Transição para ensino médio possibilita desenvolvimento de habilidades para toda a vida, explica especialista
Transição para ensino médio possibilita desenvolvimento de habilidades para toda a vida, explica especialista
Katia Chedid aponta que escolas e famílias devem trabalhar em parceria para que adolescentes se sintam seguros durante adaptação no ensino médio.
Em 18/06/2026 11h22
, atualizado em 18/06/2026 11h22
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Pesquisa realizada pela universidade australiana Adelaide University e publicada noJournal of Child Psychology and Psychiatry aponta o declínio do bem-estar socioemocional de adolescentes na transição entre o ensino fundamental e ensino médio.
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Enquanto sentimentos como felicidade, otimismo, perseverança e até mesmo regulação emocional sofrem de forma negativa durante o período da vida escolar, foi documentado o aumento de emoções negativas, como tristeza e preocupação.
A pesquisa ainda indica que esses impactos negativos têm repercussão durante os dois anos seguintes dos estudantes. Além disso, também é documentado que meninas e estudantes de áreas periféricas experienciam esse declínio ainda maior que meninos e estudantes de centros urbanos.
A especialista em neurociência e educação e líder do departamento de Governança Educacional da Fundação Bradesco, Katia Chedid, destaca que essa etapa do desenvolvimento de adolescentes é marcada por profundas transformações cerebrais, emocionais e sociais.
É um momento em que o adolescente está construindo sua identidade, buscando autonomia e lidando com novas exigências acadêmicas, tudo ao mesmo tempo. A especialista ainda ressalta que é um momento em que "o córtex pré-frontal, região responsável pelo planejamento, organização, controle emocional e tomada de decisões, ainda está em desenvolvimento".
A transição do ensino fundamental para o ensino médio influencia em mais questões além do aumento da quantidade e complexidade dos conteúdos, os estudantes são expostos a novas rotinas, novos professores, além da pressão familiar e crescente preocupação com o futuro após a escola.
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Katia destaca a importância da presença da escola para oferecer um amparo não apenas acadêmico, mas também emocional. Ela exemplifica com a forma com que a Fundação Bradesco realiza o acolhimento.
Enquanto é feito um trabalho para que os estudantes desenvolvam autoconhecimento, propósito, planejamento e saibam como lidar com as demandas acadêmicas, outra equipe se dedica a temas relacionados à saúde mental, inclusão e proteção dos estudantes, fortalecendo uma rede de cuidado essencial nessa fase de transição.
Trabalhos voltados para o desenvolvimento socioemocional dos estudantes evidenciam que a vida escolar não está somente ligada ao desempenho acadêmico, de forma a mostrar aos adolescentes que seu valor não depende exclusivamente de notas e resultados.
Mesmo com os esforços da equipe escolar para auxiliar na transição, é preciso lembrar que a adaptação é individual de cada estudante e exige tempo. A especialista ressalta que é preciso estar atento a diferentes aspectos do comportamento dos adolescentes.
"É importante observar aspectos como qualidade do sono, alimentação, atividade física, equilíbrio entre estudo e lazer e manutenção de vínculos sociais saudáveis. A neurociência mostra que o sono adequado, por exemplo, é indispensável para a aprendizagem, a memória e a regulação emocional", aponta Katia.
Katia Chedid é especialista em neurociência e educação e líder do departamento de Governança Educacional da Fundação Bradesco.
Crédito: Divulgação
Formas de superar dificuldades na adaptação
É importante estar atento aos sinais que os estudantes apresentam de que não estão se adequando à adaptação. Para isso, professores, orientadores, famílias e equipes especializadas devem manter uma observação cuidadosa, já que, quanto antes as dificuldades forem identificadas, maiores as chances de oferecer o apoio necessário.
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Katia aponta alguns sinais a se estar atento:
Queda repentina no rendimento acadêmico;
Dificuldade persistente de organização e gestão do tempo;
Desmotivação intensa;
Isolamento social;
Irritabilidade frequente;
Alterações importantes no sono ou no apetite;
Ansiedade excessiva diante das demandas escolares;
Queixas físicas recorrentes sem causa médica aparente, como dores de cabeça ou dores abdominais.
Para auxiliar os adolescentes a superar possíveis dificuldades presentes nesse momento, a especialista destaca a importância da parceria entre escola e família. O trabalho deve funcionar de forma a criar um ambiente com segurança emocional que possibilite o desenvolvimento da autonomia.
Os estudantes podem lidar bem com o aumento das cobranças ao aprimorar habilidades como planejamento, organização, gestão de tempo, autorregulação e estratégias eficazes de aprendizagem. Katia lembra que a neurociência aponta que o aprendizado é mais efetivo em ambientes que transmitem segurança emocional.
"As escolas podem investir em programas de acolhimento, mentorias, orientação educacional, desenvolvimento socioemocional e espaços de escuta. As famílias, por sua vez, devem demonstrar interesse genuíno pela experiência do adolescente, valorizando o esforço e o processo de aprendizagem, e não apenas os resultados. O pertencimento e a qualidade das relações são fatores decisivos para o sucesso escolar".
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Competências desenvolvidas para toda a vida
Katia destaca que as competências desenvolvidas durante a transição para o ensino médio acompanharão o indivíduo ao longo de toda a vida. Por essa razão, quando dificuldades emocionais, acadêmicas ou sociais não recebem a atenção necessária, os impactos podem ser duradouros. Da mesma forma acontece quando o estudante recebe o apoio adequado.
Enquanto impactos negativos levam à baixa autoestima acadêmica, insegurança diante de desafios, dificuldades de organização, menor persistência e menor capacidade de lidar com frustrações, o apoio sólido nesse período da vida desenvolve habilidades como autonomia, autorregulação, resiliência, pensamento crítico e capacidade de adaptação.
Habilidades essas que auxiliam os adolescentes a lidar melhor com o ensino superior e, posteriormente, no mercado de trabalho. "Preparar para o futuro não significa apenas ensinar conteúdo. Significa desenvolver pessoas capazes de aprender continuamente, conviver com as diferenças, cuidar de si mesmas e enfrentar os desafios de um mundo em constante transformação", aponta a especialista.