EUA x Dinamarca: entenda o que significa o acordo de segurança sobre a Groenlândia

Nesta semana, durante a Assembleia Geral da ONU, os dois países assinaram um acordo que deixa os EUA responsáveis pela segurança do território ultramarino.

Em 25/09/2026 13h18 , atualizado em 25/09/2026 14h18
Foto do mapa mundi com a maérica donorte de groenlandia destacados.
O acordo foi assinado durante a Assembleia Geral da ONU. Crédito da Imagem: Foto - Wikimedia Commons
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Nesta semana acontece a Assembleia Geral das Nações Unidas, entre 22 e 28 de setembro, em Nova Iorque. Durante o evento, o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, e o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, assinaram um acordo de segurança sobre o território ultramarino.

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A Groenlândia é um território autônomo dinamarquês, localizado entre a América do Norte e Eurásia, e vem sofrendo ameaças de invasão por parte do presidente estadunidense desde o início de seu segundo mandato. O acordo assinado na ocasião amplia a presença de tropas estadunidenses no território groenlandês.

Apesar do texto dizer que a soberania da Groenlândia fica mantida, na prática, o exercício pleno de sua soberania fica limitado. Bruna Amuy, doutoranda em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), explica que a presença de bases militares de um Estado estrangeiro que exerce funções relacionadas à defesa não significa necessariamente transferência formal da soberania, mas que essa não é a condição da ilha.

"Quando a presença militar estrangeira envolve participação significativa na definição das condições de segurança, pode haver uma redução da autonomia efetiva do território nessa área, principalmente com a presença da maior potência militar do mundo. A presença militar dos Estados Unidos modifica a balança de poder no território: porque a superioridade militar dos EUA lhes confere uma capacidade muito maior de influência e de imposição de interesses no campo estratégico", explica Bruna.

O professor de Relações Internacionais da PUC Goiás e do Instituto Diplomacia, Giovanni Hideki Chinaglia Okado, também aponta que o acordo é uma expressão da competição geopolítica das grandes potências em torno do Ártico, já que a Rússia é o país com a maior parcela de território na região e contesta reivindicações de outros países.

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Giovanni Hideki e Bruna Amuy, respectivamente.
Giovanni Hideki e Bruna Amuy, respectivamente.
Crédito: Divulgação

Acordo EUA, Dinamarca e Groenlândia

Giovanni destaca que o acordo foi comemorado pelas lideranças europeias, mas que ele só representa mais um fracasso que a Europa vem apresentando em negociações com Donald Trump, assim como havia acontecido com o tarifaço no ano passado, cedendo a acordos desvantajosos.

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"No caso da Groenlândia, é preciso recordar que Trump ameaçou anexá-la à força, e a resposta europeia, no início deste ano, foi a Operação Resistência Ártica. A própria Dinamarca, Reino Unido, Alemanha, França e outros países enviaram contingente militar para proteger a ilha de uma eventual agressão estadunidense. Agora, esses mesmos países aceitam a Groenlândia como protetorado dos Estados Unidos, acreditando que estarão mais seguros e que a OTAN – organização da qual Trump tem ameaçado se retirar – estará reforçada.", aponta Giovanni.

Bruna relembra que o acordo aconteceu em um cenário de pressão por parte dos EUA, que, por mais que tenha mantido a soberania territorial da Dinamarca perante a Groenlândia, que era o principal ponto, acabou cedendo às vontades do presidente estadunidense.

Assim, Amuy destaca que os EUA não obtêm a soberania que reivindicavam, mas que, de qualquer forma, ampliam sua capacidade de atuação estratégica no território, de forma indeterminada e com "mecanismos permanentes de cooperação em defesa".

A internacionalista também coloca que os EUA são um dos principais pilares da arquitetura de segurança europeia. Então a saída foi combinar resistência diplomática, de forma a não tornar a crise em um confronto militar dentro da própria OTAN.

Já, para a Groenlândia, a situação é mais complexa. Bruna explica que o território ultramarino passa a integrar um estrutura de segurança em que o país norte-americano tem vantagens, por apresentar uma capacidade militar maior.

"O acordo determina que sua implementação deve respeitar, na maior medida possível, o modo de vida groenlandês, incluindo caça, pesca e atividades tradicionais. Ao mesmo tempo, a própria necessidade dessa previsão mostra que existe uma tensão entre os interesses estratégicos das grandes potências e os interesses cotidianos da população local", explica Bruna.

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O professor ainda reforça que a questão da Groenlândia foi uma prioridade para a potência desde a volta de Trump à presidência, devido à capacidade militar da ilha em  contrabalancear o avanço russo no Ártico. Mas que também representa a possibilidade de exploração dos minerais críticos e recursos energéticos no território groenlandês.

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Por Jade Vieira
Jornalista