Outubro Rosa: saiba como receber tratamento do câncer de mama pelo SUS

Especialistas explicam como identificar mudanças que possam ser sintomas do câncer de mama e como seguir com o tratamento.

Em 21/10/2026 08h52 , atualizado em 21/10/2026 08h52
Foto de mulher com a cabeça raspada olhando para baixo, onde segura um laço rosa na altura dos seios.
A camapanha do Outubro Rosa se tornou regular no Brasil a partir de 2008. Crédito da Imagem: Worawee Meepian's Images via Canva
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Conhecida como Outubro Rosa, a campanha de conscientização do câncer de mama se estabeleceu no Brasil ainda no começo da década de 2000. A iniciativa se tornou regular na sociedade brasileira a partir de 2008, mas só foi formalizada em 2018, pela Lei nº 13.733.

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O símbolo da campanha do Outubro Rosa, um laço rosa, foi estabelecido pela Fundação Susan G. Komen for the Cure, ao distribuir o laço para participantes da primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova Iorque, nos Estados Unidos, em 1990.

O oncologista do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, dr. Ricardo Caponero explica que, nas fases iniciais, o câncer de mama costuma ser silencioso e somente visível em exames de rastreamento, como a mamografia.

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Mulher segurando o laço rosa do outubro rosa
O laço rosa é o símbolo do Outubro Rosa.
Crédito: Anna Tarazevich/Pexels

Primeiros sintomas do câncer de mama

Dr. Ricardo aponta os sinais mais frequentes quando o câncer já manifesta sintomas clínicos:

  • Nódulo palpável: um caroço no tecido mamário, geralmente endurecido, fixo e, na maioria das vezes, indolor (embora possa causar dor em alguns casos).

  • Alterações na pele da mama: retração cutânea, áreas endurecidas, vermelhidão ou aspecto de "casca de laranja" (edema com poros dilatados).

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  • Mudanças no mamilo: inversão recente (mamilo puxado para dentro), dor, descamação ou feridas na aréola que não cicatrizam.

  • Secreção papilar anormal: saída espontânea de líquido claro ("água de rocha") ou sanguinolento por um único ducto em uma das mamas, sem necessidade de compressão.

  • Nódulos axilares ou no pescoço: linfonodos palpáveis aumentados na região da axila ou logo acima da clavícula.

  • Assimetria súbita: modificação perceptível no formato, consistência ou volume de uma das mamas.

Apesar disso, o médico ressalta que qualquer alteração nova exige avaliação médica imediata.

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Diagnóstico do câncer de mama

Após perceber alterações no autoexame, a paciente precisa passar por avaliação médica de um mastologista, ginecologista ou médico de família. Segundo o Dr. Ricardo, "o autoexame serve para autoconhecimento, mas não substitui a avaliação clínica detalhada".

O médico ainda explica que, durante a consulta, o especialista fará a palpação das mamas, axilas e fossas claviculares para avaliar localização, tamanho, consistência e mobilidade da alteração, além de solicitar exames como: 

  • Mamografia diagnóstica: avalia microcalcificações suspeitas, densidade e assimetrias focais.

  • Ultrassonografia mamária: essencial para diferenciar lesões sólidas de cistos líquidos e examinar mamas densas ou pacientes jovens.

  • Ressonância magnética das mamas: indicada em situações específicas (mamas densas, planejamento cirúrgico complexo ou alto risco genético).

  • Biópsia (se houver suspeita): caso os exames indiquem uma lesão classificada como BI-RADS 4 ou 5, realiza-se uma biópsia (geralmente por agulha grossa, core biopsy, ou mamotomia). O material é enviado para análise anatomopatológica e estudo imuno-histoquímico, que confirmam se há malignidade e identificam as características biológicas exatas do tumor.

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Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o diagnóstico começa pela Atenção Primária à Saúde (APS), Lígia da Fonseca Bernardes, coordenadora-geral dos Ciclos de Vida e Violências, explica que essa é a porta de entrada para o cuidado.

A paciente chega à Unidade Básica de Saúde (UBS) por meio de rastreamento ou por apresentar sintomas como nódulo, alteração da pele ou mamilo, secreção papilar ou alteração percebida durante o exame clínico. Então são registradas as solicitações e acompanhamento dos exames de investigação, como a mamografia.

Esses registros são feitos utilizando o SISCAN, o Sistema de Informação do Câncer, Lígia explica que esse sistema permite "registrar e acompanhar informações relacionadas ao rastreamento, investigação e diagnóstico dos cânceres de mama e do colo do útero".

Mulheres que apresentam alterações na mamografia seguem para investigação complementar, em que podem ser realizadas ultrassonografias e, quando indicado, biópsia. A confirmação do diagnóstico é feita pelo exame anatomopatológico.

Tratamento do câncer de mama

Após a confirmação do diagnóstico de câncer de mama, Lígia explica que a paciente do SUS é encaminhada para a Atenção Especializada, conforme a referência regional estabelecida pelo município e pela rede estadual. Tratamentos oncológicos são realizados, preferencialmente, em unidades habilitadas, como:

  • UNACON – Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia; ou

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  • CACON – Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia.

É válido lembrar que a Atenção Primária continua acompanhando a paciente durante o tratamento especializado.

Dr. Ricardo aponta que o tratamento deve ser desenvolvido a partir do "estadiamento (extensão e tamanho do tumor) e do perfil molecular (receptores hormonais de estrogênio/progesterona, superexpressão de HER2 e taxa de proliferação celular)". Logo vai depender do diagnóstico de cada paciente.

Mulher sorrindo com camiseta que simula uma mastectomia
O tratamento do câncer de mama pode ser local ou sistêmico.
Crédito: cottonbro studio/Prexels.

O médico ainda acrescenta que o tratamento pode ser local ou sistêmico:

Tratamentos locais

Cirurgia:

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  • Conservadora (setorectomia ou quadrantectomia): retirada apenas do tumor com margens de segurança livres de células doentes, preservando a maior parte da mama.

  • Mastectomia: remoção completa da glândula mamária, com opção de reconstrução imediata ou tardia (por prótese de silicone ou tecidos do próprio corpo).

  • Avaliação axilar: pesquisa do linfonodo sentinela (o primeiro gânglio a drenar a mama) para evitar o esvaziamento axilar desnecessário.

  • Radioterapia: aplicação de radiação na mama operada ou na parede torácica para eliminar células microscópicas residuais e diminuir as taxas de retorno local da doença.

Tratamentos sistêmicos

  • Quimioterapia: medicamentos que destroem células de rápida divisão, administrados antes da cirurgia (neoadjuvante, para reduzir o tumor) ou após a cirurgia (adjuvante, para erradicar micrometástases).

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  • Hormonioterapia (bloqueio endócrino): comprimidos diários (como tamoxifeno ou inibidores de aromatase) usados por 5 a 10 anos em tumores que respondem a hormônios femininos (receptores de estrogênio/progesterona positivos).

  • Terapia-alvo biológica: medicamentos específicos para bloquear a proteína HER2 em tumores HER2-positivos.

  • Imunoterapia: estimula o próprio sistema imunológico do corpo a combater o tumor, indicada principalmente em casos de câncer triplo-negativo de alto risco ou avançado.

A HER2 é uma proteína que auxilia no crescimento das células do câncer de mama. Células cancerígenas que apresentam altos níveis dessa proteína são denominadas HER2 positivo. Esses tipos de tumores tendem a crescer e se disseminar com mais rapidez que os tumores HER2 negativos, que são mais propensos a responderem bem ao tratamento com medicamentos específicos.

Pelo SUS, a paciente terá acesso ao tratamento pelo serviço especializado habilitado, com garantia de acesso ao acompanhamento multiprofissional necessário, que pode envolver enfermagem, psicologia, nutrição, fisioterapia, serviço social, farmácia, entre outros profissionais.

Lígia ainda aponta que, em Goiás, "a Linha de Cuidado do Câncer de Mama – Goiás Todo Rosa organiza justamente esses diferentes fluxos assistenciais, incluindo o itinerário da mulher rastreada, da paciente com alta suspeição e da paciente elegível para o painel genético".

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Entenda a função de proteínas no corpo humano.

Pós-tratamento de câncer de mama

Lígia Bernardes reforça que o fim do tratamento do câncer de mama não significa a alta do acompanhamento, a mulher continua vinculada à rede de saúde para que realize:

  • acompanhamento clínico;

  • vigilância de recorrência;

  • acompanhamento de possíveis efeitos tardios do tratamento;

  • avaliação de sintomas físicos e psicológicos;

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  • realização dos exames indicados;

  • adesão à hormonioterapia, quando prescrita;

  • avaliação de necessidade de acompanhamento genético;

  • reabilitação e cuidados multiprofissionais.

A Linha de Cuidado do Ministério da Saúde define que, nos primeiros cinco anos, o acompanhamento aconteça em  ambulatórios especializados, compartilhado com a Atenção Primária. Segundo a coordenadora-geral dos Ciclos de Vida e Violências, "após esse período, o seguimento pode ser progressivamente realizado pela APS, conforme o risco e as condições clínicas da paciente".

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Por Jade Vieira
Jornalista