13 de maio: a importância das práticas antirracistas nas escolas

Historiador fala sobre a importância da comunidade escolar adotar práticas antirracistas efetivas como combate ao racismo

Em 12/05/2023 13h28 , atualizado em 12/05/2023 13h30
Mulher negra com a mão levantada
Dia 13 de maio é o Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo. Crédito da Imagem: Shutterstock
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O 13 de maio é uma data histórica devido à Lei Áurea que aboliu a escravatura no Brasil. Entretanto, há um movimento que não reconhece este dia pela perspectiva da celebração, já que a escravidão ainda deixa consequências e marcas para a população negra no país.

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O professor e historiador Léo Bento, coordenador do Instituto Camino, explica que o dia 13 de maio foi construído pelas elites para enaltecer que o fim do processo da ecravização teria sido concretizado por vontade do Estado Brasileiro, dando créditos à princesa Isabel como figura salvadora.

Entretanto, o educador enfatiza que a escravidão não foi abolida apenas pela assinatura da Lei Áurea, mas sim por meio de um intenso movimento de resistência de pessoas negras que foram escravizadas.

A partir do movimento negro, o dia 13 de maio se tornou também o Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo. Com isso, a data deixa de ser uma celebração da Lei Áurea e é considerado um dia de lembrar a luta das pessoas negras ao longo do tempo. 

Nesse sentido, Léo destaca a importância das escolas compreenderem a discussão sobre o racismo e entenderem o contexto de datas como o 13 de maio. 

“Existem escolas que acreditam estar excluindo o racismo de seus espaços apenas ao desenvolverem ações pontuais sobre essas datas. Acham que fazer um evento sobre Zumbi dos Palmares ou, de forma equivocada, sobre a Princesa Isabel, é o suficiente. E não é”.

Para o professor, é necessário que as escolas, as e os professores e demais membros da comunidade escolar desenvolvam um contínuo trabalho de combate ao racismo, que seja construído para além dessas datas, mas sim na realização de práticas antirracistas cotidianas. 

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Neste ano a Lei 10.639 completa 20 anos, ela tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio. 

Leia também: A diferença simbólica entre a Abolição da Escravatura (13 de maio) e a Consciência Negra (20 de novembro)

O que é educação antirracista?

Veja no vídeo abaixo a explicação de Léo Bento sobre educação antirracista:

Práticas antirracistas nas escolas

As práticas antirracistas nas escolas, na perspectiva de Léo Bento, são ações, iniciativas, engajamentos e processos em gestão desenvolvidos nos ambientes escolares para combater o racismo.

A primeira atitude a ser tomada pelas escolas é a compreensão de que o racismo existe e que a sociedade brasileira reproduz o racismo, argumenta. 

Léo Bento é um homem negro e está sorrindo na foto.
Léo Bento, professor, historiador e Coordenador do Instituto Camino.
Crédito: Arquivo Pessoal.

Saber o que é o racismo estrutural é fundamental neste processo. Para o professor Léo é fundamental que as escolas possuam em seu corpo docente educadoras e educadores negros que compreendam a dimensão do racismo e as dinâmicas das relações raciais na sociedade.

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Outro ponto destacado pelo historiador é de que não basta uma pessoa que proponha debates sobre o tema. É necessário "uma gestão que envolva toda a comunidade escolar, inclusive trazendo as famílias para esse diálogo", afirma Léo. 

Fomentar o letramento racial dos professores é interessante para garantir a formação do corpo decente quanto ao tema, segundo o educador. 

 

Por Lucas Afonso
Jornalista

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