Aos 10 anos, Alvinho, gênio da Maré, que criou animação após curso de Harvard sonha em construir robôs
Aos 10 anos, Alvinho, gênio da Maré, que criou animação após curso de Harvard sonha em construir robôs
Alvinho e sua mãe, Priscila, compartilham trajetória de desafios, conquistas e sonhos
Em 09/10/2026 15h42
, atualizado em 09/10/2026 16h51
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Aos 10 anos, o pequeno Álvaro de Melo, conhecido como Alvinho, cresceu no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro, e já acumula conquistas na educação, mesmo com a pouca idade, sendo uma criança com altas habilidades.
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Após participar de um curso online de programação da Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, desenvolveu uma animação chamada popularmente de "Super Alvinho". A iniciativa, que foi desenvolvida em inglês, conta com personagem inspirado na história do jovem prodígio.
Sua mãe, Priscila, destaca que, desde muito novo, tinha uma boa dicção e conversava sobre assuntos complexos com os adultos. Aprendeu a ler e escrever sozinho aos quatro anos.
No entanto, a vida apresentou desafios para a família, quando Priscila descobriu o diagnóstico de tuberculose resistente a medicamentos. Diante da dificuldade financeira, os dois tiveram que morar em abrigos. O caso ganhou repercussão e mobilizou uma rede de solidariedade.
Álvaro ganhou uma bolsa de estudos em uma escola particular, onde cursa o quarto ano do ensino fundamental. Com o valor arrecadado das doações, pretendem comprar o imóvel próprio.
Ao Brasil Escola, Priscila e Álvaro compartilham a trajetória do pequeno e da família, permeada de desafios, realizações e, sobretudo, sonhos.
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Trajetória de conquistas
Alvinho aprendeu a ler e escrever com a ajuda de um aplicativo do Ministério da Educação (MEC) quando tinha apenas quatro anos.
Aos cinco, Álvaro lançou seu primeiro livro sobre Educação Domiciliar em tempos de pandemia.
Alvinho e sua mãe Priscila.
Crédito: Guilherme Moraes.
Aos sete anos, também concluiu o curso de programação em blocos que realizou de forma online pela Universidade de Harvard (Estados Unidos), uma das mais renomadas do mundo. Após a capacitação, produziu uma animação que trata de sua própria história e foi desenvolvida em inglês.
Álvaro fez parte de um documentário sobre educação que ficou entre os 15 finalistas do festival francês (em Paris), MegaCities ShortDocs. Também já teve oportunidade de palestrar na Universidade Federal Fluminense (UFF).
Com somente oito anos, tornou-se o cidadão mais jovem a ser homenageado com a Medalha Pedro Ernesto na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, por seu destaque na educação.
Conquistou vaga no Instituto Rogério Steinberg para superdotados, após seleção, e foi aceito como membro das associações internacionais para superdotados Mensa (da Inglaterra) e Intertel (dos Estados Unidos).
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Iniciou o curso de Robótica no Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). E participa de congressos de Engenharia e Tecnologia, apresentando projetos que desenvolve na UFRJ em vários estados brasileiros.
Recentemente, recebeu bolsa integral na Legacy School de Cabo Frio, o que ele próprio destaca como uma conquista muito importante.
Em relação aos seus estudos, ele afirma que procura aprender de forma divertida para o processo não ficar cansativo.
Atualmente está lançando sua marca Super Alvinho, com uma linha de materiais pedagógicos voltados para acessibilidade, jogos educativos, livros, revistas em quadrinhos, brinquedos e muito mais.
Aos 10 anos, Álvaro desenvolve o projeto Escola Super Alvinho.
Crédito: Arquivo Pessoal.
Sob supervisão da mãe, a família compartilha conteúdos sobre conhecimento, ciência e tecnologia de Alvinho pelo Instagram @superalvinhomelo. "Potencial que enfrenta barreiras e busca oportunidades" é a frase destacada na descrição de seu perfil.
"Minha mãe representa persistência e a coisa mais importante que ela me ensinou é que a gente nunca está sozinho, Deus sempre está com nós"
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Álvaro de Melo
Entre os maiores sonhos do pequeno estão o de construir robôs e morar na Europa.
Priscila é mãe solo e desenvolve pesquisa de mestrado sobre crianças com altas habilidades.
Crédito: Guilherme Moraes.
Altas habilidades e vulnerabilidade social
Priscila, a mãe de Alvinho, conta que a descoberta da condição de Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) foi inesperada. Mesmo com o desenvolvimento precoce, ela não tinha conhecimento de como isso acontece na prática.
Ele tinha uma boa dicção para uma criança nova. Após entrar na creche, aos três anos, os colaboradores do espaço comentaram com Priscila que ele conversava sobre assuntos e temas mais complexos para sua idade e que costumava manter diálogos com os adultos, em vez de brincar com as outras crianças.
Com isso, após a realização de avaliação profissional, Álvaro foi identificado com AH/SD com QI 148.
Aos 6 anos, Alvinho na Nave do Conhecimento no Engenhão.
Crédito: Arquivo Pessoal.
Em contexto de vulnerabilidade social, as crianças com altas habilidades e suas famílias contam com mais dificuldade de acessar os serviços especializados. Dessa forma, as barreiras já existentes no processo de identificação da condição e na adaptação da criança nos espaços de aprendizado, por exemplo, intensificam-se, acredita Priscila.
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Em sua opinião, a rede pública ainda está muito atrasada em políticas públicas que promovam o atendimento educacional especializado e suplementar para crianças com AH/SD.
Além da falta de recursos e materiais adequados para o atendimento desses grupos de estudantes, há também uma deficiência na capacitação qualificada por parte dos profissionais da educação no acolhimento, orientação e trabalho com esses alunos, considera a mãe de Alvinho.
Mesmo com a formação em Pedagogia em universidade federal, Priscila compartilha que teve dificuldade em observar sinais e comportamentos do seu filho que indicavam altas habilidades.
Ao buscar informações e contato com pessoas que têm conhecimento sobre o tema, percebeu que esse era um meio muito fechado, em que alguns grupos de determinados recortes de classe e racial tinham algum conhecimento e troca, enquanto as demais famílias não têm suporte adequado.
Ela observa então um acesso muito mais difícil para pessoas negras e periféricas. Decidiu então tomar essa realidade para iniciar o desenvolvimento de sua pesquisa no Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social, que fica no Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão.
Atualmente, cursa o mestrado e pesquisa sobre mães de áreas periféricas que têm filhos com suspeitas de altas habilidades, mas que não conseguem obter a identificação, realizar a avaliação neuropsicológica e, consequentemente, acessar o atendimento educacional especializado.
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"Diante disso, essas mães desenvolvem as estratégias possíveis dentro da realidade de cada uma para oferecer algum suporte às crianças, porque percebem que a escola está muito aquém do que deveria oferecer. Essa é uma realidade das comunidades excluídas: as pessoas precisam tomar providências por conta própria", afirma.
Desafios
Em outubro de 2025, Priscila foi diagnosticada com tuberculose resistente aos medicamentos.
No início deste ano, mudou-se da capital fluminense para a cidade de Cabo Frio, situada na Região dos Lagos, em busca de oportunidade de emprego.
Diante da realidade, marcada pela dificuldade financeira, os dois chegaram a morar em abrigos tanto no Rio de Janeiro quanto em Cabo Frio. O caso ganhou repercussão e mobilizou a arrecadação de apoio financeiro para a família.
Ela está na fase final do seu tratamento no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, unidade vinculada à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Com o valor arrecadado, por meio das doações, Priscila quer comprar um imóvel para morar com seu filho.
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Lei Alvinho
Tendo como ponto de partida e inspiração a história de Alvinho, foi apresentado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) o Projeto de Lei nº 2.799/2023 que estabelece diretrizes para implementação de políticas públicas destinadas ao desenvolvimento do potencial de estudantes com altas habilidades ou superdotação na rede de ensino pública do Rio. A proposta prevê o atendimento especializado conforme as características e os interesses do aluno, em espaços apropriados e também em níveis mais elevados de ensino.
Alvinho com Medalha Pedro Ernesto, da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
Crédito: Arquivo Pessoal.
Entre os pontos que Priscila e Álvaro consideram importantes em relação ao projeto da Lei Alvinho, estão o pleno desenvolvimento para o exercício da cidadania e a participação social; a atenção integral e o apoio às famílias, que são de extrema importância; e a atuação articulada entre os diversos setores para o atendimento desse público com altas habilidades.
Além disso, também consideram pertinente a "questão dos direitos humanos e do acesso a direitos básicos, como moradia, alimentação digna e acesso à Justiça. Esses foram pontos importantes que afetaram muito o desenvolvimento do Álvaro e prejudicaram a possibilidade de que ele tivesse um desenvolvimento pleno durante a infância. Ele enfrentou uma sobrecarga muito grande, assim como eu, que sou mãe solo", enfatiza.
O projeto destaca a importância do investimento no desenvolvimento de talentos e habilidades excepcionais como forma de contribuição para o progresso da sociedade.
Mesmo diante das adversidades, Alvinho e Priscila caminham juntos com sonhos, acreditando no potencial da educação para a transformação de vidas.
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