Consciência Negra: confira 7 autores negros da literatura brasileira
Consciência Negra: confira 7 autores negros da literatura brasileira
Nesta quinta-feira, 20 de novembro, é celebrado o Dia da Consciência Negra
Em 19/11/2025 18h14
, atualizado em 19/11/2025 18h17
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O Dia da Consciência Negra é celebrado nesta quinta-feira, 20 de novembro. A data foi criada por conta da morte de Zumbi dos Palmares, figura importante para o processo de resistência à escravização no Brasil.
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A luta contra o racismo e o debate sobre a desigualdade racial são aspectos evidenciados com a celebração da data. O dia se tornou feriado nacional com a Lei nº 14.759/2023.
Ler autores negros reconhece, repara e amplia o repertório cultural, afirma Paulo Rogerio Rodrigues, coordenador pedagógico da Escola Bilíngue Aubrick.
"A literatura produzida por autores negros vai muito além da temática do racismo; ela fala sobre humanidade, pertencimento, memória e futuro. Essas obras refletem nossa história e constituem um instrumento potente de letramento racial e educação antirracista. Ao incorporá-las às nossas leituras, às práticas escolares e às rodas de conversa, ampliamos olhares e contribuímos para a construção de uma sociedade mais consciente, plural e empática"
Paulo Rogerio Rodrigues
A valorização da cultura negra é importante para a formação de leitores críticos e que sejam sensíveis à diversidade, acredita Paulo Rogerio. Além disso, segundo o educador, construir um repertório acerca da cultura afro-brasileira e africana se constitui como uma outra forma de ver e interpretar o mundo.
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7 autores negros da literatura brasileira
Confira, a seguir, sete autores negros da literatura brasileira sugeridos por Paulo:
Carolina Maria de Jesus
Foi uma das primeiras escritoras negras do Brasil. Peregrinou com a mãe, vinda de sua cidade natal, em busca de trabalho pelas cidades do interior paulista, quando chegou à capital do estado em 1947 e se instalou na favela do Canindé, de onde saía diariamente para trabalhar como catadora de papel.
Sua principal obra é “Quarto de Despejo” (1960), que relata o cotidiano triste e cruel de uma mulher que faz de tudo para sobreviver, espantar a fome e criar seus filhos em meio a um ambiente de extrema pobreza e desigualdade de classe, de gênero e de raça.
Capa do livro Quarto de Despejo, de Carona Maria de Jesus.
Crédito: Divulgação.
Conceição Evaristo
Romancista, contista, poeta, e pesquisadora na área de literatura comparada. Estreou na literatura em 1990, e é um dos nomes mais importantes da literatura brasileira contemporânea. Sua matéria-prima literária é a vivência das mulheres negras, e seu trabalho tem por base reflexões sobre as profundas desigualdades raciais brasileiras.
Entre suas principais obras estão “Ponciá Vicêncio” (2003), “Olhos d’Água” (2014) e “Canções para ninar meninos grandes” (2018).
Capa do livro Canção para Ninar Menino Grande, de Conceição Evaristo.
Crédito: Divulgação.
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Djamila Ribeiro
Filósofa, ativista e escritora, coordena a iniciativa Feminismos Plurais. É professora universitária com passagens por diversas instituições, como a PUC-SP, New York University, além de ter sido a primeira brasileira a lecionar no Martin Luther King Program, no MIT.
Já vendeu mais de um milhão de exemplares de seus livros, entre eles sua obra mais famosa, "Pequeno manual antirracista" (2019), que trata de temas como atualidade do racismo, negritude, branquitude, violência racial, cultura, desejos e afetos.
Capa do livro Pequeno Manual Antirracista, de Djamila Ribeiro.
Crédito: Divulgação.
Jeferson Tenório
Doutor em teoria literária e um dos mais proeminentes autores contemporâneos. Seus livros abordam o racismo estrutural e como ele impacta as esferas da vida em sociedade; além de temas como o pertencimento e a importância dos afetos e da memória.
Entre suas principais obras está “O avesso da pele” (2020), um romance sobre identidade e as complexas relações raciais, violência e negritude.
Capa do livro O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório.
Crédito: Divulgação.
Lélia Gonzales
Foi escritora, pesquisadora, professora, intelectual e defensora de direitos humanos brasileira. Pioneira nos estudos sobre mulheres negras no Brasil e no mundo, dedicou-se a escancarar as dimensões estruturais e simbólicas da discriminação racial no País, tendo contribuído para a consolidação do movimento negro brasileiro.
Uma de suas principais obra é “Lugar de Negro” (1982), em parceria com Carlos Hasenbalg, sintetizando pontos centrais da questão racial brasileira e questionando o mito da “democracia racial”, isto é, a ideia de que o Brasil seria um país livre do racismo, incitada durante a ditadura militar.
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Capa do livro Lugar de Negro, de Lélia Gonzales e Carlos Hasebalg.
Crédito: Divulgação.
Maria Firmina dos Reis
Filha de mãe branca e pai negro, é apontada como a primeira mulher negra a publicar um romance. Foi a primeira mulher negra aprovada em um concurso público para professora primária na província de Guimarães, além de ter sido pioneira na fundação de uma escola mista, onde meninos e meninas podiam estudar juntos. Seu principal romance é “Úrsula” (1859).
Capa do livro Úrsula, de Maria Firmina dos Reis.
Crédito: Divulgação.
Paulo Lins
Romancista, roteirista, poeta e professor. Entre os 6 anos e o início da idade adulta, foi morador da favela carioca Cidade de Deus, onde se dedicou à pesquisa antropológica a respeito da criminalidade e das classes populares, que resultou no seu mais famoso romance homônimo “Cidade de Deus” (1997).
Capa do livro Cidade de Deus, de Paulo Lins.
Crédito: Divulgação.
Dia da Consciência Negra
Confira a conversa com o filósofo e professor Dumas Santos que explica sobre o Dia da Consciência Negra:
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