Goiana é a primeira aprovada em cota quilombola do Brasil em concurso para diplomata
Goiana é a primeira aprovada em cota quilombola do Brasil em concurso para diplomata
Helen Borgens é da comunidade quilombola do Retiro e se formou em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás (UFG)
Em 16/10/2026 14h27
, atualizado em 16/10/2026 14h36
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Natural de Goiás, Helen Jaine Gomes Borgens se tornou a primeira do Brasil a ser aprovada pela cota para quilombola no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD).
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Considerado um dos processos seletivos mais disputados do país, o CACD é um concurso público que seleciona novos diplomatas brasileiros. O exame é realizado pelo Instituto Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty).
Helen nasceu em Goiânia (GO) e realizou seus estudos no Colégio Estadual Elvira Leão Barreto, na cidade de Simolândia (GO). A comunidade quilombola a que pertence é a do Retiro, integrante da Associação de Comunidades Quilombolas Castelo, Retiro e Três Rios.
Em sua infância, frequentava a fazenda onde morava uma parte de seus familiares. Em entrevista à reportagem publicada por Pedro Jubran, do Jornal UFG, Helen relata detalhes dessa fase de sua vida.
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"Meu crescimento ali foi de muita diversão e de construir uma relação bem íntima com o local, porque a gente ia para brincar, conhecer a mata, o rio. Temos um lugar que é o nosso favorito, a vereda, um córrego que, todas as vezes que estamos na fazenda, nós vamos. Foi uma infância muito boa, de bastante conexão com aquela terra, com a natureza e com tudo ao redor, com minha família, que mora toda ali junto."
Helen Borgens
Helen e familiares na zona rural de sua comunidade.
Crédito: Reprodução | Instagram @sitemundonegro.
A avó Brasilina Duques Borges, conhecida como Miúda,foi sua maior inspiração nos estudos. Dona Miúda fez de tudo para que os filhos se formassem. "Eu estudo por ela também".
Quando estava no cursinho pré-vestibular, em 2017, Helen recebeu seu primeiro incentivo para a carreira diplomática de seu professor João Daniel. No entanto, ainda via a profissão como algo distante.
Na graduação de Relações Internacionais, ao cursar a disciplina de Política Externa Brasileira, voltou a ter interesse em se preparar para ser diplomata. Após formada e voltar para Simolândia, iniciou o processo de estudos para o concurso.
Diego Magalhões, coordenador do curso de Relações Internacionais da UFG, destaca ao Jornal UFG que ela foi uma das alunas mais exemplares, dedicadas e determinadas. "Estava sempre proativamente procurando se aprofundar em conhecimentos, procurava ajuda de professores para receber orientação, se destacava em termos de nota. Era um exemplo para outros colegas", afirma.
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Com a aprovação na prova, uma das mais concorridas do país, Helen enfatiza o sentimento de orgulho e de honra por ocupar este espaço sendo uma mulher quilombola.
"Para mim é uma honra, porque é uma categoria pouco representada, com pouca voz, que as pessoas não dão muito valor, não conhecem muito a história e nem procuram saber sobre a história dos quilombos, das pessoas que cresceram na região, de como elas fazem para crescer na vida"
Helen Borgens
Helen teve a oportunidade de conhecer o Itamaraty, em Brasília (DF), durante a faculdade.
Crédito: Reprodução | Instagram @sitemundonegro.
O Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) é o processo seletivo para ingressar na carreira de diplomata. Sua primeira edição ocorreu em 1946 e tem acontecido desde então de forma anual.
A seleção conta com duas fases:
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Primeira Fase: prova objetiva em formato de teste, de caráter eliminatório, constituída de questões de língua portuguesa; língua inglesa; história do Brasil; história mundial; política internacional; geografia; economia; e direito.
Segunda Fase: provas escritas de língua portuguesa; língua inglesa; história do Brasil; política internacional; geografia; economia; direito; língua espanhola ou língua francesa; de caráter eliminatório e classificatório.
Não exigência para a formação superior específica. O edital especifica a exigência apenas de graduação completa reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC).
Em levantamentos, a maior parte dos participantes da prova é da área de Ciências Humanas (Direito, Relações Internacionais, Administração, Ciência Política, Economia, Letras, Comunicação Social, História e Geografia).