do eu lírico (feminino) no deserto, antes de atingir o oásis. Em “Janela”, a voz poética menciona o tempo, a caminhada e a busca de si mesma. “Casa” mostra uma antiga casa que permanece presente na memória do eu lírico.
O poema “As nereides” valoriza a intimidade de um quarto, e seu eu lírico anseia por parar o tempo. “Portas da vila” é dividido em quatro curtas partes. Assim, o eu lírico focaliza uma casa que tem algo de antiga, “nos invade e nos rodeia”, é branca e tem um quarto sombrio. Suas “mil portas abertas” mostram o vazio.
Em “Palmeiras geometria”, o eu lírico diz que “Palmeiras geometria” é seu alimento, bebida, ausência e vida. “Atelier do escultor do meu tempo” coloca em foco as estátuas de um atelier. “Os espelhos” fala sobre espelhos: “Eles nos reflectem. Nunca nos decoram”. Por fim, “Ali, então” fala de um “pleno mundo antigo”, longe da morte, da dor, do tempo e da sorte.
→ Parte 5: Mediterrâneo
A quinta parte está centrada na Antiguidade greco-romana, já que valoriza elementos da Grécia Antiga e de Roma.
O poema “Acaia” é composto por apenas dois versos que sugerem o regresso do eu lírico a Acaia, antiga localidade grega:
Aqui despi meu vestido de exílio
E sacudi de meus passos a poeira do desencontro
“No golfo de Corinto”, a voz poética descreve subjetivamente esse golfo, onde a “respiração dos deuses é visível” e “o cheiro dos deuses invade as estradas”. No poema “Sunion”, o eu lírico focaliza as colunas da península grega de Sunion. “Electra” fala sobre o grito de Electra, personagem da mitologia grega.
Já “Epidauro” é uma prosa poética (narrativa poética, plurissignificativa). O narrador é feminino: “Eis-me vestida de sol e de silêncio. Gritei para destruir o Minotauro e o palácio. Gritei para destruir a sombra azul do Minotauro. [...]”. Ao final, ela diz sobre a cidade grega de Epidauro:
Só poderás ser liberta aqui na manhã d’Epidauro. Onde o ar toca o teu rosto para te reconhecer e a doçura da luz te parece imortal. A tua voz subirá sozinha as escadas de pedra pálida. E ao teu encontro regressará a teoria ordenada das sílabas — portadoras limpas da serenidade.
O poema “Tolon” possui apenas cinco versos e faz um recorte de uma cena agradável que, provavelmente, ocorre na vila grega de Tolon:
Um mar horizontal corta os espelhos
E um sol de sal cintila sobre a mesa
Habitamos o ar livre rente ao dia
Rente ao fruto rente ao vinho rente às águas
E sob o peso leve da folhagem
O poema “Antinoos” coloca em evidência o belo jovem grego Antinoos, grande amor de Adriano, o imperador romano. No poema, o eu lírico diz que procurou “a ordem intacta do mundo/ A palavra não ouvida”, procurou “no teu rosto [de Antinoos]/ A revelação dos deuses que não sei”. Porém, ele passou “através de mim/ Como passamos através da sombra”.
“Vila Adriana” tem o título relacionado a um local situado em Tivoli, na Itália. Obviamente, o nome da vila (complexo palaciano do século II) homenageia o imperador romano Adriano. O eu lírico relembra uma “Tarde de outono sob os pinheiros da Vila Adriana”. Ao lembrar que os “séculos derrubaram estátuas e paredes”, o eu lírico conclui que: “Eu destruída serei por breves anos”.
“Pompeia — Casa de Menandro” mostra a serenidade, associada a um verso latino “claro e medido”. Diz que, “apesar da morte e da ruína”, existe a consciência do que passou: “Que a alegria do penúltimo momento/ Ergue na jovem luz a sua taça”. O título faz referência a Pompeia, antiga cidade romana devastada pelo vulcão Vesúvio no ano 79.
Já a casa de Menandro é um ponto turístico da antiga cidade de Pompeia. “Crepúsculo dos deuses” evidencia o apagamento ou morte dos deuses gregos após sua importância no passado. “Termoli” faz referência a uma cidade italiana e possui apenas quatro versos:
Quase lua cheia e baixa sobre o mar
Magnética e brilhante nos panos pretos da noite
Foi então que abordámos em margens de silêncio
E uma pequena cidade surgiu antiga e cor de bronze
Em “Ítaca”, o eu lírico dirige-se a um “tu” feminino, possivelmente o eu lírico falando para si mesma, em um barco: “Estarás perdida no interior da noite no respirar do mar”. O poema “Um poeta clássico” homenageia esse tipo de poeta, que faz “da ausência uma parte do seu jogo”.
→ Parte 6: Brasil ou do outro lado do mar
A sexta parte é dedicada ao Brasil, valorizado nos versos de Sophia de Mello Breyner Andresen.
O poema “Descobrimento” menciona a travessia do oceano pelos navios portugueses e a chegada ao Brasil:
O mar tornou-se de repente muito novo e muito antigo
Para mostrar as praias
E um povo
De homens recém-criados ainda cor de barro
Ainda nus ainda deslumbrados
“Manuel Bandeira” é uma homenagem a esse poeta modernista brasileiro. O eu lírico confessa sua admiração pela obra desse autor, que esteve presente, com sua poesia, em sua juventude. “Brasília” é uma homenagem à cidade de Brasília, associada à lógica e à deusa das artes Athena:
Brasília
Desenhada por Lúcio Costa Niemeyer e Pitágoras
Lógica e lírica
Grega e brasileira
Ecuménica
Propondo aos homens de todas as raças
A essência universal das formas justas
[...]
Athena ergueu sua cidade de cimento e vidro
Athena ergueu sua cidade ordenada e clara como um
pensamento
E há no arranha-céus uma finura delicada de coqueiro
“Poema de Helena Lanari” homenageia o português brasileiro, falado pela amiga brasileira da poetisa portuguesa. Assim, o eu lírico declara: “Gosto de ouvir o português do Brasil”.
→ Parte 7: No poema
A sétima e última parte do livro Geografia apresenta caráter metalinguístico, ou seja, é a poesia falando de poesia. Portanto, a autora focaliza o fazer poético.
O poema “Poesia de inverno”, dividido em quatro curtas partes, fala de uma “poesia do tempo sem deuses”:
Pinças assépticas
Colocam a palavra-coisa
Na linha do papel
Na prateleira das bibliotecas
“Escrita do poema”, em duas estrofes, evidencia o fazer poético:
A mão traça no branco das paredes
A negrura das letras
Há um silêncio grave
A mesa brilha docemente o seu polido
De certa forma
Fico alheia
Em “Da transparência”, o eu lírico parece valorizar o que é plurissignificativo ou mesmo ambíguo, em oposição a um poema transparente. Ele apresenta sete versos:
Senhor libertai-nos do jogo perigoso da transparência
No fundo do mar da nossa alma não há corais nem búzios
Mas sufocado sonho
E não sabemos bem que coisa são os sonhos
Condutores silenciosos canto surdo
Que um dia subitamente emergem
No grande pátio liso dos desastres
Por fim, “Poema” encerra a obra. Nele, o eu lírico fala de si mesmo. Ao que parece, o eu lírico é o próprio poema. E se pensamos que o entendimento completo de um poema é sua morte, o os versos finais fazem sentido:
A minha vida é o mar o Abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita
[...]
Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento
[...]
Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento
E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada
Veja também: Qual a diferença entre poesia, poema e prosa?
Características da obra Geografia, de Sophia de Mello Breyner Andresen
\(\rightarrow\) Estrutura da obra Geografia
A primeira parte contém 5 textos poéticos:
- Ingrina: valoriza a memória;
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Manhã: expressa a relação do eu lírico com a natureza;
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De pedra e cal: descreve uma cidade.
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Mundo nomeado ou descoberta das ilhas: fala sobre o ato de nomear as coisas;
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Senhora da rocha: fala de uma escultura.
A segunda parte contém 8 textos poéticos:
- Procelária: fala de uma ave marinha;
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Cidade dos outros: reflete sobre o mal que se espalha por uma cidade;
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Eu me perdi: o eu lírico afirma ter se perdido na sordidez do mundo;
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Esta gente: expressa o desejo de liberdade e justiça;
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Os aviões: associa o avião à guerra;
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Velório rico: tematiza a morte e a possível cobiça;
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Túmulo de Lorca: critica a opressão política;
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Néon: o eu lírico coloca essa luz em foco.
A terceira parte contém 7 textos poéticos:
- Quadrado: fala de luz e sombras;
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Escuto: valorização da trajetória de vida;
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Bach Segóvia guitarra: apresenta caráter existencial;
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Vela: o eu lírico coloca a luz como foco, elemento essencial de uma casa;
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A luz e a casa: continuação do poema anterior;
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A noite e a casa: focaliza a noite e o vazio;
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Espera: tematiza a espera e o vazio;
A quarta parte contém 19 textos poéticos:
- Novembro: focaliza certo momento da natureza;
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Signo: evidencia a morte, o equilíbrio e a solidão;
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De um amor morto: constatação da finitude do amor;
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Dual: apresenta dois versos apenas, que falam de tumulto e silêncio;
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O vazio desenhava desde sempre: tematiza a ausência;
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Assim o amor: constatação do espanto provocado pelo amor;
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A flauta: valorização do passado e da memória;
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No deserto: fala de contenção e liberdade;
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No quarto: valoriza o pensamento e a imaginação;
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O filho pródigo: fala de banimento, desengano e regresso;
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Caminho: tematiza a morte;
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Janela: focaliza o tempo, a caminhada e a busca de si;
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Casa: valoriza a memória.
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As nereides: apresenta caráter mais intimista;
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Portas da vila: coloca em evidência uma casa antiga;
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Palmeiras geometria: fala de necessidade, ausência e vida;
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Atelier do escultor do meu tempo: coloca em foco as estátuas de um atelier;
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Os espelhos: fala sobre espelhos;
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Ali, então: evidencia o mundo antigo, longe da morte, da dor, do tempo e da sorte.
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A quinta parte contém 13 textos poéticos:
- Acaia: o eu lírico regressa a Acaia, antiga localidade grega;
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No golfo de Corinto: descrição desse golfo;
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Sunion: focaliza as colunas da península grega de Sunion;
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Electra: coloca em evidência essa personagem da mitologia grega;
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Epidauro: coloca em foco a cidade grega de Epidauro;
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Tolon: mostra a agradável vila grega de Tolon;
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Antinoos: coloca em evidência o grego Antinoos, amante do imperador romano Adriano;
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Vila Adriana: expressa saudade e a constatação da finitude;
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Pompeia — Casa de Menandro: valoriza a serenidade;
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Crepúsculo dos deuses: evidencia o desaparecimento dos deuses gregos;
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Termoli: fala dessa cidade italiana;
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Ítaca: mostra a interlocutora do eu lírico em um barco;
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Um poeta clássico: homenageia esse tipo de poeta.
A sexta parte contém 4 textos poéticos:
- Descobrimento: a chegada dos portugueses ao Brasil;
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Manuel Bandeira: homenagem a esse poeta modernista brasileiro;
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Brasília: homenagem à cidade de Brasília;
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Poema de Helena Lanari: homenageia o português brasileiro.
A sétima parte contém 4 textos poéticos:
- Poesia de inverno: fala de uma “poesia do tempo sem deuses”;
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Escrita do poema: evidencia o fazer poético;
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Da transparência: valorização do que é plurissignificativo em oposição a um poema transparente;
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Poema: o eu lírico (possivelmente, o próprio poema) fala de si mesmo.
\(\rightarrow\) Estilo literário da obra Geografia, de Sophia de Mello Breyner Andresen
A produção poética de Sophia de Mello Breyner Andresen teve início na década de 1940. Segundo Iarima Nunes Redü (mestra em Literaturas Portuguesa e Luso-Africanas)|1|, o estilo literário da autora é de difícil classificação:
Sem poder ser totalmente enquadrada em nenhuma das gerações literárias portuguesas (as quais foram identificadas no século XX via de regra pelas revistas literárias em que se publicava), a produção poética de Sophia de Mello Breyner Andresen tem características que permitem abordá-la como poesia moderna, identificada, cabe ressaltar, mais com ideais estéticos da modernidade do que necessariamente com o modernismo literário português.
Segundo a pesquisadora:
Modernidade e modernismo são conceitos bem diferentes, sendo a modernidade um conceito mais amplo, que abarca diversas transformações socioculturais e que tem uma duração historicamente mais ampla e repercussões mais generalizadas entre diferentes países, ao passo que o termo modernismo pode ser utilizado para designar movimentos ou tendências artísticas muito facilmente determináveis no tempo (décadas de 20 e 30, no caso português) e que variam entre países e culturas diferentes.
Ela também afirma:
Em Portugal, o modernismo teve duas fases, uma marcada pela revista Orpheu, calcada na fuga aos valores burgueses e na ruptura com o simbolismo, o decadentismo e o saudosismo [...] e outra marcada pela revista Presença, classificada como “contra-revolução do modernismo português” e baseada em uma abordagem psicológica, subjetiva e individualista da literatura [...]. Já que Sophia de Mello Breyner Andresen não publicou em nenhum desses momentos, não pode ser considerada uma poeta modernista.
Além disso, a poetisa não apresenta o desejo modernista de ruptura com o passado. Mas valoriza a tradição literária. Também coloca em evidência o fazer poético, ou seja, a sua “reflexão crítica acerca da produção de poesia [...]. Sua reflexão sobre o fazer poético paralela ao próprio fazer poético [...]”. Portanto, apesar de a escritora ter produzido sua obra durante o século XX, ela não está vinculada a um estilo literário específico.
Contexto histórico da obra Geografia, de Sophia de Mello Breyner Andresen
O livro Geografia foi publicado, pela primeira vez, em 1967. Nesse ano, o país estava sob regime ditatorial. A ditadura do Estado Novo, iniciada em 1933 e comandada por António de Oliveira Salazar, mantinha a censura. Além disso, o país estava envolvido na Guerra Colonial.
Esse conflito armado teve início em 1961, quando três colônias portuguesas (Angola, Guiné-Bissau e Moçambique) decidiram lutar pela independência. O livro Geografia apresenta momentos de preocupação com esse contexto. Mas, a maior parte dos versos da autora é centrado em questões mais universais e menos políticas.
Saiba mais: Modernismo em Portugal — principais autores e obras
Sophia de Mello Breyner Andresen, autora de Geografia
Sophia de Mello Breyner Andresen é uma escritora portuguesa, de origem aristocrata. Ela nasceu em 6 de novembro de 1919, na cidade do Porto. Autora de poemas, contos, ensaios e livros infantis, iniciou sua carreira de escritora na década de 1940 e recebeu, em 1999, o maior prêmio da literatura de língua portuguesa, o Prêmio Camões.
Iniciou o curso de Filosofia na Universidade de Lisboa, em 1936, mas desistiu em 1939. No ano de 1946, ela se casou com o advogado, jornalista e político Francisco Souza Tavares, e foi morar em Lisboa. Uma das principais poetisas portuguesas, ela faleceu em 2 de julho de 2004, em Lisboa.
Créditos da imagem
[1] Editora Assírio & Alvim (reprodução)
Nota
|1| REDÜ, Iarima Nunes. Entre a ânfora e as fontes, a poesia: traços da modernidade de Sophia de Mello Breyner Andresen em As fontes e Arte poética. Nau Literária, Porto Alegre, v. 12, n. 1, 2016.
Fontes
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. O Cristo cigano/ Geografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2024.
MARTINO, Isabella. “Cada um é um lugar para os outros”: o encontro de Daniel Faria com Sophia de Mello Breyner Andresen. 2023. Dissertação (Mestrado em Letras) – Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Paulo, Guarulhos, 2023.
REDÜ, Iarima Nunes. Entre a ânfora e as fontes, a poesia: traços da modernidade de Sophia de Mello Breyner Andresen em As fontes e Arte poética. Nau Literária, Porto Alegre, v. 12, n. 1, 2016.