Dia das Mães: especialista discute impacto da gravidez durante a adolescência
Dia das Mães: especialista discute impacto da gravidez durante a adolescência
Em 2025, 12% dos bebês nascidos são de mães de 15 a 19 anos, segundo dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos. Em entrevista, a psicóloga Priscilla Barreto discute o impacto da gravidez na vida pessoal e acadêmica de adolescentes.
Em 08/05/2026 18h48
, atualizado em 08/05/2026 18h48
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Dados do Painel de Monitoramento de Nascidos Vivos, do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos, apontam que, em 2025, 292.759 bebês nasceram de meninas que têm entre 15 e 19 anos. Esse número significa 12% dos 2.436.134 bebês nascidos no Brasil no ano passado.
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Esse número reflete na evasão escolar de meninas nessa mesma faixa etária. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais: Uma análise das condições de vida da população brasileira 2025, do IBGE, 23,1% das meninas e mulheres de 15 a 29 anos que abandonaram os estudos foi devido à gravidez.
Priscilla Barreto, psicóloga clínica infantojuvenil, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, afirma que o principal desafio que meninas que engravidam durante a adolescência enfrentam é a evasão escolar e o prejuízo que se acarreta tanto academicamente quanto cognitivamente.
"A gente precisa entender essa fase, tanto escolar quanto do ensino superior, é muito importante para a formação do ser humano. Principalmente porque é nessa fase que adolescentes e jovens estão lapidando sua personalidade, estão se personificando e fazendo parte dos grupos."
Além da gravidez em si, a rotina de um bebê ou uma criança influencia no tempo que essas meninas têm para se dedicar aos estudos. Ainda segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 9% das mulheres dessa mesma faixa etária que deixaram a escola foi por afazeres domésticos e cuidados.
Priscilla Barreto é psicóloga clínica infantojuvenil, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental.
Crédito: Divulgação.
Desafios da gravidez durante a adolescência
Priscilla destaca que é durante esse período da vida que as meninas desenvolvem suas personalidades e formam grupos. Por essa razão, a psicóloga aponta que a gravidez ainda na adolescência pode causar prejuízos socioemocionais.
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Dentre essas perdas, ela destaca o isolamento que acontece com essas meninas nos meios em que elas vivem, especialmente na escola. Além de causar uma baixa autoestima nessas meninas, bem como o aumento da evasão escolar.
Como consequência da evasão escolar de gestantes, o caminho profissional dessas meninas leva a um nível menor de remuneração e dificuldade de inserção no mercado de trabalho. Também o aumento de vulnerabilidade e transtornos mentais, como ansiedade e depressão.
Papel das escolas durante a gravidez na adolescência
Nessas situações, Priscilla destaca que as escolas têm o papel, em primeiro momento, de educação sexual e prevenção a infecções sexualmente transmissíveis. Além de desmistificar o assunto com palestras, dinâmicas ou rodas de conversa.
Posteriormente, a escola pode servir como um fortalecimento da rede de apoio dessas meninas e oferecer o acolhimento necessário. A especialista ainda cita que é possível realizar o encaminhamento dessas meninas para ONGs ou tratamentos psicológicos gratuitos.
"Uma dificuldade muito grande que eu pesquisei e vejo em pessoas que conheço é o espaço físico de suporte, seja nas universidades ou escolas. Ter uma enfermaria para que a gestante possa ir quando passar mal ou precisar tomar um remédio, até mesmo um banheiro equipado."