Elegia

A elegia é um texto poético de caráter melancólico. Pode ser amorosa, filosófica, fúnebre, heroica, moralista ou religiosa. Poetas como Petrarca e Goethe escreveram elegia.

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 Elegia é um texto lírico que possui conteúdo melancólico, triste. A elegia amorosa ou erótica apresenta sofrimento amoroso. A filosófica reflete sobre a espiritualidade. A fúnebre lamenta a morte. A heroica mostra elementos bélicos. A moralista enaltece os valores morais. E, por fim, a religiosa fala sobre a brevidade da vida, o pecado e a culpa.

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Leia também: Ultrarromantismo — movimento marcado pelo pessimismo e pela forte tendência depressiva

Tópicos deste artigo

Resumo sobre elegia

  • A elegia é um texto poético com temática de teor melancólico, triste.

  • A elegia pode ser amorosa, filosófica, fúnebre, heroica, moralista ou religiosa.

  • Fizeram elegia escritores como Ovídio, Petrarca, Verlaine, Shelley e Goethe.

  • No Brasil, autores como Cecília Meireles e Vinicius de Moraes escreveram elegia.

O que é elegia?

A elegia é um tipo de poesia cuja temática está associada à tristeza, ao lamento.

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Quais são as características da elegia?

Estrutura da elegia clássica:

  • dístico elegíaco;

  • verso 1: hexâmetro;

  • verso 2: pentâmetro.

Com o decorrer do tempo, a elegia passou a ser definida não mais pela sua estrutura e sim pela sua temática:

  • lamúria;

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  • lágrimas;

  • sofrimento;

  • tristeza;

  • melancolia;

  • desgraças;

  • morte.

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Veja também: O que é um soneto?

Quais são os tipos de elegia?

TIPO

TEMÁTICA

Amorosa, erótica

Sofrimento amoroso

Filosófica

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Espiritualidade

Fúnebre

Lamúria pelos mortos

Heroica

Guerra

Moralista

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Grandeza moral

Religiosa

Fragilidade da vida, pecado, culpa

Exemplos de elegia

No poema Elegia, de Mario Quintana, o eu lírico utiliza um tom melancólico para falar das coisas do cotidiano. Elementos tristes são mencionados, como — uma “velhinha sozinha numa gare”, a “mais absoluta viuvez”, “recordações das solteironas”, um “cachorro anônimo que resolve ir seguindo a gente pela madrugada na cidade deserta”:

Há coisas que a gente não sabe nunca o que fazer com elas...
Uma velhinha sozinha numa gare.
Um sapato preto perdido do seu par: símbolo
Da mais absoluta viuvez.
As recordações das solteironas.
Essas gravatas

De um mau-gosto tocante
Que nos dão as velhas tias.
As velhas tias.
Um novo parente que se descobre.
A palavra “quincúncio”.
Esses pensamentos que nos chegam de súbito nas ocasiões mais impróprias.
Um cachorro anônimo que resolve ir seguindo a gente pela madrugada na cidade deserta.
Este poema, este pobre poema
Sem fim...

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Porém, o poema apresenta também uma característica que não é típica da elegia, isto é, estes versos irônicos: “Essas gravatas/ De um mau-gosto tocante/ Que nos dão as velhas tias/ As velhas tias/ Um novo parente que se descobre/ A palavra “quincúncio”/ Esses pensamentos que nos chegam de súbito nas ocasiões mais impróprias”.

Já no trecho a seguir do longo poema Elegia lírica, de Vinicius de Moraes, é possível apontar a melancolia elegíaca em versos como — “Triste, mas tão real e evocativa como uma pintura”, “Cheguei a querê-la em lágrimas, como uma criança” e “Que o pranto me transporta sobre o mar”:

Um dia, tendo ouvido bruscamente o apelo da amiga desconhecida
Pus-me a descer contente pela estrada branca do sul
E em vão eram tristes os rios e torvas as águas
Nos vales havia mais poesia que em mil anos.
[...]


E acima de tudo me abençoava o anjo do amor sonhado...
Seus olhos eram puros e mutáveis como profundezas de lago
Ela era como uma nuvem branca num céu de tarde
Triste, mas tão real e evocativa como uma pintura.

Cheguei a querê-la em lágrimas, como uma criança
Vendo-a dançar ainda quente de sol nas gazes frias da chuva
E a correr para ela, quantas vezes me descobri confuso
Diante de fontes nuas que me prendiam e me abraçavam...
[...]

“Ó
Crucificado estou
Na ânsia deste amor
Que o pranto me transporta sobre o mar
Pelas cordas desta lira
Todo o meu ser delira
Na alma da viola a soluçar!”
Bordões, primas
Falam mais que rimas.
É estranho
Sinto que ainda estou longe de tudo
Que talvez fosse cantar um blues
Yes!
Mas
O maior medo é que não me ouças
Que estejas deitada sonhando comigo
Vendo o vento soprar o avental da tua janela
Ou na aurora boreal de uma igreja escutando se erguer o sol de Deus.
Mas tudo é expressão!
Insisto nesse ponto, senhores jurados
O meu amor diz frases temíveis:
Angústia mística
Teorema poético
Cultura grega dos passeios no parque...

No fundo o que eu quero é que ninguém me entenda
Para eu poder te amar tragicamente!

Saiba mais: 5 consagrados poemas de amor de Vinicius de Moraes

Autores de elegia mais famosos

  • Na Grécia:

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    • Arquíloco (680-645 a. C.)
    • Simónides (556-468 a. C.)
  • Em Roma:

    • Catulo (84-54 a. C.)
    • Tibulo (54-19 a. C.)
    • Propércio (43 a. C.-17 d. C.)
    • Ovídio (43 a. C.-18 d. C.)
  • Na Itália:

    • Petrarca (1304-1374)
    • Giacomo Leopardi (1798-1837)
  • Na França:

    • François Villon (1431-1463)
    • Pierre de Ronsard (1524-1585)
    • Alphonse de Lamartine (1790-1869)
    • Paul Verlaine (1844-1896)
  • Na Inglaterra:

    • John Milton (1608-1674)
    • Shelley (1792-1822)
  • Na Alemanha:

    • Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)
  • Na Espanha:

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    • Jorge Manrique (1440-1479)
    • Garcilaso de la Vega (1503-1536)
    • Federico García Lorca (1898-1936)
  • No Chile:

    • Pablo Neruda (1904-1973)

  • Em Portugal:

    • Sá de Miranda (1481-1558)
    • Luís de Camões (1524-1580)
    • Manuel du Bocage (1765-1805)
    • Fernando Pessoa (1888-1935)
  • No Brasil:

    • Fagundes Varela (1841-1875)
    • Cecília Meireles (1901-1964)
    • Mario Quintana (1906-1994)
    • Vinicius de Moraes (1913-1980)

Fontes

LAGE, Rui Carlos Morais. A elegia portuguesa nos séculos XX e XXI: perda, luto e desengano. 2010. Tese (Doutorado em Letras) – Faculdade de Letras, Universidade do Porto, Porto, 2010.

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MACHADO, Cinthya Sousa. Elegia renascentista: estudo e tradução das elegias de Jacopo Sannazaro. 2017. Tese (Doutorado em Letras Clássicas) – Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2017.

MORAES, Vinicius de. Elegia lírica. In: MORAES, Vinicius de. Cinco elegias. Rio de Janeiro: Pongetti, 1943.

QUINTANA, Mario. Elegia. In: QUINTANA, Mario. Apontamentos de história sobrenatural. São Paulo: Globo, 2005.

SILVA, Márcia Regina de Faria da. Amor e guerra na elegia latina. PRINCIPIA, n. 25, 2012. 

Estátua com aspecto triste, em alusão à elegia.
A tristeza é um sentimento que está presente na elegia.
Escritor do artigo
Escrito por: Warley Souza Professor de Português e Literatura, com licenciatura e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Deseja fazer uma citação?
SOUZA, Warley. "Elegia"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/elegia.htm. Acesso em 03 de fevereiro de 2026.
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Lista de exercícios


Exercício 1

A elegia é um tipo de poesia do gênero lírico cuja temática é bastante peculiar. Sobre esse tipo de poema, é correto afirmar:

I. Composição poética formada por 14 versos, geralmente com dois quartetos e dois tercetos. Um de seus maiores representantes foi o poeta português Luís Vaz de Camões.

II. É um pequeno poema pastoral que se apresenta, na maioria das vezes, em forma de um diálogo entre pastores.

III. Poema sobre assunto triste ou lutuoso. Pode ser composto por versos hexâmetros e pentâmetros alternados.

IV. No Brasil, um de seus maiores representantes foi o poeta ultrarromântico Fagundes Varela, autor do célebre poema Cântico do Calvário.

V. É um tipo de poema lírico recitado por ocasião de um casamento ou composto em louvor a ele.

a) III e IV.

b) I, II e V.

c) III e V.

d) I e II.

e) II, III e IV.

VER TODAS AS QUESTÕES
Exercício 2

Sobre o gênero lírico estão corretas, exceto:

a) Gênero marcado pela subjetividade dos textos. Presença de um eu lírico que manifesta e expõe seus sentimentos e sua percepção acerca do mundo.

b) As mais conhecidas estruturas formais do gênero lírico são a elegia, o soneto, o hino, a sátira, o idílio, a écloga e o epitalâmio.

c) São longos poemas narrativos, em que um acontecimento histórico protagonizado por um herói é celebrado.

d) Nota-se, no gênero lírico, a predominância de pronomes e verbos na 1ª pessoa e a exploração da musicalidade das palavras.

e) Os poemas do gênero lírico podem apresentar forma livre ou estruturas formais.

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Exercício 3

Cântico do calvário

À memória de meu Filho
morto a 11 de dezembro de 1863

Eras na vida a pomba predileta
Que sobre um mar de angústias conduzia
O ramo da esperança. Eras a estrela
Que entre as névoas do inverno cintilava
Apontando o caminho ao pegureiro.

Eras a messe de um dourado estio.
Eras o idílio de um amor sublime.
Eras a glória, a inspiração, a pátria,
O porvir de teu pai! - Ah! no entanto,

Pomba, - varou-te a flecha do destino! (...)”.

O fragmento acima é parte do poema Cântico do Calvário, obra-prima do poeta ultrarromântico Fagundes Varela. Varela escreveu vários poemas elegíacos, sendo considerado o mais importante representante da elegia na literatura brasileira. Sobre Cântico do Calvário e seu autor, é correto afirmar:

I. No poema, o poeta coloca a mulher e o amor no centro de suas preocupações.

II. A elegia é recorrente na obra de Fagundes Varela, o que lhe possibilitou lamentar a perda de entes queridos.

III. Cântico do Calvário é a obra-prima inquestionável de Fagundes Varela, cuja temática é a morte precoce de seu filho.

IV. O poema tem como principais características o verso longo, farta adjetivação e tendência para temas solenes.

V. Cântico do Calvário é uma elegia em versos brancos, ou seja, versos que possuem métrica, mas não utilizam rimas.

a) I e V.

b) II, III e V.

c) III e IV.

d) II, IV e V.

e) I e IV.

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Exercício 4

Leia os versos a seguir para responder à questão:

Correi, correi, oh! lágrimas saudosas, 
Legado acerbo da ventura extinta, 
Dúbios archotes que a tremer clareiam 
A lousa fria de um sonhar que é morto!

Fagundes Varela

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Carlos Drummond de Andrade

Na ribeira que secou

Bebia o gado que eu tinha;

Quando chegava à noitinha,

A voz das águas chamava,

E o rebanho que pastava

Deixava os tojos e vinha.

Miguel Torga

O que eu adoro em ti,
Não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.

Manuel Bandeira

Afastai nas janelas a cortina breve 
Que menos que à luz a vista só proscreve! 
Olhai o vasto campo, como jaz luminoso 
Sob o azul poderoso 
E limpo, e como aquece numa ardência leve 
Que na vista se inscreve! 
Já a noiva acordou.

Fernando Pessoa

Os fragmentos acima são, respectivamente:

a) epitalâmio – écloga – madrigal – elegia – elegia.

b) elegia – epitalâmio – elegia – écloga – madrigal.

c) madrigal – elegia – elegia – epitalâmio – écloga.

d) elegia – elegia – écloga – madrigal – epitalâmio.

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