Metanol

O metanol é um álcool de um único carbono, de grande importância industrial, porém tóxico ao ser humano.

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 O metanol é um composto orgânico pertencente à função álcool, de fórmula molecular CH4O, e que é altamente tóxico aos seres humanos. Sua ingestão pode causar diversos sintomas, destacando-se problemas de visão, coma, falência renal, braquicardia e, até mesmo, morte.

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 É o álcool mais simples, apresentando um único carbono. É também um líquido incolor, volátil, com odor característico, além de altamente polar. Ele é aplicado na produção de combustíveis de menor impacto ambiental, além de ser útil na produção de hidrogênio, como solvente e precursor de diversas moléculas de interesse para a indústria. É produzido a partir de fontes fósseis, como carvão, gás natural, petróleo, mas também a partir da biomassa ou por eletrólise aquosa.

Leia também: Fenol — outra substância de ampla aplicação, mas bastante tóxico ao ser humano

Tópicos deste artigo

Resumo sobre metanol

  • O metanol é um composto orgânico de fórmula CH4O que pertence à função álcool.

  • É um líquido incolor, volátil, de odor característico e de alta polaridade.

  • É utilizado para fins de combustíveis, assim como para produção de hidrogênio.

  • É também empregado na formação na produção de outras substâncias precursoras de produtos de alta utilização em nossa sociedade.

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  • O metanol pode ser produzido a partir de fontes fósseis ou biomassa, além de eletrólise aquosa.

  • O metanol é tóxico aos seres humanos e a exposição a essa substância pode causar, nos piores casos, a morte.

O que é o metanol?

Um frasco de metanol no laboratório. [imagem_principal]
Um frasco de metanol no laboratório.

O metanol é um composto orgânico pertencente à função álcool, de fórmula molecular CH4O, porém comumente representado como CH3OH para dar destaque à hidroxila. Dos álcoois existentes, é o mais simples de todos, pois possui um único carbono.

Características do metanol

O metanol é um líquido em condições ambientes, sendo incolor e também volátil, o que permite percebermos o seu odor alcoólico característico. É uma substância polar, de caráter neutro e, em geral, considerado não corrosivo.

Por conta da sua polaridade e hidroxila, que permite a formação de ligações de hidrogênio, é totalmente miscível em água. Também é capaz de dissolver diversos sais inorgânicos. Na sua forma pura, é também muito higroscópico, ou seja, atrai e retém moléculas de água presentes no ambiente.

O metanol apresenta reatividade química semelhante a outros álcoois primários alifáticos, sendo o grupo hidroxila o principal agente associado nessa reatividade. Muitas das reações que envolvem o metanol ocorrem com quebra da ligação C−OH ou da ligação O−H, levando a uma substituição do grupo hidroxila ou do hidrogênio lá presente. A seguir, alguns exemplos de reações de metanol.

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Mecanismo

Reação

Outros reagentes

Produtos

Quebra da ligação O−H

Esterificação

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Ácido etanoico

Etanoato de metila

Fosgênio

Carbonato de dimetila (DMC)

Ácido tereftálico

Tereftalato de dimetila

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Adição

Propanona

Acetal

Metilpropeno

Metóxi-tercbutila

Substituição do grupo hidroxila

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Halogenação

HCl

Cloreto de metila

Carbonilação

CO

Ácido etanóico

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Desidratação

 

Metóxi-metano

Amonólise

NH3

Metanaminas

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Quebra da ligação C−H e O−H

Desidrogenação oxidativa

O2

Metanal

Dissociação

 

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CO e H2

Propriedades do metanol

Estrutura e fórmula molecular do metanol.
Estrutura e fórmula molecular do metanol.
  • Fórmula molecular: CH4O.
  • Função orgânica: álcool.

  • Massa molar: 32 g/mol.

  • Densidade: 0,7864 g/mL (líquido, 25 °C e 1 atm).

  • Temperatura de fusão: −97,5 °C.

  • Temperatura de ebulição: 64,5 °C.

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  • Nome IUPAC: metanol.

  • Nome comercial: álcool metílico.

  • Solubilidade: miscível em água, etanol, propanona e éter etílico; muito solúvel em benzeno; solúvel em clorofórmio.

Para que serve o metanol?

O metanol possui diversas aplicações de interesse comercial e industrial. Atualmente, pensa-se no metanol como um combustível menos poluente, uma vez que apresenta uma menor quantidade de átomos de carbono, poluindo menos que a combustão do etanol, por exemplo.

Misturar metanol à gasolina, no lugar de etanol, pode garantir algumas vantagens ao combustível, uma vez que, além de ser menos poluente, apresentará um maior índice de octanagem e uma menor temperatura de combustão (o que garante menos emissão de materiais particulados e gases NOx), por exemplo.

Contudo, seu uso como combustível possui algumas limitações, como uma pior autoignição, baixa miscibilidade com combustíveis minerais na presença de água (principalmente diesel), dificuldade de partida a frio, corrosão e degradação de materiais, além de baixa lubrificação dada sua baixa viscosidade.

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Outro uso importante do metanol está no fornecimento de hidrogênio em células combustíveis, uma vez que uma única molécula desse composto carrega quatro átomos de hidrogênio. O gás hidrogênio, H2, é um combustível muito estudado, uma vez que sua combustão produz apenas água e apresenta também alta produção de energia por grama. A ideia é utilizar, em células combustíveis, o hidrogênio gerado a partir do metanol. Vale lembrar que o metanol, sendo líquido, é de fácil transporte, manuseio e estoque.

No gancho da produção de gás hidrogênio, o metanol também é importante na produção de diversos produtos químicos, sendo o principal deles o formaldeído (metanal), que pode ser aplicado na produção de madeiras compensadas e painéis de fibra de média densidade, como o MDF. O formaldeído, derivado de maior demanda do metanol, é produzido via oxidação parcial deste:

CH3OH (l) + ½ O2 (g) → HCHO (l) + H2O (l)

Outros produtos obtidos a partir do metanol de grande destaque são:

  • MTBE (metiltercbutiléter), um aditivo para gasolina;

  • ácido acético (ácido etanoico), empregado na fabricação de fibras sintéticas, como o fleece, além de adesivos e tintas;

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  • metilmetracrilato (MMA), empregado em telas de PMMA-LCD, assim como na fabricação de automóveis;

  • silicones, que são empregados como selantes, lubrificantes, equipamentos médicos e isolantes;

  • olefinas (alcenos), para a produção de polímeros sintéticos, como etil propileno e o propileno.

Ainda no campo da indústria química, o metanol é também aplicado como solvente para tintas, vernizes e como afinador de tintas. Outro uso importante para o metanol é no tratamento de águas de rejeito, em um processo conhecido como denitrificação, cujo objetivo é converter o excesso de nitrato em gás nitrogênio, o qual não possui impacto poluidor quando liberado na atmosfera.

Leia também: Cloreto de vinila — hidrocarboneto clorado tóxico e com ação carcinogênica

Produção de metanol

Industrialmente o metanol é produzido a partir de gás de sínteses, que contém cargas de CO, CO2 e H2. Isso quer dizer que o metanol pode ter, como matriz, o petróleo, o gás natural, o carvão e a biomassa. Algumas reações são demonstradas a seguir, as quais devem ser catalisadas.

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CO + 2 H2 → CH3OH

CO2 + 3 H2 → CH3OH + H2O

Também é possível aproveitar o conteúdo de carbono do CO para a formação do metanol, da seguinte forma:

CH3OH + CO → HCOOCH3

HCOOCH3 + 2 H2 → 2 CH3OH

A partir do metano, existem dois métodos: via oxidação ou por bioprocessamento, que envolve a utilização de enzimas. A oxidação do metano para produção de metanol é:

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CH4 + ½ O2 → CH3OH

Efeitos do metanol no corpo

O metanol é uma substância tóxica, podendo os seres humanos serem expostos por ingestão, inalação ou via pele. Alguns efeitos característicos do metanol no corpo são relatados a seguir.

Característica

Descrição dos efeitos

Depressão inicial do sistema nervoso central (SNC)

A intoxicação inicial pode parecer a mesma causada pela ingestão de etanol, mas de menor duração e menos pronunciada. Irritação do trato gastrointestinal também pode ocorrer.

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Período latente assintomático

Pode durar de 12 a 24 horas após a ingestão, mas, geralmente, até 48 horas. Os pacientes não costumam relatar sintomas evidentes nesse momento.

Acidose metabólica severa

Pode ocorrer náusea, vômitos e dores de cabeça por conta da acidose.

Toxicidade ocular

Distúrbios visuais por conta de fotofobia leve, visão turva, queda da acuidade visual e cegueira podem se desenvolver de 12 a 48 horas após ingestão.

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Neuropatia de início tardio

Sintomas ocorrem de 12 a 24 horas após a exposição e incluem convulsões, coma ou edema cerebral, que podem se desenvolver por conta da acidose metabólica. Tremores, demência, rigidez e bradicinesia (lentidão dos movimentos) também já foram observados.

A ocorrência de convulsões, coma, choques, acidose persistente, bradicardia e falência renal são indicadores de um mau prognóstico. Vale lembrar que a mortalidade é elevada em casos de intoxicação por metanol.

Intoxicação por metanol

O metanol é rapidamente absorvido via inalação, ingestão ou epiderme. Após a ingestão, o metanol é absorvido entre 30 e 60 minutos, dependendo da presença ou ausência de comida no trato gastrointestinal. Cerca de 60% a 80% do metanol inalado por seres humanos é absorvido no pulmão.

O metanol é prioritariamente metabolizado em nosso fígado, onde é oxidado, após diversas etapas, ao metanal (formaldeído), ácido metanoico (ácido fórmico) e, por fim, desintoxicado na forma de gás carbônico, CO2. Boa parte do metanol ingerido é convertida em CO2.

A toxicidade do metanol em humanos é decorrente da ação dos metabólitos, e não do metanol em si. O ácido metanoico é considerado o principal intoxicante. Seres humanos têm baixa habilidade em metabolisar o ácido metanoico, portanto a intoxicação pode ser fatal. Vale lembrar, ainda, que o ácido fórmico pode ultrapassar as barreiras gordurosas do cérebro, causando danos ao sistema nervoso central.

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Várias mãos seguram taças para fazer um brinde.
Bebidas alcoólicas adulteradas podem ser uma perigosa fonte de metanol.

A dose mínima letal via ingestão para o metanol fica no intervalo de 300 a 1000 mg/kg corporal. Porém, ingestões em doses menores podem ser suficientes para afetar o sistema nervoso central e causar cegueira permanente, pancreatite aguda e falência renal. Doses pequenas de metanol podem ser encontradas em bebidas alcoólicas, sendo que doses maiores podem ser encontradas em produtos adulterados clandestinamente.

No Brasil, entre os meses de setembro e outubro de 2025, diversos casos por intoxicação por metanol após consumo de bebidas alcoólicas, como gin e uísque, foram relatados, com alguns óbitos confirmados.

O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, chegou a afirmar que se tratava de uma situação anormal e diferente do que consta no histórico do país em relação à intoxicação por metanol, levantando suspeitas da atuação de organizações criminosas na adulteração de bebidas.

Fontes

BASILE, A.; DALENA, F. Methanol: Science and Engineering. Amsterdã, Holanda: Elsevier, 2018.

METHANOL INSTITUTE. Applications. Methanol Institute. Disponível em: <https://www.methanol.org/applications/>. Acesso em 1 out. 2025

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UK HEALTH SECURITY AGENCY. Methanol: toxicological overview. UKHSA. 11 out. 2024. Disponível em: <https://www.gov.uk/government/publications/methanol-properties-incident-management-and-toxicology/methanol-toxicological-overview>. Acesso em 1 out. 2025

CHENG, W. H.; KUNG, H. H. Methanol Production and Use. In: Chemical Industries. V. 57. Flórida, Estados Unidos: CRC Press, 1994.

CARDOSO, A.; LEÃO, L. Bebida com metanol: Brasil tem 43 casos e Saúde cria sala de monitoração. CNN. 1 out. 2025. Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil/bebida-com-metanol-brasil-tem-43-casos-e-saude-cria-sala-de-monitoracao/>. Acesso em 1 out. 2025.  

Escritor do artigo
Escrito por: Stéfano Araújo Novais Stéfano Araújo Novais, além de pai da Celina, é também professor de Química da rede privada de ensino do Rio de Janeiro. É bacharel em Química Industrial pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e mestre em Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
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NOVAIS, Stéfano Araújo. "Metanol"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/quimica/metanol-combustivel-potente.htm. Acesso em 03 de fevereiro de 2026.
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