Solução Final foi o nome dado pelos nazistas ao plano estabelecido para promover o extermínio dos judeus da Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Esse plano foi arquitetado por dois membros da cúpula nazista, Reinhard Heydrich e Heinrich Himmler, e teve início oficialmente em julho de 1941. Foi a última e mais violenta fase do Holocausto, marcada, principalmente, pela ação de grupos de extermínio e pela execução de judeus em câmaras de gás. Estima-se que essas ações foram responsáveis por metade das seis milhões de mortes ocorridas durante o Holocausto.
Leia também: Afinal, quem são os judeus?
Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre Solução Final
- 2 - O que foi a Solução Final?
- 3 - Criação da Solução Final
- 4 - Quais os objetivos da Solução Final?
- 5 - Como foi executado o plano da “Solução Final”?
- 6 - Diferenças entre Solução Final e Holocausto
- 7 - Consequências da Solução Final
- 8 - Exercícios resolvidos sobre Solução Final
Resumo sobre Solução Final
- Solução Final é o nome que os nazistas deram ao seu programa de extermínio dos judeus da Europa.
- Essa plano foi estabelecido em 1941, e criado por Reinhard Heydrich e Heinrich Himmler, dois importantes membros da cúpula nazista.
- É entendido como a última e mais mortal fase do Holocausto.
- Por meio da Solução Final foram estabelecidas a atuação de grupos de extermínio e as execuções em câmaras de gás.
- Estima-se que só as ações da Solução Final foram responsáveis por três milhões de mortes.
O que foi a Solução Final?
“Solução Final” é o nome pelo qual os nazistas se referiam ao seu programa de extermínio dos judeus da Europa, durante a Segunda Guerra Mundial. Esse plano foi colocado em prática entre os anos de 1941 e 1945, sendo responsável por implementar ações que realizaram deliberadamente o assassinato de judeus, visando à sua extinção por completo.
A Solução Final foi parte do que conhecemos como Holocausto, isto é, o genocídio promovido pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, que tinha como alvo diversas minorias, com destaque para os judeus. Como parte desse programa genocida, os nazistas estabeleceram pelotões de fuzilamento, ações para escravização dos judeus, extermínios em massa em câmaras de gás e outras ações.
O plano buscava erradicar os judeus do continente europeu, mas foi usado para exterminar diversas outras minorias que não eram consideradas “puras”, como ciganos, negros, pessoas com deficiência mental, testemunhas de Jeová e homossexuais, por exemplo. A Solução Final foi um projeto elaborado por Reinhard Heydrich e Heinrich Himmler, que teve como resultado a morte de cerca de seis milhões de pessoas.
Criação da Solução Final
O antissemitismo era um elemento crucial da ideologia nazista, alimentado por Adolf Hitler e por membros do Partido Nazista desde o início do governo. Quando os nazistas assumiram o poder da Alemanha, em 1933, as primeiras ações para isolar os judeus da sociedade alemã começaram a ser realizadas.
Logo, o antissemitismo passou a ser utilizado como uma ferramenta para reforçar o apoio da população ao partido, porém, com o tempo, deixou de ser apenas um discurso de ódio, transformando-se em medidas efetivas de segregação e, posteriormente, de extermínio. Muitos historiadores apontam que o antissemitismo era, muitas vezes, mais forte nos membros da cúpula nazista do que no próprio Hitler, dessa forma, ele acabou se tornando um elemento central do nazismo.
Com o decorrer da Segunda Guerra Mundial, o extermínio dos judeus se tornou um objetivo fundamental para muitos nazistas. Entre eles, estavam Reinhard Heydrich e Heinrich Himmler, duas figuras muito importantes do partido.
Chamado de “Solução Final”, o plano foi criado por Heydrich e Himmler, após Hermann Göring aprovar a sua criação, em 31 de julho de 1941. Seu objetivo era a erradicação total dos judeus da Europa. A Solução Final propunha que todos os judeus que não pudessem trabalhar para os nazistas seriam mortos imediatamente, e os que estivessem aptos seriam forçados a trabalhar até que a exaustão os matasse.
Esse plano baseava-se em algumas propostas que Hitler tentou colocar em prática no Leste Europeu até meados de 1941, mas que haviam falhado: a primeira era o plano de fome, no qual os nazistas tentaram provocar a morte de 30 milhões de pessoas por inanição; depois, havia o plano de extermínio total dos judeus após a vitória sobre a União Soviética (segundo planejava o próprio Hitler); por último, pretendia-se transformar a União Soviética em uma colônia de exploração alemã.
O extermínio dos judeus se tornou a solução para os nazistas quando os planos de realocação dos judeus demonstraram não ser possíveis. Um desses planos chegou a cogitar enviar todos os judeus da Europa para a ilha de Madagascar, no continente africano.
Veja também: Terceiro Reich — da origem ao fim do governo de Hitler sobre a Alemanha Nazista
Quais os objetivos da Solução Final?
A solução final foi um plano criado para lidar com a “questão judaica”, que era como os nazistas se referiam ao destino dos judeus na Europa, portanto, seu objetivo central era exterminar todos os judeus do continente europeu. Para isso, foram utilizados diversos métodos, sobretudo pelotões de fuzilamento e execuções em câmaras de gás.
A Solução Final também estabeleceu que todos os judeus que ainda tivessem condição física, seriam explorados como trabalhadores escravizados, sendo executados, caso ficassem debilitados pelas condições em que se encontravam nos campos de concentração. A eliminação dos judeus fazia parte da purificação racial que os nazistas almejavam promover nos territórios ocupados por eles no seu “espaço vital”.
Como foi executado o plano da “Solução Final”?
Com a criação da Solução Final, os nazistas estabeleceram meios para exterminar os judeus em ritmo acelerado. Os principais meios usados foram a ação dos grupos de extermínio e as câmaras de gás presentes nos campos de concentração e extermínios. Vejamos um pouco sobre ambos.
Após obter a autorização formal de Hitler (transmitida por Göring), Himmler colocou seu plano em prática. Em um primeiro momento, Himmler sugeriu que o método mais simples de lidar com a situação era por meio do fuzilamento. Ele era um crítico dos planos anteriores de Hitler que sugeriam matar os judeus lentamente de fome e dos planos de deportação propostos (como fora dito, os nazistas chegaram a cogitar deportar os judeus da Europa para Madagascar).
Assim, para colocar em prática esse plano de fuzilamento, Himmler convocou o Einsatzgruppen. A ordem dada, em julho de 1941, era a de que o Einsatzgruppen deveria matar todos os judeus do oeste da União Soviética (homens, mulheres e crianças). A imposição dessa ordem levou o Einsatzgruppen C (responsável pela região da Ucrânia) a matar cerca de 60 mil judeus entre agosto e setembro de 1941|1|.
A atuação do Einsatzgruppen aconteceu em toda essa região, e um dos casos mais emblemáticos foi o extermínio de judeus em Kiev, no qual, em cerca de 36 horas, os nazistas fuzilaram cerca de 33 mil pessoas. Isso ocorreu em setembro de 1941. A política de extermínio nazista foi responsável pela morte de cerca de um milhão de judeus no Leste Europeu até dezembro de 1941.|2
No entanto, a ordem dada para o fuzilamento de crianças e mulheres gerou inúmeros problemas psicológicos nos membros do Einsatzgruppen. A resposta foi criar um método de extermínio que fosse mais impessoal e que pudesse matar mais pessoas em menos tempo: as câmaras de gás.
-
Câmaras de gás
As câmaras de gás foram criadas com o intuito de aumentar o volume das execuções realizadas. Além disso, por serem feitas de maneira impessoal, elas diminuíam os casos de transtornos psicológicos causados no Einsatzgruppen. As primeiras câmaras de gás foram testadas contra prisioneiros soviéticos em vagões de trem adaptados. A morte foi por envenenamento por monóxido de carbono.
As câmaras logo foram adicionadas aos campos de concentração nazistas, que haviam sido criados ainda na década de 1930. Com a guerra e a conquista de várias regiões na Europa, os nazistas expandiram a ideia e criaram vários outros campos de concentração, principalmente no Leste Europeu. Com o estabelecimento da Solução Final, os campos de concentração passaram a receber judeus de todas as partes da Europa.
O termo usado pelos nazistas para se referir aos campos de concentração, era reassentamento, mas, como diz o historiador Timothy Snyder, esse termo era um eufemismo para extermínio em massa. As câmaras de gás passaram, então, a utilizar o pesticida Zyklon B.
Os principais campos de concentração e extermínio foram instalados na Polônia. Foram eles:
- Auschwitz-Birkenau,
- Treblinka,
- Sobibor e
- Belzec.
Os prisioneiros eram levados de trem aos campos. Judeus de todas as partes do continente europeu foram enviados pelos nazistas a esses locais e a maioria não retornou vivo.
→ Quantos judeus morreram na Solução Final?
Estima-se que cerca de três milhões de judeus tenham morrido nos fuzilamentos e nas câmaras de gás. Outros três milhões morreram em decorrência de maus-tratos, exaustão, fome ou doenças. Os historiadores estimam que cerca de 2/3 dos judeus da Europa tenham sido mortos pelas ações dos nazistas.
Diferenças entre Solução Final e Holocausto
Os historiadores entendem que existem diferenças entre os termos. O Holocausto se refere a todo conjunto de ações realizadas pelos nazistas para promover o genocídio de judeus e outros grupos minoritários existentes na Europa. A Solução Final, por sua vez, foi a última etapa do Holocausto, exatamente a etapa onde a eliminação de judeus assumiu um maior rigor e uma escala industrial.
Antes da Solução Final, no entanto, ocorreu a fase do isolamento dos judeus na sociedade alemã, e a marginalização desse grupo por meio de ações que foram excluindo-os gradativamente. Depois, a violência contra os judeus foi se tornando cada vez mais comum, até que eles começaram a ser aprisionados a partir da Noite dos Cristais.
Com o início da Segunda Guerra Mundial, os nazistas começaram a aprisionar os judeus em guetos, estudando o que fazer com esse grupo. A partir de 1941, foi aprovada a ideia de exterminar os judeus e as iniciativas para promover esse genocídio foram aceleradas.
→ Videoaula sobre Holocausto
Consequências da Solução Final
A Solução Final teve como grande consequência a morte de milhões de judeus. Estima-se que as ações tomadas somente por grupos de extermínio e as execuções em câmaras de gás, cerca de três milhões de pessoas foram mortas. Além disso, outras três milhões morreram devido a outros fatores relacionados à violência promovida pelos nazistas.
Sendo assim, a Solução Final tem responsabilidade direta no total de seis milhões de pessoas mortas pelos nazistas no Holocausto. O plano de extermínio ainda foi responsável pela migração de milhares de pessoas, que se mudaram para fugir da perseguição nazista. Nessa migração, muitos judeus foram para a Palestina, estabelecendo condições políticas para o surgimento do Estado de Israel.
Além disso, a Solução Final e o Holocausto motivaram uma série de ações internacionais para defender os Direitos Humanos, estabelecendo alguns princípios básicos que norteiam a humanidade.
Saiba mais: Tribunal de Nuremberg — julgamento dos nazistas depois da Segunda Guerra Mundial
Exercícios resolvidos sobre Solução Final
Questão 01
Em relação ao Holocausto e à Solução Final, qual das afirmativas é verdadeira?
a) Na década de 1930, os nazistas estabeleceram ampla legislação para segregar os judeus da sociedade alemã.
b) O aprisionamento de judeus teve início após a Noite dos Cristais.
c) Os nazistas propuseram a deportação dos judeus da Europa para Madagascar.
d) Grupos de extermínio foram usados para executar os judeus.
e) Todas as alternativas são verdadeiras
Resposta: Letra E
Todas as informações trazidas nas alternativas são verdadeiras e têm relação direta com ações promovidas ou cogitadas pelos nazistas em relação aos judeus durante o Holocausto.
Questão 02
O maior campo de extermínio utilizado pelos nazistas durante a realização da Solução Final foi:
a) Chelmno.
b) Belzec.
c) Treblinka.
d) Auschwitz-Birkenau.
e) Sobibor.
Resposta: Letra D
O campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau foi o maior campo de concentração e extermínio mantido pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Esse campo possuía um grande complexo para escravização dos judeus, mas também uma estrutura industrial para promover o extermínio de judeus. Estima-se que cerca de 1,2 milhão de pessoas foram mortas em Auschwitz-Birkenau
Notas
|1| SNYDER, Timothy. Terras de sangue: a Europa entre Hitler e Stalin. Rio de Janeiro: Record, 2012, p. 247.
|2| Idem, p. 270.
Crédito das imagens
[1] Everett Collection/ Shutterstock
[2] Bundesarchiv, Bild 183-A0706-0018-029 / CC-BY-SA 3.0/ Wikimedia Commons
Fontes
GOLDHAGEN, Daniel Jonah. Os carrascos voluntários de Hitler: o povo alemão e o Holocausto. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
KERSHAW, Ian. Hitler. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
LEVI, Primo. Assim foi Auschwitz: testemunhas 1845-1986. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
SNYDER, Timothy. Terras de sangue: a Europa entre Hitler e Stalin. Rio de Janeiro: Record, 2012.