Estudantes de escola pública do Paraná desenvolvem bioplástico que vira planta após descarte
Estudantes de escola pública do Paraná desenvolvem bioplástico que vira planta após descarte
Projeto escolar transforma resíduos de milho em material biodegradável capaz de substituir o plástico
Em 29/04/2026 18h28
, atualizado em 29/04/2026 18h48
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Em Andirá, no interior do Paraná, estudantes criaram um bioplástico que se transforma em planta após seu descarte. A iniciativa intitulada de Bioprotect surgiu após a inquietação com o acúmulo de lixo no município.
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Com isso, os alunos do Colégio Estadual Barbosa Ferraz, escola pública de tempo integral, desenvolveram uma estratégia sustentável ao transformarem resíduos de milho em um material biodegradável capaz de substituir o plástico e auxiliar na arborização urbana.
Ao enfatizar o protagonismo estudantil, o trabalho acontece em um contexto prático que une ciência e impacto ambiental.
O projeto escolar foi desenvolvido por Laritiely Ribeiro da Silva, Mariana da Silva Romão e Kauan Vinícius Jurado Azevedo. Orientação é da professora Karoline de Azevedo Ferreira Rodrigues.
Após visitarem a cooperativa de reciclagem da cidade e verem o volume de plástico acumulado, os alunos perceberam que mesmo vivendo em uma pequena cidade, o descarte de lixo é considerável.
Com isso, o grupo passou a questionar por que produzimos tanto e como aquilo poderia ser reduzido, conta a professora Karoline. Sob coordenação da educadora, o trabalho foi desenvolvido dentro do Clube de Ciências Inovar que faz parte de uma disciplina eletiva.
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Estudante segura bioplástico desenvolvido em projeto escolar.
Crédito: Arquivo.
Na primeira etapa das atividades, o projeto utilizou amido de arroz descartado da merenda escolar. No entanto, os temperos presentes dificultaram a flexibilidade do material.
O processo do projeto começa se consolidar após descobrirem que a Cooperativa Integrada descartava amido de milho durante o beneficiamento dos grãos, um resíduo puro, abundante e de baixo custo.
Com isso, inicia-se uma longa série de testes e experimentações, 79 ao todo. Essas ações ajustavam as proporções de amido, água, vinagre, glicerina e ágar. "Quando o teste 78 deu errado, eu chorei. Estava cansada", conta Laritiely. "Mas no 79, finalmente conseguimos a placa perfeita. Eu não sabia se sorria ou se chorava."
Testes realizados em laboratório da cooperativa.
Crédito: Reprodução | Instagram @_bioprotect.
Resistência ao calor, contato com água, decomposição no solo e integração com sementes eram características avaliadas nos testes. Até que uma formulação apresentou melhor desempenho, sendo flexível, translúcida e resistente, elementos smeelhantes aos do plástico convencional, porém com degradação segura no meio ambiente.
Kauan reconhece o aprendizado ao longo do tempo. "Com o tempo, você vai desenvolvendo oratória, senso crítico e vai entendendo que realmente consegue realizar coisas grandes", afirma.
Para a jovem Mariana, o processo foi decisivo para superar barreiras pessoais. "Eu era muito tímida para apresentar. Hoje eu consigo explicar o projeto, registrar tudo e até gravar vídeos."
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Bioprotect ficou em segundo lugar na categoria de Desenvolvimento de Produto na Fecci 2025.
Crédito: Reprodução | Instagram @bio.laritiely
Plástico que vira planta
Com a melhor amostra em mãos, o grupo de estudantes desenvolveu um protótipo de capa descartável para salões de beleza e barbearias, item que possui alto volume de descarte e de difícil reciclagem.
O material criado recebeu a inserção de sementes como de girassol, feijão, tomate, plantas ornamentais que germinam após o uso.
"A pessoa utiliza a capa, leva para casa e planta. É ciência devolvendo vida ao ambiente"
Karoline - Professora
O trabalho já foi apresentado em sete feiras científicas e premiado na Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência (FECCI), em Curitiba. Kaun destaca que o reconhecimento do trabalho dá força para continuar.
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Quanto ao futuro, o grupo avança para uma fase técnica de aperfeiçoamento. Para isso, contarão com apoio de profissionais da Cooperativa Integrada, para buscar reduzir custos, especialmente na substituição do ágar, além de avaliar a viabilidade de ampliar a escala de produção do bioplástico.