A visão das plantas, de Djaimilia Pereira de Almeida

A visão das plantas é uma novela da escritora portuguesa Djaimilia Pereira de Almeida. Ela faz parte da literatura contemporânea e conta a história do capitão Celestino.

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A visão das plantas é uma novela da escritora portuguesa Djaimilia Pereira de Almeida. O livro é uma narrativa de autoria negra, da literatura contemporânea portuguesa. Apresenta o ponto de vista de uma pessoa negra acerca do fim da existência de um homem branco, capitão de um navio negreiro.

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O livro conta a história do capitão Celestino. Ele volta para casa no fim de sua vida para morrer. Vive sozinho, cultiva plantas em seu quintal e conta suas aventuras para três crianças da vizinhança. Duas lembranças do passado o acompanham: uma “velha escrava” e uma menina holandesa.

Leia também: Balada de amor ao vento — romance da escritora Paulina Chiziane que faz parte da literatura contemporânea moçambicana

Tópicos deste artigo

Resumo sobre a obra A visão das plantas

  • A visão das plantas é uma novela da escritora portuguesa Djaimilia Pereira de Almeida.
  • Depois de muito tempo, o capitão Celestino volta para sua casa, em uma vila portuguesa do século XIX.
  • A casa envelhecida está vazia, a mãe e as tias do capitão já não vivem mais ali, agora ele está sozinho.
  • A vizinhança fica curiosa com a presença daquele homem, principalmente três crianças, que vão até ele para ouvir suas aventuras.
  • O capitão Celestino passa a trabalhar a terra e cultivar as plantas, pois as plantas não têm a capacidade de julgá-lo.
  • O capitão, no passado, comandou um navio negreiro, é responsável pela morte de pessoas africanas.
  • Dedicado ao seu jardim e à velha casa, o capitão espera a morte, envelhecido, imerso em lembranças, culpa e delírios.

Análise da obra A visão das plantas

→ Personagens da obra A visão das plantas

  • Alfredo: padre.
  • Bentes: um brasileiro conhecido do padre.
  • Celestino: protagonista.
  • Luzia: menina.
  • Manuel: um amigo do protagonista.
  • Pedro: menino.
  • Raul: menino.
  • Sacristão.
  • Vizinha.
  • Vizinho.

→ Tempo da obra A visão das plantas

A narrativa de A visão das plantas apresenta tempo cronológico, ou seja, linear. A história do capitão Celestino é narrada a partir de uma sequência de fatos que se sucedem no tempo. Já a época em que a história se passa não está explicitada. Porém, pelo enredo, tudo indica que seja século XIX. A única menção a uma data está neste trecho:

O padre. A igreja tresanda a incenso e a bafio. Antes o porão nos meus tempos. 1833. Bombordo. Trazer cebolos. Perdi a guerra contra o cardo. Um canhão de pólvora na boca do padre. Caiu-me um dente junto ao abeto. Perdi-lhes a conta.

→ Espaço da obra A visão das plantas

A história da obra A visão das plantas transcorre em uma vila não nomeada.

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→ Narrador da obra A visão das plantas

A obra A visão das plantas possui um narrador onisciente, aquele que conhece todos os detalhes da trama e o universo íntimo dos personagens. Seu foco narrativo, portanto, é de terceira pessoa, pois o narrador não participa da história.

→ Enredo da obra A visão das plantas

A obra A visão das plantas tem início assim:

Noite abençoada. Acordou em casa, restaurado, após uma vida cheia. Mas a casa tinha mudado. Com as portadas trancadas, a mobília coberta com lençóis, a toalha manchada de vinho sobre a mesa, a arca da roupa fechada a um canto, os reposteiros de veludo negro, esgarçados pela traça, tudo era outro e, ainda, o mesmo. Na penumbra, o volume dos móveis insinuava fantasmas. O pó, tornado um ser, animava o espaço, iluminado pela claridade através das frestas das janelas. A penumbra quase falava: respira, filho, chegaste. Um vestígio de alfazema seca perfumava o mofo. Ou seria cera? Os ouvidos sempre tinham sido melhores do que o nariz. Nenhum ruído, salvo os passos, o tactear do corredor. A lareira negra na qual restara o abafador de cobre, a panela de ferro na cinza pisada: gente muda. A mobília não saudou o seu regresso. Não tinha mais ninguém na vida. Sobrava-lhe a casa de jantar, a pequena saleta, os dois quartitos húmidos, a cozinha de tecto escuro aberta para a despensa, os frascos, caixas de farinha de milho bichada, garrafas de aguardente e o quintal, tomado pelas silvas, as urtigas e os cardos.

O narrador descreve a casa e, em seguida, diz que Celestino se livrou da “mobília carunchosa” e:

Obstinado, abriu as arcas da roupa das mulheres. Cavou uma vala e deitou nela os vestidos, as combinações, as toalhas, os lençóis, as colchas, as mantas, os travesseiros, os cueiros, as meias, os aventais, as luvas, os xailes e as toucas. Ateou-lhes fogo. Não houve nisso dramatismo algum. Viu crepitarem nas chamas as rendas de bilros derretidas e as bainhas e galões dos tecidos encardidos. Ardendo, a história dos lavores diluía-se na cacimba. Os bordados acendiam o silvado e soltavam faíscas, num adeus para sempre sem direito a palmas.

Celestino está sozinho. O narrador fala da rotina caseira do personagem. Celestino trabalha com a terra, cuida das plantas, de forma a dar vida àquele lugar:

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A rega e o zelo geraram uma infinidade de seres que descobria nos dedos ao mexer na terra: minhocas, besouros verdes, bichos-de-conta. A vida regressava. Celestino plantou roseiras, cravos, uma cameleira, uma glicínia, uma ameixoeira, tomate, nabos e cebolos. No adubo usava sargaço, galhos e folhas, cascas de fruta. Construiu uma fileira de vasos para as ervas de cheiro. Podou um buxo com a forma de um barco rabelo. Plantou dois abetos. Caiou os alegretes. Germinava raízes ao Sol, num berçário improvisado sobre uma tábua que fora uma porta. Quando não ia à vila ou ao Porto comprar sementes, os vizinhos ofereciam-lhe pernadas disto e daquilo, ou apanhava plantas nos caminhos e transplantava-as. Chegou a ter mais de vinte cactos, aos quais contava o número de espinhos. Fez um caminho de seixos na margem do ribeiro e uma caveira de conchas no bambuzal, que espalhava cor e vida, crescendo de um estalo, da noite para o dia, cinco ou seis dedos de altura.

O capitão Celestino recebe a visita de padre Alfredo. Ele quer saber em que condições o capitão está vivendo. O padre conheceu a mãe de Celestino. Nas manhãs nubladas, Celestino gosta “de sair para ver o movimento”: “seu vulto de sobretudo cinzento e chapéu alto de feltro passeava pela vila mudada e chamava a atenção dos mesmos que o haviam visto partir”.

Na vila, ele passa a ser considerado um capitão misterioso, que desperta o interesse até das crianças, que imaginam suas aventuras. Logo, “a casa do capitão adquiriu contornos de morada assombrada”. Ele desperta a curiosidade de todos: “Celestino espantava a vizinhança com urros e prometia-lhes a morte”.

Quando ele fez um espantalho para expulsar os curiosos, isso gerou esta confissão da vizinha ao padre:

[...], de manhã, ela pôs-se a caminho da confissão. “O capitão Celestino vendeu a alma ao diabo”, contou, aflita, ao padre Alfredo, “até lhe ergueu um altar no quintal. À noite, pinta a cara de sangue e anda de capa a falar na língua dos pretos.” O padre sossegou-a, “reze cinco ave-marias e acenda uma vela”. Mas o mal estava feito.

O padre conclui que Celestino voltou para morrer. Em seguida, o próprio capitão narra sua história, o que é indicado pelas aspas. Na verdade, ele fala sozinho, enquanto crianças curiosas o escutam, escondidas enquanto comem amoras. Além disso: “Atrás da cerca, a vizinha ouvia e engasgava-se em ave-marias”.

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Ele nasceu naquela casa, vivia em companhia da mãe e das tias, nunca conheceu o pai, que morrera no mar. Na juventude, também buscou viver aventuras no mar. Em tom poético, enlouquecido e aventuresco, ele conta ou inventa a própria vida para deleite dos meninos que o ouvem às escondidas:

“Vinde a mim, meninos, a mim que degolei gargantas e durmo o sono dos justos. Quereis saber o que matei? Matei macacos e cavalos. Serpentes, vespas, um elefante. Um crocodilo do tamanho de uma jangada: cortei-o em cinco partes, enquanto me ri da fortuna que o colosso me renderia. Matei dez mulheres, a uma delas cortei os pés. Matei um corvo, para o comer. Raposas, ratazanas. Matei centenas de homens com as minhas mãos e elas não me caíram. Matei os sonhos de um milhar de outros. Queimei cabanas. Um dia, mordi o pescoço dum homem até lhe arrancar as veias para fora. Espetei uma lança no peito de um amigo. Roubei dinheiro. Rebentei o crânio de um albino contra uma rocha. E a seguir esquartejei-o. À hora de adormecer, a mão de minha mãe entrava por mim dentro com a xícara de leite morno, muito doce, e levava-me na mão do sono.”

A má fama do capitão aumenta:

Depois da conversa breve com padre Alfredo, os rumores sobre o velho pirata ganharam vida própria. Durante dois anos, ninguém se aproximou do portão. As crianças saídas do colégio espreitavam os suspensórios de enxada às costas. Seria aquele o diabo? Era forte e espadaúdo, mas tinha tantas flores e tanta paciência para elas. O vulto tocou nas rosas, admirou-as, palpando as pétalas com os dedos. Depois, sentou-se ao Sol na cadeira e recostou-se. Para pirata, era chato. Se calhar, disfarçava. Quem dera a Raul ter um roseiral bonito como aquele. Celestino deixou de querer saber se o espreitavam, se não lhe falavam. O espantalho fizera o seu trabalho.

Sobre as plantas cuidadas por Celestino, o narrador diz:

As plantas viam o jardineiro como as plantas veem. Não se sentiam agradecidas. Tratavam o seu regador à semelhança da chuva que caía sobre elas nas noites de Outono. Florescerem não era o seu meio de meterem conversa com o jardineiro, mas uma forma de acentuarem a sua indiferença à declaração de amor que ele cultivava a cada hora.

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Tanto lhes fazia serem cuidadas por um assassino, se eram sujas as mãos que as amparavam ou o que viera antes do amor que ele lhes dedicava.

Dessa forma, fica claro quem é Celestino, um homem marcado por um passado de crueldade e assassinato:

Nenhuma flor lamentava a morte dos escravos que Celestino sufocara em mar alto. Os homens despejaram a cal no porão, saco a saco. Os negros viram que um pó caía sobre eles, mas não entenderam o que se passava. Os sacos de cal foram vazados no porão e a porta fechada por Celestino. Ouviram-se gemidos, pedidos de socorro e, passado algum tempo, um silêncio que apaziguou os piratas. O rapaz que lhes abrira o porão pela calada manteve-se a um canto, aturdido.

Assim, em contato com as plantas, Celestino não é julgado por elas. Então, esse homem que, a princípio, parecia ser um ser diferente e livre, discriminado por ignorantes, é, na verdade, um assassino cruel. Mas “Capitão Celestino amava as flores”.

Na vila, a curiosidade e o medo em relação a ele persistem: “Alguns paravam e afastavam as folhas das sebes, espreitavam. Davam com ele de calças arregaçadas, os pelos brancos nas costas sardentas. A outros, o coração acelerava ao passarem o seu portão e não se detinham”.

O narrador mostra as lembranças de Celestino na África, expõe seus pensamentos. Em seguida, volta para o presente, diz que depois “de terem ganhado confiança [ele lhes oferecia guloseimas], as crianças batiam-lhe à porta para verem os morcegos. Sentava-se na cadeira. Respirava fundo. Era a hora de as mães dos morceguinhos os ensinarem a voar”.

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Entre as crianças, a menina “Luzia tinha medo de que lhe pousassem no ombro, cravando os dentes na sua carne”. Por volta das oito da noite, “as mães-morcego davam por terminada a lição de voo”, o Sol se punha, as crianças voltavam para casa e “Celestino recolhia, aquecia o caldo, lavava a cara e fumava noite fora”.

Ele se lembra de uma menina holandesa, ela passa a conviver com ele, como um fantasma. Não sabemos ao certo o que fez com ela. Mas ela aparece vendada. Sobre ela, no início do livro, o narrador expôs este pensamento do protagonista: “Não esganei a holandesa. Sete, oito aninhos, mas os pescoços não têm idade”.

O capitão parece assombrado por lembranças e culpas, a caminho da morte, enquanto trabalha com a terra e cultiva plantas. De repente, percebe o próprio envelhecimento:

Na manhã seguinte, acordou mais velho e mais cego. Os pés incharam. As varizes cobriram-lhe as pernas. O corpo mirrou. Em lugar do porte esguio, distinguia-se agora a corcunda, a pança, as peles debaixo do queixo, penduradas sob as barbas encanecidas. Pela primeira vez em anos, olhou-se ao espelho. O olho tornara-se mais pequeno e ainda mais claro. Passou as mãos pela cara a medo. Achou os pelos ásperos e sentiu um arrepio. Agarrou na tesoura e cortou-os pelo queixo. Caíram em cima dos seus pés e, então, reparou neles. Não reconhecia as partes do corpo fora do todo. [...].

De vez em quando, o médico vai até sua casa. As mulheres das casas vizinhas que ainda se lembram das tias dele, “traziam-lhe comida”. O padre insiste para que o capitão se confesse, “nunca é tarde”. Mas Celestino não quer se confessar. Manuel, um conhecido, leva-o até uma fogueira na praia, em comemoração ao dia de São João.

Os meninos “Raul, Pedro e Luzia ainda apareciam”. Eles querem ouvir histórias. Celestino conta-lhes a “maravilha das viagens”. Depois fica novamente sozinho, começa a mesclar presente com o passado, realidade e fantasia:

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Para sua consolação, a pequena holandesa, de olhos vendados, aparecia no corredor, noite sim, noite não. Era fumo saído de uma vela apagada sem cara nem perfil humano. Entrava no quarto e deitava-se na cama ao lado do capitão, aninhada no peito do homem. Celestino sentia-a como uma neta, gelada até aos ossos, magra e suja, um corpinho de ar, gelo e sonho. Encostava a testa ao cabelo dela. Cheirava a algas, a velha água-de-colónia. Abraçava-a com amizade e adormecia.

Além disso, em sua casa, ele nota a presença de uma velha escrava:

A presença da velha escrava instalava em casa um perfume só habitado pelo som do vento. Às vezes, os anjos combinavam e, sentada na cadeira, à lareira, a negra catava os piolhos à menina holandesa, penteava-a, ajeitava-lhe a venda nos olhos. Como era bom para Celestino ter companhia. Também aparecia gente viva, de vez em quando: “não tem saudade de ver a praia?”, “tem andado doente, capitão? Bons olhos o vejam”.

Mas tornara-se o patriarca que nunca fora, amparo de uma netinha e de uma ama, anjos sem rancor que o guardavam enquanto caiava os muros, que se riam do seu mancar e lhe contavam graças, que enfeitavam o cabelo com as suas flores, que ceavam com Celestino e o aninhavam na cama, a velha negra por ele mandada ao Atlântico e a menina que o capitão deixara no mato de olhos vendados.

As duas figuras parecem compor o quadro das duas grandes culpas do capitão, a menina que ele abandonou e a mulher escravizada que ele assassinou: “o abrir do porão, o monte de cadáveres sufocados — ainda agora gente e já alimento de larvas —, o jogar dos corpos ao mar, um a um, sem direito a enterro. [...]. A velha negra a cair ao mar. O corpo dela: o ventre chicoteado, a boca aberta, olhos de gelo, pele manchada”.

Então, finalmente, o capitão morre, em casa. Assim, o narrador humaniza esse personagem, monstruoso por seus atos passados. Nessa perspectiva, o fato de alguém monstruoso ser tão humano parece assustador. Além disso, o capitão não é punido por seus crimes, a não ser que a culpa seja um tipo de punição.

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Características da obra A visão das plantas

→ Estrutura da obra A visão das plantas

A obra A visão das plantas não apresenta capítulos tradicionais, mas diversos fragmentos.

→ Estilo literário da obra A visão das plantas

A obra A visão das plantas faz parte da literatura contemporânea portuguesa. Na atualidade, não existe um estilo de época, autoras e autores têm liberdade de criação. Porém, assim como no Brasil, em Portugal, a voz das minorias, na contemporaneidade, é evidenciada na literatura.

Segundo a professora doutora Rosangela Sarteschi:

Trazer questões como a colonização e a escravização de africanos e seus desdobramentos na contemporaneidade contribuem para refletirmos sobre o persistente racismo que continua a balizar as relações sociais e as formas de resistências encontradas no campo da literatura para explicitá‑lo e, no processo, combatê-lo. Nesse sentido examinar a presença autoral negra na literatura portuguesa contemporânea possibilita que silenciamentos históricos sejam rompidos e que se compreenda de que maneira essa presença ocorre e os mecanismos sociais, políticos e de produção cultural de Portugal que indiquem os meios pelos quais essas produções circulam (e em que medida) dentro das estruturas sociais e literárias portuguesas.

Em sua obra A visão das plantas, Djaimilia Pereira de Almeida optou por mostrar o lado do branco opressor no século XIX. Fez uma escolha interessante, já que, no passado, autores brancos mostravam sua perspectiva acerca da vivência negra.

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Agora, uma autora negra faz o movimento contrário e mostra sua perspectiva acerca da vivência branca. No centro da história, está um português, branco, antigo capitão de um navio negreiro. Assim, o passado português de colonização e escravização é revisitado na contemporaneidade por uma autora portuguesa nascida na África.

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Contexto histórico da obra A visão das plantas

A abolição da escravatura ocorreu em Portugal no ano de 1869, no decreto de 25 de fevereiro. Porém, desde 1836, o tráfico de pessoas escravizadas foi proibido nesse país. Assim, a história de A visão das plantas ocorre nesse contexto, ou seja, após a proibição do tráfico, sendo o protagonista um antigo capitão de “navio negreiro”.

o contexto de produção da obra é a contemporaneidade. Portugal não vive mais em uma monarquia. As obras de autoria negra podem revisitar o passado e fazer uma releitura da história oficial. É a partir da perspectiva de uma autora negra que o passado de colonização e escravização português é evidenciado na obra.

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Djaimilia Pereira de Almeida, autora de A visão das plantas

Fotografia de Djaimilia Pereira de Almeida, autora de “A visão das plantas”.
Djaimilia Pereira de Almeida é a autora de A visão das plantas. (Créditos de imagem: Instagram @dijamilia_de_almeida | Reprodução)

Djaimilia Pereira de Almeida é uma escritora portuguesa. Ela nasceu em Luanda, em Angola, no ano de 1982. O dia e o mês de nascimento da autora, até o momento, não costumam ser divulgados. Ela cresceu em Portugal. Mais tarde, em 2006, defendeu sua dissertação de mestrado em Teoria da Literatura, na Universidade de Lisboa.

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Nessa mesma instituição, concluiu seu doutorado em Teoria da Literatura em 2012. Publicou seu primeiro romance em 2015 — Esse cabelo. Em 2019, seu livro Luanda, Lisboa, Paraíso foi o vencedor do Prêmio Oceanos. No ano seguinte, sua obra A visão das plantas ficou em segundo lugar.

Crédito de imagem

[1] Editora Todavia (reprodução)

Fontes

ALMEIDA, Djaimilia Pereira de. A visão das plantas. São Paulo: Todavia, 2021.

PORTUGAL. Memória acerca da extinção da escravidão e do tráfico de escravatura no território português. Lisboa: Ministério da Marinha, 1889.

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SARTESCHI, Rosangela. Literatura contemporânea de autoria negra em Portugal: impasses e tensões. Via Atlântica, São Paulo, n. 36, p. 283-304, dez. 2019.

Capa do livro “A visão das plantas”, de Djaimilia Pereira de Almeida, publicado pela editora Todavia.
Capa do livro "A visão das plantas", de Djaimilia Pereira de Almeida, publicado pela editora Todavia. [1]
Escritor do artigo
Escrito por: Warley Souza Professor de Português e Literatura, com licenciatura e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
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SOUZA, Warley. "A visão das plantas, de Djaimilia Pereira de Almeida"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/a-visao-das-plantas-de-djaimilia-pereira-de-almeida.htm. Acesso em 10 de agosto de 2026.
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