Surto de hantavírus em cruzeiro: entenda o que é, como ocorre transmissão, sintomas e cenário no Brasil

O hantavírus causa a hantavirose e é transmitido por roedores infectados. No caso do surto em navio, OMS não descarta transmissão rara entre humanos.

Em 07/05/2026 08h57 , atualizado em 07/05/2026 12h28
Rato que pode transmitir hantavírus e tubo de sangue
Hantavírus chama a atenção por taxa alta de letalidade. Crédito da Imagem: Fotos - Shutterstock
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Um surto de hantavírus em cruzeiro foi relatado para a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta semana. A embarcação partiu do Ushuaia, Argentina, em 1º de abril, com itinerário pelo Atlântico Sul e total de 147 passageiros e tripulantes, de 23 países diferentes.

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Em balanço da OMS publicado dia 4 de maio, foram registrados sete casos de hantavírus entre as pessoas do navio, sendo três mortes confirmadas, um em estado crítico e três com sintomas leves. 

O começo dos sintomas entre as pessoas infectadas no cruzeiro ocorreu entre os dias 6 e de 28 de abril e foram caracterizados por febre, sintomas gastrointestinais, rápida progressão para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque.

Os casos seguem sendo investigados. Desde a última segunda (4), o navio foi ancorado na costa de Cabo Verde e, agora, segue rumo à ilha de Tenerife, nas Ilhas Canárias. 

Autoridades de Cabo Verde, Países Baixos, Espanha, África do Sul e Reino Unido estão envolvidos em medidas de gerenciamento do caso. 

O hantavírus causa a hantavirose, uma zoonose viral aguda, transmitida por meio de roedores infectados com o vírus. Após as três mortes no navio MV Hondius nos últimos dias, a OMS não descarta a possibilidade rara de transmissão entre humanos. 

Leia também: Entenda o que é a Mpox, sintomas e como ocorre a transmissão 

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O que é o hantavírus?

O hantavírus é um vírus zoonótico que infecta de forma natural roedores e podem ser transmitidos, ocasionalmente, a humanos. 

A infecção em pessoas pode causar doenças graves com um índice elevado de letalidade. Segundo a OMS, os sintomas e manifestações clínicas podem mudar conforme o tipo de vírus e localização geográfica. No Brasil, por exemplo, o vírus causa a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH).

A hantavirose é raramente transmitida entre humanos, mas essa transmissão pode acontecer por meio de gotículas de pacientes e um contato mais íntimo e persistente, afirma Moacyr Silva, infectologista do Einstein Hospital Israelita.

Hantavírus
Hantavírus é transmitido por meio de roedores infectados.
Crédito: Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) do Ministério da Saúde (MS).

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Como acontece a transmissão do hantavírus?

De acordo com o Ministério da Saúde, a infecção humana por hantavirose acontece de forma mais frequente por meio da inalação de aerossóis, formados a partir da urina, fezes e saliva de roedores 

  • Percutânea, por meio de escoriações cutâneas ou mordedura de roedores;

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  • Contato do vírus com mucosa (conjuntival, da boca ou do nariz), por meio de mãos contaminadas com excretas de roedores;

  • Transmissão pessoa a pessoa, relatada, de forma esporádica, na Argentina e Chile, sempre associada ao hantavírus Andes.

Vanessa Lentini da Costa Zarpellom, infectologia do Hospital Santa Marcelina, complementa que o vírus pode ser transmitido por meio de marsupiais e morcegos, que também são considerados reservatórios da doença.

Quanto ao período de incubação do vírus, isto é, prazo em que os primeiros sintomas começam a aparecer a partir da infecção, é, em média, de uma a cinco semanas (de 3 a 60 dias). 

Sintomas do hantavírus

Entre os sintomas do hantavírus, estão:

Fase inicial

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  • Febre;

  • Dor nas articulações;

  • Dor de cabeça;

  • Dor lombar;

  • Dor abdominal;

  • Sintomas gastrointestinais.

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Fase cardiopulmonar

  • Febre;

  • Dificuldade de respirar;

  • Respiração acelerada;

  • Aceleração dos batimentos cardíacos;

  • Tosse seca;

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  • Pressão baixa.

O Ministério da Saúde enfatiza que diversos fatores estão associados com o aumento no registro de casos de hantavirose, e estão relacionados ao aumento da população de roedores silvestres, como o desmatamento desordenado, expansão das cidades para áreas rurais e áreas de grande plantio, o que favorece a interação entre homens e roedores silvestres. 

Hantavírus no Brasil

Segundo dados da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SCSA) do Ministério da Saúde, no Brasil, foram registrados 2.377 casos de hantavirose entre 1993 e 2024. Do total de casos, houve 937 óbitos pela doença.

Entre o perfil da maioria dos casos confirmados no Brasil é constituído de pessoas das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, homens entre 20 a 39 anos. A taxa de letalidade média é de 46,5%, segundo o Ministério da Saúde.

Hantavírus no Brasil
Casos de hantavirose confirmados no Brasil.
Crédito: Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) do Ministério da Saúde (MS).

Leia: Saiba se o presunto é tão cancerígeno quanto o tabaco, após alerta da OMS

Qual o tratamento para hantavírus?

Segundo o Ministério da Saúde, não existe um tratametno específico para as infecções por hantavírus. Sendo uma doença aguda e de rápida evolução, a hantavirose deve ser notificada de forma imediata para as Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde e autoridades federais.

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Em casos mais graves, o paciente acometido por hantavirose pode precisar de ser atendido por meio de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e até de realizar o procedimento de hemodiálise, afirma a médica Vanessa Lentini. 

Vanessa Lentini
Vanessa Lentini, infectologista do Hospital Santa Marcelina.
​​​​Crédito: Divulgação.

É fundamental que os profissionais que tratam os pacientes com hantavirose utilizem corretamente os equipamentos de proteção individual como máscara pff3, luva, avental e óculos de proteção. O MS alerta aos trabalhadores que apresentarem febre ou qualquer doença respiratória em um período de até 60 dias após uma possível exposição ou situação de risco devem buscar, de forma imediata, assitência médica.

Atividades de risco associadas a casos de hantavírus no Brasil

Conforme material do Ministério da Saúde, entre as atividades de risco associadas a casos confirmados de hantavirose no Brasil, a exposição e/ou limpeza de casas fechadas, galpões (principalmente em áreas rurais) está relacionada a 54% das pessoas que tiveram hantavirose no país.

Veja a relação das atividades de riscos de casos confirmados de hantavírus no Brasil:

  • Exposição e/ou limpeza de casas fechadas, galpões (principalmente em áreas rurais): 54%

  • Desmatamento, aragem de terra, plantio agrícola: 48%

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  • Teve contato com roedores silvestres vivos ou mortos: 46%

  • Moagem e/ou armazenamento de grãos: 36%

  • Pescou, caçou e/ou realizou turismo ecológico: 22%

  • Dormiu e/ou descansou em barracas, galpões (principalmente em áreas rurais): 20%

Atividades de risco associadas a casos confirmados de hantavírus
Atividades de risco associadas a casos confirmados de hantavírus.
Crédito: Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) do Ministério da Saúde (MS).

Veja também: Médicos respondem às principais dúviodas sobre a Cicada (BA.3.2).

 

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Por Lucas Afonso 
Jornalista