Goiano cria o primeiro chocolate zero gordura do mundo e é selecionado em programa da Unesco
Goiano cria o primeiro chocolate zero gordura do mundo e é selecionado em programa da Unesco
O engenheiro químico Gustavo Rocha desenvolveu o primeiro chocolate sem gordura do mundo por meio de startup criada dentro de uma universidade pública
Em 27/02/2026 17h33
, atualizado em 27/02/2026 17h47
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O primeiro chocolate zero gordura do mundo foi desenvolvido pelo goiano Gustavo Rocha. Ele é o fundador da Nutricandies, startup que faz parte do Centro de Empreendedorismo e Incubação (CEI) da Universidade Federal de Goiás (UFG).
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Gustavo é formado em Engenharia Química e atualmente está no Programa de Doutorado de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Escola de Agronomia da UFG.
Recentemente, o projeto do chocolate sem gordura foi selecionado para o Youth Impact: Because You Matter, um programa global da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A iniciativa da instituição apoia trabalhos liderados por jovens que contam com soluções inovadoras para desafios sociais e ambientais.
O Brasil Escola conversou com Gustavo, que compartilha sobre sua trajetória acadêmica, a participação no programa da Unesco e o chocolate pioneiro sem gordura.
O primeiro chocolate zero gordura do mundo foi desenvolvido pelo engenheiro químico, criador da startup Nutricandies, Gustavo Rocha.
O produto é fabricado com mel natural de cacau. Entre os ingredientes estão também a fibra de maçã e o cacau em pó desengordurado.
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Benefícios do chocolate zero gordura feito com mel de cacau
✅ Rico em antioxidantes, vitamina B3, potássio e fósforo.
✅ Sem aditivos artificiais
O Chocolate Mel de Cacau, zero gordura, apresenta apenas 37 kcal por porção.
Crédito: Namie Yoshioka.
Programa da Unesco
O programa Youth Impact: Because You Matter da Unesco oferece mentoria especializada, capacitação e suporte financeiro para os jovens contemplados.
Segundo Gustavo, o processo de seleção foi longo e contou com várias etapas. Os projetos inscritos foram analisados por especialistas da Unesco e da Nestlé, parceira da iniciativa.
O jovem enfatizou a alegria que é representar o Brasil neste programa que conta com "tantas iniciativas da juventude de impacto socioambiental para alimentação e meio ambiente".
Ao todo, serão de seis a oito meses de duração do programa que começou em novembro do ano passado. Cada projeto recebeu um valor de quase US$ 10 mil para a execução das atividades.
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Gustavo deve viajar para a cúpula da Nestlé, na França, para a apresentação do projeto. O evento contará com especialistas e players do setor, que "poderão dar continuidade no apoio da iniciativa, após a aceleração", pontua.
Trajetória acadêmica
Gustavo se formou em Engenharia Química na UFG, fez mestrado e está no doutorado em Ciência e Tecnologia de Alimentos, também na instituição goiana.
Seu interesse pela pesquisa científica começou ainda no curso técnico de Química feito no Instituto Federal de Goiás (IFG). Desde o ensino médio, participou de projetos de iniciação científica e atividades acadêmicas que envolviam sustentabilidade, química e desenvolvimento de alimentos.
Na graduação, o goiano pesquisou sobre os aditivos botânicos para a fabricação de chocolates, com o objetivo de torná-los mais saudáveis.
Em seu mestrado, Gustavo estudou sobre os subprodutos da cadeia do cacau, com ênfase no mel de cacau, um subproduto adocicado e nutritivo. O engenheiro químico explica que este mel escorre da polpa do fruto e que também investigou sobre uma nova possibilidade de utilizá-lo como um adoçante para fabricação de alimentos.
Gustavo Rocha e Jéssica Miranda, pesquisadora de mestrado e bolsista da Nutricandies.
Crédito: Namie Yoshioka.
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Empreendedorismo, ciência e universidade
A Nutricandies é uma empresa que surgiu em 2014 como uma pesquisa científica dentro do curso técnico em Química do IFG. O estudo inicial se baseava no desenvolvimento de um chocolate nutritivo enriquecido à base de vegetais para atender à alimentação infantil de crianças que não sofriam de fome invisível.
Gustavo explica que esse é um fenômeno que afeta aquelas pessoas que têm acesso à alimentação, mas possuem déficit de nutrientes essenciais. Com isso, a solução para o problema foi pensada por meio da observação da alimentação de sua irmã mais nova, que na época sofria com esta questão, relata.
Os primeiros passos para que o projeto se tornasse um negócio aconteceram ainda no IFG após uma competição de empreendedorismo. A consolidação aconteceu na UFG, por meio da Olimpíada de Empreendedorismo Universitário promovida pelo Centro de Empreendedorismo e Incubação da universidade.
"A universidade pública é fundamental para transformar conhecimento científico em inovação com impacto real na sociedade. Em projetos como o da Nutricandies, ela possibilita que a pesquisa saia do laboratório e alcance pessoas e cadeias produtivas, oferecendo autonomia, infraestrutura e um ecossistema que favorece soluções com impacto científico, social e econômico."
Gustavo Rocha
A marca transforma subprodutos em alimentos regenerativos. Além do chocolate mel de cacau, o zero gordura, a empresa também produz adoçantes à base de cacau, pasta de coco, chocolates derivados de vegetais (como beterraba, cenoura, couve e rúcula).
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Atualmente, o projeto conta com estudos científicos em andamento sobre os demais subprodutos da cadeia do cacau e novos alimentos, como kombucha, chás e produtos de confeitaria.
Gustavo afirma que o foco da marca é consolidar a presença do carro-chefe no mercado nacional, o Chocolate Mel de Cacau. Para ele, esse avanço será importante para expandir o desenvolvimento de novos alimentos a partir do mel de cacau e ampliar o impacto social, econômico e ambiental da solução.
Além do apoio do CEI-UFG, a Nutricandies recebe apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG), por meio do projeto Trilhas da Inovação.