Na madrugada desta terça-feira, 20 de outubro, o youtuber e influenciador Felca divulgou um vídeo expondo seu diagnóstico de fobia social. Esse é o nome popular para o "Transtorno de ansiedade social", que consta nos manuais psiquiátricos, explica o psicólogo e psicoterapeuta EMDR especializado no trabalho com trauma, Arthur Oliveira.
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Segundo o especialista, as principais características deste transtorno são os medos intensos e constantes de situações sociais, aliados a um grande receio de avaliações negativas, humilhação ou rejeição. De acordo com dados do Manual MSD apresentados em abril deste ano, a ansiedade social atinge de 5% a 13% da população brasileira, o que pode chegar a cerca de 27,8 milhões de brasileiros.
Luana Santana, psicóloga formada pela PUC Goiás, com especialização e foco em atendimento pela Terapia Cognitiva Comportamental (TCC), conta que percebe em seus atendimentos que a origem da fobia social é multifatorial, oriunda de fatores socioculturais, experiências de vida, traumas do passado e interações negativas.
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O que é a fobia social?
A fobia social é o nome popular do "transtorno de ansiedade social", que é caracterizado pelo medo em situações sociais nas quais a pessoa pode ser observada, avaliada ou julgada por outras pessoas, explica Luana. A psicóloga acrescenta que o transtorno causa um receio persistente por uma avaliação negativa, como parecer incompetente, se sentir ridicularizado.
"Ou seja, a famosa crítica social ou o bullying, provocados por alguma experiência negativa ou por pensamentos de ameaça. Quando a pessoa sente possibilidade de julgamento, isso torna as experiências sociais como ameaçadoras", explica Luana.
Arthur acrescenta que a fobia social não é causada por somente uma única fonte, podendo ser influenciada por razões biológicas, sociais e psicológicas. "Mesmo que haja alguma predisposição genética, experiências como bullying, humilhações, rejeição e excesso de críticas podem ser fatores fundamentais para a instalação deste padrão fóbico", afirma.
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Esse quadro ainda pode ser intensificado, especialmente quando relacionado à pressão por aceitação, aparência e desempenho, que são intensificados em contextos ligados às redes sociais, escola ou até mesmo na família.
Tanto Arthur quanto Luana concordam que, quando a fobia social se intensifica, o paciente tende a evitar cada vez mais o convívio e situações de interações sociais. O psicólogo ainda destaca que o afastamento pode causar mais represálias de quem convive com ele, intensificando ainda mais o transtorno.
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Tratamento da fobia social
Arthur explica que o conceito de cura é extremamente relativo quando ligado a doenças de saúde mental. Apesar disso, é possível alcançar uma melhora significativa com redução da ansiedade e recuperação da qualidade de vida.
O tratamento parte da compreensão de quais mecanismos mantêm o estado de ansiedade para então desenvolver maneiras flexíveis de interpretar e enfrentar situações sociais, segundo relata Luana. Por estar diretamente ligado a traumas e gatilhos pessoais, o tratamento é subjetivo e varia de pessoa para pessoa.
Em casos mais graves, como explica Arthur, a psicoterapia também pode ser aliada ao uso de medicamentos, com orientação psiquiátrica. Junto à compreensão de pensamentos que são associados ao medo, é importante desenvolver habilidades de regulação emocional.
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"O psicoterapeuta deve promover o desenvolvimento de habilidades de regulação emocional e um manejo cuidadoso das experiências traumáticas de humilhação ou rejeição trazidas pelo sujeito, através de uma escuta empática. O delineamento do tratamento depende da gravidade dos sintomas e das necessidades de cada pessoa", afirma o especialista.
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Por Jade Vieira
Jornalista