Erê

Erês são entidades das religiões de matriz africana. Eles são pessoas falecidas ainda na infância que guardam a função de proteger e de ajudar os fiéis dessas religiões.

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Erês são entidades das religiões de matriz africana. Eles são pessoas falecidas ainda na infância que guardam a função de proteger e de ajudar os fiéis dessas religiões.

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Ter a visão de um erê, na perspectiva religiosa, significa um chamado da ancestralidade para que a pessoa que viu o erê retome um compromisso que fora firmado. As pessoas buscam os erês para ter ajuda com questões de saúde e para buscar alegria e pureza. Na umbanda, os nomes do erês são nomes de crianças, como Rosinha e Pedrinho.

Na busca de compreender da melhor forma os erês, conversamos com Mãe Isabel de Oxum, sacerdote do terreiro Asé Odè Leke Ilê Obirin Omi Osun.

Leia também: 12 de outubro — Dia das Crianças

Tópicos deste artigo

Resumo sobre os erês

  • Erês são entidades das religiões de matriz africana.
  • Erês são espíritos de crianças, por isso são representados por crianças ou pelas imagens de santos como Cosme e Damião.
  • O significado de ver um erê é relacionado à ancestralidade.
  • Erês ajudam em questões de saúde e de felicidade.
  • Erês usam nomes de crianças na umbanda, como Joazinho e Mariazinha.
  • Dentre as oferendas dos erês, estão balinhas, bolos de aniversário e o caruru (um prato feito com quiabo).
  • Na semana, o dia do erê é o domingo. No ano, o dia do erê é o dia 27 de setembro.
  • Erês são cultuados em algumas casas de candomblé.
  • A gira dos erês é quando os médiuns da umbanda recebem os conselhos e a visita desses espíritos.
  • As histórias dos erês contam porque e como eles ajudam quem os procura.

O que é um erê?

Ilustração representativa do erê como uma criança em uma paisagem natural.
Erês são espíritos de crianças protetoras.

Erês são entidades das religiões de matriz africana. Na busca de compreender da melhor forma os erês, conversamos com Mãe Isabel de Oxum, sacerdote do terreiro Asé Odè Leke Ilê Obirin Omi Osun.

Conforme Mãe Isabel nos contou, erês são crianças que morreram e que guardavam no coração o desejo de cuidar dos outros. Por conta de suas histórias individuais e de suas vivências coletivas, foi concedida (por Deus) a permissão para que seus espíritos voltassem ao mundo terreno para cuidar de quem aqui ainda está nele.

Os próprios erês costumam compartilhar suas histórias de vida e dizer por qual razão específica voltaram ao mundo terreno.

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A mãe Isabel disse sobre os erês:

Vem dessa descendência de indígena, de africano e de europeu. Foram crianças que morreram com malária, doentes, crianças que tinham, dentro do seu coração, uma vivência adulta para cuidar das pessoas.

A sacerdote também afirma que não se pode falar dos erês na umbanda sem falar de São Cosme e de São Damião, de São Crispim e de São Crispianiano e de São Doum porque, na perspectiva da umbanda, eles representam o campo espiritual de atuação das crianças.

Os erês são figuras que existem na umbanda. No candomblé, há os chamados Ibejis, orixás crianças que são porta-vozes dos outros orixás.

Representação de erê

Representação de erê como criança.
Os erês são representados como crianças.

As representações dos erês são feitas com imagens de crianças. Há também, por conta do sincretismo, representações feitas com imagens de São Cosme e de São Damião.

Veja também: Dia de São Cosme e Damião

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O que significa ver um erê?

Sobre as visões de um erê, a Mãe Isabel de Oxum, sacerdote do terreiro Asé Odè Leke Ilê Obirin Omi Osun, nos disse:

Ter a visão de um erê é muito importante. A magia dos erês ou dos Ibeji é a única que não desfaz sobre a terra, porque eles que fazem a magia e eles mesmos esquecem como fizeram, pois fazem como uma brincadeira.

Ela também afirma que pode ser um recado ou uma chamada para um compromisso que você tem em terra, pois os erês representam a ancestralidade. Para essa visão religiosa, as crianças (erês) são essenciais para haver uma comunicação entre o físico e o espiritual.

Em que os erês ajudam?

Erês são protetores e guias dentro da religião. As pessoas buscam ajuda para questões de saúde e também para sentir mais alegria, amor e pureza.

Nomes de erês na umbanda

No candomblé, as crianças têm nomes de matas, de rios, de constelações e de aspectos naturais de uma forma geral. Na umbanda, eles assumem outros nomes que facilitam a compreensão dos vivos. Sendo assim, dentre os nomes de erês na umbanda, estão:

  • Joãozinho;
  • Mariazinha;
  • Pedrinho;
  • Rosinha.

Oferendas para erê

Oferenda para erê.
Oferenda para erê.

Dentre as oferendas dadas aos erês, estão balinhas, refrigerantes, comidas infantis, em geral com açúcar. Além disso, para praticantes do candomblé, o caruru (feito com quiabo e camarão) é uma receita essencial. Já na umbanda, o principal é o bolo de aniversário.

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Erê no candomblé

No candomblé, há os Ibejis, que são os orixás crianças, representados por dois irmãos gêmeos. Eles atuam na comunicação entre o mundo espiritual e o físico. Também é feito culto aos erês, compreendidos como crianças desencarnadas.

Erê na umbanda

Na umbanda, os erês são crianças que estão no mundo espiritual com a permissão para vir fazer caridades e para proteger os seus.

Gira de erês na umbanda

Gira é o nome dado aos encontros religiosos na umbanda. Geralmente, durante as giras, os praticantes da religião tocam músicas e realizam os chamados de processo de incorporação. Quando a gira é de erê, significa que os ritos serão pensados para os espíritos das crianças, desde as músicas até as comidas servidas, com destaque para os doces.

Dia de erê

→ Dia de erê na semana

Na semana, o dia dos erês e dos Ibejis é o domingo.

→ Dia de erê no ano

No ano ano, o dia dos erês é o dia 27 de setembro, Dia de São Cosme e de São Damião. Durante todo o mês de setembro, são feitas as festas de Ibejis. As comemorações vão até o dia 12 de outubro, Dia das Crianças e Dia de Nossa Senhora Aparecida.

Acesse também: Qual é a origem do Dia das Crianças?

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História dos erês

Mãe Isabel de Oxum, sacerdote do terreiro Asé Odè Leke Ilê Obirin Omi Osun, nos conta a história de sua própria erê, Rosinha:

No terreiro, ela [erê Rosinha] resgatou duas crianças, para chegarem ao mundo, que a mãe era muito enferma, e essas crianças, hoje, são lindas e maravilhosas. Fora muitas e muitas outras bençãos e misericórdias que já recebi. O nascimento dos meus dois filhos com perfeição, com alegria, com felicidade.

A minha filha, Jéssica, ama a Rosinha como se fosse um membro da nossa família, conversa com ela, desabafa com ela, tem um vínculo de vivência muito especial. Estou falando da minha filha carnal.

A erê Rosinha é amor, é paz, é harmonia. Ela é uma erê que apazígua, que traduz amor, é um erê que traz harmonia dentro da nossa roça, dentro do terreiro, ela cuida dessa linha. Ela é a guia chefe de toda essa egrégora dos meninos que trabalham com erê..

Se eu fosse traduzi-la em uma só palavra, seria amor.

Há uma história (itã) sobre os Ibejis, orixás crianças, que conta:

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Iku, a morte, vagava pelas estradas e atormentava as aldeias. Matava e levava o medo. Chegou a uma grande comunidade e matava a todos, velhos, crianças, homens, mulheres, animais, tudo que era vivo, temia Iku.

Pediram que ele parasse, que não matasse mais, que fosse embora. Pediram tanto, que Iku fez uma proposta, ele disse:

“Se alguém me forçar a fazer algo que não quero, por mais simples que seja, vou embora e não atormento mais vocês”

Os Ibejis, duas crianças gêmeas ouviram a proposta e, espertos que eram, montaram um plano. Se esconderam na estrada, um ficou atrás dos arbustos e outro ficou com um tambor na estrada esperando que Iku passasse por lá.

Quando a morte chegou, o Ibeji começou a tocar o tambor “tum-tum-tá, tum-tum-tá”. O ritmo envolveu Iku que se pôs a dançar, ele não se cansava e dançava enquanto caminhou pela estrada. Passou-se o tempo e o tambor não parava “tum-tum-tá, tum-tum-tá”, Iku continuava dançando, mas começara a cansar.

Quando um Ibeji cansava, ele trocava de lugar com o outro. Enquanto um tocava, o outro descansava.

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Foi tanto tempo que Iku gritou:

“Pare, pare, por favor, não aguento mais dançar”

E o tambor continuava  “tum-tum-tá, tum-tum-tá”.

Até que Iku disse:

“Eu não quero mais dançar! Pare!”

E o tambor não parava  “tum-tum-tá, tum-tum-tá”. Até os dois se apresentarem e dizerem a Iku:

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“Fizeste algo que não queria, agora, deixe-nos em paz”

E assim fez Iku.

Essa história nos mostra o poder da insistência da vida diante de morte que a tudo espera. Que precisamos do outro, de uma comunidade, de um tambor que não pare de bater (uma referência ao nosso próprio coração) que a única forma de vencer a morte é em comunidade e que às vezes ver as coisas com a inocência das crianças, que desafiam a morte com música, é o mais esperto a se fazer.

Fontes

Entrevista Mãe Isabel de Oxum, sacerdote do terreiro Asé Odè Leke Ilê Obirin Omi Osun.

Dias da semana dos Orixás. Umbanda em foco. Disponível em: https://umbandaemfoco.com.br/orixas-na-umbanda-dias-da-semana/ .

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Escritor do artigo
Escrito por: Tiago Vechi Escritor oficial Brasil Escola
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VECHI, Tiago. "Erê"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/religiao/ere.htm. Acesso em 03 de fevereiro de 2026.
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