Cresce número de internações psiquiátricas em crianças e adolescentes; saiba como identificar sinais de sofrimento emocional
Cresce número de internações psiquiátricas em crianças e adolescentes; saiba como identificar sinais de sofrimento emocional
Em entrevista, a assessora pedagógica, Fabiana Santana, aponta sinais que podem indicar possíveis transtornos emocionais, bem como maneiras de lidar e amenizar esses indicativos.
Em 28/04/2026 12h20
, atualizado em 28/04/2026 12h20
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O número de crianças de 5 a 9 anos que já foram internadas por razões psiquiátricas apresentou um aumento significativo.
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Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, com base em registros do Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (Sistema Único de Saúde), a internação de crianças nessa faixa etária teve alta de 98,3%.
Já entre adolescentes de 10 a 14 anos, o crescimento de internações devido a problemas com a saúde mental foi de 78,1%.
Assessora pedagógica do Líder em Mim, Fabiana Santana aponta que é possível perceber sinais de possíveis transtornos emocionais em crianças e adolescentes. Para isso, é preciso que pais e educadores estejam atentos a indícios comportamentais e psicológicos.
Fabiana cita o isolamento social progressivo como alteração comportamental e a presença de tristeza persistente e intensa no âmbito emocional. Para além disso, também podem surgir sintomas físicos, como alteração no apetite.
Fabiana Santana é assessora pedagógica do programa Líder em Mim.
Crédito: Divulgação.
Sinais de sofrimento emocional
Educadores e responsáveis devem estar atentos a sinais que crianças e adolescentes apresentam. A observação cuidadosa durante essa idade permite a identificação de possíveis indicadores de sofrimento emocional.
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A assessora pedagógica, Fabiana Santana, aponta que, a partir da identificação precoce de possíveis transtornos emocionais, poderão ser realizadas intervenções mais eficazes. Para isso, os principais indicativos a se estar atento abrangem diferentes dimensões do comportamento e do funcionamento psicológico.
Esses sinais podem se manifestar em diferentes campos em crianças e adolescentes, como no âmbito comportamental, emocional e até mesmo de forma física. Para facilitar a identificação de possíveis sintomas, Santana aponta comportamentos a se estar atento:
Alterações comportamentais: isolamento social progressivo; episódios de irritabilidade e agressividade que não eram frequentes.
Alterações emocionais: presença de tristeza persistente e intensa; episódios recorrentes de choro, redução de energia e humor deprimido;
Sintomas físicos: alterações no apetite, tanto diminuição quanto aumento; distúrbios do sono, tais como insônia, pesadelos frequentes ou sonolência excessiva; queixas somáticas recorrentes, como dores de cabeça, dores abdominais ou sensação constante de cansaço.
Também é importante notar dificuldades significativas na escola, evidenciadas por queda no desempenho escolar, especialmente em disciplinas que as crianças ou adolescentes apresentam domínio prévio.
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Além disso, em alguns casos, observam-se negligência com cuidados básicos de higiene. Mesmo que esse comportamento seja associado à faixa etária da adolescência, é fundamental avaliar sua frequência, intensidade e impacto, especialmente no que diz respeito à autoestima e ao bem-estar.
Trabalho familiar e escolar integrado
O trabalho para poder identificar esses sinais deve ser feito de forma integrada entre as escolas e a família dos alunos, reconhecendo que pais ou responsáveis e professores são agentes complementares no desenvolvimento integral de crianças e adolescentes.
Nessa relação, Santana destaca que a família é o primeiro contexto educativo ao qual as crianças têm acesso, assim parte essencial da chamada Equipe de Aprendizagem.
A parceria entre família e escola deve ser fortalecida por meio de vias de comunicação direta e de materiais educacionais compartilhados. Essa base colaborativa contribui tanto para o desenvolvimento socioemocional quanto para o desempenho acadêmico.
"Ao integrar práticas e valores entre os diferentes contextos de convivência da criança, favorece-se maior coerência nas experiências educativas, potencializando os resultados ao longo do processo de aprendizagem."
Fabiana Santana.
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A atuação alinhada dos dois contextos da vida de crianças e adolescentes contribui para o fortalecimento de habilidades essenciais, que impactam positivamente no desempenho acadêmico, na promoção do bem-estar emocional e na qualidade das relações interpessoais.
Para Fabiana, a prática chamada gráfico do Pare e Pense, utilizada pelo Programa Líder em Mim, é uma estratégia que pode ser trabalhada tanto no contexto escolar quanto familiar. A prática consiste em momentos simples e acessíveis, como “respirar”, “pedir ajuda”, “movimentar-se”, “usar os sentidos”, “conectar-se”, para ampliar a consciência emocional e manejo do estresse.
Práticas no ambiente escolar e familiar podem auxiliar as crianças e adolescentes a amenizar sofrimentos emocionais pelos quais possam estar passando. O conselho de Santana é realizar atividades em grupo, explorando estratégias para situações concretas, no âmbito escolar.
Já em casa, a assessora pedagógica sugere que pais e responsáveis se envolvam com os assuntos das crianças e adolescentes, além de abrir um espaço seguro para conversas sobre emoções e como lidar com elas no dia a dia.
Também é importante desenvolver uma rotina estruturada, com tempo destinado para explorar a singularidade e a concentração, por meio de atividades táteis e criativas. "Dessa forma, a integração entre escola e família potencializa o desenvolvimento da autorregulação, tornando-a parte natural da experiência da criança", explica Fabiana.
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Para isso, é importante que as crianças ou adolescentes tenham acesso a ambientes preparados de forma a construir um "porto seguro", onde se sintam acolhidos de forma física e psicológica. Assim poderão desenvolver a sensação de previsibilidade e controle sobre seu contexto.
"Evidências na área do desenvolvimento infantil indicam que a ansiedade, por exemplo, frequentemente está associada à imprevisibilidade e ao excesso de estímulos, o que reforça a importância de ambientes organizados, acolhedores e coerentes."
Fabiana Santana.
A assessora pedagógica apresenta estratégias práticas que contribuem para a regulação emocional, especialmente de crianças durante a primeira infância, mas que apresentam um impacto relevante durante a transição para a adolescência:
No ambiente doméstico: organização da rotina com recursos visuais (quadros de horários e atividades diárias); espaço dedicado para relaxamento, estruturado como um ambiente de pausa e sem uso de telas; recepção de um ambiente familiar estável e protegido, sem exposição frequente a conflitos; manter uma higiene do sono, como adoção de rotinas pré-sono (redução gradual de luzes e ruídos).
No ambiente escolar: salas de aula físicas equilibram o estímulo e acolhimento, organizadas de forma a favorecer a concentração e bem-estar; uso de pausas estruturadas durante o período escolar para regulação fisiológica do estresse; abordagens pedagógicas que priorizem o processo de aprendizado e valorizem o esforço, ligado à previsibilidade nas transições entre atividades.
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Fabiana ainda destaca a importância do uso moderado de telas, para evitar a sobrecarga de informações e o estado constante de alerta, atrelado a ambientes com cores claras e pouco estímulo visual. Bem como a disponibilidade de adultos de referência, que ofereçam escuta qualificada, empática e sem julgamentos.
Essas estratégias devem ser utilizadas atreladas ao incentivo da autonomia das crianças e adolescentes; assim poderão trabalhar competências relacionadas à compreensão e regulação das próprias emoções. Além de desenvolver habilidades socioemocionais que auxiliam na identificação e manejo de sentimentos, no desenvolvimento acadêmico e de competências como foco e autodisciplina.
Assista ao episódio do nosso podcast sobre saúde mental: