Carbono quiral ou assimétrico

Carbono quiral é um carbono sp3 que apresenta quatro ligantes diferentes.

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O carbono quiral ou assimétrico é um carbono de hibridização sp3 (geometria tetraédrica) que se liga a quatro grupos totalmente distintos na cadeia carbônica. A presença de carbonos quirais na molécula faz com que sejam sintetizados, na mesma proporção, duas moléculas isômeras, as quais apresentam uma relação de objeto e imagem entre si.

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Leia também: Isomeria — o fenômeno que gera compostos distintos com a mesa fórmula molecular

Tópicos deste artigo

Resumo sobre o carbono quiral

  • O carbono quiral ou assimétrico é um carbono de hibridização sp3 que se liga a quatro grupos totalmente distintos.
  • Carbonos quirais na molécula ocasionam na síntese de isômeros que possuem, entre si, uma relação de objeto e imagem.
  • É possível a existência de carbonos quirais tanto em cadeias abertas quanto fechadas.
  • Átomos de carbono que realizam ligações duplas ou triplas não podem ser considerados quirais em hipótese alguma.

O que é carbono quiral?

Esquema ilustrativo traz exemplo de carbono quiral e o conceito.
O carbono quiral está associado a quatro ligantes distintos.

Um carbono é considerado quiral (ou assimétrico) quando ele possui hibridização sp3 (ou seja, de geometria tetraédrica) e se liga a quatro grupos totalmente distintos.

A palavra quiral é de origem grega, significando “mão”. Isso porque moléculas que apresentem carbonos quirais, ao serem sintetizadas, produzem dois isômeros que apresentam, entre si, uma relação de objeto e imagem (ou seja, são não sobreponíveis), tal qual nossas mãos direita e esquerda. Tais isômeros são conhecidos como enantiômeros.

Exemplos de carbono quiral

Diversas são as estruturas orgânicas possíveis de apresentarem carbono quiral. A seguir são apresentados os carbonos quirais (marcados pelo asterisco) presentes em aminoácidos (alanina e fenilalanina) e na molécula do ibuprofeno, medicamento anti-inflamatório amplamente utilizado.

Exemplos de compostos com carbono quiral: alanina, fenilalanina e ibuprofeno.

Características do carbono quiral

O carbono quiral, estruturalmente, deve estar ligado a quatro átomos ou grupos completamente diferentes. Para que isso seja possível, ele deve possuir uma geometria tetraédrica (realizar apenas ligações simples) e, consequentemente, uma hibridização do tipo sp3.

A presença de carbonos quirais na molécula permite a geração de enantiômeros, que são isômeros espaciais que apresentam uma relação de objeto e imagem, ou seja, são moléculas de mesma fórmula molecular, mas não são sobreponíveis.

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Enantiômeros gerados a partir de carbono quiral.
Um carbono quiral dá origem a dois isômeros, os quais adotam uma relação de objeto e imagem (enantiômeros).

Os enantiômeros apresentam as mesmas propriedades físicas e químicas (em meios reacionais isentos de outras moléculas com carbonos quirais), contudo podem ser distinguidos pela rotação causada num plano de luz polarizada. Assim sendo, se um enantiômero desvia o plano da luz polarizada em 15° para a direita, o outro irá desviar o plano da luz polarizada em 15° para a esquerda.

Leia também: Isomeria óptica — um tipo de isomeria espacial

Como saber se é carbono quiral?

Basicamente, para se identificar um carbono quiral, devemos seguir apenas dois passos, os quais estão dispostos a seguir.

  • 1º passo: localize, na molécula, carbonos com hibridização sp3.
  • 2º passo: examine os átomos ou grupos atômicos que estão diretamente ligados a esses carbonos. Para que seja quiral, eles devem ser totalmente diferentes.

No exemplo a seguir, o carbono destacado é quiral. Os demais carbonos, apesar de também serem carbonos com hibridização sp3, não são quirais, uma vez que apresentam pelo menos dois átomos de hidrogênio ligados a eles, o que quebra a quiralidade do carbono. Já o carbono destacado está ligado a quatro grupos distintos: um átomo de hidrogênio, um grupo hidroxila, um grupo metil e um grupo etil.

Mais exemplos de carbonos quirais e seus quatro grupos distintos.

Carbono quiral de cadeia fechada

Devendo apenas apresentar geometria tetraédrica, também é possível que existam carbonos quirais em cadeias fechadas. Contudo, a análise é um pouco distinta. Vejamos os dois exemplos a seguir.

No primeiro exemplo, temos uma cadeia de metilciclopentano.

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Metilciclopentano

Analisemos se o carbono destacado (o com número 1) é quiral. De fato, apresenta hibridização sp3, mas vejamos se o grupo metil ligado a ele é capaz de torná-lo quiral. Para isso, devemos lembrar que uma cadeia carbônica fechada pode, a partir de um carbono da cadeia, ser analisada em sentido horário ou anti-horário. Se o caminho tomado for o mesmo tanto no sentido horário quanto anti-horário, então o carbono não é quiral.

Isso é o que acontece com o carbono assinalado com número 1 no exemplo anterior. A partir dele, tomando-se o caminho horário, passamos por quatro grupos CH2 (-CH2-CH2-CH2-CH2-) em sequência até chegar ao carbono de número 1 novamente. Tomando-se o caminho anti-horário, a sequência de quatro grupos CH2 se repete até chegar ao carbono de número 1 novamente. Assim sendo, o caminho tomado é o mesmo em ambos os sentidos e, portanto, o carbono de número 1 não é quiral.

Outra maneira de se observar a quiralidade ou não de um carbono em uma cadeia fechada é por meio de um método em que se traça uma linha que passe pelo suposto carbono quiral e o centro da cadeia fechada ao mesmo tempo, como demonstrado a seguir.

Linha passando por carbono e pelo centro da cadeia carbônica fechada.

Repare que a linha tracejada divide o anel de cinco carbonos em duas metades idênticas. Como essas metades são idênticas, então o carbono assinalado com o número 1 não é quiral.

Agora analisemos um segundo exemplo, que se trata do composto 2-metilciclopentan-1-ol. O carbono a ser avaliado como quiral foi, novamente, marcado com o número 1.

2-metilciclopentan-1-ol

Repare que ao se tomar, a partir do carbono assinalado com o número 1, o caminho horário, teremos o seguinte: -CHOH-CH2-CH2-CH2-. Já quando tomamos o caminho anti-horário, o caminho descrito a partir do carbono assinalado com o número 1 é -CH2-CH2-CH2-CHOH-. Assim, é possível perceber que os caminhos são diferentes e, dessa forma, concluímos que o carbono assinalado com o número 1 é quiral.

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Pelo outro método, a partir da linha que passa pelo suposto carbono quiral e o centro da cadeia fechada, também conseguimos observar a quiralidade desse carbono, já que as metades obtidas são distintas (uma possui o grupo hidroxila, enquanto a outra metade não).

Linha passando por carbono quiral e pelo centro da cadeia carbônica fechada.

Com base no que foi descrito, também é possível perceber que o carbono ligado ao grupo hidroxila também é quiral.

Carbono quiral tem ligação dupla?

O carbono quiral não pode apresentar ligação dupla. Como foi dito anteriormente, é necessário que ele tenha hibridização sp3 e esteja ligado a quatro grupos completamente diferentes. Os carbonos com ligação dupla apresentam hibridização sp2, uma geometria plana.

Ao adotarem essa geometria, não é possível que as moléculas formadas sejam enantiômeros, ou seja, compostos que apresentam relação de objeto e imagem (não são sobreponíveis).

Diferenças entre carbono quiral e aquiral

Os carbonos aquirais são aqueles que não contemplam as condições para serem quirais. Vale lembrar que para ser um carbono quiral, o carbono deve:

  • apresentar hibridização sp3 e;
  • estar ligado a quatro grupos distintos.

Assim sendo, caso um dos critérios não seja obedecido, o carbono será considerado como aquiral. No exemplo a seguir é possível perceber melhor essa distinção.

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Exemplo de carbono aquiral e quiral

Repare que apenas o carbono assinalado com o número 3 é quiral, pois atende aos dois critérios necessários para ser quiral. Os carbonos assinalados com os números 1 e 2 não podem ser quirais, uma vez que apresentam hibridização sp2 (uma ligação dupla). Já os carbonos assinalados com os números 4, 5 e 6 são aquirais, pois apresentam ligações com grupos iguais. No caso do carbono com o número 4, ele se liga a dois grupos metil, enquanto os outros dois (5 e 6), ligam-se com três átomos de hidrogênio.

Leia também: Quais são os tipos de isomeria?

Exercícios resolvidos sobre carbono quiral

Questão 1. (UFG – Vespertino/2025.2) Os feromônios são substâncias que promovem a comunicação química entre os insetos. Existem diversos tipos, como os feromônios sexuais, de agregação, de alarme, entre outros. Nessa comunicação, a estrutura química e o arranjo espacial dos átomos têm papel fundamental. Três exemplos de feromônios de insetos são representados a seguir.

Estruturas de compostos para que se encontrem carbonos quirais.

Nas estruturas dos feromônios A, B e C, o número de estereocentros (carbonos quirais) respectivamente é:

  1. 5, 2 e 1.
  2. 4, 1 e 3.
  3. 4, 1 e 2.
  4. 5, 2 e 2
  5. 3, 2 e 3.

Resposta: Letra C.

A imagem a seguir aponta, com um asterisco, os carbonos quirais dos feromônios A, B e C.

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Carbonos quirais de compostos.

Questão 2. (Unesc 2025.1) Na química orgânica, a configuração espacial dos átomos em uma molécula pode influenciar suas propriedades e reações. Um aspecto importante nesse contexto é o carbono quiral, que desempenha um papel crucial na formação de isômeros ópticos.

Observe a estrutura química do composto orgânico abaixo.

Estrutura de composto orgânico para encontrar carbono quiral.

Quantos carbonos quirais esse composto orgânico apresenta?

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5

Resposta: Letra B.

Os carbonos quirais do composto orgânico estão marcados por um asterisco na imagem a seguir.

Carbonos quirais de composto de questão.

Fontes:

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SOLOMONS, T. W. G.; FRYHLE, C. B.; SNYDER, S. A. Química Orgânica: volumes 1 e 2. 12. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2018.

BRUICE, P. Y. Organic Chemistry. 8. ed. Upper Saddle River, Nova Jersey: Pearson Education Inc., 2015.

INTERNATIONAL UNION OF PURE AND APPLIED CHEMISTRY – IUPAC. GoldBook – Compendium of Chemical Terminology. Disponível em: < https://goldbook.iupac.org/>. Acesso em 13 jul. 2024.

Escritor do artigo
Escrito por: Stéfano Araújo Novais Stéfano Araújo Novais, além de pai da Celina, é também professor de Química da rede privada de ensino do Rio de Janeiro. É bacharel em Química Industrial pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e mestre em Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Deseja fazer uma citação?
NOVAIS, Stéfano Araújo. "Carbono quiral ou assimétrico"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/quimica/carbono-assimetrico-ou-quiral.htm. Acesso em 01 de abril de 2026.
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Lista de exercícios


Exercício 1

(Unifor – CE) A molécula de anfetamina

Fórmula estrutural da anfetamina
Fórmula estrutural da anfetamina

apresenta isomeria óptica, possuindo, portanto, um carbono com quatro diferentes substituintes. Na anfetamina, esse átomo de carbono está representado pelo:

a) C1 b)C6 c)C7 d)C8 e)C9

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Exercício 2

(PUC-MG) O composto abaixo que se apresenta como molécula quiral é:

a) CH3COCOOH
b) CH3OCH2COOH
c) HOCH2COOH
d) CH3CHOHCOOH
e)CHOCOOH

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Exercício 3

Dos compostos representados abaixo, determine quais deles apresentam um carbono assimétrico ou quiral:

a) 3-cloropentano
b) 2-bromobutano
c) 3-metil-hexano
d) 2-metilpropano
e) 2-cloropentano

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Exercício 4

A dietilpropiona mostrada abaixo é uma das substâncias presentes em drogas psicoestimulantes:

Fórmula estrutural da dietilpropiona
Fórmula estrutural da dietilpropiona

Assinale a alternativa em que está circulado o átomo de carbono quiral da dietilpropiona:

Exercício sobre carbono quiral
Exercício sobre carbono quiral

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