A história da Venezuela é marcada pela colonização espanhola, que se estendeu do século XVI ao século XIX, e por períodos de crises econômicas e políticas profundas que foram responsáveis por transformações de grande importância no território venezuelano. A mais recente dessas crises se instalou no ano de 2013, com a morte de Hugo Chávez e com a sucessão ao cargo por Nicolás Maduro, que presidiu o país até janeiro de 2026.
Hiperinflação, aumento da pobreza, queda na produção de petróleo e autoritarismo político, com perseguições e denúncias de fraudes nas eleições, foram os principais aspectos desse período mais recente da história da Venezuela. Hoje, o país está sob uma presidência interina que assumiu o cargo após ataques diretos feitos pelos Estados Unidos seguidos da captura e da deposição de Nicolás Maduro.
Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre a história da Venezuela
- 2 - Quem colonizou a Venezuela?
- 3 - Independência da Venezuela
- 4 - Presidentes da Venezuela
- 5 - Quem governou a Venezuela antes de Hugo Chávez?
- 6 - Crise na Venezuela
- 7 - Petróleo na Venezuela
- 8 - Curiosidades sobre a Venezuela
Resumo sobre a história da Venezuela
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A história da Venezuela é marcada pela colonização espanhola e por períodos de crises econômicas e políticas profundas.
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A Venezuela foi colonizada pelos espanhóis a partir da década de 1520. No entanto, os primeiros europeus que chegaram ao país aportaram no ano de 1498.
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Antes da colonização, a Venezuela era habitada por uma grande diversidade de povos indígenas, como os caraíbas, os yanomami e os aruaques.
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O país se tornou independente da Espanha em 1811, quando foi fundada a Primeira República venezuelana. Entre 1819 e 1830, integrou o território da Grã-Colômbia.
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A Venezuela ganhou a configuração territorial que conhecemos atualmente em 1830. Desde então, teve 46 pessoas exercendo mandatos presidenciais.
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A história venezuelana é marcada por crises econômicas, sociais e políticas, sendo a mais recente delas a que se iniciou no ano de 2013, após a morte de Hugo Chávez.
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A presidência de Chávez foi iniciada em 1999 e marcou uma nova fase na história venezuelana. Após seu falecimento, seu vice, Nicolás Maduro, assumiu o cargo.
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Maduro foi eleito no pleito de 2013, e, pouco tempo após assumir a presidência, a crise econômica que já se desenhava ganhou maiores proporções.
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A presidência de Maduro foi marcada pela deterioração da qualidade de vida no país, pelas denúncias de perseguição política e fraude eleitoral e pelo autoritarismo.
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A crise venezuelana ganhou um novo capítulo com a retirada à força de Maduro do poder pelos Estados Unidos, país que efetuou ataques diretos à capital venezuelana nos primeiros dias de 2026.
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Não obstante a justificativa dada pelo governo estadunidense, analistas políticos veem o interesse dos Estados Unidos no petróleo da Venezuela como motivo por trás das ações.
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A Venezuela é detentora das maiores reservas de petróleo do mundo, que representam um quarto das reservas dos países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Quem colonizou a Venezuela?
A Venezuela foi colonizada pela Espanha a partir do século XVI. A primeira expedição a aportar no território sul-americano foi comandada pelo italiano Cristóvão Colombo, tendo alcançado a região do Golfo de Pária e descido nas terras venezuelanas no dia 5 de agosto de 1498.
Nesse primeiro contato, as ilhas foram mais visadas, com destaque para a ilha de Cubagua, que teve grande importância para a economia colonial em função da produção de pérolas. Um ano depois da chegada de Colombo, o navegador espanhol Alonso de Ojeda, acompanhado de Américo Vespúcio, passou a explorar o interior da Venezuela continental através do curso do Rio Orinoco, que é o mais longo e mais importante curso d’água daquele país.
Não obstante esses sejam os nomes mais conhecidos, diversas expedições europeias transitaram pela costa da Venezuela entre o final do século XV e o início do século XVI. Apesar disso, foi somente no ano de 1523 que o primeiro assentamento espanhol foi estabelecido na Venezuela: Cumaná, cidade que fica no estado de Sucre, no norte do país, a cerca de 400 quilômetros da atual capital, Caracas.
Cumaná não foi somente a primeira cidade venezuelana, como também é conhecida por ser o primeiro assentamento permanente da Espanha na América. Diz-se, então, que foi nessa época que a colonização espanhola teve início oficialmente na Venezuela.
Antes de se tornar uma colônia, no entanto, a Venezuela não era um território inabitado. Ao contrário, havia inúmeros povos indígenas vivendo no território venezuelano, cada qual com a sua organização social e o seu modo de vida próprios. Dentre eles, podemos citar os caraíbas, os aruaques, os chibchas, os timoto-cuicas, os guaiqueríes, os mariche e os yanomami, este último presente também no território do Brasil.
Houve forte resistência dos indígenas às incursões violentas dos europeus na Venezuela, mas esses povos acabaram passando por processos de apagamento de sua cultura e de aculturação por meio da imposição das tradições europeias. Mesmo assim, influências indígenas sobreviveram a esse processo e são identificadas, hoje, na rica cultura venezuelana.
Independência da Venezuela
Da mesma maneira como aconteceu com países vizinhos, a Venezuela permaneceu como uma colônia da Espanha por cerca de três séculos. Durante esse intervalo de tempo, a agricultura e a mão de obra escravizada trazida do continente africano constituíram a base da sua economia.
A partir do século XVII, o cacau entrou para a cesta de produtos da colônia ao lado do milho, do feijão, da cana-de-açúcar e do tabaco, reforçando o caráter agrário-exportador da economia da Venezuela durante esse período. Durante um breve intervalo de tempo, os ingleses e os franceses conseguiram aproveitar do comércio com a Venezuela, mas a Espanha estabeleceu um monopólio na colônia a partir do século XVIII, com a fundação da Real Companhia Guipuzcoana de Caracas. Foi justamente contra essa companhia que aconteceu uma das revoltas do período contra a coroa espanhola, tendo sido liderada por Juan Francisco de León e se estendido de 1749 a 1752.
Ao final do século XVIII, outras revoltas foram registradas na então colônia, fazendo crescer os sentimentos de independência e de soberania entre os seus habitantes. O contexto sociopolítico venezuelano foi favorecido pelas Guerras Napoleônicas na Europa e pela invasão da Espanha pelos franceses logo no começo do século XIX, o que culminou com a deposição do rei espanhol Fernando VII em 1808, aprofundando a crise na metrópole. Por causa disso, houve a declaração da independência da Venezuela em 5 de julho de 1811, quando foi fundada a Primeira República. Entretanto, esse movimento marcou o início da revolução interna com sucessivas tentativas de retomada de poder pelos colonizadores espanhóis.
Durante esse período de grande turbulência política no país, emergiu uma das figuras de maior importância para a independência tanto da Venezuela quanto da Colômbia, do Peru e da Bolívia: Simón Bolívar. Inúmeras batalhas foram travadas entre as tropas lideradas por Bolívar e as forças realistas comandadas pelos espanhóis. Em 1813, ele conseguiu derrotar os espanhóis e fundou, então, a Segunda República venezuelana. No entanto, os europeus estavam dispostos a retomar plenamente o controle sobre a sua colônia e impuseram derrota a Bolívar naquele mesmo ano.
Bolívar fugiu para a Jamaica no ano de 1815 e, sob ameaça de morte, deslocou-se novamente, dessa vez para o Haiti, mantendo sempre o apoio à independência das colônias espanholas da América do Sul. Seu retorno para a Venezuela foi marcado pela fundação da Terceira República em 1817 e pela formação da Grã-Colômbia dois anos mais tarde, em 1819, com Bolívar na presidência desse novo território. Gradativamente, essa unidade político-administrativa foi se dissolvendo, e, em 1830, a Venezuela se separou e ganhou a sua atual configuração territorial.
Veja também: Qual é a história da Colômbia?
Presidentes da Venezuela
Desde a sua separação da Grã-Colômbia, no ano de 1830, até os dias atuais, a Venezuela teve 46 pessoas que chegaram à presidência da república e mais de 64 mandatos. Uma grande parte deles não foi eleita democraticamente, por meio do sufrágio universal, que foi adotado no país somente a partir de 1946, mas, sim, através de indicações, de eleições na Assembleia Nacional, de sucessão de poder e, inclusive, de golpes de Estado. Nota-se que a história da república venezuelana é marcada por períodos de intensa instabilidade política e por mudanças abruptas no governo, motivo pelo qual o país teve tantos presidentes ao longo de sua história.
Considerando o sufrágio universal como marco, apresentamos, a seguir, uma lista com os presidentes da Venezuela desde 1947 até hoje.
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Presidentes da Venezuela após a adoção do sufrágio universal |
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Mandato |
Como chegou à presidência? |
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Rómulo Gallegos |
Fevereiro a novembro de 1948 |
Eleições diretas |
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1948 – 1950 |
Junta militar |
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Germán Suárez Flamerich |
1950 – 1952 |
Junta militar |
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1952 – 1953 |
Presidente provisório |
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Marcos Pérez Jiménez |
1953 – 1958 |
Eleições da Assembleia Nacional |
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Janeiro a novembro de 1958 |
Junta cívico-militar |
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Edgar Sanabria |
1958 – 1959 |
Presidência interina |
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1959 – 1964 |
Eleições diretas |
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Raúl Leoni |
1964 – 1969 |
Eleições diretas |
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1969 – 1974 |
Eleições diretas |
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Carlos Andrés Pérez |
1974 – 1979 |
Eleições diretas |
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1979 – 1984 |
Eleições diretas |
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Jaime Lusinchi |
1984 – 1989 |
Eleições diretas |
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1989 – 1993 |
Eleições diretas |
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Octavio Lepage |
Maio e junho de 1993 |
Presidência interina |
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1993 – 1994 |
Designado pela Assembleia Nacional |
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Rafael Caldera |
1994 – 1999 |
Eleições diretas |
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1999 – 2001 |
Eleições diretas |
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Hugo Chávez |
2001 – 2007* |
Eleições diretas |
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2007 – 2013 |
Eleições diretas |
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Nicolás Maduro |
2013 – 2018 |
Eleições diretas |
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2018 – 2024 |
Eleições diretas |
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Nicolás Maduro |
2024 – 2026 |
Eleições diretas |
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Janeiro de 2026 até o presente |
Presidência interina |
*Houve uma tentativa de golpe de Estado no ano de 2002, quando Pedro Carmona Estanga e posteriormente Diosdado Cabello assumiram brevemente a presidência do país no mês de abril.
Quem governou a Venezuela antes de Hugo Chávez?
Antes de Hugo Chávez ser eleito presidente da Venezuela e chegar ao poder no ano de 1999, o mandato imediatamente anterior ao dele foi o de Rafael Caldera, que assumiu a presidência venezuelana em 1994.
Caldera havia estado à frente do poder Executivo do país no começo da década de 1970, quando foi eleito presidente pela primeira vez e foi reconhecido pela pacificação política da Venezuela após um período de intensas disputas no campo ideológico. À época, diz-se que um equilíbrio foi alcançado até mesmo entre os membros da Assembleia Nacional a partir de uma melhor distribuição de mandatos por partido no Legislativo.
Pouco antes do retorno de Caldera à presidência na Venezuela, o país vivenciou uma crise política e social que foi causada pelas medidas econômicas implementadas por Carlos Andrés Pérez em uma tentativa de liberalização da economia. Lembremos que o final da década de 1980, em escala mais ampla, foi marcado pela difusão das medidas do Consenso de Washington e pela maior propagação dos ideais neoliberais pelos países da América Latina.
Também em seu segundo mandato (1989–1993), Pérez contraiu empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao mesmo tempo que desvalorizou a moeda venezuelana e cortou gastos públicos, o que afetou diretamente a população do país com o aumento do preço de alimentos e de passagens de transporte. Com o descontentamento popular, protestos foram registrados em diferentes partes do país, inclusive na capital, tendo sido respondidos com intensa repressão policial. Esse levante popular foi denominado de Caracazo e ocorreu em 1989.
Dentro das Forças Armadas, que eram fragmentadas do ponto de vista político e ideológico, emergiu um movimento que culminou numa tentativa de golpe de Estado contra Pérez em 1992.
O líder do Movimento Bolivariano Revolucionário 2000, que estava à frente da tentativa frustrada de golpe, era Hugo Chávez. Todos aqueles que se envolveram nessa movimentação foram detidos, incluindo Chávez. A sua liberação aconteceu durante o governo de Caldera, e isso fez com que ele ingressasse de vez na vida política e, com o ganho de popularidade graças à insurreição de 1992, fosse candidato à presidência nas eleições de 1998. Como é sabido, Chávez foi o vencedor do pleito naquele ano, dando início a uma sucessão de mandatos que se estendeu até a sua morte no ano de 2013.
Crise na Venezuela
A crise na Venezuela se refere à crise política e econômica que persiste no país desde a morte de Hugo Chávez em 2013. Na realidade, a história venezuelana é marcada por períodos de revoltas populares, por tentativas de golpe de Estado e por instabilidade econômica. Durante o próprio governo de Rafael Caldera, antecessor de Hugo Chávez, a crise no sistema bancário resultou na falência e no fechamento de grandes instituições financeiras no país entre 1994 e 1996.
Na era Chávez, a nacionalização das empresas de energia e de telecomunicações e dos campos de petróleo na Faixa do Orinoco que eram operados por grandes empresas transnacionais do setor, como a Chevron e a ExxonMobil, ambas dos Estados Unidos, desencadearam a reação dessas companhias e a expropriação de seus ativos. Esse processo aconteceu no ano de 2007, quando a economia venezuelana mantinha um ritmo de crescimento, embora muito dependente da produção e das exportações de petróleo.
Ao mesmo tempo, reformas internas promovidas por Chávez resultaram na redução da pobreza e na melhora de indicadores sociais no país, o que angariou amplo apoio popular ao então presidente. Mesmo assim, foram promovidas mudanças na legislação do país, retirando as restrições à reeleição. Com isso, foi garantida a manutenção de Chávez no poder por vários mandatos seguidos, ao mesmo tempo que a democracia venezuelana se tornou mais frágil. Para além desse tipo de recurso, o governo foi acusado de outras manobras jurídicas e de perseguição política a opositores, instaurando, assim, o princípio de uma crise política que ganhou maiores proporções no governo de seu sucessor, Nicolás Maduro.
Maduro assumiu a presidência interina da Venezuela após o falecimento de Hugo Chávez, tendo sido, depois, oficialmente eleito ao cargo. O primeiro ano de Nicolás Maduro no cargo foi marcado pelo agravamento da crise econômica venezuelana em 2014 com a queda brusca do preço do barril de petróleo, que caiu de US$ 138,54 em 2008 para US$ 100 no começo daquele ano. Em nova baixa, o valor se aproximou dos US$ 50 em pouco tempo, o que impactou as receitas venezuelanas e provocou a redução de investimentos no setor seguida da desaceleração da produção nacional de petróleo pela empresa estatal, a Petróleos de Venezuela (PDVSA).
Muitas das medidas sociais implementadas na Venezuela foram custeadas com a renda proveniente do petróleo. Outro agravante foi o baixo nível de desenvolvimento de outros segmentos da economia do país, haja vista a sua dependência em relação aos combustíveis fósseis. Começa, então, um processo de rápido declínio da economia venezuelana, que passa a depender de importações de diferentes tipos de mercadoria para o abastecimento do mercado interno e para o suprimento das demandas da população.
Os preços de alimentos e de itens básicos aumentava de forma constante, o que ficou caracterizado como sendo a hiperinflação, limitando consideravelmente o acesso a eles. Com isso, cresceu o índice de fome e de insegurança alimentar na Venezuela, da mesma forma que a pobreza e a vulnerabilidade social escalaram. Considerando os dias atuais, pouco mais de 33% da população venezuelana ainda vive abaixo da linha da pobreza. A rápida deterioração da qualidade de vida no país provocou intensos fluxos migratórios da Venezuela para países vizinhos, ampliando o número de refugiados que buscaram melhores condições em países como a Colômbia e o Brasil.
Do ponto de vista político, o cenário também era de crise. O regime de Maduro reprimiu de forma violenta os protestos populares que ocorreram no país, além de casos de perseguição a opositores e da imposição de controle à imprensa nacional venezuelana. A repressão do governo resultou, em 2017, na imposição de sanções dos Estados Unidos contra a Venezuela, agravando a conjuntura econômica do país sul-americano. Mesmo diante do cenário desfavorável, Nicolás Maduro venceu as eleições de 2018 e foi reeleito em 2024 para um terceiro mandato. Ambos os pleitos foram contestados pela oposição, tendo havido alegações de fraude com amplos protestos populares contrários a Maduro e o não reconhecimento da sua reeleição por membros da comunidade internacional.
Nesse ínterim, vale destacar que, em 2018, o então líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, autoproclamou-se presidente interino da Venezuela. Ele foi reconhecido por países como os Estados Unidos e até mesmo o Brasil, mas Maduro se manteve no poder.
No começo de 2026, a crise venezuelana ganhou um novo capítulo: a política intervencionista dos Estados Unidos removeu Nicolás Maduro a força do poder. O país norte-americano havia executado ataques contra embarcações venezuelanas no Mar do Caribe em 2025 sob a alegação de estarem carregadas com entorpecentes que tinham os EUA como destino. As alegações culminaram em um ataque direto a Caracas, com invasão à capital seguida da captura de Nicolás Maduro, que era acusado de chefiar um cartel de drogas na Venezuela. Contudo, o Departamento de Justiça dos EUA retirou essa alegação, mas mantém Maduro como réu por supostamente participar e perpetuar uma cultura de corrupção que tem enriquecido elites do tráfico no país. |1|
Confira também: Qual é a história da Argentina?
Petróleo na Venezuela
A Venezuela é detentora das maiores reservas de petróleo do mundo. São 303,22 bilhões de barris em reservas provadas, o que representa aproximadamente um quarto do petróleo que é detido pelos países-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Aliás, vale destacar que a Venezuela é um dos fundadores dessa organização, que é ativa desde 1960.
Temos que, no ano de 2024, data referente ao último boletim da Opep, o país sul-americano foi responsável pela produção diária de 921 mil barris de petróleo em estado bruto e de 268 mil barris de derivados do petróleo. As exportações foram da ordem de 656 mil barris diários.
A primeira empresa para a exploração de petróleo na Venezuela foi fundada ainda no século XIX, mais precisamente em 1878, com o intuito de que seu fundador explorasse o petróleo encontrado em sua propriedade: a Companhia Petroleira del Táchira. Cinco anos mais tarde, a estadunidense Companhia New York & Bermúdez se estabeleceu no país sob concessão para a exploração. No começo da década de 1920, uma importante reserva comercial de petróleo foi encontrada na região do Lago Maracaibo, e, pouco tempo depois, no ano de 1928, o país já tinha se tornado um dos maiores exportadores mundiais dessa commodity, ficando em segundo lugar em termos de produção.
Com o petróleo, a Venezuela ganhou um papel importante no cenário econômico internacional, tendo estabelecido uma forte aliança com os Estados Unidos, país que é, ainda hoje, o seu principal comprador de petróleo bruto. A economia nacional venezuelana experimentou forte crescimento a partir da exploração desse hidrocarboneto, o que levou o país a investir pesado no segmento. Em 1976, foi criada a principal empresa petrolífera do país, a Petróleos de Venezuela (PDVSA).
Dando um salto na história do país, no ano de 2007, aconteceu a estatização de setores estratégicos da infraestrutura e da produção venezuelanas, incluindo o setor energético e de exploração de petróleo. No mesmo período, Rússia e Venezuela assinaram um acordo de cooperação no setor para impulsionar a produção de combustíveis fósseis em ambos os países.
Diante da dimensão das reservas de petróleo da Venezuela e da sua importância para a geopolítica mundial, analistas políticos e especialistas em direito internacional veem a invasão estadunidense no país em 2026 como uma forma de assegurar o acesso às reservas venezuelanas. No dia 7 de janeiro, o presidente estadunidense Donald Trump afirmou que os rendimentos da comercialização do petróleo venezuelano deverão ser usados para a aquisição exclusiva de produtos oriundos dos Estados Unidos|2|, sendo esse um acordo feito com a Venezuela. Essa questão segue em desenvolvimento e tem suscitado tensões em toda a América Latina acerca de ações militares futuras dos estadunidenses.
Curiosidades sobre a Venezuela
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O nome Venezuela foi atribuído ao país porque os europeus avistaram palafitas sobre as águas no litoral venezuelano, e a paisagem fez lembrar da cidade italiana de Veneza. Por isso, apelidaram aquelas terras de “Pequena Veneza”, significado do nome do país.
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A queda d’água mais alta do mundo fica na Venezuela. A Salto Ángel, como é chamada, tem altura (medida da base ao topo) de 979 metros.
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A Venezuela é um dos países da Amazônia, motivo pelo qual apresenta enorme biodiversidade e integra a seleta lista dos 17 países megadiversos do mundo.
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Uma parte da Cordilheira dos Andes está na Venezuela, mais precisamente no oeste do país. É justamente nela onde estão localizadas as montanhas de maior altitude do território venezuelano.
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Produzida com farinha de milho, as arepas são um tipo de pão muito popular na Venezuela. Elas são igualmente encontradas na Colômbia, país vizinho.
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Notas
|1| LÉON, Lucas Pordeus. EUA recuam em acusar Maduro de liderar suposto Cartel de Los Soles. Agência Brasil, 06 jan. 2026. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-01/eua-recuam-em-acusar-maduro-de-lider-do-suposto-cartel-de-los-soles.
|2| REDAÇÃO. Trump diz que Venezuela usará receita do petróleo para comprar exclusivamente produtos dos EUA. G1, 07 jan. 2026. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/01/07/venezuela-petroleo-trump.ghtml.
Créditos de imagem
[1] JohannaWallace / Shutterstock
[2] Oficina Central de Información de Venezuela (1994–1999) / Archivo Rafael Caldera / Wikimedia Commons (reprodução)
[3] Harold Escalona / Shutterstock
Fontes
BUSCHSCHLÜTER, Vanessa. Venezuela crisis in brief. BBC, 05 ago. 2024. Disponível em: https://www.bbc.com/news/world-latin-america-48121148.
CORAZZA, Felipe; MESQUITA, Lígia. Crise na Venezuela: o que levou o país ao colapso econômico e à maior crise de sua história. BBC, 22 out. 2018. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-45909515.
FUNAG. O livro na rua: Venezuela. Brasília, DF: Thesaurus Editora, 2010.
JARDIM, Cláudia. Entenda o processo de nacionalização do petróleo na Venezuela. BBC Brasil, 01 mai. 2007. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/reporterbbc/story/2007/05/070501_orinocoqandacj_ac.
LIEUWEN, Edwin. Venezuela. Encyclopedia Britannica, [s.d.]. Disponível em: https://www.britannica.com/place/Venezuela.
LOPES, Dawisson Belém. Como o petróleo moldou a história da Venezuela. Folha de S.Paulo, 08 jan. 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/amp/ilustrissima/2026/01/como-o-petroleo-moldou-a-historia-da-venezuela.shtml.
LOPES, Isabella. Quem foi Simón Bolívar, um dos líderes latinos que inspirou a criação da Libertadores no futebol. Guia do Estudante, 07 jan. 2026. Disponível em: https://guiadoestudante.abril.com.br/atualidades/quem-foi-simon-bolivar-um-dos-lideres-latinos-que-inspirou-a-criacao-da-libertadores-no-futebol/.
NASSIF, Luís. A crise na Venezuela 2. Folha de S.Paulo, 13 ago. 1996. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/8/13/dinheiro/8.html.
OPEC. OPEC Annual Statistical Bulletin. OPEC, 2025. Disponível em: https://www.opec.org/assets/assetdb/asb-2025.pdf.
REDAÇÃO. Venezuela profile – Timeline. BBC, 25 fev. 2019. Disponível em: https://www.bbc.com/news/world-latin-america-19652436.
SANTIAGO, Lorenzo. Há 35 anos, ‘Caracazo’ era ponto de virada na política da Venezuela. Brasil de Fato, 27 fev. 2024. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2024/02/27/ha-35-anos-caracazo-era-ponto-de-virada-na-politica-da-venezuela/.
SEQUERA, Vivian. Venezuelans report big weight losses in 2017 as hunger hits. Reuters, 21 fev. 2018. Disponível em: https://www.reuters.com/article/business/healthcare-pharmaceuticals/venezuelans-report-big-weight-losses-in-2017-as-hunger-hits-idUSKCN1G52H9/.
WTO. Venezuela: February 1996. World Trade Organization (WTO), 07 fev. 1996. Disponível em: https://www.wto.org/english/tratop_e/tpr_e/tp26_e.htm.