Ciência em Libras: projeto com estudantes surdos une sustentabilidade e iniciação científica
Ciência em Libras: projeto com estudantes surdos une sustentabilidade e iniciação científica
No Paraná, estudantes surdos transformam óleo de cozinha em sabão e produzem materiais de apoio em Libras sobre termos técnicos
Em 17/06/2026 16h52
, atualizado em 17/06/2026 17h09
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Em Londrina, no Paraná, o Clube de Ciências em Mãos reúne estudantes surdos em um trabalho que envolve iniciação científica, sustentabilidade e acessibilidade.
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Os alunos estão no centro da produção do conhecimento e transformam óleo de cozinha usado em pesquisa científica, sabão, vídeo em Língua Brasileira de Sinais (Libras) e materiais de apoio para a aprendizagem.
Atividades são realizadas em uma escola pública de tempo integral no município paranaense. Projeto conta com desenvolviemnto do Instituto Londrinense de Educação de Surdos (ILES).
Projeto escolar une acessibilidade com iniciação científica sustentável
O Clube de Ciências em Mãosé conduzido pela professora de Ciências e Biologia Alessandra Francisco, que possui 30 anos de atuação na educação, sendo metade no ILES.
Esse projeto surgiu há dois anos após uma aproximação com a Universidade Estadual de Londrina (UEL), na intenção de ampliar a presença dos estudantes surdos em espaços de pesquisas e dar mais visibilidade ao trabalho desenvolvido pela escola.
Dessa forma, nasce o programa que une pesquisa, desenvolvimento científico e iniciação científica com acessibilidade. "O projeto vai além da escola. É para a vida e para o futuro deles", afirma Alessandra.
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No clube, os estudantes transformam óleo residual em sabão. Em laboratório, eles aprendem a medir volume, pesar igredientes, observar reações, comparar receitas, interpretar resultados e compreender os impactos ambientais do descarte incorreto do óleo de cozinha.
Estudantes de projeto do Clube de Ciência em Mãos.
Crédito: Arquivo.
Dessa forma, são trabalhados temas como sustentabilidade, educação financeira, trabalho em equipe e comunicação científica.
A educadora explica que para o aprendizado acontecer, não basta traduzir o conteúdo. Com isso, a ciência precisa ser ensinada em Libras, com visualidade, demonstração prática e tempo para a construção dos conceitos.
"No laboratório, não basta chegar falando. Tudo precisa acontecer no tempo deles, com calma, apoio visual e demonstração, porque eles aprendem pelo visual. Por isso, resolvi construir o nosso sinalário sempre próximo da pesquisa científica"
Alessandra
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Clube de Ciências em Mãos fomenta o ensino de ciências para estudantes surdos.
Crédito: Divulgação / SEED / Governo do Paraná.
Uma das principais frentes do clube é o sinalário científico. Com os conteúdos da pesquisa, os alunos selecionam termos técnicos, produzem sinais, gravam vídeos em Libras e produzem materiais de apoio.
Além disso, o grupo também trabalha na criação de um jogo bilíngue, com perguntas, respostas, vídeos e palavras em português, pensado para apoiar a aprendizagem dos estudantes surdos.
"Ainda temos muito pouco material adaptado para estudantes surdos. Ter um intérprete é importante, mas é muito diferente de ter um professor explicando aquele conteúdo em Libras. A ciência é um lugar de todos e deve ser ocupada por todos", afirma Alessandra.
Um dos participantes é Heycon Lucas Pedros dos Santos (16) que cursa o primeiro ano do ensino médio. Entrou no projeto mesmo sem se interessar pelas disciplinas envolvidas, com o objetivo de treinar a comunicação e melhorar a convivência com os demais estudantes surdos.
"Eu não gostava de ciência, nem de química ou biologia, mas entrei no clube. Com o tempo, fui descobrindo um lugar em que eu me encaixava. Hoje, estou aprendendo a me comunicar melhor, a participar de algo coletivo e a trabalhar mais essa área"
Heycon
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Atualmente, Heycon desempenha diversas atividades como o preparo de slides, gravação de vídeos em Libras e auxilia os colegas. Ele conta que em seu antigo colégio era mais indisciplinado e que o clube o ajudou a ter mais consciência e foco no que precisa ser feito.
O clube ganhou reconhecimento na Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência (Fecci), realizada em Curitiba, com o terceiro lugar na categoria de divulgação científica.
Alessandra destaca que o momento foi simbólico, uma vez que colocou os estudantes diante de um público que, muitas vezes, desconhece a capacidade dos jovens surdos de produzir e apresentar pesquisa. "Naquele momento, eu senti o impacto social do projeto. Era a primeira vez que eles estavam sendo vistos daquela forma. Muitas vezes ainda existe a ideia de que estudantes surdos são inferiores ou não têm capacidade. O projeto ajuda a mudar essa percepção", completa.
Sabonete produzido pelo Clube de Ciências em Mãos.
Crédito: Divulgação / SEED / Governo do Paraná.