Estrutura geológica do Brasil

A estrutura geológica do Brasil é formada principalmente pelos escudos cristalinos e pelas bacias sedimentares. Caracteriza-se por rochas muito antigas e desgastadas.

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A estrutura geológica do Brasil é o conjunto de rochas que constitui a base física do território brasileiro. Ela é composta por formações muito antigas, que se originaram ainda no Pré-Cambriano, e que, por isso, foram intensamente desgastadas pela ação dos agentes modeladores de relevo, como a água. As bacias sedimentares, em que se encontram as rochas sedimentares e, por vezes, intrusões magmáticas, representam a maior extensão da estrutura geológica brasileira, dividindo espaço com os escudos cristalinos, que são os terrenos mais antigos e formados por rochas magmáticas e por rochas metamórficas. 

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Leia também: Como é o relevo brasileiro?

Tópicos deste artigo

Resumo sobre a estrutura geológica do Brasil

  • A estrutura geológica do Brasil é formada por rochas muito antigas, que se formaram entre o Pré-Cambriano e a Era Paleozoica e a Era Mesozoica, em sua maioria.
  • Os escudos cristalinos e as bacias sedimentares formam a maior extensão da estrutura geológica do país.
  • Os escudos cristalinos representam 36% da estrutura geológica do país. Eles são formados por rochas muito antigas, que datam do Pré-Cambriano, de origem magmática e metamórfica.
  • Nos escudos cristalinos, ficam as principais reservas de minerais do país.
  • As bacias sedimentares representam 64% da estrutura geológica brasileira. Elas formaram-se a partir da deposição de sedimentos oriundos de áreas mais elevadas.
  • A formação da maior parte das bacias sedimentares aconteceu entre o Pré-Cambriano e a Era Mesozoica. Nelas, é possível encontrar combustíveis fósseis.
  • Por apresentar uma estrutura geológica muito antiga, o relevo brasileiro apresenta altitudes modestas e formas que indicam a intensa ação dos agentes modeladores, como a água.

Qual a estrutura geológica do Brasil?

Mapa mostrando a estrutura geológica do Brasil.
O Brasil tem uma estrutura geológica muito antiga e formada predominantemente por escudos cristalinos e por bacias sedimentares. (Créditos: Isa Galvão | Brasil Escola)

A estrutura geológica do Brasil é formada principalmente pelos escudos cristalinos (crátons ou maciços antigos) e pelas bacias sedimentares. A seguir, entenda o que é cada uma delas.

→ Escudos cristalinos

Chamados também de crátons e de maciços antigos, os escudos cristalinos brasileiros distribuem-se pelas regiões Norte, Sul, Nordeste e Centro-Oeste do país, representando uma parcela de 36% da estrutura geológica do país. Essa é a base geológica de origem magmática e metamórfica e que constitui os terrenos mais antigos do território brasileiro, tendo sido formada durante o Pré-Cambriano, mais precisamente entre o Éon Arqueozóico e o Éon Proterozóico. Apresentam, portanto, idade superior a 545 milhões de anos, podendo superar os 2,5 bilhões de anos. Em função disso, elas foram, também, as rochas mais expostas à ação dos agentes modeladores do relevo, principalmente dos agentes externos, que são aqueles causadores da erosão.

Região do Brasil em que é possível ver escudos cristalinos (crátons ou maciços antigos), que formam a estrutura geológica do Brasil.
Os escudos cristalinos concentram os principais depósitos minerais do Brasil.

Hoje, os escudos cristalinos constituem a base de formas de altitude mais baixas do relevo do Brasil, como as depressões e as planícies. Em algumas áreas, é possível observar, também, a presença de chapadas e de morros. Vale destacar o fato de que os terrenos cristalinos brasileiros acumulam uma grande parte dos recursos minerais brasileiros. As duas maiores províncias minerais do país, que são a Serra dos Carajás, no Pará, e o Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, contêm enormes volumes de ferro e cobre, e se desenvolveram no escudo cristalino.

Veja também: Escudos cristalinos (crátons ou maciços antigos) — mais detalhes sobre essas estruturas

→ Bacias sedimentares

As bacias sedimentares são estruturas mais recentes da base rochosa brasileira quando comparadas com os escudos cristalinos. Segundo o professor e geógrafo Jurandyr Ross, as bacias mais recentes são aquelas que formam a região do Pantanal, no Centro-Oeste do país, e trechos da Amazônia e dos litorais Sul e Sudeste, tendo desenvolvido-se durante os dois últimos períodos da Era Cenozoica. Ainda assim, a maior parcela das bacias sedimentares brasileiras originou-se entre a Era Paleozoica e a Era Mesozoica. Elas resultam do processo erosivo que aconteceu nos escudos cristalinos e dos dobramentos antigos, que originaram amplos depósitos sedimentares nos terrenos mais rebaixados.

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Quando analisamos o mapa, percebemos que as bacias sedimentares brasileiras distribuem-se principalmente pelo Centro-Oeste, pelo Sudeste e pelo Nordeste do país, além de um trecho na região Norte, perfazendo 64% da estrutura geológica nacional.

Região do Brasil em que é possível ver bacias sedimentares (ou depósitos sedimentares), que formam a estrutura geológica do Brasil.
Depósitos sedimentares no Parque Geológico do Varvito, na cidade de Itu (SP), que fica na Bacia do Paraná. [1]

Por causa do tempo de exposição aos agentes intempéricos, sobre elas foram modeladas, também, formas de relevo de menor altitude, como as depressões e planícies. No entanto, os planaltos e as chapadas são as principais formas observadas em áreas de bacia sedimentar. Da mesma maneira que os escudos, as bacias sedimentares do Brasil também são conhecidas por armazenarem recursos minerais. Nesse caso, estamos falando dos combustíveis fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural.

Não é incomum que haja intrusões magmáticas nesse tipo de estrutura, como os derrames basálticos que originaram a Formação Serra Geral na Bacia do Paraná, e que aconteceram durante o período Cretáceo.

Acesse também: Bacias sedimentares — mais detalhes sobre essas estruturas

→ Dobramentos antigos

Região do Brasil em que é possível ver dobramentos antigos, que formam a estrutura geológica do Brasil.
A região serrana do litoral brasileiro tem como base geológica os dobramentos antigos.

Em se tratando da estrutura geológica do Brasil, é sabido que não existem dobramentos modernos, que formam as grandes montanhas e cordilheiras como os Andes e os Himalaias. Isso ocorre pela posição centralizada assumida pelo país na placa tectônica sul-americana, distante das zonas de convergência.

Contudo, evidências geológicas mostram que as montanhas fizeram parte da paisagem brasileira durante o Pré-Cambriano, mesmo período em que se formavam os terrenos cristalinos. De acordo com Jurandyr Ross, essas cadeias montanhosas constituíam os cinturões orogenéticos de Brasília, do Paraguai-Araguaia e do Atlântico. Por conta dos eventos tectônicos que ocorriam nessas áreas, e que condicionaram a formação das dobras na estrutura rochosa, nesses terrenos, hoje, são encontradas rochas metamórficas.

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Novamente, a ação do tempo e dos agentes intempéricos condicionou a profunda transformação dessas estruturas geológicas. As montanhas imponentes deram origem a serras, a morros e a planícies, e a base rochosa recebe a denominação de dobramentos antigos, em contraposição aos dobramentos modernos.

Confira também: O que são os dobramentos modernos?

Relevo do Brasil

O relevo do Brasil foi constituído sobre uma estrutura geológica muito antiga. A maior parte das suas rochas teve origem entre o Pré-Cambriano e a Era Mesozoica, com pequenos trechos formados na última era geológica. Em função disso, a predominância de altitudes modestas é uma das características do modelado brasileiro. Tais altitudes desenvolveram-se em função da forte atuação dos agentes formadores de relevo, em especial os agentes externos, como a água. Por estar em uma região tectonicamente estável, é muito baixa a atuação dos agentes internos no relevo brasileiro.

Existem diferentes maneiras de categorizar as formas observadas na paisagem do Brasil. A mais utilizada atualmente foi aquela proposta por Jurandyr Ross no ano de 1989, que divide o relevo do país em três grandes unidades: planaltos, planícies e depressões.

  • Planaltos: são as formas de maior altitude do relevo brasileiro. Eles estão situados entre as cotas altimétricas de 300 e 1.000 metros, sendo predominantes sobre os escudos cristalinos e nas bordas das bacias sedimentares. Na classificação de Ross, são 11 as unidades de planalto do relevo do Brasil.
Planalto, parte do relevo do Brasil.
Os planaltos representam os terrenos com maior elevação do Brasil.
  • Planícies: concentram-se no entorno dos cursos d’água e na faixa litorânea. As cotas altimétricas dessa forma de relevo ficam abaixo de 220 metros e chegam a 0, ou seja, no nível do mar. Elas formam terrenos planos e suavemente ondulados que representam a ação intensiva e prolongada dos agentes intempéricos sobre a estrutura geológica brasileira.
Planície, parte do relevo do Brasil.
As planícies brasileiras podem ser fluviais ou costeiras e são terrenos aplainados e de baixa altitude.
  • Depressões: são formas de relevo de baixa altimetria, com altitudes de até 100 metros. Elas são, também, o resultado do intemperismo físico sobre a estrutura geológica, distribuindo-se pelo Norte, pelo Nordeste e pelo Sudeste do Brasil, principalmente.
Depressão, parte do relevo do Brasil.
Depressões, como a Depressão Sertaneja, no Nordeste, são áreas intensamente alteradas pela ação dos agentes erosivos.

Estrutura geológica do Brasil no Enem

A prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) aborda a estrutura geológica do Brasil de diferentes maneiras. Para a resolução das questões, é importante não apenas conhecer a geologia do território brasileiro e os aspectos de cada uma das estruturas que a compõem, mas, sobretudo, entender sua relação com o relevo, com outros componentes naturais, como o solo, e com as atividades econômicas, assim como processos geológicos que levaram à sua formação e transformação. Por isso, estudar o ciclo das rochas, os agentes modeladores do relevo, os diferentes tipos de rocha, o processo de intemperismo (químico e físico), a mineração e o garimpo pode fazer a diferença no resultado final.

Lembre-se de que o Enem é uma prova que avalia a capacidade do estudante de resolver situações-problema, de avaliar e de identificar padrões e fenômenos no território e de traçar correlações entre a disciplina estudada e seu conhecimento de mundo.

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Exercícios resolvidos sobre estrutura geológica do Brasil

Questão 1

(Enem)

Escudos antigos ou maciços cristalinos são blocos imensos de rochas antigas. Estes escudos são constituídos por rochas cristalinas (magmático-plutônicas), formadas em eras pré-cambrianas, ou por rochas metamórficas (material sedimentar) do Paleozoico. São resistentes, estáveis, porém bastante desgastadas. Correspondem a 36% da área territorial e dividem-se em duas grandes porções: o Escudo das Guianas (norte da Planície Amazônica) e o Escudo Brasileiro (porção centro-oriental brasileira).

Disponível em: http://ambientes.ambientebrasil.com.br. Acesso em: 25 jun. 2015.

As estruturas geológicas indicadas no texto são importantes economicamente para o Brasil por concentrarem

A) fontes de águas termais.

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B) afloramentos de sal-gema.

C) jazidas de minerais metálicos.

D) depósitos de calcário agrícola.

E) reservas de combustível fóssil.

Resolução:

Alternativa C.

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Os escudos cristalinos brasileiros são importantes por concentrarem as jazidas de minerais metálicos do país, como minérios de ferro e de cobre.

Questão 2

(Enem PPL)

Petrobras identifica a presença de hidrocarbonetos em poço na Bacia de Santos

A Petrobras anunciou que identificou a presença de hidrocarbonetos (que dão origem ao petróleo) no pré-sal da Bacia de Santos, em poço pioneiro do bloco Aram. Segundo a estatal, o poço 1-BRSA-1381-SPS (Curaçao) está localizado a 240 km da cidade de Santos, no litoral de São Paulo, em profundidade de 1 905 m. A Petrobras informou que o intervalo portador de petróleo foi constatado por meio de perfis elétricos e amostras de fluido, que serão posteriormente caracterizados por análises de laboratório. Esses dados permitirão avaliar o potencial e direcionar as próximas atividades exploratórias na área.

Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 20 dez. 2021 (adaptado).

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A ocorrência do recurso natural na área destacada está relacionada à:

A) ação de correntes marinhas na beira-mar.

B) colisão de placas tectônicas na costa brasileira.

C) temperatura elevada da água do Atlântico na região.

D) presença de rochas de origem magmática no local.

E) deposição de compostos orgânicos no leito oceânico.

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Resposta:

Alternativa E.

O recurso natural indicado forma-se nas áreas de bacias sedimentares. Portanto, a sua ocorrência está relacionada à deposição de compostos orgânicos no leito oceânico, que foram soterrados com o passar do tempo geológico e originaram o petróleo.

Questão 3

(Enem)

As plataformas ou crátons correspondem aos terrenos mais antigos e arrasados por muitas fases de erosão. Apresentam uma grande complexidade litológica, prevalecendo as rochas metamórficas muito antigas (Pré-Cambriano Médio e Inferior). Também ocorrem rochas intrusivas antigas e resíduos de rochas sedimentares. São três as áreas de plataforma de crátons no Brasil: a das Guianas, a Sul-Amazônica e a do São Francisco.

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ROSS, J. L. S. Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 1998.

As regiões cratônicas das Guianas e a Sul-Amazônica têm como arcabouço geológico vastas extensões de escudos cristalinos, ricos em minérios, que atraíram a ação de empresas nacionais e estrangeiras do setor de mineração e destacam-se pela sua história geológica por

A) apresentarem áreas de intrusões graníticas, ricas em jazidas minerais (ferro, manganês).

B) corresponderem ao principal evento geológico do Cenozoico no território brasileiro.

C) apresentarem áreas arrasadas pela erosão, que originaram a maior planície do país.

D) possuírem em sua extensão terrenos cristalinos ricos em reservas de petróleo e gás natural.

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E) serem esculpidas pela ação do intemperismo físico, decorrente da variação de temperatura.

Resolução:

Alternativa A.

As regiões cratônicas, ou de escudo cristalino, são conhecidas pela alta concentração e pela diversidade de minerais, como ferro, manganês, cobre, níquel e ouro.

Crédito de imagem

[1] Ricardo Dagnino / Wikimedia Commons (reprodução)

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Fontes

ROSS, Jurandyr L. Sanches. Os fundamentos da geografia da natureza. In: ROSS, Jurandyr L. Sanches. (Org.). Geografia do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2019. 6 ed. 3 reimp. (Didática; 3). P. 13-65.

ROSS, Jurandyr L. Sanches. O Relevo Brasileiro nas Macroestruturas Antigas. Revista Continentes (UFRRJ), ano 2, n. 2, p. 8-27, jan. 2013. Disponível em: https://www.revistacontinentes.com.br/index.php/continentes/article/view/16.

TEIXEIRA, Wilson.; FAIRCHILD, Thomas Rich.; TOLEDO, Maria Cristina Motta de; TAIOLI, Fabio. (Orgs.) Decifrando a Terra. São Paulo, SP: Companhia Editora Nacional, 2009, 2ª ed.

Escritor do artigo
Escrito por: Paloma Guitarrara Licenciada e bacharel em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e mestre em Geografia na área de Análise Ambiental e Dinâmica Territorial também pela UNICAMP. Atuo como professora de Geografia e Atualidades e redatora de textos didáticos.
Deseja fazer uma citação?
GUITARRARA, Paloma. "Estrutura geológica do Brasil"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/brasil/estrutura-geologia-brasil.htm. Acesso em 01 de abril de 2026.
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