O Império Mongol foi fundado em 1206, quando Gengis Khan foi eleito o líder de todos os clãs mongóis. Com um poderoso exército, composto principalmente por cavaleiros com arcos, os mongóis iniciaram uma campanha de conquista territorial. Primeiro, ultrapassaram a Grande Muralha da China e conquistaram diversos reinos chineses. Depois, voltaram-se para o Oeste, conquistando terras de povos muçulmanos e cristãos, chegando até a Europa Oriental.
Com mais de 20 milhões de quilômetros quadrados, o Império Mongol foi um império multiétnico, com povos das mais variadas culturas e tradições. Para os padrões da época, esse império foi tolerante com os povos conquistados, permitindo que estes professassem suas religiões e mantivessem suas manifestações culturais, desde que pagassem impostos aos mongóis e fornecessem homens para a guerra.
Após a morte do neto de Gengis Khan, Kublai Khan, o Império Mongol entrou em crise e, em poucos anos, foi fragmentado em diversos reinos. Os descendentes de Gengis Khan edificaram os “canatos”, reinos governados pelos descendentes do grande Khan. Eles existiram na Europa e na Ásia até o século XIX.
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Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre o Império Mongol
- 2 - O que foi o Império Mongol?
- 3 - Contexto histórico do Império Mongol
- 4 - Características do Império Mongol
- 5 - Bandeira do Império Mongol
- 6 - Líder do Império Mongol
- 7 - História do Império Mongol
- 8 - Queda do Império Mongol
- 9 - Império Mongol x Império Romano
- 10 - Exercícios resolvidos sobre Império Mongol
Resumo sobre o Império Mongol
- O Império Mongol foi um império euro-asiático que existiu nos séculos XIII e XIV.
- Gengis Khan foi o primeiro e mais famoso líder do Império Mongol.
- O clã era a célula da organização social mongol. Ele era formado por uma família extensa e liderada por um patriarca.
- Os clãs eram nômades, migrando pelas pradarias em busca de melhores pastos e outros recursos.
- Os clãs podiam se unir e formar confederações. A união de todas as confederações mongóis, sob Gengis Khan, deu origem ao Império Mongol.
- A pecuária era a principal atividade econômica praticada pelos mongóis.
- A principal arma utilizada pelos mongóis era o arco composto.
- Após a morte de Kublai Khan o Império Mongol entrou em decadência.
- O Império Mongol deixou como legado os canatos (chamados também khanatos), reinos governados por descendentes de Gengis Khan.
- Acredita-se que, atualmente, milhões de pessoas que vivem na Ásia e Europa são descendentes de Gengis Khan.
O que foi o Império Mongol?
O Império Mongol foi um enorme império, fundando por Gengis Khan, em 1206, quando ele uniu, sob a sua liderança, as diferentes confederações mongóis. Ao longo do século XIII, tornou-se o maior império contíguo da história humana, estendendo-se do oceano Pacífico até regiões da Europa Oriental.
No seu auge, o Império Mongol atingiu uma extensão de 23 milhões de quilômetros quadrados, o que representava aproximadamente 20% da superfície do planeta. Embora o maior do mundo, o Império Mongol entrou em declínio em pouco tempo, existindo por menos de um século.
Graças a sua enorme extensão, o Império Mongol conquistou diferentes povos, entre eles chineses, árabes, indianos e russos de Kiev. Após a conquista de uma grande cidade, um líder de clã mongol era nomeado seu governante. Um sistema de lei escrito foi levado a todo território conquistado, assim como foi criado um sistema administrativo descentralizado e moedas que foram utilizadas em todo o império. Esse império multicultural contou com relativa tolerância à religião e cultura dos povos conquistados.
Contexto histórico do Império Mongol
No século XII, momento no qual as bases do que se tornou o Império Mongol foram formadas, a Europa vivia a Era Medieval, onde o poder era fragmentado e vigorava o feudalismo. Quando o Império Mongol existiu, cristãos e muçulmanos se enfrentavam nas Cruzadas, disputando a posse da Terra Santa. Na região que atualmente é a China, existiam diferentes reinos que lutavam entre si e, muitas vezes, enfrentavam invasões e saques de clãs mongóis.
Vale lembrar que a Muralha da China foi construída justamente para tentar evitar os ataques mongóis. Nas estepes da Ásia Oriental, os mongóis estavam divididos em pequenos grupos familiares, os clãs, que viviam de forma nômade e eram liderados por um patriarca. Não existia um governo central. Casamento entre membros de clãs diferentes selavam alianças entre esses grupos.
No decorrer do século XII, segundo fontes da Dinastia Liao, algumas confederações mongóis começaram a ser formar, através união de diversos clãs. A mais importante delas foi a Camague Mongol, fundada pelo avô de Gengis Khan, e considerada o embrião do Império Mongol. O pai de Gengis Khan, Lesucai (também chamado Yesugei), foi o principal líder do Camague Mongol no final do século XII, governando-o por 11 anos até ser assassinado por envenenamento, provavelmente por inimigos de outra confederação.
Nesse contexto de fragmentação política e disputas entre os clãs, Temujin se tornou o principal líder mongol, unindo, através de alianças políticas ou de conquistas pela guerra, os diferentes clãs mongóis e se tornando o Gengis Khan, o grande líder do povo mongol.
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Características do Império Mongol
→ Economia do Império Mongol
As pradarias da Mongólia possuem um solo pobre em nutrientes, por esse motivo, a base da alimentação mongol era de origem animal, e era dividida em dois tipos: a alimentação vermelha e a branca. O alimento vermelho, base da alimentação mongol no verão, era composto de proteínas de animais, sobretudo equinos, bovinos e ovinos, e complementado com animais caçados nas pradarias, entre eles coelhos, lebres, raposas, esquilos e outros pequenos mamíferos. Com parte da carne, eram produzidos embutidos, como salames, linguiças e defumados.
A caça, para os mongóis, assim como na Europa feudal, era destinada aos homens e considerada uma espécie de treino para as guerras. Nela os caçadores podiam utilizar seus cavalos e arcos, que eram a base do exército mongol. A caça usava também a “terceira arte masculina” mongol, a falcoaria. Ainda hoje águias-reais são treinadas por povos asiáticos, a maioria deles descendentes dos mongóis, para caçar pequenos mamíferos.
O alimento branco, geralmente consumido no inverno, era composto por derivados de leite de vacas e éguas, com o qual eram feitos queijos e coalhadas, duas formas de conservação do leite. Também eram consumidos vegetais — a maior parte deles comercializados com povos vizinhos — e diversas plantas eram utilizadas como tempero.
Parte dessas especiarias eram originárias do Oriente e chegavam à Mongólia pela Rota da Seda. As bebidas alcoólicas também eram importadas para os mongóis. As duas principais bebidas consumidas eram o saquê e o vinho. O saquê de arroz provinha da China e o vinho da região da Turquia.
O Império Mongol também controlou boa parte da Rota da Seda, considerada uma das estradas mais antigas da história, que ligava a China ao Ocidente. Por essa rota, passavam importantes mercadorias, como a seda e outros tecidos, porcelanas, âmbar, diamantes, ouro, entre muitos outros. Os mongóis cobravam impostos das caravanas de comerciantes que viajavam pela Rota da Seda.
Inicialmente, os mongóis usavam barras ou moedas de prata chinesas em suas relações comerciais. Mas, em 1227 o Império Mongol passou a emitir uma moeda lastreada em metais preciosos e na seda. Em 1253, foi criado o Departamento de Assuntos Monetários, uma espécie de Ministério da Fazenda, responsável pela emissão das moedas do império e pela administração do erário.
Durante o governo de Kublai Khan, o neto de Gengis Khan, o império passou a emitir papel-moeda lastreado. Marco Polo, célebre viajante italiano que conheceu o Oriente, afirmou que o papel-moeda mongol era feito a partir de cascas de amoreira.
→ Sociedade do Império Mongol
A sociedade mongol era organizada em clãs familiares nômades que, na maioria das vezes, viviam da criação de animais como bovinos, ovinos e equinos. Cada clã possuía um patriarca, elevado ao posto por suas capacidades militares e de liderança, e um xamã, sacerdote responsável pela conexão entre seres humanos e o sagrado. Homens e mulheres podiam ser xamãs. Por vezes, alguns clãs se uniam politicamente e militarmente, formando confederações, como a Camague Mongol.
Cada núcleo familiar mongol vivia em uma tenda chamada yurt ou ger, feita de madeira, tendões de animais, couro e tecido. Essa tenda era facilmente montada, desmontada e transportada para novos lugares, para onde os clãs migravam em busca de melhores pastos.
Durante o império, alguns nobres mongóis se sedentarizaram, passando a viver em cidades conquistadas e governá-las. Eles contavam com tropas do exército mongol para isso.
→ Religião do Império Mongol
O Império Mongol era vasto e englobava diversos povos que tinham as mais variadas religiões, entre elas o taoismo, o budismo, o islamismo e o cristianismo. Os mongóis, praticantes do tengrismo, toleravam as diferentes religiões do império, permitindo que todos os povos professassem sua fé, desde que pagassem os devidos impostos aos mongóis. Esse foi um dos primeiros exemplos de tolerância religiosa na história humana.
O tengrismo é uma antiga religião cujo Tendri, o “céu azul eterno”, é o principal deus, criador do universo, da Terra e dos seres humanos. No tengrismo, tudo o que existe na natureza, como árvores, rochas, montanhas e rios, possui um espírito que está intrinsecamente conectado a Tendri. Cada clã mongol possuía seu xamã, o responsável por conectar os seres humanos ao sagrado e pela realização dos rituais e cerimônias, como casamentos e rituais fúnebres.
A partir do Império Mongol, onde houve um grande intercâmbio cultural com outros povos, o budismo tibetano foi gradativamente ganhando força na Mongólia. Atualmente, quase 90% da população do país segue o budismo tibetano. O tengrismo ainda é praticado por alguns clãs das pradarias do interior do país.
Bandeira do Império Mongol
Não havia uma única bandeira oficial para o Império Mongol, mas a versão mais difundida era a bandeira do “Céu Azul Eterno”, composta pelo crescente branco, um sol e uma chama, simbolizando o Céu Eterno, principal divindade mongol. Outros relatos históricos e recriações incluem bandeiras com um falcão, um estandarte branco ou preto com nove caudas, ou bandeiras vermelhas e azuis com símbolos como um cavalo dourado ou um arco e flecha.
Líder do Império Mongol
Ao longo de sua história, o Império Mongol contou com diversos líderes, mas sem dúvida alguma, o mais famoso de todos eles foi Gengis Khan, um dos personagens mais conhecidos da história humana.
Quando Temujin (futuro Gengis Khan) nasceu, diversos clãs mongóis lutavam entre si. Guerras, sequestros e assassinatos eram práticas recorrentes na antiga Mongólia. Seu pai era o principal líder do Camague Mongol, uma confederação de clãs considerada o embrião do Império Mongol. Ele foi assassinado por um rival quando Temujin ainda era criança fazendo com que ele e sua família passassem a ser perseguidos por líderes de clãs rivais.
Mesmo sendo uma espécie de pária entre os principais clãs, Temujin ganhou a confiança de muitos líderes tribais, tornando-se uma liderança importante entre os povos das estepes da Ásia Central e reunindo tropas sob seu comando.
Em 1206, Temujin foi eleito por uma kurultai, a assembleia dos mongóis, o líder de todos os clãs e confederações. A kurultai era uma assembleia de líderes de clãs realizada para tomar decisões militares e políticas. Na kurultai de 1206, Temujin se tornou o Gengis Khan, ou seja, o imperador de todos os homens, o “grande khan” ou “Senhor do Universo”.
Ao chegar ao poder, Gengis Khan promoveu diversas reformas. A primeira mudança implementada por ele foi estabelecer que as pilhagens dos povos conquistados deveriam ser divididas entre todas as famílias dos soldados mongóis. Antes a pilhagem era dividida somente entre os líderes militares. Gengis Khan ainda promoveu uma reforma militar, dividindo o exército em diversas tropas que contavam com bastante autonomia nas batalhas.
Uma rede de estradas foi edificada e por elas mensageiros a cavalo transmitiam ordens e notícias em tempo recorde. Uma guarda pessoal também foi criada pelo Khan, a Keshig, composta pelos melhores soldados do Império Mongol e que tinha por principal objetivo proteger o grande khan e seus familiares. Durante o seu governo, o Império Mongol conquistou grande parte do que conhecemos atualmente como a China, partes do Oriente Médio e da Europa Oriental.
Em 1227, ao atacar novamente a China, Gengis Khan morreu em campanha. Quando isso ocorreu, o Império Mongol era o maior da história humana. Em 2003, um estudo liderado pelo geneticista Chris Tyler, foi publicado no American Journal of humans genetic. Segundo o estudo, existem atualmente 16 milhões de homens na Eurásia que são descendentes de Gengis Khan. O estudo analisou os genes de 5 mil homens e concluiu que 8% deles tinham DNA ligado ao líder mongol.|1|
História do Império Mongol
→ Fundação do Império Mongol
No início do século XIII, os mongóis estavam organizados em diversos clãs familiares que passaram a se unir formando confederações. Nessa época, Temujin se tornou uma liderança respeitada por grande parte dos clãs. Após conseguir vencer os clãs que se opunham a ele, foi eleito em 1206, tornando-se Gengis Khan e fundando, oficialmente, o Império Mongol.
Sob a liderança de Gengis Khan, a Mongólia conquistou diversos reinos chineses e expandiu suas conquistas até o leste da Europa. Líderes mongóis foram nomeados para as diferentes províncias, a Rota da Seda foi conquistada e impostos passaram a ser cobrados dos povos conquistados.
O governo de Gengis Khan deu origem ao período conhecido como Pax Monglica, na qual houve muitas trocas com outros povos e grande desenvolvimento econômico e tecnológico. Ele governou o Império Mongol até 1227, quando faleceu em uma nova campanha militar na China.
→ Sucessores de Gengis Khan
Após a morte do grande khan, seu filho Tolui Khan foi eleito para governar provisoriamente o Império Mongol, sendo sucedido pelo irmão, Ogedai Khan, em 1229. Este enfrentou diversas revoltas no império, mas enviou tropas para todas as regiões revoltosas e conseguiu manter a unidade do império.
Na China, Ogedai atacou o Império Jim, com auxílio de reinos do Sul, conquistado todo o vasto território desse império. No Oriente, também conquistou a Península Coreana, e no Ocidente, venceu povos que se revoltaram contra o império, como os russos de Kiev, os povos iranianos e árabes. Ele também conquistou a Armênia, a Geórgia e partes da Europa na qual estão atualmente Polônia, Sérvia, Bulgária e Croácia.
Durante o governo de Ogedai, diversas cidades foram edificadas, assim como estradas, fortalezas e palácios. Na construção dessas grandes obras, foram empregados conhecimentos e artesãos de diversas partes do império, principalmente da China. Ogedai faleceu de causas naturais em 1241 e foi sucedido pela sua principal esposa, Toregene Khatun, que governou o Império Mongol como regente por cinco anos.
Logo no início de seu governo, Toregene fez uma grande reforma ministerial, nomeando outra mulher, Fátima, uma ex-cativa de origem muçulmana, como principal ministra. Durante sua regência, o Império Mongol conquistou Sichuan, na China, e reprimiu revoltas na região turca do império. Além disso, com grande habilidade política, Toregene conseguiu que seu filho, Guyuk Khan, fosse eleito o novo líder do império, em 1246.
Guyuk governou apenas por dois anos e ficou famoso pela troca de cartas com o Papa Inocêncio IV. O papa, preocupado com o avanço mongol sobre a Europa, enviou um grupo de mensageiros, a maioria frades dominicanos, para negociar com as autoridades do império. Uma carta foi enviada pelo papa a Guyuk Khan, na qual afirmava que a Igreja Católica era a maior autoridade do mundo. O imperador mongol enviou uma carta em resposta ao papa, exigindo que ele se curvasse e reconhecesse a sua autoridade.
Em 28 de abril de 1248, Guyuk Khan faleceu misteriosamente, alguns historiadores defendem que ele foi envenenado e, outros, que ele morreu de causas naturais. Sua esposa, Oghul Qaimish foi regente por três anos, até que seu filho Mongke Khan fosse nomeado o líder máximo do império.
Mongke Khan governou o império por quase uma década e durante esse período houve relativa paz. Diversos líderes europeus, chineses e muçulmanos enviaram representantes diplomáticos para tentar estabelecer alianças militares com o Império Mongol. Luís IX, rei da França, enviou Guilherme de Rubruck para negociar com o khan, objetivando que este ajudasse os franceses contra os muçulmanos nas Cruzadas, sem obter sucesso. Durante o seu governo, Mongke Khan conquistou a região do Levante, partes da Índia e do Sul da China.
→ Último khan do Império Mongol
Em 1259, Mongke Khan morreu na campanha contra os chineses, provavelmente em batalha. Com sua morte, seus dois filhos, Kublai Khan e Ariq Boke, reivindicaram o trono, dividindo os clãs mongóis e iniciando a Guerra Civil Toluida. A guerra acabou com a vitória de Kublai, que se tornou o último grande khan do Império Mongol. Ele conquistou finalmente toda a China, unificando seu governo, proclamando-se imperador chinês e dando origem à Dinastia Yuan, que governou a China até 1368.
Kublai Khan tentou ainda conquistar o Japão, tentando invadir o arquipélago entre 1274 e 1281, sem obter sucesso. Kublai estimulou as artes, criou bibliotecas, palácios e financiou artistas e cientistas, sendo fortemente influenciado pela cultura chinesa. Foi durante o seu reinado que o famoso explorador italiano, Marco Polo, conheceu a Corte Mongol estabelecida na China.
Queda do Império Mongol
O Império Mongol entrou em decadência após o governo de Kublai Khan, mas não houve uma queda abrupta do império, mas sim um lento declínio que perdurou por séculos. Após a morte de Kublai Khan, em 1294, diversos líderes passaram a reivindicar o poder, e o império se dividiu em quatro canatos:
- o Canato da Horda Dourada, que abrangia parte da Rússia, Ucrânia, Bielorrússia e Sibéria;
- o Ilcanato, que englobava a Pérsia e o Oriente Médio;
- o Canato Chagatai, que se estendia por parte do Afeganistão, Cazaquistão e Turquestão; e
- o Canato da Dinastia de Yuan, que controla a maior parte do que é hoje a China e a própria Mongólia.
Com o passar dos séculos, esses canatos foram divididos em outros canatos menores, ou foram derrubados e conquistados, como o Canato da Dinastia de Yuan que foi derrubado pela Dinastia Ming, em 1368. O último canato existente foi o Canato Cazaque, que foi conquistado e anexado ao Império Russo em 1848.
Império Mongol x Império Romano
Quase mil anos de história separam o Império Romano do Império Mongol, mas é possível fazer uma comparação entre dois dos maiores impérios da história. O Império Romano (época em que um imperador governava o Estado romano) existiu entre 27 a.C., até 476 d.C., quando o último imperador foi deposto. Mas o imperialismo romano se iniciou muito antes, ainda no período monárquico, quando os latinos passaram a conquistar povos da Península Ibérica.
No seu auge, os romanos conquistaram quase toda a Europa Ocidental, inclusive a Grã-Bretanha, todo o Norte da África e partes do Oriente Médio. Dominaram aproximadamente 5 milhões de km², durando quase mil anos.
Já o Império Mongol surgiu em 1206, com a ascensão de Gengis Khan ao poder, e entrou em crise menos de um século depois, a partir de 1294. Por outro lado, os mongóis edificaram um império que, no seu auge, alcançou cerca de 23 milhões de km², mais de quatro vezes maior que o Império Romano.
Saiba mais: O que foi a Pax Romana?
Exercícios resolvidos sobre Império Mongol
1. No século XIII, o Império Mongol estabeleceu um sistema de correios e estradas que integrava regiões da Ásia e partes da Europa, garantindo relativa segurança a comerciantes e viajantes. Esse contexto favoreceu a chamada Pax Mongolica.
Considerando o cenário descrito, um impacto direto desse processo foi:
a) a diminuição do comércio entre o Oriente e o Ocidente devido ao controle rígido imposto pelos mongóis.
b) a intensificação das trocas comerciais e culturais, permitindo maior circulação de conhecimentos, tecnologias e produtos.
c) a criação de fronteiras fechadas entre os territórios conquistados, restringindo a mobilidade de mercadores.
d) o isolamento econômico da China em relação aos demais povos da Eurásia.
Resposta: B
A Pax Mongolica foi o período da história da Mongólia na qual houve grande troca comercial, cultural e tecnológica com outros povos, como chineses, muçulmanos, indianos e europeus. No período, também houve grande prosperidade econômica e social.
2. Gengis Khan estruturou o Império Mongol com base na lealdade militar e em estratégias administrativas que incorporavam povos conquistados. Para tanto, eliminou práticas tradicionais da aristocracia tribal mongol e organizou o exército em unidades disciplinadas. Tais medidas contribuíram para a expansão mongol porque:
a) criaram um sistema econômico baseado exclusivamente no comércio marítimo.
b) aumentaram a coesão interna, permitindo campanhas militares mais eficazes e adaptáveis a diferentes regiões.
c) impediram o uso de tecnologias militares estrangeiras, garantindo autonomia cultural.
d) deram prioridade a alianças religiosas que moldaram o exército mongol.
Resposta: B
O Império Mongol foi relativamente tolerante com os povos conquistados, permitindo que estes mantivessem suas tradições. Os povos conquistados eram obrigados a pagar impostos aos mongóis e a disponibilizar soldados para o exército.
Nota
|1| TYLER-SMITH, C. et al. A Genetic Landscape Reshaped by Recent Events: Y-Chromosomal Insights into Central Asia. The American Journal of Human Genetics. v. 71, set. 2002, p. 466–482. Disponível em: https://www.cell.com/action/showPdf?pii=S0002-9297%2807%2960328-0
Créditos das imagens
Fontes
ARAUJO, Eduardo Almeida de. Gengis Khan. Hunter Books, 2007, São Paulo.
GONÇALVES, Yuriy J. L. De Gengis Khan à Mongólia atual. Viseu Editora, Maringá, 2023.