Arianismo

O arianismo é uma doutrina que surgiu no interior do cristianismo a partir das pregações de Ário, no século IV, sendo marcado pela negação da doutrina da Trindade.

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O arianismo é uma doutrina religiosa e filosófica que surgiu no interior da Igreja Católica no século IV. Essa doutrina surgiu a partir das pregações de Ário, presbítero de Alexandria, que negava a doutrina da Trindade, afirmando que Deus era superior, imutável e indivisível, de modo que Jesus e o Espírito Santo eram criações de Deus, mas não eram parte dele e não tinham sua substância.

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O arianismo se tornou uma doutrina extremamente popular no cristianismo oriental, conquistando as classes mais pobres e causando tumultos entre católicos e arianos. Essa doutrina foi considerada herética no Concílio de Niceia, em 325, estando presente na Europa até o século VII, quando então os últimos arianos foram convertidos ao catolicismo.

Leia também: Cristianismo — detalhes sobre essa religião que se baseia nos ensinamentos de Jesus Cristo

Tópicos deste artigo

Resumo sobre o arianismo

  • O arianismo é uma doutrina católica que não acredita na doutrina da Trindade.
  • O arianismo surgiu a partir das pregações de Ário, no século IV.
  • Os arianos acreditavam na superioridade de Deus Pai, não acreditando que Jesus (o Filho) e o Espírito Santo eram da mesma substância que ele.
  • Foi considerado herético pela Igreja Católica a partir do Concílio de Niceia, em 325.
  • Doutrinas antitrinitárias ainda estão presentes em algumas religiões, como o espiritismo, por exemplo.

O que é arianismo?

Ário, presbítero de Alexandria cujas pregações levaram ao surgimento do arianismo.
O arianismo surgiu a partir das pregações de Ário, no século IV.

O arianismo foi uma doutrina religiosa e filosófica que surgiu no interior da Igreja Católica durante os seus primeiros séculos de sua existência, sendo originada nos pensamentos de Ário, um presbítero de Alexandria. O arianismo surgiu no século IV, sendo uma doutrina que negava a doutrina da Trindade, um conceito basilar da fé cristã.

A teoria da Trindade fala que Deus, Jesus (o Filho) e o Espírito Santo são três e um só ao mesmo tempo, de modo que são todos da mesma substância e, portanto, são apenas uma divindade. A doutrina de Ário, por sua vez, nega a Trindade, afirmando que Jesus e o Espírito Santo não são da mesma substância de Deus.

Assim, o arianismo entendia que Jesus era o ser mais sagrado, divino e perfeito criado por Deus, mas acreditava que Jesus não era Deus, sendo apenas um ser superior à humanidade e subordinado a Deus, e não parte dele. Essa doutrina se tornou bastante popular entre os cristãos da Antiguidade, gerando uma grande divisão no interior da Igreja.

O crescimento do arianismo gerou uma reação da Igreja Católica que reuniu os grandes bispos para debater essa doutrina. Isso aconteceu em 325, no Primeiro Concílio de Niceia, com o arianismo sendo rejeitado e passando a ser considerado uma heresia.

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Em que o arianismo acredita?

O arianismo é uma doutrina antitrinitária, rejeitando, portanto, a doutrina da Trindade. Com isso, o arianismo questionava a divindade de Jesus, atestando que ele é um ser divino, superior, mas que ele não era o próprio Deus, sendo portanto, inferior a ele. Os arianos acreditavam que Deus seria único e indivisível, pois, se Deus compartilhasse sua substância, seriam dois grandes seres divinos, o que abriria espaço para disputas.

Além disso, os arianos não acreditavam que Jesus e o Espírito Santo seriam eternos, sendo ambos criações de Deus que aconteceram em algum momento antes da criação do Universo e da humanidade. Sendo assim, os arianos acreditavam que, em algum tempo remoto, Jesus não haveria existido, pois ainda seria criado.

Como Jesus era uma criatura criada por Deus e não era o próprio Deus, Ário acreditava que Jesus não tinha conhecimento pleno dos pensamentos de Deus, pois não era igual a Deus. Para Ário, Deus, unicamente ele, era eterno, absoluto, imutável e incorruptível, e ele criou Jesus para ser um intermediário da criação.

Ário acreditava que Jesus não era Deus nem provinha dele, pois Deus era imutável, indivisível. Se Deus fosse divisível, haveria duas divindades, logo, para Ário, o cristianismo deixaria de ser uma religião monoteísta. Ário argumentava utilizando textos bíblicos para justificar a sua crença em uma suposta inferioridade de Jesus em relação a Deus.

Veja também: Catolicismo — detalhes sobre uma das maiores religiões cristãs

Exemplos de arianismo

O arianismo surgiu a partir das pregações de Ário, em Alexandria e rapidamente se espalhou pelo mundo antigo, especialmente pelo Oriente cristão. Entre os locais que receberam com entusiasmo a doutrina de Ário no século IV, estavam o Egito, a Palestina, a Síria e a Ásia Menor, dando origem a uma nova igreja cristã. Além disso, o arianismo tornou-se muito comum entre as classes populares desses locais.

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O arianismo sofreu uma repressão inicial da Igreja Católica, mas conseguiu resistir, sendo levado para fora das terras romanas. O caso mais conhecido foi o de um missionário godo chamado Úlfilas, que aderiu ao arianismo nas terras romanas e depois levou essa doutrina para o seu povo, dando origem a uma igreja cristã gótica que se baseava no arianismo.

Os godos e outros povos germânicos, tais como os vândalos, visigodos, ostrogodos, longobardos e os burgúndios, aderiram ao arianismo em peso. Esses povos só abandonaram o arianismo no século VII. Mais recentemente, aponta-se que os Testemunhas de Jeová, surgidos no século XIX, são um grupo religioso adepto de uma doutrina antitrinitária, assim como o arianismo.

Arianismo e a heresia

O arianismo foi considerado heresia pela Igreja Católica em 325, no Concílio de Niceia. Os acontecimentos que levaram a isso estão relacionados ao crescimento dessa doutrina, que preocupou as autoridades religiosas da Igreja Católica ao se tornar cada vez mais popular, sobretudo entre as classes populares. Além disso, o imperador romano Constantino estava preocupado com a divisão que se formou no seio da igreja cristã.

Ele temia que a disputa entre arianos e católicos romanos levasse a tumultos e a conflitos, causando caos e contribuindo para desestabilizar o Império Romano. Pensando nisso, Constantino interveio na situação, mobilizando as grandes autoridades da Igreja para o Concílio de Niceia, realizado em 325.

Constantino queria resolver o conflito e fazer com que os dois lados chegassem a um consenso, mas os 300 bispos que se reuniram no Concílio, em grande parte, aderiram à doutrina da Trindade, rejeitando a doutrina de Ário e estabelecendo um credo que reforça a crença na Trindade ao mesmo tempo que nega o arianismo.

Sendo assim, o arianismo foi considerado uma heresia no Concílio de Niceia, em 325, e essa condenação foi reafirmada pela Igreja Católica no Concílio de Constantinopla, em 381.

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Arianismo e o Espírito Santo

No arianismo, o Espírito Santo era criado por Deus, mas não era feito da substância de Deus, portanto, não era Deus. Os arianos acreditavam que o Espírito Santo continha o Logos (a ação de Deus), mas não poderia ser Deus porque ele era indivisível. Os arianos também entendiam que o Espírito Santo não era Jesus e não estava unido a ele.

Arianismo e as testemunhas de Jeová

As testemunhas de Jeová são um grupo religioso que se autodenomina cristão e que surgiu nos Estados Unidos, na segunda metade do século XIX. As testemunhas de Jeová seguem unicamente o texto bíblico, usando ele como base para adotar uma postura antitrinitária em sua profissão de fé. Assim, as testemunhas de Jeová não acreditam na doutrina da Trindade.

As testemunhas de Jeová sustentam que a Bíblia nunca mencionou o termo Trindade e reforçam que o texto bíblico demonstra que Jesus é apresentado como uma figura inferior a Deus, sendo uma criação dele e não uma parte própria de Deus.

Arianismo na atualidade

Atualmente, grande parte das igrejas cristãs rejeita as noções do arianismo, sendo adeptas da doutrina da Trindade. Entretanto, alguns grupos cristãos minoritários adotam posturas antitrinitárias, como o arianismo, negando a ideia de que Deus é um e três ao mesmo tempo e de que Jesus e o Espírito Santo seriam parte de Deus e seriam o próprio Deus. Entre esses grupos, estão:

História do arianismo

O arianismo foi uma doutrina que surgiu no interior do cristianismo no século IV. Essa doutrina é definida como antitrinitária, pois nega a Trindade, afirmando que Jesus e o Espírito Santo eram criações de Deus, mas não eram parte dele e não tinham sua substância.

Essa doutrina surgiu por meio de Ário, presbítero de Alexandria, que passou a pregar sua interpretação. Ário não acreditava que Jesus era eterno, alegando que, se ele foi criado por Deus, existiu algum momento em que Jesus não havia sido criado, portanto, em que não existia, logo, não poderia ser eterno como Deus é. Ário sustentava suas ideias com base em diversos versículos da Bíblia, tais como:

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  • Provérbios 8:22 – O Senhor me criou como o princípio de seu caminho, antes das suas obras mais antigas.
  • Colossenses 1: 15 – Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação.
  • João 14:28 – Vocês me ouviram dizer: Vou, mas volto para vocês. Se vocês me amassem, ficariam contentes porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu.
  • Marcos 13:32 – Quanto  ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão somente o Pai.

O arianismo foi conquistado espaço entre os cristãos orientais, criando uma enorme divisão entre católicos e arianos nas terras romanas. O Concílio de Niceia foi convocado pelo imperador Constantino, em 325, para resolver os desentendimentos entre os dois lados. O arianismo foi rejeitado nesse concílio e considerado uma heresia.

O arianismo recuperou sua força depois da morte de Constantino, chegando a haver imperadores romanos defensores da doutrina de Ário. O crescimento do arianismo deu origem a uma divisão no interior do arianismo com o surgimento de dois grupos:

  • Anomeus: acreditavam que a substância do Filho era radicalmente diferente a do Pai.
  • Homeusianos: acreditavam que o Filho era de uma substância diferente, porém semelhante à do Pai.

O arianismo se expandiu para diversos povos germânicos, dando origem a uma igreja nos locais habitados por esses povos. No entanto, a conversão de Clóvis, rei dos francos, ao catolicismo, marcou o enfraquecimento progressivo do arianismo entre os povos germânicos. O arianismo perdeu sua força para o catolicismo de maneira no século VII. Após as Reformas Protestantes, doutrinas antitrinitárias ressurgiram, influenciando alguns pequenos grupos cristãos.

Arianismo nazista

O termo arianismo também é relacionado com a ideologia nazista, mas sua aplicação nesse contexto não tem nenhuma relação com a doutrina antitrinitária do arianismo. O arianismo nazista era uma ideologia supremacista que definia os povos germânicos, denominados por Adolf Hitler de arianos, como uma raça supostamente superior. Essa ideia supremacista foi utilizada pelos nazistas para justificar e para promover o Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial.

Fontes

AGOSTINHO, Santo. A Trindade. São Paulo: Paulus, 1994.

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FRANGIOTTI, Roque. História das Heresias (séculos I-VII). São Paulo: Paulus, 1995.

Imagem explicando o que é arianismo (doutrina que nega a Trindade).
O arianismo é uma doutrina que surgiu no interior da Igreja Católica.
Crédito da Imagem: Brasil Escola
Escritor do artigo
Escrito por: Daniel Neves Silva Formado em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em História e Narrativas Audiovisuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua como professor de História desde 2010.
Deseja fazer uma citação?
SILVA, Daniel Neves. "Arianismo"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/arianismo-heresia-ario.htm. Acesso em 03 de fevereiro de 2026.
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Videoaulas


Lista de exercícios


Exercício 1

“Ário afirmava a existência de um único Deus, o Pai, eterno, absoluto, imutável, incorruptível. Este Ser Supremo e Absoluto, não pode comunicar, segundo sua concepção seu Ser nem mesmo parcelas dele, nem por criação, nem por geração. Se Deus não é corpo, não pode ser composto, divisível. Assim, é impossível a Deus gerar um filho. Tudo o que está fora dele, portanto, foi criado do nada. Tudo o que existe fora de Deus Absoluto, eterno, incriado, incomunicável, são meras criaturas”.

FRANGIOTTI, Roque. História das heresias – séculos I-VII: conflitos ideológicos dentro do cristianismo. São Paulo: Paulus, 1995, p.86-87.

O trecho faz menção ao Arianismo, doutrina criada por Ário, no século IV, que negava a existência:

a) de Cristo

b) do pecado original

c) da Trindade

d) do diabo

e) da Bíblia

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Exercício 2

Quem foi a primeira personalidade eclesiástica a confrontar as doutrinas difundidas por Ário?

a) Alexandre, bispo de Alexandria

b) Imperador Constantino

c) Santo Atanásio

d) Eusébio de Nicomédia

e) Bispo Osório de Córdoba

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Exercício 3

“Com a intenção de resolver de vez a controvérsia, Constantino, juntamente com Ósio e Alexandre e com outros bispos ortodoxos, concluíram que se impunha um concílio geral, ecumênico. A ideia viera, talvez da assembleia dos bispos reunidos em Antioquia ou proposta por Ósio a Constantino. O fato é que o executor do projeto foi o próprio imperador. Encarregou-se desde a convocação até a providenciar viagens, transportes, alimentação e alojamento dos bispos participantes Está presente nas assembleias na qualidade de juiz das decisões. Foi um concílio tenso, com discussões apaixonadas, ardentes”.

FRANGIOTTI, Roque. História das heresias – séculos I-VII: conflitos ideológicos dentro do cristianismo. São Paulo: Paulus, 1995, p.92-93.

O imperador Constantino, preocupado com a escalada na violência causada entre os defensores do arianismo e seus críticos, convocou um concílio para debater a doutrina ariana. Esse concílio ficou conhecido como:

a) Concílio de Jerusalém

b) Concílio de Constantinopla

c) Concílio de Sárdica

d) Concílio de Córdoba

e) Concílio de Niceia

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Exercício 4

Discípulo de Alexandre, bispo de Alexandria, lutou contra o crescimento do arianismo e foi perseguido por isso, tendo sido excomungado e exilado por várias vezes. Estamos falando de:

a) Santo Atanásio

b) Eusébio de Nicomédia

c) Ário

d) Papa Libério

e) Constantino

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