Estudante de Goiás cria fibra sustentável para indústria da moda a partir do bagaço de cana

Thiago Alves dos Santos (18) desenvolveu o projeto em escola pública de tempo integral de Luziânia (GO)

Em 12/03/2026 16h58 , atualizado em 13/03/2026 14h06
Thiago em eventos científicos
Projeto busca reduzir impactos ambientais provocados pela indústria da moda Crédito da Imagem: Foto - Arquivo
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O bagaço de cana se destacou em um processo que reforça o protagonismo estudantil e o fomento da sustentabilidade na escola. O resíduo que costuma ser descartado em feiras e engenhos passou a ser utilizado para criar fibras biodegradáveis, capazes de reduzir os impactos ambientais na indústria da moda.

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Essa é a pesquisa desenvolvida pelo estudante Thiago Alves dos Santos, de 18 anos, no Colégio Estadual em Período Integral Osvaldo da Costa Meireles, em Luziânia (GO).

O Brasil Escola conversou com o jovem que conta sobre como surgiu o projeto de pesquisa. Ele ainda compartilha o processo de estudos para vestibulares que resultou em aprovações em sete universidades, incluindo a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Confira também: Aos 12 anos, aprovado na UERJ já conquistou 80 medalhas em olimpíadas científicas

Bagaço de cana e fibra sustentável para indústria da moda

"Do lixo ao vestuário", é assim que começa o título do projeto de pesquisa de Thiago. No laboratório de sua escola, ele desenvolveu um fibra têxtil leve e biodegradável a partir da extração da celulose do bagaço da cana-de-açúcar.

A ideia surgiu quando ele participava de uma pesquisa sobre a produção de um papel com folhas de pequi. Nesse trabalho, ele percebeu que era possível fazer fibras têxteis com celulose.

Ao encontrar a possibilidade do bagaço da cana como uma matéria-prima acessível, Thiago recebeu incentivo de sua professora Gabrielle Rosa Silva para seguir pesquisando. 

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"Eu achei a proposta ousada, mas promissora. Ele sempre teve vontade de ir para feiras científicas e precisava de um projeto forte e original”, explica. Ela descreve Thiago como determinado, curioso e disposto a experimentar. “O Thiago é muito ambicioso. Ele quer competir e quer ganhar. Ele trabalha muito para isso".

Gabrielle Rosa Silva - Professora de Biologia

Thiago e Gabrielle
Thiago e sua professora de Biologia Gabrielle.
Crédito: Divulgação / Governo do Estado de Goiás.

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Ciência na escola

Foi necessário realizar etapas de extração e preparo da celulose do bagaço da cana. Dessa forma, o material foi transformado em uma solução viscosa capaz de gerar filamentos após um processo de coagulação.

Como resultado, o estudante obteve fios finos com características semelhantes às de fibras têxteis convencionais". O aluno destaca que o material prensado lembra a seda, leve e brilhante.

Esse processo foi desenvolvido ao longo de 20 dias. Thiago estima que é possível realizar tudo em 15 horas.

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Thiago apresentando projeto
À esquerda, Thiago em apresentação na Feira de Bioinovação dos Territórios do Brasil.
Crédito: Arquivo.

A cada quilo de bagaço, foram obtidos aproximadamente 450 gramas de fibra, o que representa 3m² de material.

O estudante avalia necessidade de parcerias externas para avançar para a etapa de tecelagem ou prensagem em escala maior.

Leia também: O que é e para que serve a iniciação científica?

Redução de impactos ambientais

O objetivo principal do trabalho de Thiago é reduzir os impactos ambientais provocados pela indústria da moda, área marcada pelo elevado consumo de água, descarte de resíduos e liberação de microplásticos.

Bagaço de cana
À esquerda bagaço de cana utilizado no processo, na outra foto, apresentação do projeto de celulose de pequi que deu origem ao trabalho atual de Thiago.
Crédito: Arquivo.

Entre vantagens do material, está a ampla disponibilidade do bagaço e a decomposição rápida na natureza caso ele seja descartado de forma incorreta.

Gabrielle destaca que a pesquisa de Thiago é autoral e deve ser encaminhada para o panteamento. O projeto foi inscrio na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) e em um evento nacional de bioinsumos na Bahia.

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Thiago considera que o projeto mostrou o quanto a Biologia pode transformar a vida de uma pessoa. "Me trouxe conhecimentos em Química, Física e sustentabilidade. Acho que me levou para uma realidade totalmente diferente do que eu era antes".

Processo de extração da celulose da cana-de-açúcar
Processo de extração da celulose da cana-de-açúcar.
Crédito: Arquivo. 

Entre os dias 16 e 20 de março, o projeto estará presente na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), sendo a única escola pública representante do estado de Goiás. Essa é considerada a maior mostra nacional de projetos de ciências e engenharia para estudantes da educação básica. 

Aprovado em 7 universidades 

Thiago foi aprovado em cursos como o de Ciências Biológicas em sete universidades ao todo. Pelo Sistema de Seleção Unificada (SiSU), conquistou a vaga na UFRJ, já pelo Programa Universidade para Todos (ProUni), ganhou bolsa de estudo integral na Pontífica Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e Universidade Católica de Brasília (UCB).

Ele participou de processos seletivos que reservam vagas exclusivas para medalhistas olímpicos. Como teve um bom desempenho em olimpíadas científicas, nesses vestibulares foi aprovado para Ciências Biológicas na Universidade Estadual Paulista (Unesp), na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal do Ceará (UFC) e em Ciências dos Alimentos na Universidade de São Paulo (USP).

A inscrição nos vestibulares de vagas olímpicas foi feita por meio da medalha na Olimpíada Nacional de Ciências.

Estudos para Enem e vestibulares

Como forma de preparação para as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e vestibulares, Thiago se baseou em três pilares:

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Ao longo do ensino médio, o estudante participou de várias competições do conhecimento, tais como: Olimpíada Brasileira de Geografia, Olimpíada Nacional de Ciências, Olimpíada Brasileira de Neurociências e Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). Chegou a conquistar medalhas e menções honrosa. Para ele, esse tipo de prova ajuda a desenvolver o pensamento científico, raciocínio e disciplina de estudo.

Para os vestibulandos, o jovem reforça que é importante não estudar apenas pensando na prova, mas desenvolver curiosidade científica e disciplina ao longo do tempo. "Participar de olimpíadas, fazer projetos e buscar aprender além da sala de aula ajuda muito a consolidar o conhecimento e também abre várias oportunidades acadêmicas", completa.

Leia também: 5 vantagens de fazer olimpíadas científicas 

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Por Lucas Afonso
Jornalista