Termo independente da oração

O único termo independente da oração, na língua portuguesa, é o vocativo. O vocativo expressa um chamamento, uma invocação ou um apelo.

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Termos independentes da oração são aqueles que não mantêm relação de dependência com outro elemento da oração. Na língua portuguesa, o vocativo é o único termo independente. Ele é utilizado para chamar, interpelar ou invocar. Pode ser separado por vírgula: “Os sonhos, minha amiga, são apenas sonhos”, ou seguido por um ponto de exclamação: “Minha amiga! Os sonhos são apenas sonhos”.

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Diferentemente do vocativo, o aposto é um termo acessório e mantém relação de dependência com outro elemento da oração, já que, por exemplo, explica tal elemento: “O livro, um manual de conduta, foi um sucesso naquele século”.

Leia também: Objeto direto e objeto indireto — como identificar?

Tópicos deste artigo

Resumo sobre termos independentes da oração

  • Termos independentes são aqueles que não mantêm relação de dependência com outro elemento da oração.

  • O vocativo é o único termo independente da oração na língua portuguesa.

  • O vocativo é usado para chamar, invocar, interpelar ou fazer um apelo.

  • Aparece separado por vírgula: “Gioconda, não temos tempo”.

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  • Pode ser seguido de ponto de exclamação: “Gioconda! Não temos tempo”.

  • Diferentemente do vocativo, o aposto apresenta relação de dependência com outro elemento da oração.

  • O aposto tem a função, por exemplo, de explicar, enumerar, recapitular, especificar, distribuir ou comentar outro elemento da oração.

  • Os demais termos da oração são os essenciais (sujeito e predicado), os integrantes (objetos direto e indireto, complemento nominal e agente da passiva) e os acessórios (adjunto adnominal, adjunto adverbial e aposto)

O que são termos independentes da oração?

Termos independentes da oração são aqueles que não mantêm relação com outro elemento da oração. Os termos essenciais da oração são o sujeito e o predicado. Isso quer dizer que toda oração apresenta sujeito (a exceção é a oração com sujeito inexistente) e predicado. Assim, um termo independente não faz parte nem do sujeito nem do predicado. E, na língua portuguesa, o único termo independente é o VOCATIVO.

O que é o vocativo?

O vocativo é um termo independente da oração, usado em chamamento, invocação, interpelação, apelo, como nestes exemplos:

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Luciano, os extraterrestres pousaram na montanha.

Ó morte, você trouxe sofrimentos!

Eu sei, menino, que você está mentindo.

Você notou que, nesses exemplos, o enunciador (a pessoa que emite essas frases) está falando com algo ou alguém, ou seja, está chamando ou invocando o Luciano, a morte, o menino. Esses termos são independentes porque não têm ligação direta com nenhum outro elemento da oração.

Como identificar um termo independente da oração?

Um termo independente não faz parte nem do sujeito nem do predicado, isto é, ele não depende de nenhum desses dois termos essenciais da oração. Existem algumas definições para sujeito: o sujeito pode ser o termo sobre o qual declaramos alguma coisa; que pratica ou recebe a ação expressa pelo verbo; é o termo com o qual o verbo concorda; e que pode ser substituído por pronomes pessoais. Já o predicado é aquilo que declaramos sobre o sujeito.

Para você entender o que é uma relação de dependência, observe os seguintes exemplos:

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Os extraterrestres pousaram na montanha.

  • Sujeito: Os extraterrestres

  • Predicado: pousaram na montanha

Você percebe que o verbo e o sujeito dependem um do outro para fazer sentido? Afinal, quem pousou na montanha? Foram os extraterrestres. Além disso, a montanha é o lugar onde eles pousaram. Tudo está relacionado, de forma que um elemento depende de outro para fazer sentido.

Você trouxe sofrimentos!

  • Sujeito: Você

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  • Predicado: trouxe sofrimentos

Já o verbo “trouxe” depende da palavra “sofrimentos” para fazer sentido. Afinal, quem traz, traz alguma coisa. Se eu dissesse apenas “Você trouxe”, você ia perguntar: “Eu trouxe o quê?”. Assim, “trouxe” e “sofrimentos” têm uma relação de dependência.

Porém, quando a oração não tem sujeito, toda ela é um predicado:

Trovejou muito ontem à noite.

Faz tanto frio!

Nenhuma das duas orações apresenta sujeito. Portanto, elas são predicados.

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Como vimos, o vocativo é o único termo independente da oração, portanto, ele não apresenta essa dependência. Ele basta por si mesmo, pois é apenas um chamamento.

Veja:

Alice! A vida é complexa.
(vocativo)                                      

A vida, Alice, é complexa.
(vocativo)         

O vocativo pode ter entonação exclamativa e, normalmente, vem separado por vírgula. Em alguns casos, pode ser seguido de ponto de exclamação.

Veja também: Como diferenciar o sujeito do vocativo da oração?

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Diferenças entre vocativo e aposto

Duas orações com aposto e vocativo destacados.
Vocativo é um termo independente, já o aposto é um termo acessório da oração. (Créditos: Isa Galvão | Brasil Escola)

O vocativo é um termo independente da oração, ou seja, não apresenta uma ligação direta com outros elementos da oração. Por isso, não há relação de dependência entre o vocativo e outras partes da oração. Por exemplo, se eu digo “Juçara, os livros estão sobre a mesa”, o vocativo “Juçara” é apenas um chamamento e não mantém uma relação de dependência com outro elemento da oração.

Já o aposto é um termo acessório da oração e tem a função de acompanhar um substantivo (palavra que nomeia o que existe na realidade ou na imaginação, seja coisa concreta ou abstrata), um pronome (substitui o substantivo) ou uma oração (frase com verbo). Assim, o aposto pode, por exemplo, explicar, especificar, enumerar, resumir, distribuir outro elemento da oração.

Observe a oração seguinte:

Comemos isto: arroz, feijão e ovo frito.

A expressão “arroz, feijão e ovo frito” é um aposto enumerativo, pois enumera os elementos contidos na palavra “isto”. Esse aposto depende do termo “isto” para existir, concorda? Portanto, o aposto tem uma relação direta (ou de dependência) com outro elemento da oração.

Então, voltemos ao vocativo:

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Juçara, os livros estão sobre a mesa.

O vocativo “Juçara” não depende de outro elemento da oração, pois é um termo independente, ou seja, ele não mantém nenhuma relação de dependência com outra parte da oração.

Videoaula sobre diferenças entre aposto e vocativo

Quais são os termos da oração?

Os termos da oração são:

  • termos essenciais: sujeito e predicado;

  • termos integrantes: objeto direto, objeto indireto, complemento nominal e agente da passiva;

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  • termos acessórios: adjunto adnominal, adjunto adverbial e aposto;

  • termo independente: vocativo.

Veja, no quadro abaixo, as características desses termos e alguns exemplos.

Termos essenciais da oração

Sujeito

Elemento sobre o qual se declara alguma coisa.

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A chuva causou estragos.

Predicado

Aquilo que se declara acerca do sujeito.

A chuva causou estragos.

Termos integrantes da oração

Objeto direto

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Complemento verbal, sem preposição.

Não via o carro vermelho.

Objeto indireto

Complemento verbal, com preposição.

Não precisava de dinheiro.

Complemento nominal

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Complementa o sentido de substantivo (nomeia os seres), adjetivo (qualifica o substantivo) ou advérbio (aponta uma circunstância).

Tinha consideração por todos.

 

Estava atenta aos movimentos suspeitos.

 

Agia diferentemente das pessoas do bairro.

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Agente da passiva

Quem ou aquilo que age sobre o sujeito.

A loja foi comandada por pessoas gananciosas.

Termos acessórios da oração

Adjunto adnominal

Adjetivo, artigo (a, as, o, os, uma, umas, um, uns), numeral (um, dois, três etc.), pronome ou locução adjetiva (duas ou mais palavras com valor de adjetivo) que acompanha o substantivo.

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Aquelas três velhas casas de madeira incendiaram-se.

 

O caderno de receitas sumiu!

Adjunto adverbial

Indica diversas circunstâncias relacionadas ao verbo ou à oração, tais como tempo, lugar, modo, intensidade, finalidade etc.

Macabeu estava na sala.

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Macabeu chegou ontem.

Aposto

Acompanha substantivo, pronome ou oração e tem a função de explicar, enumerar, recapitular, comparar, especificar, distribuir ou comentar.

João e Marcos, meus filhos, pararam de chorar.

 

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A casa, o carro, o barco, tudo foi tirado de mim.

 

A escritora Clarice Lispector nasceu na Ucrânia.

 

Quero dois pães: um para mim e outro para você.

Termo independente da oração

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Vocativo

Chamamento ou invocação.

Helena, volto tarde hoje.

Saiba mais: O que é o predicativo do sujeito?

Exercícios resolvidos sobre termos independentes da oração

Questão 1 (Enem)

Uma carta para Freud

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Caro Freud,

Resolvi lhe escrever uma carta porque o senhor anda muito ocupado e eu demoro demais para me fazer compreender verbalmente. Aqui, nesta carta, acho que consigo ser franco e direto.

Hoje resolvi aplicar alguns de seus conselhos. E outros do Facebook. O senhor mencionou que eu precisava encontrar prazer no meu trabalho. Pois bem, resolvi espalhar chocolate em todas as mesas, pias, balcões e até no banheiro.

Romanticamente, a história é mais complicada. Sempre que nos encontramos, o senhor pergunta: “E as namoradas, como vão?”. Realmente, doutor Freud, nunca entendi o porquê do plural. Mas já que tocamos no assunto, acho que precisarei de um pouco mais do que chocolate para resolver este problema.

O senhor disse que o segredo do sucesso é fazer as mulheres rirem. Mas rir de mim também conta?

O senhor também mencionou que eu não poderia deixar as garotas me encararem como amigo, não foi? “Mulheres nunca se apaixonam por amigos”. Tentei aplicar este conselho.

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Ah, meu amigo Sigmund. A vida não é nada fácil. Pela expressão fechada em seu rosto, o senhor deve me entender. Podíamos sair para tomar uma cerveja. Ver luzes, ouvir pessoas, essas coisas. Acho que lhe faria bem, também.

MARTINZ, J. Disponível em: https://corrosiva.com.br. Acesso em: 24 out. 2021.

O trecho que faz referência ao vocativo inicial da carta, “Caro Freud”, é

A) “me fazer compreender verbalmente”.

B) “resolvi espalhar chocolate em todas as mesas”.

C) “Romanticamente, a história é mais complicada”.

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D) “Mas rir de mim também conta?”.

E) “Pela expressão fechada em seu rosto”.

Resolução: Alternativa E.

Em “Pela expressão fechada em seu rosto”, o interlocutor faz referência ao rosto de Freud, que é com quem ele conversa, já que usa o vocativo “Caro Freud”.

Questão 2 (UEL) [modificada]

Em “Ó mar salgado, quanto do teu sal/ São lágrimas de Portugal” (Fernando Pessoa), a expressão Ó mar salgado classifica-se como:

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A) sujeito, pois expressa o ser de quem se diz algo.

B) objeto, pois completa o sentido do verbo transitivo direto.

C) vocativo, pois expressa o ser a quem se dirige a mensagem do enunciador.

D) complemento nominal, pois completa a ideia expressa por um nome.

E) aposto, pois explica e identifica o termo a que se refere o enunciador.

Resolução: Alternativa C.

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“Ó mar salgado” é um vocativo (chamamento ou invocação) e faz referência ao ser a quem o enunciador se dirige. Assim, o enunciador conversa, poeticamente, com o mar salgado.

Fontes

BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 40. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2024.

CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.

CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da língua portuguesa. 3. ed. São Paulo: Scipione, 2008.

SANTOS, Márcia Angélica dos. Aprenda análise sintática. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2003. 

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Conceito e exemplos de vocativo, termo independente da oração.
O vocativo expressa um chamamento ou uma invocação. (Créditos: Isa Galvão | Brasil Escola)
Escritor do artigo
Escrito por: Warley Souza Professor de Português e Literatura, com licenciatura e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Deseja fazer uma citação?
SOUZA, Warley. "Termo independente da oração"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/gramatica/termo-independente-da-oracao.htm. Acesso em 03 de fevereiro de 2026.
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