Estudantes de escola pública do Paraná transformam resíduos de granja em energia limpa
Estudantes de escola pública do Paraná transformam resíduos de granja em energia limpa
Projeto escolar desenvolve biodigestor com materiais recicláveis para a produção de biofertilizante
Em 09/04/2026 12h16
, atualizado em 15/04/2026 14h54
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E se o odor das granjas fosse utilizado para uma solução tecnológica sustentável? Essa foi a pergunta que um grupo de estudantes do interior do Paraná fez. A realidade de comunidades que convivem com espaços de avicultura é marcada pelo mal cheiro oriundo desses ambientes.
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Os alunos fazem parte do Clube de Agrociências do Colégio Estadual Maria Francisca de Souza, escola pública de tempo integral, localizada em Barra do Jacaré (PR). O município é pioneiro em produção de proteína a partir do frango. Ao todo são 46 granjas ativas na cidade.
As atividades desenvolvidas no clube, marcadas pela criatividade e a ciência em prática, foram responsáveis na conversão da cama de frango das granjas em biogás, fetilizante e material ecológico.
Ao Brasil Escola, o coletivo compartilha o processo que resultou em alternativas sustentáveis e potencializou o protagonismo estudantil dentro do ambiente escolar.
Os estudantes que fazem parte do Clube de Agrociências questionaram o que provocava o cheiro forte da granja que sempre incomodou a população da pequena Barra do Jacaré.
Com a investigação e pesquisa, eles identificaram que o odor é resultado da liberação de biogás durante o processo de decomposição da cama de frango.
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A partir disso, a oportunidade de desenvolver as ações do projeto surgiu após essa pergunta norteadora, conta Otávio Miguel da Silva Munhão (14). "A gente queria saber o que era aquele cheiro, o que podia ser feito com ele ou como impedir. Descobrimos que o que sentíamos era biogás e resolvemos criar uma solução para usar isso a nosso favor.", relata.
Estudantes do Clube de Agrociências.
Crédito: SEED / PR.
Para a estudante Lara de Freitas Ferrari, o problema afeta de forma direta o dia a dia da cidade. Por ser um município pequeno e com muitos espaços de avicultura, o cheiro que fica pelo ambiente urbano é muito forte. Nesse sentido, a participante do projeto conta que o clube resolveu criar uma solução para esse problema e utilizar a favor da comunidade.
Segundo Vagna Aparecida da Silva Munhão, coordenadora do projeto, a proposta ganhou força por justamente vir de uma necessidade real da cidade em que vivem. "Os estudantes sempre comentavam sobre o cheiro. Quando entendemos que aquele odor vinha da liberação de gás, foi natural perguntar se isso poderia virar uma solução".
Os estudantes desenvolveram um biodegestor como forma de solução tecnológica e sustentável. A primeira amostra de matéria-prima veio da zona rural, retirada da granja de uma estudante. Como estrutura física, utilizaram tubos comuns em instalações hidráulicas.
Para armanezar o gás produzido, um ex-aluno da escola colaborou com a adaptação de uma câmara de ar de motocicleta reutilizada. Assim, os estudantes conectaram um sensor de gás a um kit de Arduino para monitorar o biodigestor.
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O dispositivo apontou a presença de gases no reservatório, sendo uma validação para o experimento.
A granja que o grupo visitou utiliza um processo de plantio de árvore, colheita dos troncos e utilização dessa lenha para o aquecimento do espaço. Com isso, os estudantes perceberam uma alternativa sustentável que pode utilizar o biogás da biodigestão para convertê-lo em energia elétrica e, a partir disso, aquecer a granja.
Com o avanço das atividades, a fração líquida da biodigestão (chorume) começou a ser testada como biofertilizante na horta escolar, o que causou resultados visíveis no desenvolvimento das plantas.
"Eu sabia da realidade, do mau odor, mas não tinha ciência que a gente podia fazer alguma coisa com isso. Minha professora nos apresentou o que a gente poderia fazer e a gente começou a pesquisar"
Maria Laura Tironi dos Santos (14) - Estudante
Ao longo das participações em feiras de ciências, o grupo recebeu contribuições de especialistas sobre o potencial de massa sólida restante do biodigestor para a fabricação de tijolos ecológicos.
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Nesse sentido, o coletivo trabalha com essa etapa para "fechar o ciclo" da sustentabilidade e pretende desenvolver protótipos e analisar a viabilidade de uma construção demonstrativa.
Quando Lucas de Souza Santos (15) entrou no clube não sabia quase nada, e ao avançar com as atividades, conheçou novos lugares e aprimorou seu conhecimento.
Sophia de Souza Dutra (15) reforçou a importânia da professora Vagna no processo, pois, segundo ela, a educadora ampliou a visão de futuro dos alunos, mostrando que eles são capazes de fazer as coisas e mudar o seu ambiente.