"Ainda posso fazer a diferença na vida das pessoas", afirma mineira que, aos 66 anos, cursa Psicologia
"Ainda posso fazer a diferença na vida das pessoas", afirma mineira que, aos 66 anos, cursa Psicologia
Maria Augusta havia interrompido os estudos na década de 80, mas o sonho de cursar Psicologia permaneceu intacto
Em 09/09/2026 07h00
, atualizado em 09/09/2026 07h00
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Natural de Sacramento (MG), Maria Augusta Lima cresceu no Triângulo Mineiro após se mudar com a família para Uberaba. Embora com momentos de brincadeiras e leveza, sua infância não foi fácil.
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Os irmãos começaram a trabalhar novos, por volta dos 14 anos. Sua mãe convivia com questões de saúde que demandavam cuidados, como a diabetes e depressão. Seu pai atuava na área da construção civil como carpinteiro.
Na década de 80, a mineira começou a trabalhar como balconista em uma ótica. Vendeu bordados e crochês em feiras hippies da cidade e também em Ribeirão Preto (SP).
Logo se mudou para o interior paulista, onde começou a trabalhar como frentista e se tornou supervisora de um posto de gasolina. Casou-se no final da década e adotou dois filhos.
Neste período, ingressou no curso superior de Psicologia, mas teve que interromper os estudos por diversos motivos.
Maria Augusta lembra que o desejo de estudar e se formar na área da psicologia surgiu ao ver a condição da sua mãe e dos pacientes internados quando ia visitá-la.
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Retorno às salas de aulas
Em 2001, Maria Augusta voltou a morar em Uberaba para ajudar na criação dos quatro filhos de um dos seus irmãos, que faleceu em um acidente de carro.
Junto com seu marido, abriu uma empresa de locação e manutenção de empilhadeiras, que ainda está ativa no mercado.
No entanto, em meio às mudanças e ao passar do tempo, o desejo de fazer Psicologia permaneceu intacto.
"Passei décadas pensando em voltar. Eu penso que ainda posso fazer a diferença na vida das pessoas e acredito que não precisamos ficar estagnados na velhice. Em um ritmo diferente, dá para seguir com novos projetos"
Maria Augusta
Maria Augusta Lima acredita que pode fazer a diferença na vida de outras pessoas e que terceira idade não é sinônimo de estagnação.
Crédito: Divulgação / Marketing
Aos 66 anos, de volta às salas de aula, está no nono período do curso de Psicologia da Universidade de Uberaba (Uniube). Inclusive, já deu início ao desenvolvimento da produção do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
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O retorno para os estudos, sendo uma pessoa 60+, lhe causou um misto de alegria e receio de, mais uma vez, não conseguir concluir o curso, agora, por falta de domínio das ferramentas tecnológicas utilizadas na formação.
Seu trabalho de conclusão tem como tema "Fim da vida e cuidados paliativos".
"Achamos um tema necessário para ser abordado e, principalmente, para desmistificar o assunto. Temos que pensar na morte para viver melhor, inclusive as nossas relações. Pensar na finitude é um processo que pode enriquecer e transformar nosso jeito de viver o hoje"
Maria Augusta
Futuro
A volta à universidade foi algo transformador na vida de Maria Augusta, compartilha a estudante. A sensação é de felicidade e gratidão pela nova oportunidade de cursar a graduação que sempre quis. Outro ponto destacado é que a rotina acadêmica lhe trouxe um novo ritmo para seu dia a dia.
“Só como acadêmica já transformei minha vida com o cuidado da saúde física e mental e com a possibilidade de vários projetos, além de um novo propósito de vida. Mesmo deitando tarde por causa das aulas à noite, levanto cedo e vou às 6h para a academia fortalecer minhas pernas para continuar bem de saúde e poder realizar meus projetos futuros.”
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Após concluir sua faculdade, Maria Augusta pretende exercer a profissão em atendimentos clínicos, seguindo a abordagem humanista.
Ela pretende direcionar sua atuação profissional no acolhimento da população idosa, com o objetivo de ajudar as pessoas da terceira idade a lidar com essa fase da vida, tendo como base a própria experiência de envelhecimento.
Segundo Maria Augusta, retornar aos estudos é uma oportunidade não só para interagir com colegas de diferentes faixas etárias, mas também para aprender mais e trocar experiências.
"Estar aberto para aprender coisas novas, eu diria, nos mantém cheios de vida. Também penso que a nossa história de vida e os nossos aprendizados podem contribuir de alguma forma com a sociedade", completa.