Copa do Mundo: conheça ave que quase foi extinta e apelidou time do Brasil de seleção canarinho
Copa do Mundo: conheça ave que quase foi extinta e apelidou time do Brasil de seleção canarinho
Em referência à camisa amarela da seleção brasileira, ave chegou a ficar ameaçada de extinção na década de 90
Em 24/06/2026 17h02
, atualizado em 24/06/2026 17h25
A+
A-
Ouça o texto abaixo!
1x
Em meio à Copa do Mundo, o time brasileiro também é chamado de seleção canarinho por torcedores, narradores e veículos de comunicação. Mas, você sabe o porquê do nome? O apelido que foi atribuído há décadas faz referência ao canário-da-terra-verdadeiro, uma das aves mais populares do Brasil.
Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)
O que poucas pessoas podem saber é que essa espécie chegou a desaparecer de algumas regiões do país até o final da década de 1990. Isso ocorreu por conta da captura desses animais para criação em gaiolas. No entanto, a população da ave foi recuperada e ampliou sua distribuição geográfica, voltando a ocupar localidades onde antes estava ameaçada.
Foi com a camisa amarela da seleção brasileira que se consolidou a relação entre o canário e o futebol brasileiro. O uniforme ficou conhecido como "canarinho", tornando-se um dos principais símbolos do esporte nacional e da identidade brasileira.
"É impossível dissociar a imagem do canário-da-terra da ideia de Brasil. A espécie está presente no nosso imaginário coletivo há gerações, seja nas músicas, nas histórias populares ou no futebol. Milhões de brasileiros conhecem o apelido, mas poucos sabem que a ave que inspirou esse símbolo nacional chegou a enfrentar um forte declínio populacional e hoje representa uma importante história de recuperação da biodiversidade"
Daniel Cywinski - Coordenador administrativo do CRIA (Centro de Referência em Informação Ambiental)
Canário-da-terra-verdadeiro (Sicalis flaveola)
Crédito: Daniel Cywinski.
O canário-da-terra-verdadeiro pode ser encontrado em praticamente todo o território brasioleiro, seja em áreas abertas, campos, pastagens, áreas rurais, ou mesmo em ambientes urbanos.
Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)
Vive em bandos e se alimenta essencialmente de sementes e grãos. Os machos da espécie contam com uma plumagem amarela vibrante e canto marcante.
Por outro lado, as fêmeas apresentam penas com tons mais discretos, entre o pardo e o oliva. Essa diferenciação é conhecida como dimorfismo sexual e contribui para a proteção das fêmeas durante o processo de incubação e cuidado com os filhotes.
Tornou-se uma das aves mais capturadas para criação em gaiolas ao longo do século XX. Esse movimento de captura e comercialização causou impactos em diversas populações silvestres, provocando a redução de espécies em diferentes regiões brasileiras.
Canário-da-terra-verdadeiro é comum em quase todo o Brasil.
Crédito: Shutterstock.
O canário-da-terra-verdadeiro chegou a desaparecer de algumas regiões do Brasil até o final da década de 1990. Chegou a ser considerado ameaçado em estados como São Paulo.
No entanto, apresentou recuperação populacional, considerada surpreendente por especialistas. Com mudanças em sua distribuição geográfica, voltou a ocupar áreas onde antes era considerado raro, principalmente no Sudeste. Atualmente está fora da lista de espécies ameaçadas da maioria dos estados brasileiros.
Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)
Para pesquisadores, a recuperação está relacionada ao fortalecimento da fiscalização ambiental, aumento da conscientização da sociedade e ao monitoramento feito por observadores de aves e iniciativas da ciência cidadã, que possibilita acompanhar a distribuição da espécie em diferentes regiões do país.
"Hoje temos uma capacidade inédita de mapear populações silvestres graças ao engajamento de milhares de observadores de aves. Isso transforma conservação em conhecimento coletivo. A recuperação do canário-da-terra mostra como o conhecimento científico, aliado à fiscalização ambiental e ao envolvimento da sociedade, pode contribuir para a conservação das espécies"
Luciano Lima, biólogo e especialista do CRIA
Especialistas entrevistados: Daniel Cywinski (à esquerda) e Luciano Lima (à direita).
Crédito: Acervo Pessoal.
Mesmo com os avanços, desafios quanto ao tráfico de animais, perda de habitat e uso de agrotóxicos permanecem e representam ameaças para a espécies, afirmam especialistas.