"O Agente Secreto" conquista dois prêmios no Globo de Ouro 2026
"O Agente Secreto" conquista dois prêmios no Globo de Ouro 2026
Especialistas explicam como produções culturais podem ser usadas para preservação da memória histórica.
Em 12/01/2026 12h57
, atualizado em 12/01/2026 13h43
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Neste domingo, 11 de janeiro, aconteceu a premiação do Globo do Ouro 2026. O evento aconteceu em Los Angeles, nos Estados Unidos, e premiou produções do cinema, séries de televisão, comediantes e, pela primeira vez, podcast.
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Foram anunciados 28 prêmios, a produção brasileira "O Agente Secreto", dirigido por Kleber Mendonça Filho, ganhou duas das três categorias às quais foi indicado. Wagner Moura, protagonista do longa, recebeu o prêmio de "Melhor Ator em Cinema - Drama" e o filme ganhou a categoria de "Melhor Filme em Língua Não-Inglesa".
Esse marca o segundo ano consecutivo que uma produção brasileira é vencedor na premiação, ano passado Fernanda Torres venceu a categoria de "Melhor Atriz em Cinema - Drama", por sua atuação em "Ainda Estou Aqui". Antes o último filme brasileiro a ser premiado havia sido "Central do Brasil", que ganhou na categoria de "Melhor Filme em Língua Não-Inglesa", em 1999.
Os prêmios na edição deste ano do Globo de Ouro é um marco não somente por reconhecer a qualidade das produções brasileiras, mas também o local que o Brasil tem conquistado em discussões globais sobre cinema e cultura. Para a professora de história, Sarah Granda, esse reconhecimento funciona como uma forma de "vitrine" para produções brasileiras.
Sarah Granda e Gianpaolo Dorigo, respectivamente.
Crédito: Divulgação.
O Agente Secreto
O filme de Kleber Mendonça Filho conta a história de Marcelo (interpretado por Wagner Moura) um professor especializado em tecnologia, que se muda para Recife em busca de paz e fugindo de seu passado violento e misterioso, no entanto não é isso que encontra na cidade. A narrativa de "O Agente Secreto" acontece durante a ditadura militar e retrata questões da História do Brasil que permanecem relevantes até hoje.
Gianpaolo Dorigo, professor de História do Curso Anglo, conta que o filme também aborda assuntos como violência policial e o funcionamento da máquina estatal burocrática, que muitas vezes é submetida a interesses privados. "O financiamento do ensino público, sobretudo no que se refere à produção de conhecimento científico; as transformações do espaço urbano, com o apagamento de lugares de memória", são outros pontos citados pelo professor.
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Assim como "Ainda Estou Aqui", "O Agente Secreto" retrata um período da história brasileira que deixou marcas profundas na sociedade e traumas transmitidos de geração para geração, como destaca Moura em seu discurso. O ator também enfatizou que o longa é sobre memória e a falta de memória sobre a ditadura. Sarah Granda destaca que é para preservação da memória histórica e dos impactos do autoritarismo que obras sobre esse período são necessárias.
"Por meio dessas produções, é possível rememorar a história de forma com que a sociedade tenha uma compreensão mais ampla do ocorrido naquele período. A ditadura militar no Brasil, durou entre 1964 a 1985, e deixou marcas profundas na sociedade e nas próximas gerações. Por conta disso, as produções culturais, tanto literárias, quanto cinematográficas têm o poder de mostrar os horrores vivenciados neste período."
Sarah Granda
Gianpaolo aponta que a tentativa do apagamento e reconstrução do passado é utilizado como prática política, "em outras palavras: a mentira enquanto ferramenta do poder". Assim, além da preservação da memória, produções culturais sobre essa época são capazes de ampliar o acesso da população à história, combatendo a falsificação e promovendo o debate acerca da ditadura.