Dia da Educação: 84% dos estudantes já usam IA, mas só 32% recebem orientação nas escolas, revelam pesquisas
Dia da Educação: 84% dos estudantes já usam IA, mas só 32% recebem orientação nas escolas, revelam pesquisas
Neste Dia Mundial da Educação (28 de abril), especialistas comentam impactos da Inteligência Artificial (IA) na educação
Em 27/04/2026 14h36
, atualizado em 28/04/2026 13h13
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Estudo realizado pela Fundação Itaú revela que 84% dos estudantes e 79% dos professores brasileiros já utilizaram Inteligência Artificial (IA) no contexto escolar. Enquanto isso, pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic) mostra que 32% dos estudantes receberam algum tipo de orientação sobre o uso adequado de ferramentas de IA.
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O Dia Mundial da Educação é celebrado nesta terça-feira, 28 de abril. A data levanta o debate sobre os desafios contemporâneos da educação e a IA tem se destacado como um dos principais, além de marcar o compromisso de 164 países com o direito universal à educação de qualidade.
Em março deste ano, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou diretrizes para o uso de IA nas instituições de ensino brasileiras. O documento orienta sobre o uso da tecnologia como suporte ao processo pedagógico, e não como substituição ao educador. Essas normas reforçam o que acreditam especialistas: a IA potencializa, mas não substitui o professor.
"A inteligência artificial é uma realidade na vida dos nossos alunos, dentro e fora da escola. O papel da instituição de ensino não é ignorar essa ferramenta, mas ensiná-los a usá-la com crítica, ética e propósito"
Estudo sobre o uso de IA por estudantes e professores
O Observatório Fundação Itaú divulgou em outubro de 2025 a pesquisa inédita Percepções sobre a Inteligência Artificial na Educação. O estudo evidencia que a maioria dos alunos usam IA para tirar dúvidas, resolver tarefas e no processo de criação de novas ideias.
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Na pesquisa, os alunos consideram que reconhecem os benefícios dessa tecnologia e estão conscientes das possíveis consequências de um consumo inadequado.
84% dos alunos relataram já terem utilizado IA (ferramentas como ChatGPT, Gemini, MidJourney e DALL-E)
80% dos que usam IA, utilizam para resolver atividades, e 90% afirmam utilizar as ferramentas para fazer pesquisas ou tirar dúvidas. 56% consideram que a IA ajuda muito nos estudos.
54% dos estudantes reconhecem que a IA pode representar algum perigo caso seja utilizada sem regras/leis.
75% afirmam que a tecnologia pode ser utilizada para criar fake news.
Entre os professores, 73% confirmaram que já usaram IA como ferramenta de apoio nas atividades em sala de aula.
48% dos educadores não utilizam IA para desenvolver planos de aula. Enquanto 76% disseram que a utilizam para criar materiais pedagógicos.
Entre os gestores, 90% concordam que o currículo escolar deve ser atualizado para que os alunos adquiram habilidades necessárias para consumir IA de forma crítica.
O estudo foi desenvolvido por meio de um processo de escuta específica de professores, gestores e estudantes do ensino fundamental e médio entre os meses de novembro e dezembro de 2024. Participaram um total de 142 escolas, 1.947 estudantes, 240 professores e 156 gestores. A margem de erro da pesquisa é de 2% para o grupo dos estudantes, 6% para professores e 7,8% para gestores.
O desenvolvimento e o aprimoramento de tecnologias de inteligência artificial são fatores que atravessam a realidade humana, e consequentemente o campo da educação.
Para além do uso de ChatGPT para resolver as tarefas acadêmicas, a IA possui impacto, quando integrada ao currículo, no ritmo de aprendizagem, no apoio a educadores em tarefas repetitivas e no processo de ampliar o acesso a conteúdo de qualidade.
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Segundo o professor Dr. Paulo Boa Sorte, várias discussões já vêm sendo geradas e é preciso de espaço para debate em sua perspectiva. "Precisamos, mais do que nunca, falar sobre plágio, direitos autorais e acesso a bens culturais", reforça.
Entre os desafios deste tema, na opinião de Paulo, está a formação de professores para trabalhar com essas tecnologias. "De nada adianta equipar as escolas e não oferecer uma formação para além da técnica. De nada adianta transferir para a tela aquilo que, facilmente, se pode fazer com papel e caneta. A maneira como conduzimos as atividades de ensino durante a pandemia é prova disso", afirma.
Habilidades que a IA não substitui
Entre as habilidades humanas que os especialistas apontam que a IA não substitui, estão:
Pensamento crítico e capacidade de questionar informações
Comunicação, empatia e inteligência emocional
Criatividade e resolução de problemas complexos
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Autonomia, colaboração e responsabilidades a usá-la com crítica, ética e propósito
"Preparar o aluno para conviver com a inteligência artificial começa por preparar o professor. Quando o educador entende a ferramenta, ele consegue transformá-la em oportunidade de aprendizagem real, não apenas em atalho"
Marcelo Tavares
Marcelo Tavares, diretor-geral do Colégio Sigma.
Crédito: Divulgação.
O que é Inteligência Artificial?
A inteligência artificial pode ser definida como a capacidade de uma máquina realizar determinada tarefa considerada inteligente.
Isso quer dizer que para executar essa tarefa é necessário analisar uma informação e tomar uma decisão a respeito dessa informação, conceitua o professor Dr. Anderson Soares, coordenador do curso de Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (UFG).
Dentro do universo da IA existe o machine learning. Nele ocorre um processo de aprendizado a partir de dados. O professor Anderson exemplifica: para ensinar à máquina o que é um cachorro, é preciso mostrar a ela uma diversidade de imagens que representam os cachorros.
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Professores Anderson Soares e Paulo Boa Sorte.
Crédito: Divulgação.
Quais são os tipos de inteligência artificial?
Entre os tipos de inteligência artificial destacados por Anna Reali, professora da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), estão:
Inteligência artificial linguística: utiliza a linguagem oral ou escrita.
Inteligência artificial lógica: analisa problemas de forma lógica e investiga questões científicas.
Inteligência artificial espacial: reconhece e manipula padrões espaciais.
Inteligência artificial musical: possui a capacidade de reconhecer, criar, reproduzir e refletir sobre a música.
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Inteligência artificial emocional: é capaz de reconhecer, compreender e gerenciar as próprias emoções e as emoções dos outros.
Vantagens da inteligência artificial
Confira vantagens da inteligência artificial, segundo a pesquisadora Anna Reali:
executa de forma satisfatória trabalhos repetitivos;
possibilita a eliminação de erros humanos;
disponibilidade de 24 horas por dia, sete dias por semana;
realiza tomada de decisão de forma imparcial;
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permite redução de custos;
apta a fazer aquisição e análise de uma grande quantidade de dados.